Disputa eleitoral no RN é um deserto de ideias

Já escrevi em diversas ocasiões que o Rio Grande do Norte é um Estado preso a um modelo econômico criado há 40 anos por Cortez Pereira (ver AQUI um dos textos), nosso último grande governador. Vários políticos com quem converso reconhecem isso e entendem a necessidade de se buscar alternativas para que o Estado não entre em colapso, acredite ainda não chegamos a esse ponto, mas podemos chegar.

A hoje prefeita Rosalba Ciarlini (PP) inaugurou em sua passagem pela governadoria uma era de governos ruins. Ela ajudou Geraldo Melo (PSDB) a fazer as pazes com a história. Agora Robinson Faria (PSD), novo pior da história, a redime.

Se continuarmos nessa batida elegeremos o próximo pior governador e vai chegar uma hora que a matemática será desafiada nas pesquisas de opinião pública.

Toda campanha eleitoral é a mesma coisa. Os candidatos falam que vão melhorar a saúde, a segurança e a educação. Eleitos, entregam exatamente o inverso: a piora. Pouco se discute um de nossos maiores gargalos: a infraestrutura.

Desde que me entendo como jornalista sou obrigado a noticiar derrotas do Rio Grande do Norte justamente por incapacidade de competir com nossos vizinhos que nos dão um banho de infraestrutura.

A única notícia alentadora é soprada pelos ventos de nosso generoso litoral. A energia eólica é uma saída para nosso sofrido elefante, mas não pode ser a única.

Mas o assunto passa longe do debate político. Nossos representantes se divulgam como devotos de todos os santos padroeiros, solidários amigos nos velórios pelos rincões e como exímios estrategistas nos fuxicos gerados nas formações de palanques.

Ninguém se mostra com propostas para o RN.

Nossas estradas são precárias, cidades do interior vivem em racionamento de água e não percebem, a fruticultura clama por obras simples, a indústria salineira vive brigando por migalhas, etc…

A Petrobras está diminuindo ano a ano os investimentos no Rio Grande do Norte. O turismo é uma miragem da reta tabajara para dentro.

Ninguém está discutindo ideias nem soluções para esses problemas. As propostas genéricas de melhorar a saúde, segurança e educação se converterão em frustrações profundas se o problema básico não for resolvido: a necessidade de desenvolver a economia do Estado para aumentar as receitas.

Sem isso nada feito!

Continuaremos dependentes dos cada vez mais escassos royalties do Petróleo, Fundo de Participação dos Estados (FPE) e de outros repasses da união.

Os candidatos estão numa posição muito cômoda mais uma vez. O eleitor não lhe cobra ideias.

Assim fica mais fácil dizer que vão melhorar a educação, saúde e segurança. O problema é que ninguém pergunta de onde virá o dinheiro.

Nesse deserto de ideias não temos nem a miragem de um projeto para gerar receitas para o Rio Grande do Norte.

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A escada se lava de cima para baixo

Celso Tracco*

Uma das máximas na atividade empresarial é que “a escada se lava de cima para baixo”. Ela faz analogia ao trabalho de uma assessoria contratada por determinada empresa que precisa de uma real transformação para sobreviver, pois o seu modelo de negócio está se deteriorando e ela não consegue, sozinha, se reerguer. Ou seja a “limpeza” tem de começar pela diretoria e ir descendo até chegar à base, degrau por degrau. Muitas vezes, o gestor da empresa, que teve sucesso no passado, não quer perceber que o seu tempo passou, que seus métodos são ultrapassados. Continua se agarrado ao seu posto de maneira monolítica. O gesto pode até ser nobre, poético, heroico, mas é inócuo e principalmente egocêntrico. Pensa em si mas não no bem comum.

Nas próximas eleições de outubro, o Brasil precisa começar a lavar a escada de cima para baixo. Uma verdadeira limpeza, com produtos bem fortes, daqueles que removem toda a sujeira. Certamente dará muito trabalho, será extenuante e precisaremos de muitas mãos. A escada do poder, cujo degrau mais alto é simbolizado pelo Palácio do Planalto, deveria ser de limpeza imaculada, porém, está imundo de tantos detritos, de tantos dejetos, de tantos restos de material velho e abandonado. Olhando bem de perto seu aspecto causa nojo e repulsa. Não adianta fazer uma limpeza assim por cima, leve, apenas para constar. Temos realmente de nos empenhar para eliminar toda a sujeira.

