Como um nascido no Brasil deu um Prêmio Nobel a Inglaterra

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Peter Medawar nasceu no Brasil, mas ganhou o Prêmio Nobel para a Inglaterra

Bruno Vaiano

Superinteressante

Em 2015, a SUPER entrevistou o evolucionista Richard Dawkins — e ele comentou de passagem que um de seus ídolos, o prêmio Nobel Peter Medawar, nasceu no Brasil. Não só nasceu como viveu e estudou em Petrópolis, no Rio de Janeiro, até os 14 anos.

Eu achei essa história muito estranha. Afinal, já virou clichê dizer que o Brasil não tem Nobel. Isso fere nosso orgulho. A Argentina tem Nobel. O Peru tem Nobel. A Colômbia tem Nobel. O Brasil não tem Nobel do mesmo jeito que a Inglaterra não ganha uma Copa desde 1966: padrão Mick Jagger de zica e pé-frio. É um desses fatos inescapáveis da vida.

Uma pesquisa rápida revela o essencial sobre o prodígio mais desconhecido da nação: Medawar era filho de um libanês e uma inglesa. Sua família veio para cá quando o patriarca, sócio de uma empresa inglesa que fabricava próteses e instrumentos de dentista, visitou a capital fluminense para instalar uma filial na rua do Ouvidor. O casal gostou do que viu e ficou por aqui mesmo: eles tiveram quatro filhos, morreram e foram enterrados no Brasil.

Medawar pai não era bobo: apesar de gostar do país tropical, sabia que ter um passaporte inglês não faz mal a ninguém. Registrou suas quatro crias tanto aqui como na terra da rainha Elizabeth. Com 14 anos, o Peter adolescente aproveitou sua dupla cidadania para fazer o colegial na Europa — e como já era um gênio desde cedo, emendou uma graduação em zoologia em Oxford. Coisa fina.

Foi aí que chegou o momento mais temido por muitos adolescentes: o serviço militar. Quando completou 18 anos, Medawar filho não quis interromper os estudos para vir aqui fazer a visita obrigatória ao quartel. E sem o certificado de reservista, ele perdeu a cidadania brasileira. Em 1960, quando saiu o Nobel de medicina em seu nome, ninguém mais lembrava que o laureado tinha passado a infância na região serrana do Rio.

O que leva a outra pergunta: naquela época, não prestar serviço militar era mesmo suficiente para perder a cidadania? Ou Medawar simplesmente optou por não ser mais brasileiro para evitar a dor de cabeça?

Em uma reportagem do Fantástico de 1998 (que você pode ver no YouTube), um advogado afirma que Medawar morreu tão brasileiro quanto nasceu: ficar sem certificado de reservista não é suficiente para ser jogado na sarjeta pela nação.

A Folha também fez uma matéria sobre o assunto em 1996, em que há uma breve análise de um professor de Direito da USP. A conclusão dele foi um pouco diferente: de fato, nenhuma das constituições brasileiras — inclua aí as de 1934 e 1937, que vigoravam quando Medawar estava na faculdade — afirma explicitamente que quem não presta serviço militar fica sem cidadania. Na época, porém, “havia essa interpretação”.

O texto da Folha não dá mais detalhes, mas não é difícil de imaginar o porquê de uma medida tão radical: 1937 marca o início do Estado Novo, a ditadura comandada por Getúlio Vargas. Nessa época, tentar escapar do exército na malandragem certamente não era o melhor jeito de ficar bem na fita com a justiça.

Gerdal Medawar, um primo do biólogo que passou a vida no Brasil, afirma que ele, na verdade, renunciou voluntariamente à cidadania brasileira. O pesquisador simplesmente não quis ter a dor de cabeça de interromper a graduação em Oxford para fazer uma visita arriscada ao quartel — que poderia lhe render um ano longe dos estudos. Como ele já tinha a cidadania britânica, garantida por seus pais, não foi tão difícil assim tomar a decisão.

Os Medawar eram razoavelmente bem relacionados: o padrinho do futuro Nobel era ninguém menos que Salgado Filho, na época ministro do Trabalho. O político pediu pessoalmente a Gaspar Dutra, então ministro da Guerra, que liberasse o afilhado do serviço militar. E ouviu um “não”. Dureza.

