Domingo de Copa sem Copa

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Acordei hoje com uma sensação estranha. Um domingo de Copa do Mundo sem jogos do mundial na TV. Mas tinha uma missão de pai relacionada a competição: ir ao mercado persa que se torna a Banca de Ademar aos domingos nestes tempos.

Levei João Pedro com a missão de garantir as 29 figurinhas que completariam (e completaram) o álbum dele. Missão cumprida rapidamente. As repetidas que sobraram foram negociadas a preço de banana apenas para evitar o desperdício.

Mas no caminho fui pensando sobre minha relação com o futebol. A lembrança mais antiga que eu tenho de futebol foi de um jogo do ABC contra o Fluminense no finado Machadão lá pelos anos 1980. Nasci abecedista e me tornei vascaíno com o pé direito encantado com o timaço que venceu o São Paulo na final do brasileiro de 1989 um dia antes da eleição que levou Lula e Collor ao segundo turno.

Lembro bem daqueles dias. Morava com minha saudosa avó Dona Darquinha num apartamento pequenino no Centro de Natal. Ela não queria que eu gostasse de futebol, mas me deu o álbum do Campeonato Brasileiro daquele ano. Com a ajuda do meu primo Jorginho consegui completar a coleção. As repetidas fiz times com caixinhas de fósforo, depois criei o hábito de comprar times de futebol de botão. Cheguei a ter quase 200 times até o início da adolescência. Comprava times repetidos e colava escudos que encontrava mensalmente nas últimas páginas da Revista Placar, minha companheira de sempre e fonte de inspiração para me tornar jornalista. Quando não dava certo meu amigo Rabaida (outro natalense atualmente radicado em Mossoró), exímio desenhista, fazia os escudos. Eram tempos em que não tinha Internet nem canais de esportes aos montes. A TV por assinatura era coisa de rico. Não dávamos a mínima para o futebol europeu. No máximo a final da Champions League e o Campeonato Italiano aos domingos na hora do almoço com as narrações irreverentes de Sílvio Luiz.

O futebol de botão era mais legal que o vídeo game naquele tempo. A minha turma no Serrambi V levava o assunto tão a sério que formamos a FSB (Federação Serrambiense de Botão). O negócio era mais organizado que a CBF. Campeonatos de pontos corridos, copas e supercopas. Tínhamos uma temporada regular ao longo do ano e cada membro tinha seu time e o seu campo. Como aquele bando de menino conseguia fazer o óbvio e as federações eram tão bagunçadas?

Mais uma vez nosso designer Rabaida entrava em ação. O homem fazia o troféu do campeão, do vice, do goleiro menos vazado e do botão artilheiro. Eu organizava a tabela e os sorteios com Jefice (repare que nessa turma ninguém era chamado pelo nome). A gente mandava e desmandava nessa federação com “mão de ferro”.

Meu campo era apelidado de “Curral” porque num dia de chuva esqueci a janela aberta e ele ficou danificado pela água. Era o alçapão onde eu e meu irmão Gilsinho mandávamos os nossos jogos. Ganhar da gente não era tarefa fácil. Eu jogava com o Vasco meu irmão com o Guarani. “Gol do dez do Guarani” era o bordão dele.

Mas a nossa vida boleira não se resumia aos campos de madeira. Eram tempos de expansão de Nova Parnamirim, mas ainda existiam muitos terrenos ociosos. Tinha o campo dos adultos e o campinho da molecada. Desde cedo percebi que meu lugar era no gol. Não que jogasse ruim na linha. Até fazia meus golzinhos, mas não gostava de correr e era muito melhor no gol mesmo.

Todo mundo lá em casa levava o negócio muito a sério. Meu padrasto chegou a investir no que ele acreditava ser um talento que eu tinha. Com oito anos ganhei meu primeiro par de luvas dele. Minha avó a contragosto comprou as chuteiras, minha mãe os meiões e minha tia/madrinha a camisa de goleiro. Eles não lembram, mas guardo na memória o incentivo.