O melhor detergente para essa limpeza? O voto, o seu voto, o nosso voto! Quem deve limpar a escada? Sem dúvida, nós os eleitores. Apenas pela força do voto podemos começar a limpar a “principal escada” de nosso país. Esse deve ser um trabalho contínuo e com a participação de toda a sociedade, não pode ser reduzido a algumas pessoas ou grupos que se julgam “iluminados”.

A empresa Brasil até que começou com ares de limpeza mas, com o passar do tempo, passou a ter uma propina aqui, um mensalão ali, pedaços de malas e roupas usadas para guardar dinheiro, porcentagens e nomeações espúrias em quase todos os departamentos. Privilégios, pensões, obras faraônicas paradas, indicações políticas (cabides de emprego). Foram tantas as ingerências, que a empresa ficou sem caixa para cumprir com os compromissos assumidos. Mas, o gestor não demite ninguém, ao contrário, aumenta ainda mais os gastos.

O gestor, sua diretoria e seus gerentes, querem manter os mesmos hábitos de sempre, não querem perder seus privilégios e, principalmente, não querem salvar a empresa. Que a nossa participação nas eleições saiba expulsar todos esses políticos que insistem em destruir a empresa Brasil.

*Celso Luiz Tracco é economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.

 

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A “sumidinha” do noticiário

Fátima está “sumida” do noticiário

Durante toda pré-campanha e fase das convenções a senadora Fatima Bezerra (PT) rendeu poucos fatos jornalísticos. A líder nas pesquisas para o Governo do Estado optou por uma ensurdecedora discrição.

Já seus principais adversários Carlos Eduardo Alves (PDT) e o governador Robinson Faria (PSD) renderam e rendem muitos fatos jornalísticos.

Alguns fatos explicam isso.

Primeiro Fátima Bezerra montou uma aliança pequena e mais fácil de administrar. Na proporcional os objetivos são bem mais modestos: eleger um federal e três estaduais.

Já Carlos Eduardo Alves e Robinson Faria montaram alianças mais amplas. Mesmo assim o ex-prefeito de Natal sofre com a falta de esteiras para federal e estadual. O governador sofre para segurar aliados. Esses impasses acabam rendendo muito mais assuntos na mídia.

Diante dessas circunstâncias, seguir “sumidinha” do noticiário parece ser um bom negócio para a petista. Se ela não sobe nas pesquisas seus adversários também não mudam de patamar.

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Alckmin concede ao centrão um habeas poesia

Por Josias de Souza

Depois que o centrão colocou suas nuvens sobre a campanha de Geraldo Alckmin, alguma coisa subiu à cabeça do presidenciável tucano. Na noite desta quinta-feira, espremido por perguntas sobre a radioatividade que o grupo transmite, Alckmin concedeu aos aliados tóxicos um habeas poesia. Disse que nenhum time tem “só gente boa” ou só “gente ruim”. Rodeado de valdemares e outros azares, o candidato evocou o príncipe dos poetas brasileiros. “É de Olavo Bilac: há no interior de cada homem e de cada mulher um Deus que chora e um demônio que ruge”.

O poema que inspirou Alckmin durante sabatina na Globonews chama-se “Não és Bom, nem és Mau”. Nele, Bilac discorre sobre a alma humana, “capaz de horrores e ações sublimes.” Leia abaixo:

Não és bom, nem és mau: és triste e humano…

Vives ansiando, em maldições e preces,

Como se a arder no coração tivesses

O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal padeces;

E rolando num vórtice insano,

Oscilas entre a crença e o desengano,

Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,

Não ficas com as virtudes satisfeito,

Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E no perpétuo ideal que te devora,

Residem juntamente no teu peito

Um demônio que ruge e um deus que chora.

O centrão não se afeiçoa muito a poesias, disse um dos entrevistadores, tentando trazer os pés de Alckmin para o chão enlameado de sua coligação. E o candidato: “Queremos ter maioria para trabalhar. Do contrário, não acreditamos na democracia.” Retomando o timbre lúdico, Alckmin afirmou que “o Brasil está com muito ódio, muito nós contra eles.” Para avançar, disse o tucano, “precisamos nos unir.”

União com criminosos?, indagou outro jornalista. “Nós fazemos alianças com partidos políticos”, desconversou Alckmin. “Não tem democracia sem partidos políticos.” Súbito, a repórter que mediava a sabatina anunciou a exibição de uma cena gravada na convenção em que o PTB formalizara dias antes  seu apoio a Alckmin. No vídeo, o tucano transborda em elogios ao presidente da legenda, um ex-presidiário do mensalão.

