A ilusão dos nomes de peso numa disputa de vereador em Mossoró

 

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Não restam dúvidas. Sandra Rosado (PSB) e Betinho Rosado (PP) são dois quadros dos mais qualificados na política mossoroense. Nomes de peso, foram dois deputados federais atuantes cada um ao seu estilo.

Sem mandatos, eles tentam recomeçar a vida política pela Câmara Municipal. Não enxergo demérito nisso. Mas também não creio nas votações estrondosas projetadas para ambos. Não se trata de desejo pessoal, até porque nutro simpatia pessoal pelos dois, e não faço análise política com base nos meus sentimentos. O critério é técnico.

Quando começou a se especular que Sandra seria candidata a vereador se falava que ela teria mais de seis mil votos. Confesso que num primeiro embarquei nessas projeções. O mesmo valeu para Betinho Rosado.

Creio em boas votações para ambos, mas acima de seis mil votos é pouco provável. Até porque como diz a sabedoria das rodas de conversas: “o voto de vereador é quebrado”.

Uma coisa é disputar com estrutura uma eleição de deputado federal, que em Mossoró tem ares de majoritária. Outra é o voto de vereador que é o da amizade, da gratidão e até mesmo dos meios nada republicanos.

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E os números mostram isso. São raros os casos em que vereadores passam de três mil votos em Mossoró. Até mesmo os pouquíssimos que passaram de 4 mil não podem se vangloriar tendo em vista que em termos percentuais a votação de Vingt-un Rosado em 1972 dificilmente  será alcançada em Mossoró. Na oportunidade ele teve 3.797 Votos num cenário com 28.690 eleitores. Ele obteve 13,23% do total de eleitores da época. Os meus arquivos não disponibilizam os votos válidos. Para ter uma votação (em termos percentuais) dessas hoje em dia um candidato teria que alcançar algo em torno de 22 mil votos.

Tirar 6 mil votos é uma proeza mesmo assim. Quando Vingt-un teve essa votação espetacular ele estava em um cenário em que só existiam duas chapas para vereador. Ou você era da Arena ou do MDB. Mesmo assim não chegávamos a 100 candidatos. Nem perto disso.

Ao longo dos anos poucos casos de votação superior a 3 mil votos foram registrados em Mossoró. Um deles foi Almeida Sobrinho em 1982 que obteve 3.022 votos num cenário de menos de 60 mil eleitores. Na eleição seguinte, num cenário sem bipartidarismo e, por consequência, com um número bem maior de candidatos o voto de vereador “quebrou”. Mesmo com um eleitorado superior a 70 mil, o campeão de votos foi Vicente Rego (PDS) com 1.404 sufrágios. Veja que o mais votado de 1982 teve o dobro do mais votado de 1988. Mais candidatos, menos chances de votações mais expressivas.

Quatro anos depois novamente  Vicente foi o mais votado, mas mais uma vez abaixo de 2 mil votos. Foram 1.929 votos. Repare que dez anos depois ninguém chegou nem perto dos 3 mil votos de Almeida dez anos antes.

Só em 1996 Edinho dos Rolamentos voltaria a bater a marca tirando dos 3 mil, obtendo 3.369 votos.

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Só em 2000 o recorde em números absolutos de Vingt-un foi batido quando Francisco José Junior (PP) teve 4.308 (4,08%) votos, seguido por Vicente Rego com 3.478. O terceiro colocado Vingt Neto teve 2.927 votos. Repare que em termos percentuais o atual prefeito não teve um terço dos 13,23% de Vingt-un. O recorde dele durou incríveis 28 anos e só foi batido num cenário com 127.894 eleitores, ou seja, quase 100 mil a mais.

COM REDUÇÃO

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As eleições de 2004 e 2008 mostram o peso do número de candidatos no tamanho das votações. Com apenas 13 vagas na Câmara, o número de postulantes diminuiu até porque o número de vagas nas coligações está relacionado ao número vagas em jogo. Se até 2000 apenas cinco vereadores foram eleitos com mais de três mil votos, em 2004 Chico da Prefeitura (3.878), Izabel Montenegro (3.541), Benjamim Machado (3.001)  e Arlene Souza (3.163) superaram a barreira. Menos concorrência mais votos. Para se ter ideia dos 13 eleitos apenas Sargento Osnildo com 1.554 votos ficou abaixo da faixa dos 2 mil sufrágios. Quatro anos depois o número saltou para seis candidatos eleitos com mais de 3 mil fotos sendo que Cláudia Regina (4.205) se tornara a segunda a ultrapassar a barreira dos quatro mil.  A lista é completa por Niná Rebouças (3.938), Ricardo de Dodoca (3.349), Chico da Prefeitura (3.349) e Claudionor dos Santos (3.227) e Daniel Gomes (3.161). O inusitado foi Manoel Bezerra que numa coligação pesada se tornou suplente com 3.217 votos, assumindo o mandato com a morte de Niná Rebouças em 2010. Só Maria das Malhas foi eleita com menos de 2 mil votos e mesmo assim chegou bem perto porque recebeu 1.956 sufrágios.