Toda terça e quinta tinha treino no Aspetro sob a batuta do professor Geraldo. Lá dei meus primeiros passos. Treino para mim era jogo e o jogo uma guerra. Esse perfil competitivo sempre foi um traço de minha personalidade. Como disse, meu padrasto levava o negócio a sério, ia a todos os treinos e dava seus pitacos. Se eu levasse um gol defensável, mesmo com dez anos de idade, a volta para casa era acompanhada de batidos por mais atenção.

A pelada com a turma para mim era a final de copa do mundo. Os goleiros fixos eram eu e Renan. Sujeito frio como um alemão e com muita qualidade embaixo das traves. A gente se entendia bem a ponto de termos um acordo em relação as traves. Cada um tinha a sua. Querer jogar no gol nessa pelada era um desafio que só o chato do Simpson praticava. A primeira “próxima” sempre era dele. Antes de os times da primeira partida se formarem por volta das 15h30 ele já dizia: “a próxima é minha”. Simpson, a próxima sempre será sua.

O jogo era 15 minutos ou dois gols no campinho. Sempre no par ou ímpar eu perdia de propósito para Renan (sempre eu botava dois e ele um) para deixar ele escolher Júlio, conhecido também como Mingau. Atacante habilidoso e goleador. Sempre preferia enfrentá-lo do que tê-lo ao meu lado. Pelada era treino para mim. Gostava de montar boas defesas meu zagueiro sempre era Alex, o melhor jogador de nossa turma que chegou a jogar o estadual Sub-20 pelo Atlético Potiguar. Meu outro zagueiro sempre era Jonny Fumo. Jogava duro como Odvan. O jogador mais habilidoso da turma era Deyner, o mais firulento era Bettega. Os dois eram irmãos e os nomes homenageiam respectivamente um jogador polonês e outro italiano dos anos 1970.

A pelada era um treino sempre porque tinha os campeonatos entre os conjuntos e condomínios de Nova Parnamirim. Nosso adversário mais temido era o Conjunto Zona Sul do canhoto Narigue (imagine o tamanho da venta) e dos irmãos Rafael e Ralph. Nos amistosos a gente sempre perdia deles, mas quando valia três pontos a história era outra. Eu era técnico e capitão do Serrambi. Comandava o time aos berros. Acho que por isso a gente sempre crescia quando era de “vera”, rs.

Disso aí ao JERN’s foi um pulo. A competição para mim era a Copa do Mundo. Escolhi o futebol de salão porque achava mais emocionante. Primeiro fui cortado no peneirão. Nunca entendi o motivo, mas certamente não estava preparado para um nível maior. Fui terceiro goleiro, reserva e depois titular e capitão. Joguei em bons times e cheguei a receber em 1999 uma premiação de ninguém mais ninguém menos que Roberto Dinamite na Copa 400 anos de Natal. Nos JERN’s vivi o céu e o inferno da disputa de título a decepção. Ganhei bolsas que ajudaram minha mãe a economizar nos custos dos meus estudos e achei que dava para ser jogador. Só sonho mesmo, claro. Baixinho e míope ser goleiro profissional estava fora de cogitação.

Restou o plano B: estudar. Corri atrás ao final do ensino médio. Dedicação na semana e peladas (e farras) no final de semana. Resultado: aprovado em história na UFRN e jornalismo na UERN. Eram os dois cursos que eu queria fazer e fiz. Naquele momento meu sonho era ser jornalista esportivo e trabalhar na Placar.

Depois veio a mudança para Mossoró a estreia no jornalismo e na medida que me aprofundava no jornalismo jogar futebol ia ficando para depois. O lazer passou a ser mais a balada do que pelada e assim a barriga de tanquinho foi virando “bucho de chopp” e o pretenso atleta continuou apenas torcedor apaixonado pelo Vasco e ABC. Seleção mais em Copa pela Copa. Faz uns três anos que não jogo uma partida de futebol. Algo estranho para quem jogava de domingo a domingo. Talvez seja uma mistura de comodismo sedentário com recados do inconsciente para não trocar as boas lembranças do passado pelos frangos do presente.

Assim meu domingo de copa sem copa vai ficando pelas memórias dos bons tempos da infância, adolescência e início da fase adulta até a hora da raiva chegar com o ABC em campo pela terceira divisão.