“Conheço o Roberto Jefferson há 30 anos, fomos constituintes juntos”, declarou Alckmin. ”Ele é um homem de coragem. Aliás, teve um papel importante, colocando o dedo na ferida, mostrando os problemas do PT.” O candidato referia-se ao escândalo do mensalão. Em verdade, Jefferson implodiu o esquema não por coragem, mas por vingança.

Sob Lula, um apadrinhado do PTB foi pilhado plantando bananeira dentro do cofre dos Correios. O esquema ganhou as manchetes. E Jefferson enxergou no noticiário as digitais do grão-petista José Dirceu, então chefe da Casa Civil. Defendeu-se atacando. Levou os lábios ao trombone numa célebre entrevista à repórter Renata Lo Prete. Jefferson confessaria que ele próprio recebeu um mimo de mais de R$ 4 milhões. Disse que a verba foi rateada com correligionários. Mas sonegou os nomes dos beneficiários.

Sob Michel Temer, o PTB foi brindado com o controle do Ministério do Trabalho. Deitou e rolou. Hoje, Jefferson, sua filha Cristiane Brasil e prepostos enfiados pela dupla no organograma da pasta são protagonistas de um inquérito da Polícia Federal sobre a venda ilegal de registros de sindicatos na pasta do Trabalho.

Na sabatina desta quinta, além de conceder uma biografia nova a Jefferson, Alckmin torturou a história ao vincular o trabalhismo de resultado$ do seu aliado ao trabalhismo nascido sob Vargas: “O PTB é um partido que tem história, desde Getulio Vargas. É um partido importante na industrialização do Brasil, reformas de base. […] É um partido das reformas, da mudança, compromissado com o trabalhador, com a trabalhadora, com a retomada do crescimento do Brasil.”

Os primeiros 50 minutos da sabatina foram mais constrangedores pelas perguntas que Alckmin teve de ouvir do que pelas respostas que não conseguiu dar. Afora os escândalos alheios, o candidato foi submetido a questionamentos sobre malfeitorias que explodiram ao seu redor e no quintal do tucanato federal: a verba que migrou do departamento de propinas da Odebrecht para a caixa da campanha do entrevistado, os milhões enviados clandestinamente para o estrangeiro pelo operador tucano Paulo Preto, o superfaturamento no Rodoanel, o derretimento moral de Aécio Neves…

Alckmin declarou que não tem apenas a ficha limpa, mas uma “vida limpa”. A certa altura, perguntou-se ao candidato: Vale a pena participar da política? E ele: “Um dia desses, um colega meu, governador, falou: ‘olha, não vou ser candidato, porque a política no Brasil está totalmente criminalizada. Infelizmente, o resultado disso não vai ser bom, porque vai afastar as melhores pessoas da vida pública. Não é adequado, não é correto. E há um intuito de jogar todo mundo na vala comum. Não é tudo igual.”

A banda podre da política, de fato, foi criminalizada. O que o presidenciável tucano finge não ter notado é que a PF, a Procuradoria e a Justiça estão enviando para trás das grades corruptos que se meteram em transações políticas que visavam assaltar cofres públicos. Ou seja, a política foi criminalizada pelos criminosos. Sabe-se que há políticos piores e melhores. Contudo, ficou mais difícil discernir uns dos outros. E os gatunos ficam ainda mais pardos quando diferentes presidenciáveis disputam o apoio de partidos financiados pelo déficit público.

Definitivamente, alguma coisa subiu à cabeça de Alckmin depois que o centrão encostou seu lixão na candidatura do tucano. Considerando-se que o candidato se apresenta ao eleitorado como uma opção renovadora, sua hipotética Presidência se liquefaz antes mesmo de virar algo sólido. Alckmin enganou-se na escolha do poeta. Os versos que mais se encaixam à aliança que celebrou com o centrão não são os de Bilac, mas os de Antonio Carlos de Brito, o Cacaso. Em “Jogos Florais”, ele anotou:

“Minha terra tem palmeiras onde canta o tico-tico.

Enquanto isso o sabiá vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil ficou moderno o milagre: a água já não vira vinho, vira direto vinagre”.

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Temer vai passar à história como aquele que enterrou a ciência nacional?