Conclusão? Com ou sem cidadania, é pouco provável que Medawar tivesse entrado para a história como um Nobel brasileiro. Ele abraçou seu lado inglês sem olhar para trás, e foi na Inglaterra que ele fez todo seu trabalho.

Por último, para você não ir embora curioso: Medawar ganhou o prêmio por suas pesquisas sobre o sistema imunológico — que permitiram os primeiros transplantes de órgãos e tecidos sem rejeição. Mas ele também foi extremamente importante para a compreensão da seleção natural: em 1952, deu a primeira resposta evolutiva satisfatória para a pergunta “por que nós morremos?” Ficou curioso para saber a reposta? Vai ter que esperar o próximo post, que sai semana que vem aqui no Supernovas.

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Os fatores nacionais que influenciam na escolha dos governadores

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Lilian Venturini

Nexo Jornal

Há muito em jogo na decisão do eleitor ao votar em seu candidato ao governo estadual, um dos cargos que estarão em disputa nas eleições de outubro de 2018. E muitos dos fatores que influenciam essa escolha vêm do cenário nacional, indo além de questões diretamente ligadas às atribuições do chefe do Executivo estadual.

A relação entre o plano nacional e as eleições regionais foi identificada no estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores? Desvendando as razões do voto para os executivos estaduais no Brasil em 2014”, a partir de dados da mais recente disputa.

A pesquisa foi desenvolvida por Oswaldo do Amaral, professor do programa de pós-graduação em ciência política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e Marcela Tanaka, pesquisadora do Grupo de Estudos de Política Brasileira da Unicamp. O estudo integra um projeto mais amplo, intitulado “Organização e funcionamento da política representativa no estado de São Paulo (1994 e 2014)”, realizado nos últimos cinco anos.

Investigar o comportamento do eleitor e o que o faz optar por esse ou aquele candidato é tema corrente e ao mesmo tempo complexo, seja no campo da ciência política ou da psicologia social. Há estudos que apontam desde questões ideológicas até o passado dos candidatos como critérios de escolha.

Amaral e Tanaka observam que há poucos estudos voltados especificamente para governadores, gestores públicos que têm entre suas atribuições principais a elaboração de políticas nas áreas de segurança pública e transporte metropolitano, além de participação nas áreas de saúde, educação e moradia.

Os governadores em 2014

Para desenvolver a pesquisa, os autores partiram de hipóteses testadas em estudos semelhantes feitos anteriormente no Brasil e em países como Argentina, Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

São pesquisas que procuraram observar se a escolha por um candidato foi influenciada, por exemplo, pela situação econômica do país, pela preferência partidária e pela escolha do nome presidencial, cuja votação ocorre no mesmo momento.

Os autores analisaram informações das eleições de 2014, em que 162 candidatos disputaram uma das 27 cadeiras para o comando de governos estaduais e do Distrito Federal.

Os autores levaram em consideração pontos relevantes tanto sobre as eleições de 2014 quanto sobre os sistemas eleitoral e partidário brasileiros.

Pontos importantes

POLARIZAÇÃO

A campanha daquele ano ficou marcada pela disputa entre PT e PSDB, partidos que protagonizam as eleições desde 1994. Em 2014, a petista Dilma Rousseff foi reeleita no segundo turno, derrotando, por margem pequena de votos, o senador tucano Aécio Neves.

MUITOS PARTIDOS

O alto número de partidos (35 atualmente) e a possibilidade de coligações entre as legendas conferem características peculiares às disputas estaduais, já que nem sempre as alianças locais são as mesmas no plano nacional. Em 2014, por exemplo, o MDB, que ocupava o posto de vice na chapa de Dilma, com Michel Temer, aliou-se a legendas opositoras ao PT em disputas estaduais.

A repartição dos votos

Os candidatos a governadores que mais receberam votos em 2014 eram filiados ao PSDB, MDB, PT e PSB. Somados, esses partidos obtiveram 80% dos votos válidos em todo o país. Foram deles também o maior número de eleitos. PT, PSDB e MDB venceram em estados mais populosos. O PT, por exemplo, saiu vitorioso em Minas e na Bahia. O PSDB em São Paulo e o MDB, no Rio.