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Uma festa de massa excludente

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O Mossoró Cidade Junina estava definhando e precisava de algo que lhe diferenciasse dos outros eventos.

Aí alguém pensou:

-Mossoró não tem carnaval, mas tem são João. Vamos juntar as duas coisas.

Nasceu o Pingo da Mei Dia.

A festa 100% popular no meio da rua e no sol quente.

Mas aí um playboy ouviu a patricinha reclamando do calor e no ano seguinte os parças decidiram por uma tenda para rolar uma sombrinha.

A ideia foi copiada.

O empresário viu ali a chance de fazer um camarote e ganhar dinheiro pegando carona na festa bancada pelo erário.

Todo mundo corre para comprar.

Pronto!

A festa de massa se tornou excludente.

Ps.: pela primeira vez porei os pés num camarote do pingo. A contragosto, diga-se.

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MAURÍLIO PINTO, XERIFE AGORA ESTRELA

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Por Rubens Lemos Filho

Na primeira pauta, o impacto: Aquilo poderia ser uma caixa de assistência social, um confessionário, menos o gabinete do homem mais poderoso da polícia do Rio Grande do Norte. Contei, por baixo, umas 40
pessoas para se aconselhar, dedurar vizinhos, homens que produziam filho e sumiam deixando a barriga da mãe e a despesa para a família.

Uma bagunça. Todos falando alto e ao mesmo tempo. Galinhas cacarejavam. Galos de campina em gaiolas, numa tristeza infinita. Todos para entrega ao delegado Maurílio Pinto de Medeiros, chefe da Polícia Civil, Polinter e, de verdade, o Secretário de Segurança Pública de sempre.

Todos os mimos eram recusados. Um gordo, o homem, de palavras medidas e visão periférica na miudeza dos olhos. De conjunto bege
inconfundível. Calça e camisa de tecido. Uma mesa larga, juiz de paz que acalmava os valentões domésticos.

Foram meus primeiros dias de contato com Maurílio Pinto de Medeiros. Colega de turma do meu pai no velho Atheneu. Maurílio Pinto formado em jornalismo ainda na  Faculdade Eloy de Souza, Fundação José Augusto,  ali, nas alamedas que ainda existiam no Tirol aprazível.

Fonte, boa fonte, me disse Rubão. Que tinha todos os motivos para odiar policiais. Mas não se deixava contaminar pelo fel dos rancores. Sofrera na carne a barbárie da repressão. Com Maurílio Pinto, amizade e irmandade. “Não vá imaginando que terá privilégios por ser meu filho. Maurílio é pago para desconfiar. Mas é honesto. Se há um atestado que posso dar é o de lisura e Maurílio é um liso, vive de salário,” recitava outro campeoníssimo em falta de convivência com dinheiro.

Boa fonte, bons tempos. Jornal impresso trazia nas manchetes o berro da notícia em sangue quente. Pura, sem exclamação, mas com narrativa e densidade. Crimes poucos, mas bárbaros.

O assassinato de um médico e uma enfermeira, que namoravam, foram
seviciados e queimados onde hoje erguem-se fábricas no bairro de Neópolis, sinalizava: Natal deixava de ser uma província.

E o homem gordo e silencioso rastreando pistas, desvendando assassinatos, conhecendo criminosos pelos métodos, pelo instinto,
talento e herança do pai, Coronel Bento, o Caçador de Bandidos na era passada dos pistoleiros de cangaço.

Maurílio Pinto virou lenda. Menino danado em rua parava ao grito da mãe impotente: “Se aquieta Tonzinho, que eu vou chamar Dr. Maurílio para lhe ajeitar”. Da ameaça, o resultado vinha na transição  ao comportamento angelical.

Assalto a banco. Avenida Rio Branco. Bandidos cariocas levam odinheiro do caixa e fogem de ônibus. Comemoram tomando banho de piscina num hotel da Ladeira do Sol. O recepcionista desconfiou. No automático, ligou para Dr. Maurílio. Que prendeu todo mundo com um revólver 38 na mão, cena posta na capa dos matutinos da época.

Maurílio Pinto, se tinha competência e tino, pecava por falta de vaidade. Foi maltratado, congelado numa delegacia sem função prática e incomodava. Maurílio, polícia por vocação, não por pretensão de estabilidade.