RETORNO DOS 21

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Em 2012 houve um hiato entre os dois primeiros colocados e o terceiro como em 2000. Alex Moacir bateu o recorde de Francisco José Junior que durava 12 anos atingindo 4.701 (3,42%) – com média percentual menor – seguido por Francisco Carlos que recebeu 4.452 votos. O terceiro, Ricardo de Dodoca teve 2.928. Quadro de hiato parecido com 2000, repito.

Com 21 vagas apenas sete candidatos em sete eleições ultrapassaram 3 mil sufrágios. Com 13 vagas em duas eleições 11 candidatos passaram dos 3 mil votos.

Nas últimas eleições sete candidatos foram eleitos com menos de dois mil votos. Abaixo o quadro dos candidatos que ultrapassaram três mil votos:

Com 21 vagas

Vingt-un Rosado (1972): 3.797

Almeida Sobrinho (1982): 3.022

Edinho dos Rolamentos (1996):  3.369

Francisco José Junior (2000): 4.308

Vincente Rego (2000): 3.478

Alex Moacir (2012):  4.701

Francisco Carlos (2012):  4.452

Com 13 vagas

Chico da Prefeitura (2004): 3.878

Izabel Montenegro (2004): 3.541

Arlene Souza (2004): 3.163

Benjamim Machado (2004): 3.001

Cláudia Regina (2008): 4.205 votos

Niná Rebouças (2008): 3.938 votos

Ricardo de Dodoca (2008): 3.370

Chico da Prefeitura (2008): 3.349

Claudionor dos Santos (2008): 3.227

Daniel Gomes (2008): 3.161

Manoel Bezerra (2008):  3.217

QUADRO ATUAL

A Justiça Eleitoral registrou 393 pedidos de registros de candidatura a vereador em Mossoró. Sendo que quatro renunciaram ao projeto de chegar a Câmara Municipal. Portanto, até que as impugnações sejam analisadas temos 389 nomes na disputa. São 18 candidatos para cada vaga. Para se ter ideia, na eleição de 2012 eram 260 candidatos espalhados em sete coligações mais três partidos isolados, formando dez chapas. Agora são 389 candidatos espalhados em 16 chapas. Esse ano o aumento foi 49% no número de candidatos. Já em relação chapas o crescimento foi de 60%.

A expectativa de votos para Sandra e Betinho é alta e eles devem ser bem votados, mas não espere uma votação estratosférica como em algumas projeções sem cunho científico ou conhecimento do comportamento do eleitor mossoroense ao longo dos últimos anos.

O peso político de ambos serve muito mais para atrapalhar do que ajudar numa eleição de vereador porque ambos são vistos como “já eleitos” e o eleitor pode direcionar o voto para alguém mais próximo e que “precise mais”.

O pleito de 2016 caminha para ter um quociente eleitoral menor que o de 2012 que foi de 6.545. Além do número elevado de candidatos, o fato de termos dois feriados em Mossoró na sexta-feira (municipal) que antecede as eleições e na segunda-feira (estadual) posterior ao pleito levará a aumentar as abstenções. Isso prejudica políticos com o perfil de Sandra e Betinho que atraem mais o eleitorado de classe média.

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3 opiniões sobre “A ilusão dos nomes de peso numa disputa de vereador em Mossoró

  • 29 de agosto de 2016 em 09:31
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    Muito ótimo essa matéria em relação a votação em nossa cidade para câmara de vereadores.

    Riquíssimo em conteúdo!

    A votação proporcional na minha opinião, feri a democracia.
    Na verdade os votos de coligação não era pra contar e sim o voto direto para o candidato.

    #JesusNaFrenteSempre

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  • 29 de agosto de 2016 em 15:52
    Permalink

    Parabéns! Ótimo levantamento.

    Resposta

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