Por Leonardo Sakamoto

 

Gostamos de um autoengano. Um dos maiores é acreditar que o amanhã, subentendido na expressão ”O Brasil é o país do futuro”, é algo alcançável. Não, não é. Tem a mesma natureza das placas engraçadinhas de boteco que dizem ”Fiado, só amanhã”. É uma abstração que nunca chega porque, ao nos aproximarmos dele, chutamos para frente, para longe.

Uma das notícias mais deprimentes dos últimos tempos veio com a nota enviada pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) ao ministro da Educação dizendo que o financiamento para ciência subiu no telhado para 2019. A entidade só tem recursos para cumprir seus compromissos até agosto do ano que vem.

Cerca de 93 mil bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado podem ficar sem pagamentos. Hoje, doutorandos e mestrandos sustentam a produção de conhecimento científico no país recebendo da Capes, para isso, R$ 2200,00 e R$ 1500,00 mensais, respectivamente. Os baixos valores mostram que, ironicamente, a escolha pela ciência no Brasil é um caminho de fé.

Em nota enviada à Folha de S.Paulo, o Ministério do Planejamento disse que a responsabilidade para a distribuição de recursos na Educação é da própria pasta. Ou seja, ela tem total liberdade de tirar de coisas sem importância como a alfabetização de adultos, a educação básica de crianças ou o custeio de universidades – em suma, descobrir um santo para cobrir outro.

Isso é uma amostra do que nos espera se a regra do Teto dos Gastos – mudança constitucional que limitou o crescimento dos gastos públicos à variação da inflação por duas décadas capitaneada por Michel Temer – não for alterada no próximo governo.

O aumento da destinação de recursos para áreas como educação e saúde estava ocorrendo acima da inflação para responder às demandas sociais presentes na Constituição Federal de 1988 e, consequentemente, tentar reduzir não apenas o imenso abismo social, mas desenvolver economicamente o país. Afinal, não há crescimento viável e sustentável sem a produção de conhecimento científico nacional, pensado para o Brasil e suas peculiaridades e independente dos interesses de outros países.

Caso fosse apenas pela inflação, anualmente teríamos tido até agora apenas um reajuste de custos e o tamanho da oferta de serviços e de produção científica não cresceria, permanecendo tudo como está. essa é a realidade que enfrentaremos daqui em diante. Com a população aumentando e os desafios também, vai faltar dinheiro, cada vez mais.

O déficit público precisa ser equacionado e soluções amargas devem ser propostas e discutidas. Contudo, a reclamação do cobertor curto pela crise econômica para justificar que nada pode ser feito esconde soluções que não interessam ao andar de cima. Uma rediscussão dos subsídios concedidos a certos setores econômicos, do perdão de juros e multas a grandes devedores. O governo Michel Temer demonstrou um carinho grande com os mais ricos ao propor uma medida que limitará gastos públicos e evitando as que tiram uma pequena lasca dos abonados.

O abismo para o qual caminha a pesquisa científica seria uma ótima oportunidade para avançarmos na discussão sobre a volta da taxação de 15% sobre os dividendos recebidos de empresas, por exemplo. Desde 1995, os lucros recebidos por pessoas físicas estão isentos – coisa que não acontece com outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e nos coloca lado a lado com a poderosa Estônia em termos de legislação tributária.

Cobrar dividendos de acionistas de grandes empresas e destinar à educação e à ciência, por exemplo, não resolve totalmente o problema, mas seria uma forma de nos trazer mais para perto daquele amanhã citado acima. Isso representaria não apenas qualidade de vida aos cidadãos, trabalhadores formados, empresas fortalecidas e competividade para o país, mas também uma forma de reduzir nossa desigualdade estrutural  – que não cobra quase nada de impostos dos super-ricos enquanto esfola a classe média.

Se o tamanho dos protestos em defesa da ciência nacional tivessem, ao menos, a mesma repercussão daqueles que se preocupam com quem o vizinho se deita ou que pedem golpe militar, o fim dessa história seria diferente. Se os candidatos à Presidência da República colocassem o tema no centro de seus programas de governo, também. Para isso, precisaria que os programas existissem, claro.

Faz sentido que o Brasil perca cérebros para o exterior. Isso aqui é terreno hostil para quem pensa.

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A denúncia tardia de Robinson contra as oligarquias

O governador Robinson Faria (PSD) soltou o verbo numa entrevista a 96 FM de Natal. Revelou ter sido boicotado pelas oligarquias quando lutava pelo aporte de R$ 600 milhões do Governo Federal para pôr a folha de pagamento em dia.