Homenageado na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal anos atrás , acolhido pelo companheirismo de Dona Clarissa, o terror de criminosos aparentava o sofrimento das sequelas de uma trombose.

Maurílio Pinto fazia o mal tremer nas bases. Nunca prendeu franciscano nem pai de família inocente.

Se fosse o que dizem seus inimigos, teria se dado bem na política. Candidato a deputado estadual, ficou entre os 20 suplentes. Arruinado e sem apoio dos companheiros de ideologia e dos que lhe sepultariam
depois, o meu pai foi seu assessor de imprensa na campanha eleitoral. Maurílio não esquecera dele.

Natal, sem alvissareiros, poetas em cada esquina, cada vez mais impessoal, é coberta do luto indefeso, seu rosto autêntico chorando
Maurílio Pinto de Medeiros, seu símbolo protetor morto impiedosamente pela diabetes neste fim de sábado(19/5).

Ausência certamente celebrada como em banquete podre e silêncio covarde pelos abutres dos valores invertidos.

Paz nas estrelas, Xerife.

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As viúvas (e amantes) da ditadura militar

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Sempre existiu a figura sinistra das viúvas da ditadura militar, mas com a Internet ela ganhou voz e capacidade de se propagar utilizando-se de meios democráticos para impor ideias autoritárias.

A viúva da ditadura militar é uma figura cuja relação com os livros de história é de puro ódio. “São panfletos manipulados pela esquerda”.

As viúvas da ditadura militar costumam falar que na época dos fardados no poder não tinha corrupção. Tudo ia muito bem porque a moralidade era a marca do regime. “Se não roubavam já estava de bom tamanho”, costumam argumentar.

Mas não é bem assim: estávamos numa época de autoritarismo onde a imprensa estava amordaçada pela censura, a oposição consentida estava esmagada e a Polícia Federal e Ministério Público eram miragens do que temos hoje. Mesmo assim os escândalos da ponte Rio/Niterói e Transamazônica estão aí para quem gosta de ler alguma coisa.

Mas para as viúvas da ditadura militar isso não é levado em consideração. “É coisa de petista”.

A viúva da ditadura militar fala que o Brasil viveu uma era de desenvolvimento e de grandes obras. Mas não se toca que aquele foi um período em que o crescimento se deu pela repressão aos trabalhadores beneficiando grandes empresários. A promessa de crescer o bolo para depois distribuir não foi cumprida. Pelo contrário: a herança do regime foi a hiperinflação. Incrível como as viúvas da ditadura culpam o PT por todos os problemas do país e não conseguem fazer essa relação simplória de causa e consequência do que aconteceu há quatro décadas.

O argumento mais apaixonado e convincente (para quem não se informa além de postagens do Facebook) das viúvas dos fardados está em dizer que tinha menos violência. Mas os números torturam a viúva do regime. Até o início dos anos 1960 o número de homicídios na cidade de São Paulo era de 5 para cada 100 mil habitantes. Ao final do regime eram 39 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Apenas para citar a maior cidade do país como exemplo.

Mas as viúvas da ditadura dirão que isso é coisa de petista.

Outro argumento é o de que tudo que era feito no regime era por uma causa justa: o combate aos comunistas. Toda viúva da ditadura militar embarca na conversa fiada de que o golpe de 1964 evitou que o Brasil se tornasse um “república sindicalista”.

Até hoje me pergunto o que danado seria uma “república sindicalista”?

No entanto, a história vem de novo para torturar as viúvas saudosas de ouvir um coturno marchando pela sua porta: o deputado Rubens Paiva não era um guerrilheiro nem terrorista. Ele foi assassinado pelo regime. JK e Carlos Lacerda foram exilados mesmo sendo fiadores do golpe e os dois morreram em condições suspeitíssimas em pleno período da operação condor (Jango também faleceu na mesma época que seus outrora algozes). Crianças foram fichadas como elementos subversivos como Ernesto Carlos Dias do Nascimento. Ele tinha um ano e três meses de idade e foi preso junto com os irmãos de 4, 6 e 9 anos. Um tremendo pau de arara para saudosistas da ditadura que bancam caçadores de pedófilos na Internet.

