As Mulheres no contexto de Pandemia

Por Plúvia Oliveira*

Em apenas quatro meses, este ano de 2020 vem trazendo um dos mais significativos aprofundamentos da desigualdade no Brasil e no mundo. A ascensão de políticos de extrema direita, junto com a crise capitalista se desdobraram em um cenário ainda mais catastrófico com a chegada do coronavírus. Nesta, como em outras crises no decorrer da história, as mulheres mais uma vez são um dos segmentos da sociedade a mais rápido e profundamente sentir os efeitos danosos do colapso econômico fomentado pelas políticas de austeridade do governo Bolsonaro. Como responsáveis (na grande maioria das vezes) pelo trabalho do cuidado, seja este remunerado ou não, esta crise sanitária afetará primeiramente as famílias chefiadas por mulheres, sempre preteridas em um cenário que já coloca 41% dos brasileiros e brasileiras com fonte de renda em empregos informais.

Mesmo em uma estrutura familiar onde os adultos gozem de pleno emprego, as mulheres ainda se encontram em uma situação de vulnerabilidade social sem precedentes. Segundo a OMS, 70% dos profissionais de saúde na linha de frente contra o coronavírus são mulheres, colocando-se em alto risco em serviços de cuidado na maioria absoluta das vezes sem condições ideais de trabalhar de forma segura, e sem o devido pagamento pelo serviço. As mulheres na quarentena tão pouco estão seguras. No primeiro fim de semana de isolamento, o Rio Grande do Norte registrou mais de 1.500 ocorrências de violência doméstica, números referentes apenas aos que foram denunciados. Como garantir a dignidade de profissionais de saúde quando em exercício da função, e a segurança das mulheres quando obrigadas a se trancarem em casa com seus agressores? Com um presidente omisso, e mais do que isso, conivente, esses números são apenas o início de mais um grande massacre a ser enfrentado pela auto-organização das mulheres.

Outro ponto importante nesse contexto de pandemia, é o frequente debate sobre salvar vidas ou salvar a economia. Constantemente vemos afirmações sobre como o isolamento social imposto pelo alto contágio do coronavírus pode prejudicar a economia como também vemos a falta de ação do governo federal para minimizar o efeito na população mais vulnerável. Essa pauta da vida x economia está presente desde muito antes da situação de Pandemia. As mulheres denunciam a ação das multinacionais nos territórios que desrespeitam a vida dos povos e das comunidades que estão no caminho. Por isso, as mulheres estão em Marcha contra as privatizações, por soberania popular, enfrentando o capitalismo autoritário e a retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras orquestrada pela extrema direita que está no poder atualmente no Brasil.

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