Abre aspas para o governador:

“Os ex-governadores que quebraram o Rio Grande do Norte, e que agora estão unidos em torno de mais um Alves, estão com saudade de quebrar mais o Estado. Quando fui a Brasília tentar regularizar a folha, fiquei só. Consegui até uma medida provisória de R$ 600 milhões, mas era eu saindo de uma porta e eles entrando na outra para falar com os ministros do TCU para não liberar o dinheiro. Eu posso provar e vou mostrar quem foram eles. Eu tenho testemunha. Os próprios ministros disseram que ficaram indignados com os políticos que foram lá para não liberar o dinheiro para pagar o servidor. Era para a folha estar em dia há muito tempo, se eu não tivesse sido boicotado pelo acordão Alves, Maia e Rosado”

Aspas (extraídas do site Agora RN) fechadas segue a nossa análise. O que Robinson diz não é novidade alguma para quem conhece os bastidores da política estadual. Esse movimento foi muito comentado e só não se converteu numa notícia tão contundente na época porque o próprio pessedista se fez de rogado optando pelo silêncio. Tudo ficou enclausurado nos bastidores da política.

Num contexto em que Robinson não consegue avançar nas intenções de voto, apresenta maior rejeição e afoga-se na impopularidade essas palavras não geram qualquer efeito.

Vieram tarde.

Na cabeça dos servidores os salários continuam atrasados por culpa de Robinson que teve uma oportunidade ímpar de dar as mãos aos trabalhadores na pressão contra as oligarquias que atuavam como “forças ocultas”. O governador preferiu o silêncio conivente para ver se atraia algum apoio nestas eleições.

Ele até tentou (e muito) o apoio da prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP). Não conseguiu e agora não pode mais reclamar.

Robinson chama de acordão a aliança oligárquica, mas já foi aliado de Alves, Rosados e Maias. Contribuiu com todas essas gestões que ele responsabiliza pelo atraso do Estado. Se ele estivesse preocupado com o que essa turma fez não estaria parceiro político de Geraldo Melo, ex-governador que todos os dias agradece a ele e Rosalba por fazerem a história absolve-lo da condição de pior governador que o RN já teve.

Robinson duela com os fatos mesmo quando tardiamente revela algo que deu náuseas de ouvir nos bastidores. A nossa classe política é mesquinha mesmo, mas é você quem os coloca lá.

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RN: o Estado da classe política sem assuntos relevantes a tratar

Uma classe político cujo noticiário gira em torno de eventos sociais não traz resultados

Há alguns anos sinto um profundo incômodo quando acesso algumas páginas na Internet cujo assunto mais relevante são os eventos sociais envolvendo os políticos. Pior: as assessorias de imprensa dessa turma alimentam isso em doses cavalares enchendo nossas caixas de e-mail com um monte de nada.

Até quando nossa classe política vai querer converter em notícia almoços em casas de prefeitos onde nada foi decidido ou se é não interessa divulgar, participações em procissões, batizados de meninos, velórios e festas profanas. Casamentos também são recorrentes.

Importa mais mandar recados para aliados e adversários por meio de fotos sem legendas do que dar declarações sobre assunto relevantes.

Isso não é assunto de interesse público e por consequência não deve ser fruto de exploração jornalística. No máximo uma notinha em colunas sociais ou fotos no “face” e “insta”.

Nem no Twitter isso faz sentido.

O máximo de interesse jornalístico (e público) que nossa classe política produz são escândalos que ela insiste em abafar por meio de intimidação sobre jornalistas e ameaças de cortes de verbas publicitárias feitas aos patrões.

Outro ponto, este mais simplório, que nossos representantes apresentam de relevante são os conchavos políticos de vésperas de eleições, mas isso só tem interesse público de fato em ano eleitoral. Antes disso, ganha contornos de fofoca frívola.

Por detrás disso tudo, está um interesse velado em deixar o que importa em segundo plano.

Então vejamos:

Você saberia dizer qual a bandeira de luta do senador José Agripino (DEM)? Saberia informar o que sai de relevante para o Estado através do mandato do senador Garibaldi Alves Filho (MDB)? A gente sabe que nossa outra senadora, Fátima Bezerra (PT), tem como bandeira a educação, mas não vemos ela tratar desse assunto com a mesma relevância que fala de Lula, Golpe e Temer?

E o nosso governador? Você certamente sabe que ele está em busca de um vice, que terá o apoio de Geraldo Melo (PSDB) e dos tucanos. Mas saberia dizer o que Robinson Faria pensa para solucionar os problemas do Estado?