O VOTO NOS ESTADOS

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Fatores de influência

Os pesquisadores usaram dados do Eseb (Estudo Eleitoral Brasileiro) de 2014, realizado pelo Cesop (Centro de Estudos de Opinião Pública), da Unicamp, em parceria com o instituto Ibope. A pesquisa considerou informações coletadas por meio de 2.506 entrevistas com eleitores realizadas entre 1º e 19 de novembro de 2014.

A análise se baseou entre eleitores que votaram em candidatos a governadores do PT, PSDB e MDB no primeiro turno. Esse recorte foi proposto por terem sido as legendas com mais candidatos, com mais votos e em razão do papel desempenhado no cenário nacional: PT era o partido que estava no comando da Presidência (com Dilma); PSDB era o principal opositor ao governo federal e o MDB era o principal aliado governista.

Para identificar quais fatores poderiam influenciar mais ou menos a escolha do eleitor, os pesquisadores cruzaram respostas dadas nas entrevistas a perguntas como:

– “A atual situação econômica do Brasil está melhor, igual ou pior do que há 12 meses?”

-“Nos últimos três anos, o(a) sr(a). ou alguém que vive em sua casa foi beneficiário (recebeu) do programa Bolsa Família?”

-“O governo da presidente Dilma Rousseff nos últimos quatro anos foi ótimo, bom, ruim ou péssimo?”

– “Em quem o(a) sr(a). votou para presidente no primeiro turno?”

-“Qual o partido o(a) sr(a). gosta?”

Preferência partidária

Os pesquisadores identificaram que a identificação do eleitor a um partido tem influência semelhante à verificada na disputa presidencial. Quem se identifica com o PT tem chance 66% maior de escolher um petista para governador. Entre os simpatizantes do PSDB a chance de votar em um tucano é ampliada em 98%.

Igual efeito ocorre quando há preferência pelo partido de candidatos à reeleição (ou apoiados pelo atual governante). A escolha passada (no caso do estudo, a feita em 2010) também influenciou o voto em 2014, aumentando as chances do candidato da situação. Esses resultados indicam que há algum grau de coerência por parte do eleitor no momento de fazer suas escolhas.

Os dados também indicaram que o fato de o eleitor escolher Dilma como candidata à Presidência também ampliou as chances de petistas serem escolhidos para governos estaduais.

Da mesma forma, a opção por Aécio aumentou as possibilidades de tucanos. Em sentido contrário, ter votado em Aécio ou na ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (à época no PSB, hoje na Rede) reduziu as chances da escolha a um candidato petista.

“Esses pleitos [votação para governadores] não são regidos exclusivamente por lógicas contextuais das unidades da federação. As preferências partidárias e a estruturação da competição política no nível presidencial (…) também fazem parte do jogo, demonstrando que as escolhas eleitorais no plano subnacional também estão associadas à disputa e ao desempenho dos partidos no plano nacional”

Oswaldo do Amaral e Marcela Tanaka trecho do estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores?”

Nos locais em que houve candidatos à reeleição ou apoiados pelos governadores em exercício, as chances de votos nesses políticos aumenta entre eleitores que se identificam com a gestão em curso ou que votaram naquele governante em 2010.

De acordo com os resultados, quando há identificação com o partido do candidato da situação, as chances de voto nele quase triplicam. “Isso demonstra a existência de uma razoável estabilidade na escolha dos eleitores para os pleitos estaduais”, afirmam os pesquisadores. Desempenho do governo federal

Os dados sobre a avaliação do governo federal indicaram que o plano nacional pode exercer algum tipo de influência no plano estadual, porém de forma menos nítida do que a influência provocada pela disputa presidencial entre PT e PSDB.

Eleitores que avaliaram o governo Dilma como “regular” e “ótimo ou bom” apresentaram menos chances de votar em nomes do PSDB, quando comparados com aqueles que avaliaram como “ruim ou péssimo”.

Já os fatores de influência para escolha por nomes do MDB é menos clara. A avaliação ao governo Dilma teve efeitos tanto positivo quanto negativo para os candidatos filiados à legenda.