Dezenas de deputados e senadores tiveram os mandatos cassados e ficaram sem direitos políticos por 10 anos. Eles não eram terroristas. Mas isso, as viúvas da ditadura não se importam.

As viúvas da ditadura chamam o golpe de 1964 de “revolução”. As mais comedidas chamam de “contragolpe” ou “golpe preventivo”. As mais cegas de paixão afirmam que foi tudo dentro da constituição porque João Goulart tinha fugido do Brasil. Pelo visto em 1964 o Rio Grande do Sul estava independente. Sempre argumentam que o STF não se opôs como se o Supremo daquela época tivesse o mesmo poder de hoje. Não sabem as viúvas da ditadura que ministros chegaram a ser ameaçados de perde de cargos logo após o golpe.

Mas as viúvas da ditadura vivem num mundo à parte. Agora ganharam a companhia das amantes da ditadura, os que se dizem “liberais” e defensores da democracia estão há vários dias justificando atrocidades do período como sendo algo que valeu apena por perseguir comunistas. Mais parecem “bolsominions” envergonhados.

É comum ver viúvas da ditadura usando termos como “ditabranda”, “mataram pouca gente”, “tinha eleição”, “pelo menos nos salvou do comunismo”, “no Chile foi muito pior”, “Fidel e Stálin mataram muito mais gente”, etc…

A viúva da ditadura convive muito bem com a amante como as mulheres reprimidas do passado que não tinham noção dos próprios direitos.

A história mostra que regimes autoritários também atingem seus entusiastas. Mas livro de história não é uma coisa interessante para uma viúva da ditadura. Nem para suas parceiras “liberais”.

A viúva da ditadura ficou muito chateada com a revelação dos documentos da CIA que mostram que o ditador Ernesto Geisel dava autorização para matar subversivos.

A viúva da ditadura (e as amantes) vão apelar com esse texto. Serei chamado de petista, vermelho, terrorista, etc…

Confira outros textos da série

O Isentão

O Esquerdista Arrogante

O Bolsominion

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O Bolsominion

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Os Minions são personagens do Desenho Meu Malvado Favorito. O termo Bolsominion é a junção dos Minions com o sobrenome do malvado favorito deles, o pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL/RJ).

No desenho, os Minions são manipulados pelo “Meu Malvado Favorito”, Gru.

A alusão não é apenas mera coincidência.

O Bolsominion é um personagem curioso das arengas diárias do Facebook. Ele odeia a corrupção, mas desde que ela se limite ao PT. Para ele todas as mazelas do país são culpa de um único partido.

Bolsonaro dizer que usa dinheiro do auxílio-moradia para “comer gente” não tem nada demais. É coisa da mídia “petralha”. Bolsonaro pode atacar as feministas, os negros e qualquer pessoa que tenha se beneficiado com programas sociais.

Os bolsominions vibram!

O Bolsominion odeia tudo que não gire em torno de Bolsonaro. Quem clama por empatia está de “mimimi”.

Aliás, para o Bolsominion tudo é “mimimi”. Feminismo é coisa de mulher feia, “mal-comida”. Lutar por justiça social é coisa de “vagabundo”. A causa dos negros é “vitimismo”. O LGBTQ+ que reclamar também é “vitimista” com um agravante: será acusado de querer impor a própria orientação sexual fazendo do Brasil uma “ditadura Gay”.

Há ainda alguns bolsominions que possuem Síndrome de Estocolmo: o negro, o pobre, homossexual e a mulher bolsominion. Eles simplesmente não se sentem atingidos pelas frases feitas do “Mito”.

Para o Bolsominion, o que aconteceu na madrugada do dia 31 de março para 1º abril de 1964 foi uma revolução e não um golpe de estado.

Como podemos ver, além da empatia os livros de história não são o “forte” dos Bolsominions. Afinal de contas, para que se importar com os outros ou perder tempo com leitura se existem frases feitas que “vencem” qualquer debate. Todo argumento sempre será rebatido por um Bolsominion com “é mimimi” ou “isso é vitimismo”. Postar memes com informações deturpadas é uma estratégia “fatal” do Bolsominion.