O Rio Grande do Norte insiste num modelo econômico firmado nos anos 1970 por Cortez Pereira, no auge da ditadura militar. Este foi tão bom governador que ao final do mandato foi cassado pelos militares e ficou sem direitos políticos por dez anos.

Ninguém inovou e após 40 anos é inevitável que este modelo não se torne ultrapassado.

Neste século só vi o Rio Grande do Norte ter perdas. Perdemos indústrias, a Petrobras está de partida, nossos portos estão sucateados, as estradas são do “tempo do ronca”, não conquistamos a refinariam nem o badalado Hub da TAM.

Tudo culpa de uma crônica falta de infraestrutura.

Vivemos de um turismo confinado à reta tabajara, esmolas do Governo Federal e emendinhas para prefeitos de pires na mão.

O que ganhamos? Uma escalada incontrolável de violência e uma sensação interminável de pessimismo.

O pior disso tudo é saber que ninguém consegue encarnar a esperança na eleição que se avizinha e nossa classe política subestima (com certa dose de razão) o senso crítico do povo com alianças que são verdadeiras distopias políticas.

Não é por acaso que ninguém de nossa bancada de deputados federais pega um tema de interesse para si e transforma em causa. Ficam mudos e saem calados com a certeza de no ano eleitoral contornar o problemas com as estratégias de sempre: formar um “chapão” com poucos concorrentes, montar um exército de prefeitos e fazer dobradinhas com caciques regionais travestidos de deputados estaduais.

Esse modelo gera um comodismo e uma bancada tão filhotista quanto inoperante.

Então vejamos:

Rogério Marinho (PSDB) passa mais tempo falando mal do PT do que propondo algo. Quando decidiu fazer alguma de destaque foi ser relator da reforma trabalhista que lhe rendeu uma imagem negativa junto ao grosso da sociedade. E olhe que ele teve a atuação mais relevante no último quadriênio.

Zenaide Maia (PHS) se limitou alinhar-se com esquerda no combate as reformas de Michel Temer. Não foi além, mas somente por fazer o mínimo se tornou um nome competitivo para o Senado.

Fábio Faria (PSD) é mais conhecido pelas celebridades que namorou no passado (casou com a filha de Sílvio Santos) e chegou a ficar meses sem pôr os pés no Rio Grande do Norte. Felipe Maia (DEM) não consegue ser mais do que o filho de José Agripino. Walter Alves (MDB) é o menino de Garibaldi. Este até tem potencial, mas nem chegou perto ao desempenho dos tempos de Assembleia Legislativa. Rafael Motta (PSB) vai no mesmo sentido dos jovens citados. Beto Rosado (PP) assumiu as pautas do pai, Betinho, em defesa do agronegócio da venda dos campos maduros de petróleo. Mas acabou aparecendo muito mais por assumir causas impopulares do presidente Temer.

Antônio Jácome (PODE) também faz uma atuação apagada.

Dos nossos oito deputados, cinco são filhos de políticos das antigas.

Uma é irmã de outro.

Só dois chegaram lá sem apadrinhamento de sobrenome, mas um, Jácome, já esboça formar um clã colocando um filho deputado estadual e um irmão vereador.

Nossa Assembleia Legislativa é uma terra de onde brotam escândalos. Nosso Tribunal de Justiça não fica atrás. Só hoje tivemos dois desembargadores condenados ao xilindró.

Nosso Ministério Público e o nosso Tribunal de Contas são lugares manchados por contradições.

Enquanto isso, nossa elite política segue lépida e fagueira tirando fotos nas procissões, almoços, batizados de meninos e prestando solidariedade em velórios. Produzir algo que traga desenvolvimento que é bom é lenda. Nos discursos a velha tática de prometer saúde, educação e segurança sem dizer como nem de onde virão os recursos.

Esse jogo interessa a todos os citados acima e a ausência de senso crítico em relação a esses fatos produz um noticiário que esconde a mediocridade de nossos políticos que sequer se preocupam em nos dar alguma satisfação.

Estamos na reta final da pré-campanha e o nosso noticiário segue escasso de propostas e potente nos conchavos. O problema está no primeiro aspecto e não no seguindo que é natural ter maior impacto nesse período.

Mas o problema maior está em você, leitor. És também culpado por achar que seu compromisso com a política é apenas ir a urna votar.

Não. Não é!

