“Não sou o “novo’”, declara Kelps Lima

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Na segunda entrevista com os pré-candidatos ao Governo do Estado realizada pelo Blog do Barreto, o deputado estadual Kelps Lima (SD) falou do projeto político de disputar o Governo do Estado. Ele se coloca como alternativa ao PT e grupos tradicionais da política estadual.

 

Blog do Barreto: O senhor está se colocando como pré-candidato ao Governo, mas condiciona o desempenho nas pesquisas para seguir com o projeto. Não é um mau começo para uma disputa majoritária?

Kelps Lima: Claro que não, muito pelo contrário, é pegar o melhor caminho, dizendo a verdade. Nenhum dos pré-candidatos confirmou sua candidatura oficialmente. Todos estão tentando se viabilizar. Carlos Eduardo também está aguardando o resultado de pesquisas. Isso é mais do que normal. A diferença é que eu sou sincero.

Blog do Barreto: O senhor não é ligado à esquerda, nem a direita e muito menos aos grupos tradicionais. A falta de uma identidade política não pode atrapalhar num cenário tão polarizado como o atual?

Kelps Lima: Quem faz política polarizada faz muito barulho, mas não é maioria. A grande maioria das pessoas não está preocupada com esquerda ou direita. A maioria quer soluções, quer um projeto. Entendo identidade política como outra coisa, com ter um projeto com começo, meio e fim. Ter qualificação na área pública. Até agora só nós do Solidariedade termos investido em qualificação na área pública, em um projeto com começo, meio e fim.

Blog do Barreto: O senhor tem repetido que o problema do Rio Grande do Norte é falta de gestão. Mas o atual governador também falava isso. Não há um risco de se passar para o eleitorado como mais um falastrão?

Kelps Lima: Tenho especialização e mestrado na UFRN em gestão pública. Já recebi alguns prêmios nacionais e internacionais na área. Não sou produto de marketing eleitoral, como Robinson foi. Meu mandato na Assembleia e minha experiência como Secretário de Trânsito de Natal mostram que nossos projetos possuem absoluta viabilidade e todos saem do papel.

Blog do Barreto: O senhor está em um partido de médio para pequeno porte. Como encarar uma candidata do PT e os representantes dos grupos tradicionais?

Kelps Lima: Nasci em uma família pobre, numa casa de uma vila no bairro do Alecrim. Fui o primeiro em todas as gerações de minha família a ter uma carreira acadêmica. Sei o que é posto de saúde, desemprego e ônibus lotado na prática. Você acha que depois de tudo que passei na vida eu tenho direito a ter medo de grupos oligárquicos em nosso Estado. Disputei 3 eleições até hoje, em todas tive mais votos que o candidato do PT.

Blog do Barreto: Falando em PT o senhor tem sido duro nas críticas ao governador e lideranças tradicionais das famílias Alves e Maia, mas com a senadora Fátima Bezerra o senhor tem pego mais leve. É a porta aberta para um entendimento futuro?

Kelps Lima: Não seria justo comparar Fátima com José Agripino e Garibaldi. Contudo, não posso dizer que até agora o projeto de Fátima seja consistente. Ela ainda não colocou o RN em sua pauta, vem falando apenas do Golpe, de Temer e de Lula. Precisa falar mais do Hospital Tarcísio Maia, do recorde de assassinatos no RN, de sermos a 2ª pior educação do Brasil, e propor soluções. O que me parece, até agora, é que Fátima está mais preocupada com os problemas nacionais do PT do que os problemas do Rio Grande do Norte.

Blog do Barreto: O Solidariedade tem construído um grupo de nomes novos, mas sem muita estrutura. Dá para acreditar que é possível conquistar mandatos apenas com o “discurso do novo”?