Claro, não pode faltar slogans como “Bolsonaro 2018” ou “É melhor Jair se acostumando”. Esse último sempre em tom ameaçador.

Não subestime um Bolsominion, ele sonha com uma intervenção militar. Na cabeça dele, não teve corrupção nem violência na época dos generais. Já disse: livro de história não é o “forte” deles.

Por falar em livro de história, o Bolsominion acha que existe conspiração comunista em tudo. Para ele tudo que é escrito é “doutrinação petralha”.

Outra teoria da conspiração muito apreciada pelo Bolsominion é a de que todo gay é pedófilo e quer, com a ajuda dos esquerdistas, fazer das escolas um antro de “doutrinação” para fazer as crianças serem gays. O Bolsominion tem uma verdadeira tara pelo tema. Mas é aí que a preocupação dele com as crianças se encerra. Se o pimpolho for pobre que se vire para vencer na vida. O importante é que a criança não seja homossexual.

O argumento mais “complexo” de um Bolsominion é dizer que o fascismo e o nazismo são ideologias de esquerda.

O Bolsominion é um cristão que prega a pena de morte. Para ele vingança está acima do perdão. Não por acaso uma das frases feitas preferidas dessa categoria facebookeana é “bandido bom é bandido morto”.

Para o Bolsominion a chegada de Jair Bolsonaro ao poder vai acabar com a violência num passe de mágica. Para ele basta sair matando todos os bandidos que tudo vai acabar.

O Bolsominion pode ser um cara legal, mas também pode ser o sujeito de caráter duvidoso. Eu me esforço para encontrar bons propósitos em alguns bolsominions, principalmente naqueles que estão entrando na onda por estarem revoltados com a política tradicional. O problema é que Bolsonaro é um político tradicional com 30 anos de atuação. Tem três filhos exercendo mandatos e já colocou uma ex-esposa no ramo.

Quer coisa mais típica de político tradicional do que infestar seu sobrenome nos parlamentos da vida?

O Bolsominion idolatra Jair como um “deus” tanto quanto seus inimigos mortais, os petistas, fazem com Lula. Eles carregam seu Messias nos braços nos aeroportos e fazem inaugurações de outdoors com fotos e slogans do “mito”, deles.

Logicamente o Bolsominion que estiver lendo este texto e se sentir magoadinho vai me dar block nas redes sociais. Outros ao vestirem a carapuça vão dar aquele xingamento básico me chamando de “parcial”, “petista”, “comunista safado”, etc…

Mas meu bom bolsominion, eu também gosto de você.

Confira outros textos da série “Os Personagens do Facebook”

O “Isentão”

O esquerdista arrogante

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Falta de empatia: a doença do mundo

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A maturidade emocional está intimamente ligada à capacidade de sentir empatia. É a capacidade de se colocar no lugar do outro que faz com que tenhamos a abertura para ouvir as várias respostas para uma mesma pergunta e entender que não há verdade absoluta. Que a sua necessidade não é menos importante que a minha.

Sem empatia há corruptos, traidores, violentos, assassinos, aproveitadores, sem-palavras, charlatões, enrolões, abusadores, perversos, impacientes, intolerantes, presunçosos, folgados, procrastinadores, indiferentes.

Sem empatia, há contratos quebrados, acordos não cumpridos, identidades roubadas, lares destruídos, milhões desviados, trabalhos mal feitos, filas cortadas, favorecimentos ilícitos, chutes nos carros, cortadas no trânsito.

Sem empatia, alguns acreditam ser mais merecedores que outros e, portanto, se dão à comodidade de serem cegos, surdos e mudos para qualquer necessidade que não seja a sua própria. Sem empatia há o “venha a nós, mas ao vosso reino, NADA”.

A falta de empatia é o câncer do mundo, mas sua presença, a cura dele.

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O esquerdista arrogante

Nem todo esquerdista é arrogante. Mas essa espécie existe e está povoando as redes sociais todos os dias e “lacrando” nos debates.

O esquerdista arrogante acorda pronto para a treta no Facebook, grupos de Whatsapp, Twitter ou até mesmo no pacífico Instagram, espécie de “ilha de caras” das redes sociais.

