Aquela mão estendida se fechou

João Carlos Brito deixa uma lacuna que não será fechada (Foto: autor não identificado)

Convivi com João Carlos Brito na redação da TCM Telecom por quatro anos. Há quem diga que a principal característica de sua personalidade era a sinceridade. O que sempre me chamou a atenção era a generosidade.

Faltou um cinegrafista? João Carlos estava lá para resolver. Não vou poder apresentar o jornal hoje? João Carlos apresenta. Adoeci, e agora? João Carlos estava lá de prontidão para atender.

Ele amava o que fazia.

Mas não era só como colega de trabalho que sua mão estava sempre estendida. Ele era ótimo ouvinte. Sabia ouvir os colegas e dar conselhos. Sempre estava disponível para uma boa prosa. Sempre tinha algo engraçado no celular para mostrar a alguém.

Seu sorriso era tão inconfundível quanto o vozeirão.

Era um dos jornalistas mais completos que conheci. Atuava como maestria como repórter, comentarista e apresentador. Transitava por todas as editorias sem dificuldades ou reclamações.

Dava conta do recado, botava jornal na rua como a gente falava nos tempos do impresso.

Certa vez quando disse a ele que o considerava um dos jornalistas mais completos que conheci ele deu um sorriso envergonhado e disparou: “Tu acha?”.

Ele era assim. Sincero sem ser arrogante. Prestativo de coração, daqueles que se coloca disponível sem reclamar do colega pelas costas.

Suas mãos também se estendiam para tocar ukulele, violão ou gaita nas sextas-feiras no “Redasom” para animar a galera. Suma musicalidade animava a todos que iam aos shows da banda Oitavo Andar.

João era bom cozinheiro. Vez por outra reunia a turma da redação para fazer pizza na casa de sua mãe, a querida Elza. Ou fazer um churrasco na sua casa.

No esporte, era goleiro dos bons. Fechava o gol nos campeonatos da imprensa. Em abril, creio que tenha sido a última vez que ele jogou bola. Convidei-o para o “racha” do condomínio onde moro e ele, um santista que dizia ter deixado de gostar de futebol, topou ir. Eu, com minha pança de cervejeiro, suportei apenas alguns minutos. Ele, em forma, jogou e teve excelente desempenho. No dia seguinte foi aquela resenha de nós rindo de nós mesmos.

Iniciar o dia de trabalho hoje não foi fácil. Tem passado um filme na cabeça desde que soube dessa tragédia. Não quero nem imaginar como está o clima na redação da TCM nesta segunda-feira cinzenta no céu de Mossoró.

A lacuna deixada por João não será fechada. Ele era único. Aquela mão estendida se fechou.

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4 opiniões sobre “Aquela mão estendida se fechou

  • 14 de outubro de 2019 em 10:30
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    Lamentável Perda!

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  • 14 de outubro de 2019 em 11:00
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    Ele sabia ouvir e dar conselhos, o mais triste que não teve alguém que fizesse isso por ele. 😢

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  • 14 de outubro de 2019 em 11:20
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    “Aquela mão estendida se fechou” ou não se fechou, abriu para um outro público para um outro espaço que dizem ser “o convício dos eleitos”, mesmo porque enquanto a morte brutalmente polda os lares a vida ressurge como uma nova eflorescência, por isto ame e permita que os outros também possam lhe amar, pois só este elemento edifica.

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  • 14 de outubro de 2019 em 13:09
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    Lamentável.,parece que a fixa ainda não caiu pra muita gente,eu ainda a pensar.. , imagino os pais, irmãos e familiares. Deus acolha na sua nova morada!

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