“Ter uma avaliação positiva do governo federal nos últimos quatro anos não apresentou resultado estatisticamente significativo nas escolhas por candidatos petistas, mas reduziu as chances de voto em candidatos do PSDB”

Oswaldo do Amaral e Marcela Tanaka trecho do estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores?”

Ainda no aspecto nacional, os pesquisadores observaram que o Bolsa Família (programa de transferência de renda lançado no governo Lula, em 2004) pode ter beneficiado candidatos petistas. “O que poderia indicar que o programa se constituiu em uma marca do Partido dos Trabalhadores e que seus benefícios eleitorais podem ir além da disputa pela Presidência”, diz o estudo.

Economia e serviços públicos

De modo geral, os dados coletados indicaram que a situação econômica nos 12 meses anteriores à eleição influencia pouco a decisão do eleitor na escolha do governador, seja candidato à reeleição ou não, sejam eles filiados ao PT, PSDB ou MDB.

“De uma maneira geral, os resultados sobre a avaliação econômica indicam que os eleitores, ao irem às urnas para escolher os governadores, não recompensam ou punem os incumbentes [candidatos à reeleição ou apoiado pelos governadores em exercício] a partir de avaliações gerais da situação econômica”

Oswaldo do Amaral e Marcela Tanaka trecho do estudo “Como os brasileiros escolhem os governadores?”

Os pesquisadores também não encontraram relação entre o voto ao governo estadual e as avaliações das políticas públicas nas áreas de segurança, saúde e educação, todas de competência de governadores. Mas os autores ponderam que essa relação carece de análises mais detalhadas e que considerem as diferentes camadas de atribuição, já que há ações de responsabilidade da União, estados e municípios.

 

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Artistas locais encontram no financiamento coletivo e na venda antecipada a alternativa para viabilizarem seus projetos

Por Caio César Muniz

Do Coletivo Caboré – UERN

Especial para o Blog do Barreto

Sem apoios institucionais, artistas mossoroenses estão metendo a cara no mundo, explorando as redes sociais e buscando outras formas para realizarem o sonho de terem os seus projetos culturais enfim, efetivados.

Os financiamentos coletivos e a venda antecipada direta dos produtos têm sido uma saída considerada viável para escritores e bandas musicais, por exemplo, que estão em campanha neste momento para atingir as suas junto a editoras e gravadoras.

Renata Nolasco
Renata lança seu primeiro HQ

A jornalista Renata Nolasco, formada pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), roteirista e ilustradora, está com  sua primeira HQ intitulada “Só Ana” em fase de pré-venda no site Catarse. A meta final para a publicação do projeto é de R$ 8.500.

Até às 10h20 do dia 11 de julho, o valor captado tinha atingido a marca dos 24%, ou seja R$ 2.100, com 6 dias de campanha e 59 apoiadores. O projeto vai até o dia 03 de agosto e os interessados em adquirir a obra antecipadamente também podem escolher com quanto querem apoiar e que recompensas querer obter com o apoio. Os valores vão de R$ 10 a R$ 550.

Renata ressalta a importância do modo de comercialização, mas também diz que optou pelo financiamento coletivo por gostar do formato: “Pessoalmente eu gosto de participar de todos os processos, então é uma experiência interessante lidar com as gráficas, fazer a divulgação, os envios… É bastante gratificante”.

Na página do Catarse (Catarse Só Ana) os interessados têm informações sobre a autora, a obra e de como podem apoiar.

acruviana
Banda Acruviana tenta se financiar com “vaquinha” virtual

Acruviana é uma banda mossoroense de rock/indie-blue/ com aspectos regionais já com 4 anos de estrada. Seu primeiro CD, “Primavera do Sertão”, foi lançado em 2016. Agora, pelo site Vakinha (Vakinha Acruviana) criaram uma campanha para lançamento do segundo trabalho, “Zé e a Paz Inquieta” e já estão com a meta garantida e extrapolada.

Max, conta que o novo trabalho traz um pouco da “ressaca” das convulsões sociais que tomaram o Brasil em meados de 2013 e ainda letras relacionadas aos problemas pessoais de nossa geração.

