Capitão Styvenson e a antipolítica como plataforma

Capitão Styvenson se mostra progressista nos costumes
Capitão Styvenson se mostra progressista nos costumes

Tenho acompanhado atentamente as entrevistas do pré-candidato ao Senado Capitão Styvenson Valetin. Ele usa estratégia que o quadro eleitoral potiguar lhe dispôs: a de pregar a antipolítica.

Faz todo sentido. É o eleitor desgostoso com a política e propenso a anular o voto que o colocou no jogo eleitoral desse ano.

Mas o militar tem se mostrado mais político que antipolítico nas entrevistas. Se esquiva de temas polêmicos e busca sempre a virtude do meio da filosofia de Aristóteles. É uma clara tentativa de evitar as comparações com Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL. Sinceridade ou não é uma estratégia.

Na última entrevista que li de Styvenson foi ao jornalista Allan Darlyson do Portal No Ar. Ele evita se posicionar de forma comprometedora. Veja essa resposta à pergunta se ele é contra ou a favor do aborto:

“Depende do caso. Nem pode ser uma ditadura e nem uma anarquia. É preciso haver equilíbrio”.

Perguntado se se considera de esquerda, direita ou centro ele se classificou como eficiente. Mais à frente ele se posiciona sobre união civil entre pessoas do mesmo sexo:

“Não vejo problema nenhum. Se você tem seus bens, trabalha, vive na sua casa, faz tudo certinho, qual é o problema de ter sua união civil com seu parceiro ou sua parceira? O que não pode é desrespeitar o próximo. Eu aprendi que o natural seria homem e mulher, mas a sociedade evoluiu, ganhou liberdade. O problema é a agressão entre as pessoas contra outras por diferenças. Se a gente vivesse com mais respeito, humanidade, amor ao próximo, a gente viveria melhor”.

Sobre cotas em universidades ele defendeu que elas devem existir até corrigir os problemas na base e defendeu igualdade de oportunidades.

Na semana passada ele esteve no Meio-Dia Mossoró da 95 FM. O tempo curto da entrevista no rádio não permitiu esse aprofundamento, mas ele deixou muito claro que não concorda com todas as ideias de Bolsonaro e evitou dizer em quem vota para presidente.

Com esse discurso, o capitão vai sendo mais político que os políticos. Atrai o eleitor da direita que é mais apegado a hierarquia e a ordem. Ao mesmo tempo flerta com as ideias progressistas da esquerda. Com a pinta de novidade e pureza política ele atrai a turma do voto nulo.

Por outro lado, ele se atrapalha quando vai falar de política. Age de forma individualista ao defender que não aceita a disciplina partidária e não vai declarar apoios para não influenciar eleitores.

Em política se apoia e se recebe apoio.

Se vai dar certo é outra história, mas o capitão faz da antipolítica uma plataforma política.

Isso não é problema. É uma estratégia inteligente.

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