O esquerdista arrogante é um chato por natureza. Nem os outros esquerdistas suportam a figura. Para ele só há uma visão de mundo. O que não é pensamento de esquerda é fascismo como se não existissem outras variações no espectro político.

Para o esquerdista arrogante o socialismo real venceu a guerra fria, Stálin não foi um dos maiores assassinos da história e a Venezuela está dando certo. Ele vive numa realidade paralela.

O esquerdista arrogante não aceita ser contestado por isso só se relaciona com outros esquerdistas e os amigos mais ponderados são chamados jocosamente de “reformistas” ou “pequenos burgueses”.

O esquerdista arrogante não está aberto ao debate, não ajuda a conquistar corações e gera antipatias daquele cidadão que não é de esquerda nem de direita, o chamado “isentão” (ver AQUI). O esquerdista arrogante dá uma grande contribuição para empurrar a galera de cima do muro para o lado destro do pensamento político.

O esquerdista arrogante é tão excludente quanto o mais extremista de direita. Ele não agrega, espanta por não aceitar o contraditório. Ele se julga superior aos demais por ser “mais inteligente” e acaba deixando aquela pessoa menos favorecida financeiramente simpática a ideias que não atendem aos próprios interesses, criando o fenômeno político do “pobre de direita”.

Às vezes penso como alguém tão arrogante e excludente pode se autoproclamar uma pessoa de esquerda. Estar do lado canhoto da política deveria simbolizar agregação, tolerância e sentimentos democráticos. Mas o esquerdista arrogante é exatamente o inverso e ainda tem a audácia de chamar alguém que pensa diferente de fascista quando na verdade age com um fascistinha.

O arrogante de esquerda adora jactar-se nas rodas de conversa que bloqueou alguém por votar no deputado federal fluminense Jair Bolsonaro (PSL) para presidente. Ele geralmente também gosta de dizer que não vai “perder tempo” debatendo com ignorantes. Se não fosse tão arrogante e descesse ao mundo dos “mortais” essa figura ajudaria a não termos tanta gente nesse país se informando por memes e compartilhando notícias falsas contra ícones da esquerda nacional. O problema é que boa parte desses ícones também são arrogantes de esquerda.

O arrogante de esquerda dá uma grande contribuição para que surjam pessoas que admiram Jair Bolsonaro por mais absurdo que possam ser as ideias defendidas por esse deputado fluminense pelo simples fato de ele colocar o comportamento médio do esquerdista arrogante como o da esquerda como um todo.

O arrogante de esquerda exista por mais que você ache ruim, amigo esquerdista. Eu em algum momento já me comportei com a arrogância do esquerdista arrogante, você que não se sente incomodado com esse texto também. Mas se você me bloquear nas redes sociais ou reclamar desse texto tenha certeza: você também é um arrogante de esquerda.

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A arte de não se importar

Já pensou como a nossa vida seria bem melhor se a gente não se importasse tanto com assuntos que questões individuais dos outros?

Hoje vivemos em um país recheado de divisões e boa parte delas são motivadas pelo interesse de controlar a vida alheia.

O que temos a ver se Fulano gosta de namorar homens. Ou se Beltrana gosta de transar com mulheres. O que temos a ver se Cicrano professa uma religião de matriz africana?

Pense como a nossa vida seria muito melhor se nós simplesmente não nos importássemos com as escolhas individuais dos outros.

Por que não gostar de uma pessoa que muito bem poderia ser nossa amiga apenas por ela ter uma visão política diferente da nossa? Que tal pautarmos o debate limitando ao campo das ideias?

Infelizmente há um desejo de vencer debates que não tem vencedores e muitas vezes utilizamos a estratégia de “enquadrar” o interlocutor. O debate empobrece, infantiliza e muitas vezes os ataques descambam para o caráter pessoal.

Uma pessoa não pode ser considerada má por ser direita ou esquerda. Um caráter não pode ser julgado por sua orientação sexual ou preferência religiosa.

A vida em sociedade seria bem melhor se também soubéssemos nos colocar no lugar do outro, fossemos mais empáticos com quem sofre discriminação.

Vamos exercer a arte de não se importar. Vale a pena.