Kelps Lima: Primeiro não sou o “novo”. Tenho 46 anos, já fui secretario mais de uma vez e estou no segundo mandato de deputado. Fazemos política moderna. Vou lhe dizer por qual motivo acreditamos que é possível. A lógica da Assembleia é os deputados aderirem ao Governo, em troca de “estrutura”, mesmo sem ter votado no Governador de plantão. Eu nunca fiz isso, nunca indiquei um cargo sequer em prefeitura, governo estadual ou federal. Mesmo assim fui o 4º deputado mais votado do Estado e fiquei em 2º lugar para Prefeito de Natal e ainda elegemos a segunda maior bancada da Câmara Municipal. Este ano vamos eleger 3 deputados estaduais, 1 federal e vamos estar competitivos para o Senado e o Governo. Os grupos tradicionais não podem transitar pelo que há de mais novo na política, as redes sociais. Na internet nós ganhamos de goleada.

Sabemos fazer muito, com pouca estrutura, exatamente o que o Estado está precisando.

Blog do Barreto: A UERN é constantemente atacada por setores da mídia de Natal e até mesmo de parte da elite potiguar. O senhor sendo governador faria o que para reverter esse quadro?

Kelps Lima: Precisamos modernizar a UERN, não tem outro caminho. A UERN está sendo vítima dos velhos políticos que não querem que nossos jovens tenham acesso a boa educação. Mas também vem sendo vítima da falta de modernização, é preciso rever muita coisa dentro da UERN para podermos salvá-la.

WhatsApp Image 2018-03-22 at 09.39.35Blog do Barreto: Certa vez em um artigo escrevi que o senhor precisa mais do que um “pau de selfie” para ser eleito governador. Creio que o senhor é consciente disso. Qual é a estratégia para formar uma base para lograr êxito no projeto?

Kelps Lima: A melhor estratégia é ter uma postura coerente, uma boa estratégia, qualificação e boa comunicação. Qual a estrutura de Zenaide? Qual o partido dela? O que faz ela estar tão bem para o Senado? Pensar em estrutura é olhar para o passado. Nosso partido é disparado o que mais cresce no Estado sem uso da máquina pública. Estamos criando uma nova identidade política no Estado, poucos falam disso para não valorizar nosso trabalho. Todo mundo quer se esconder embaixo de rótulos: esquerda x direita, verde x vermelho. Não precisamos dessas embalagens, nosso conteúdo é consistente.

Blog do Barreto: O senhor se posicionou favorável aos servidores no “pacote de maldades” enviado pelo governador, mas reconhece que medidas impopulares são necessárias. Quais seriam as mais urgentes na sua opinião?

Kelps Lima: É preciso resolver a questão da previdência, é inadiável. Mas começar essa solução colocando a conta exclusivamente nas costas do servidor que está com 2 anos sem receber em dia não é justo. Além disso é preciso mudar o perfil da máquina pública, modernizá-la. Temos de ter um projeto econômico estadual para aumentar a arrecadação, conectado com uma boa política para educação, e aí a UERN terá um papel fundamental. Em tempos difíceis a sociedade precisa de líderes qualificados e corajosos. Me preparei a vida inteira para este momento.

Blog do Barreto: Ser candidato ao Senado é uma alternativa?

Kelps Lima: Temos a melhor pré-candidatura ao Senado das eleições deste ano, Magnólia Figueiredo. Uma figura internacional, que só nos deu orgulho. Uma servidora pública qualificada com mais de 30 anos de experiência. Dos nomes colocados até agora para o Senado é a única que não pertence às oligarquias políticas do Estado. Minha alternativa para o Senado já tem nome: Magnólia Figueiredo.

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“Não sou um político tradicional”, garante Fábio Dantas

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Ontem Fábio Dantas se filiou ao PSB em uma concorrida solenidade na capital do Estado. Em oito anos ele este é o terceiro partido do atual vice-governador do Rio Grande do Norte. Em 2010 ele fora eleito deputado estadual pelo PHS e até poucos dias estava no PC do B. Ele abre a série de entrevistas do Blog do Barreto com os pré-candidatos ao Governo do Estado que abordarão temas espinhosos.

Blog do Barreto: Por que só agora o senhor decidiu se afastar do governador Robinson Faria? Uma decisão como essa, tomada tão próxima das definições das chapas para as eleições, não passa a sensação de oportunismo?