Você precisa cobrar e fiscalizar a atuação dos políticos. Se não tem tempo ao menos acompanhe o noticiário sem dar audiência ao que é irrelevante nem tenha preguiça de buscar informações sobre nomes novos.

Sua indolência política coloca Carlos Eduardo Alves (PDT) como alternativa ao Governo e deixa Garibaldi e Geraldo Melo liderando as pesquisas para o Senado. São os mesmos sobrenomes de sempre. Nada contra eles, mas se você deseja mudança precisa fazer sua parte.

A mudança na política acontece de fora para dentro e não no sentido inverso. É um processo histórico que exige paciência e sabedoria para lidar com os erros quando arrisca.

Mossoró é um exemplo disso. Apostou novo e não deu certo. Preferiu voltar para o velho quando poderia ter tentado outro novo.

Pelo andar da carruagem puxada pelo sofrido elefante se tivermos alguma mudança em 2019 será só de partido político, pelos políticos.

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Disputa eleitoral começará com tendência de polarização entre Robinson e Carlos Eduardo por vaga no segundo turno

Ex-prefeito de Natal e governador tendem a polarizar disputa por vaga no segundo turno

A senadora Fátima Bezerra (PT) lidera com certa folga em todas as pesquisas de intenção de voto, mas essa gordura ainda tem fragilidade e dependendo do caminhar da campanha pode ser queimada.

A petista até aqui não conseguiu crescer o suficiente para disparar. Em nenhuma pesquisa ela foi além de 31%. Quando oscilou foi levemente para baixo. Há uma forte tendência de que ela esteja no segundo turno. A estabilidade do desempenho dela na pré-campanha indica isso.

Contribui para isso o fato de os principais adversários dela estarem na mesma situação. Carlos Eduardo Alves (PDT) patina nos 15% de intenções de voto.

O pedetista tem o governador Robinson Faria (PSD) no retrovisor. No entanto o chefe do executivo estadual não consegue ultrapassar os dois dígitos nas pesquisas.

Até aqui nenhum dos candidatos do pelotão de baixo sinalizou que pode surpreender muito embora exista um eleitorado carente de novidades.

A tendência é de que Carlos Eduardo e Robinson polarizem uma disputa por uma vaga no segundo turno deixando Fátima num primeiro momento poupada dos ataques, mas isso não significa que a petista fique ilesa durante os 45 dias de campanha.

A partir do dia 16 começa oficialmente a disputa pelo voto.

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O analfabeto político moderno

analfabeto

* Maria Marleide da Cunha Matias

Em um tempo anterior as profundas transformações sociais, econômicas, culturais e tecnológicas das quais somos produtos hoje, o dramaturgo alemão Bertolt Brecht escreveu em um célebre texto que o pior analfabeto é o analfabeto político. Para Brecht, o analfabeto político “não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos … é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política”. Hoje o mundo mudou e com ele o analfabeto político mudou sua forma de se apresentar na sociedade, restando apenas de comum com a formulação Brechtiana, o ódio a política que atualmente é alimentado pela propaganda publicitária da antipolítica.

Ao contrário dos tempos de Brecht, o analfabeto político moderno participa dos acontecimentos políticos, se reúne em coletivos, fala em redes sociais, repete verdades prontas como se não existisse outro ponto de vista e compartilha discursos preconceituosos e mentirosos sem a menor reflexão crítica, ao mesmo tempo em que apoia regras de proibição de discussão política em grupos de Whatzapp. Ele é insensível a dor do outro e não pensa nas causas e consequências dos seus atos. É uma pessoa carente de pensamento crítico que sofre um processo de de-formação do pensamento.

O analfabeto político moderno é produzido e manipulado pela indústria cultural da antipolítica (Tiburi, 2016), que pela propaganda publicitária de esvaziamento da ação política produz uma política despolitizada, que nada mais é do que a introjeção de uma nova política.

A propaganda antipolítica que ridiculariza a política e leva o povo a rejeitá-la, difunde discursos e práticas que atuam no sentido de construir a ideia de deterioração e deturpação do sentido da política, com o objetivo de nos afastar dela e pensar que a sociedade sem política é melhor. Ao mesmo tempo vemos pessoas e grupos antipolíticos que se candidatam, fazem o discurso da negação da política, disputam o voto do povo, se elegem, ocupam espaço de representação política e ainda dizem não serem políticos. E o povo que acredita nesse jogo cínico é feito de imbecil pelo “pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das em presas nacionais e multinacionais”, retomando a formulação de Brecht.