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O “isentão”

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Por Bruno Barreto

O “isentão” é um espécime curioso na fauna políticas das redes sociais. É acima aquele chato que se coloca acima dos demais e está sempre com o dedo apontado para os outros com a intenção de desacreditá-los e encher o peito que venceu o debate.

O “insentão” é o chamado moralista de goela. Todos os outros são corruptos, menos ele. É a figura que se coloca sem qualquer contradição. Ele é liberal na economia, mas é um concurseiro de plantão. É o cara que manda o esquerdista abrir um negócio para ver como é difícil ser empresário, mas ele mesmo não bota não tem nenhuma bodega. Pode reparar, o “isentão” sempre foca seus ataques aos esquerdistas.

O “isentão” se diz honesto e “cidadão de bem”. Mas estaciona o carro na vaga de deficientes e idosos, faz fila dupla na frente da escola, dá “bola” ao guarda de trânsito para se livrar da multa ou é próprio guarda corrupto.

O “isentão” não diz não ter ideologias e sempre tenta encerrar as discussões com o argumento de que “esse negócio de esquerda e direita não existe”. O problema é que o “isentão” diz não ter posição, mas se posiciona. Geralmente ele é de direita, mas não admite. Ele procura desesperadamente um muro para subir. Geralmente encontra isso dizendo que vota em Marina Silva para presidente.

O “isentão” diz querer todos os corruptos presos, mas na TL dele só existem memes tratando da corrupção petista. Ele só compartilha notícias negativas contra a esquerda nos grupos de Whatsapp. Quando é pressionado pelo interlocutor, ele geralmente ataca a esquerda para justificar sua própria incoerência.

“Por que a esquerda não vai para as ruas pedir a prisão do Aécio?”. É a muleta padrão para justificar-se.

O “isentão” brada “fora todos”, mas a prisão de Lula ele já está de bom tamanho para ele.

O “isentão” defende votar no “novo” e não reeleger os que estão aí, numa ingênua e estreita visão de como funciona a política. Ele não consegue entender que não adianta mudar os nomes sem mudar o sistema e fazer o controle social sobre a atuação política. É um acomodado político que aparece de quatro em quatro anos nas urnas para votar nos mesmos de sempre mesmo pregando o extermínio deles da política.

O “isentão” prometeu dar sequência a limpeza política pedindo pela saída de Temer, mas teve duas grandes chances e ficou calado. Ele culpa o PT por ter escolhido Temer como vice nas eleições de 2014 para tentar justificar a sua incoerência.

Veja: para o “isentão” a culpa é sempre do PT!

O “isentão” possui um sentimento de superioridade moral em relação a quem assume posições claras seja pela esquerda ou direita.

O “isentão” diz odiar política e que todos os políticos são ladrões. Ele generaliza o debate e adora classificar como fanáticos quem discorda dele.

Autoproclamar-se “neutro” é o maior orgulho do “isentão”.

O “isentão” é um chato acima de tudo, mas também é um hipócrita. Ele pode ser eu ou você!

O “isentão” vai reclamar desse texto!

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O descanso do decano do jornalismo mossoroense

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Há quase 15 anos quando pus os pés pela primeira vez numa redação de jornal e um dos primeiros alertas foi o de que jornalista não se aposenta. Mas Emery Costa insiste que pode se aposentar sim após 55 anos comunicando e fazendo história na mídia local.

Tive a honra de trabalhar com Emery por 12 anos em jornal, rádio e TV. Eram aulas diárias de humildade e companheirismo. Ele é uma figura ímpar nesses dois aspectos.

Na coluna diária em O Mossoroense, os leitores se deleitavam com sua escrita leve. No rádio e TV a notícia objetiva era sua prioridade.

Seu trabalho alcançou tanta relevância que chegou a ser candidato a vice-prefeito de Mossoró em 1972 compondo com Lauro da Escóssia Filho em um embate eleitoral vencido por Dix-huit Rosado.

Emery encerrou as atividades na Rádio Rural no último dia 28 de fevereiro falando que ia se aposentar. Lembre-se, jornalista não se aposenta.

Logo veremos ele postando alguma amenidade ou nota fúnebre no Facebook.

Vida longa ao mestre Emery.

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