Fábio Dantas: Inicialmente gostaria de agradecer o convite para poder esclarecer a este veículo de comunicação tão importante e que prima por um jornalismo positivo. Passando a responder a indagação inicial, discorro que estou cumprindo a minha missão como vice-governador, missão que me foi dada pela população. Por diversas vezes lutei para que o Governo fizesse outras escolhas, tomasse outras decisões, mas não fui ouvido. Eu mesmo não participei da administração como secretário, nem indiquei titular de qualquer Secretaria, exatamente por discordar de muitos pontos. A decisão do Governo de querer trabalhar pela continuidade da atual gestão, perdendo ainda mais o foco, foi decisiva para o meu desligamento. É preciso ouvir a população e entender que o Governo hoje não tem a sua aprovação.

Blog do Barreto: O senhor foi eleito deputado estadual pelo PHS, depois foi para o PC do B. Agora está migrando para o PSB. São três eleições e três partidos diferentes. O senhor tem alguma consistência ideológica em suas posições políticas?

As três legendas dialogam muito, principalmente no âmbito nacional, onde são tratadas as grandes questões, sendo que todas são socialistas e fazem oposição ao Governo Federal. Tenho grande respeito pelo PCdoB, um partido que me acolheu muito bem. Minhas posições políticas sempre são coerentes com os anseios de nossa sociedade. A opção de mudar de legenda foi derivada do processo eleitoral de 2018 no qual a maioria das agremiações está se dedicando as eleições proporcionais, porém o Partido Socialista Brasileiro tem demonstrado apoio a eleições majoritárias também.

Blog do Barreto: No ano passado em duas oportunidades o senhor, em plena interinidade, enviou para a Assembleia Legislativa o pacote de ajustes fiscais. Nas duas vezes o governador recuou ao reassumir o cargo. Precipitação sua ou falta de coragem do governador? O envio foi de comum acordo?

Quando assumi na interinidade, tinha a plenitude do cargo e enviei as propostas para que a Assembleia Legislativa iniciasse o debate, com a participação dos deputados e da sociedade. Enviei porque o Governo já deveria ter tido essa atitude, desde o início. O Governo foi agir no último ano da gestão, de forma extemporânea, e o resultado foi a indignação da sociedade e o fracasso das ações legislativas, principalmente pela ausência completa de credibilidade do Governo, que dificultou as discussões dos temas sem a participação da sociedade.

IMG-20171019-WA0068 (1)Blog do Barreto: O senhor entregou ao legislativo em março do ano passado o projeto que aumenta de 11 para 14% a alíquota previdenciária dos servidores estaduais. Como convencer um servidor público a votar na sua candidatura?

Não vejo por este lado até porque também existiu uma resistência por parte dos poderes, que passariam a contribuir com mais 6%, o que reforçaria o Fundo Previdenciário de todos os servidores. Neste caso concreto, acredito ser uma luta inglória tendo em vista que todos os estados, especialmente os governados pelo Partido dos Trabalhadores, como o Ceará, a Bahia, o Acre e o Piauí já fizeram essa ação. Esse projeto foi enviado em março de 2017 junto com outras medidas fundamentais para resgatar nosso tão combalido Rio Grande do Norte. Infelizmente o Governo atual não possui a credibilidade necessária para positivar o debate, mesmo porque acreditamos que qualquer outro pré-candidato não poderá fugir dessa matéria, sob pena de cometer ou um estelionato eleitoral ou no futuro prejudicar mais ainda o conjunto de servidores com decisões muito mais drásticas. Defendo o diálogo para encontrar o melhor caminho e buscar as melhores soluções. Pois isso é o que a sociedade quer: soluções. Não adianta ficarmos no campo da ilusão de que tudo será diferente se não agirmos diferente. A sociedade cansou do discurso, ela quer melhorias e já.