Diante dos acontecimentos atuais de ridicularização e descrédito da política e dos políticos é importante refletir: De que nos serve a rejeição e negação da política? A quem interessa abandonar a política? Quem ganha e quem perde com isso?

O ser humano é um “animal político”, para citar a expressão de Aristóteles. Não somos como as formigas ou abelhas que tem sua função social transmitida pelo código genético, somos seres políticos que dialogamos, negociamos e criamos laços comuns para boa convivência em sociedade e isso requer a defesa de direitos para todos e respeito por cada um. Para a filósofa Marcia Tiburi (2018), “ é impossível não fazer política se todos os nossos atos humanos, apenas são humanos porque são políticos. Fazemos política consciente ou inconscientemente, o tempo todo, por ação ou omissão”. A destruição desse ser político sujeito de direitos é produzida pela antipolítica que promove a interrupção da capacidade de pensar, de refletir e de discernir sobre o bem comum. E é nessa interrupção do pensamento crítico que cresce o analfabeto político moderno, como um boneco ventríloquo do antipolítico. É urgente desenvolver processos de alfabetização política se quisermos sonhar com a ruptura dos jogos de opressão, dominação e exploração. Mais do que nunca precisamos de homens e mulheres alfabetizados politicamente.

* Mestra em Educação e presidenta do Sindiserpum.

Referências Bibliográficas

TIBURI, Marcia. Como conversar com um fascista. 8º ed. Rio de Janeiro: Record, 2016.

__________. Ridículo Político: uma investigação sobre o risível, a manipulação da imagem e o esteticamente correto. 4º ed. Rio de Janeiro: Record, 2018.

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Capitão Styvenson e a antipolítica como plataforma

Capitão Styvenson se mostra progressista nos costumes
Capitão Styvenson se mostra progressista nos costumes

Tenho acompanhado atentamente as entrevistas do pré-candidato ao Senado Capitão Styvenson Valetin. Ele usa estratégia que o quadro eleitoral potiguar lhe dispôs: a de pregar a antipolítica.

Faz todo sentido. É o eleitor desgostoso com a política e propenso a anular o voto que o colocou no jogo eleitoral desse ano.

Mas o militar tem se mostrado mais político que antipolítico nas entrevistas. Se esquiva de temas polêmicos e busca sempre a virtude do meio da filosofia de Aristóteles. É uma clara tentativa de evitar as comparações com Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL. Sinceridade ou não é uma estratégia.

Na última entrevista que li de Styvenson foi ao jornalista Allan Darlyson do Portal No Ar. Ele evita se posicionar de forma comprometedora. Veja essa resposta à pergunta se ele é contra ou a favor do aborto:

“Depende do caso. Nem pode ser uma ditadura e nem uma anarquia. É preciso haver equilíbrio”.

Perguntado se se considera de esquerda, direita ou centro ele se classificou como eficiente. Mais à frente ele se posiciona sobre união civil entre pessoas do mesmo sexo:

“Não vejo problema nenhum. Se você tem seus bens, trabalha, vive na sua casa, faz tudo certinho, qual é o problema de ter sua união civil com seu parceiro ou sua parceira? O que não pode é desrespeitar o próximo. Eu aprendi que o natural seria homem e mulher, mas a sociedade evoluiu, ganhou liberdade. O problema é a agressão entre as pessoas contra outras por diferenças. Se a gente vivesse com mais respeito, humanidade, amor ao próximo, a gente viveria melhor”.

Sobre cotas em universidades ele defendeu que elas devem existir até corrigir os problemas na base e defendeu igualdade de oportunidades.

Na semana passada ele esteve no Meio-Dia Mossoró da 95 FM. O tempo curto da entrevista no rádio não permitiu esse aprofundamento, mas ele deixou muito claro que não concorda com todas as ideias de Bolsonaro e evitou dizer em quem vota para presidente.

Com esse discurso, o capitão vai sendo mais político que os políticos. Atrai o eleitor da direita que é mais apegado a hierarquia e a ordem. Ao mesmo tempo flerta com as ideias progressistas da esquerda. Com a pinta de novidade e pureza política ele atrai a turma do voto nulo.

Por outro lado, ele se atrapalha quando vai falar de política. Age de forma individualista ao defender que não aceita a disciplina partidária e não vai declarar apoios para não influenciar eleitores.

Em política se apoia e se recebe apoio.

Se vai dar certo é outra história, mas o capitão faz da antipolítica uma plataforma política.

Isso não é problema. É uma estratégia inteligente.

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