Blog do Barreto: O senhor afirma que representa o novo, uma alternativa política. O senhor tende a ter o apoio de políticos tradicionais como os deputados Rogério Marinho e Ezequiel Ferreira e, segundo o jornalista Diógenes Dantas, andou articulando chapa com o senador Garibaldi Alves Filho e a prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini. Isso é ser novo?

Entendo que uma candidatura nova se dá quando quem está postulando não representa o mesmo de sempre e o mais importante: quando pensa diferente. Um candidato compromissado com a sociedade quer mostrar suas ideias e sua capacidade e, assim, conquistar os apoios para se eleger. O apoio dos jovens, das mulheres, das minorias e dos idosos pode assegurar que o proposto prevaleça e que seja colocado em prática. No tocante aos diversos apoios que foram atribuídos, sinto-me lisonjeado, já que não possuo estrutura financeira nem política que me faça ser um candidato dito poderoso, pois acredito nas argumentos que possuo e construí no pouco tempo que estou na política, dentre os quais destaco: ser transparente, ser parceiro, ter caráter, cumprir a palavra empenhada, trabalhar em prol da coletividade, saber ouvir e principalmente ter coragem para decidir.

Blog do Barreto: Com a sua chegada ao PSB como fica a situação do grupo da vereadora Sandra Rosado?

A vereadora Sandra Rosado e a deputada Larissa Rosado têm anos e anos de PSB. Tive a oportunidade de conviver com a deputada Larissa na Assembleia, quando fomos colegas de Casa legislativa. Por enquanto, ingresso no partido como filiado, querendo dialogar com todos. Acredito ser comum o sentimento de que a legenda deve manter o histórico de protagonismo e realizações no RN.

Blog do Barreto: Qual a sua opinião sobre a UERN? Concorda com a ideia de federalização defendida por setores do Governo Robinson?

Tenho certeza da importância da UERN como uma instituição. É imperativo e extremamente forte como instrumento de fomentar nossas potencialidades. A Universidade Pública estadual hoje está inserida na universalidade do ensino, o que não diferencia das demais existentes. Precisamos modernizar a UERN, sendo fundamental a existência de cursos que exprimam nossas potencialidades. Existe hoje o crescimento do descrédito quanto à sobrevivência da instituição por parte de setores da sociedade, às vezes até motivado pelo desconhecimento ou mesmo pela falta de transparência, acho que precisamos abrir a instituição para todos. A UERN ou qualquer outra instituição de ensino deve servir aos seus usuários e não deve ser instrumento de bandeira política partidária. No tocante à federalização, é um tema pouco válido de se discutir, porquanto que o Governo Federal não aceita essa modalidade.

Blog do Barreto: Falando em Robinson, como o senhor analisou as denúncias contra ele no Fantástico do último domingo? Ele chegou a comentar alguma coisa com o senhor quando eram aliados?

Absolutamente não falei e acho que é muito ruim para o Estado quando a probidade do chefe do Executivo é questionada, mas ele terá a oportunidade de defender-se e esclarecer o que de fato aconteceu.

Blog do Barreto: Sua pré-candidatura ao Governo foi formatada por meio de conversas com líderes políticos. É algo debaixo para cima. Isso não dificulta a aproximação com as camadas populares? Ou senhor acredita que as lideranças que lhe apoiam quebrarão essa distância?

O que está acontecendo é exatamente o contrário. O meu desligamento do Governo e a minha filiação ao PSB foram decisões tomadas a partir da própria leitura das mensagens das ruas. Não sou um político tradicional, não reúno uma estrutura capaz de impor nada e não concordo com acordões. O Rio Grande do Norte já mostrou que pensa como eu em 2014.

Blog do Barreto: Em 5 de dezembro de 2012 o senhor perdeu por apenas um voto a indicação da Assembleia Legislativa para o Tribunal de Contas do Estado. O senhor ainda pretende se torna conselheiro deste órgão?

A próxima vaga para o Tribunal de Contas do Estado só vai surgir daqui a sete anos. Até lá, teremos duas sucessões estaduais. O que queremos agora é buscar soluções para os problemas existentes no RN, que são muitos e exigem ações imediatas.

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