“Iniciamos o financiamento coletivo sem muita fé com R$ 1.000 de meta, mas logo começamos a receber  várias doações e aumentamos para R$ 2.000. Encerramos no dia 10 de julho, quando batemos a meta. A produção completa do disco irá sair por 4000,00”, comenta Max Medeiros, líder da banda.

Como ocorre geralmente com os financiamentos coletivos a banda ofereceu algumas vantagens para o apoio e tiveram ainda muitas colaborações diretas, sem passar pelo site.

andré BisnetoAndré Bisneto é outro jornalista formado pela UERN. O seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi transformado no livro “Eu Preta”, segundo o autor quase “por acaso”: “Quando comecei o projeto, eu buscava pela minha ancestralidade. Queria saber de onde eu vinha, e quem venho antes de mim. Mas no final, o livro ficou maior que isso”.

“Eu, Preta” retrata a história de seis mulheres negras desde o brasil oitocentista até hoje e revela um pouco (e às vezes nenhuma) das mudanças de uma geração para outra. Busca investigar o processo de formação da identidade racial e como esse processo é atravessado pela abandono afetivo.

O processo para a publicação de “Eu Preta” foi iniciado pela companheira de Bisneto, Edja Lemos, que manteve contato com várias editoras.

O autor optou pelo selo editorial Letramento, que tem no seu catálogo nomes como o de Djamila Ribeiro, pesquisadora de temas como o feminismo negro, tema que se assemelha ao trabalho de Bisneto.

Para viabilizar a publicação, o autor e editora fecharam um acordo de venda antecipada direta de pelo menos 100 exemplares exclusivamente pelo site (Grupo Letramento) até o dia 10 de agosto ao preço de R$ 29,90.

Zenóbio Oliveira, é mais reconhecido como profissional competente da cinegrafia norte-rio-grandense do que como poeta. Mas sua paixão pelos versos, inspirados na arte também cultivada pelo seu pai o fez reunir vários poemas enfeixados no livro “Verbo Sertanejo”.

zenóbio

“É um livro de poesias, que conta histórias de pessoas, lugares e sentimentos, além das próprias sensações do poeta. São sonetos, cordéis e outros estilos poéticos”, assim Zenódio retrata sua cria literária.

Sem recursos, a forma encontrada pelo poeta está sendo a venda antecipada direta, ou seja, por intermédio de amigos e com depósitos feitos em sua própria conta bancária.

A previsão de lançamento da obra é para agosto e o poeta estabeleceu uma meta de venda de 100 exemplares ao custo de R$ 30,00 que devem ser entregues na noite de autógrafos. Até o dia 13 de julho, as vendas ainda não haviam deslanchado.

“As vendas estão poucas ainda para o tanto que vou precisar. Elas seguem até o final de julho”, comentou o poeta Zenóbio.

Os dados para os interessados na aquisição antecipada do livro são os seguintes:

Zenóbio Francisco de Sousa Oliveira
Caixa Econômica Federal

Agência – 0560

Operação – 013

Conta poupança – 00068949-9

 

Banco do Brasil

Agência – 3526-2

Conta Poupança – 36.732-X

Variação – 051

 

Após o depósito, o comprovante deve ser enviado para o número: (84) 9.9148-2846.

 

Marcus ViníciusMarcus Vinícius é professor, poeta e contador de histórias. Assim como Zenóbio, também optou pela venda antecipada para conseguir a publicação de sua primeira obra literária. “Era uma vez uma história bem contada’ é composto de três histórias infantis, mas que não têm idade fixa. Pode ser criança se dois, oito ou oitenta anos. Histórias que falam de saudades, afetos, sonhos, esperanças” descreve Marcus.

Ilustrado pela artista plástica Nôra Aires, o livro tem previsão de lançamento para o mês de outubro e as vendas também podem ser feitas diretamente com o autor pelas suas redes sociais ao custo de R$ 50,00.

Com sua meta de 100 livros quase atingida, Marcus avalia como positiva a experiência que prossegue até meados de agosto, sem uma data definida: “No meu caso, teve uma boa aceitação por parte das pessoas que não conhecem meu trabalho. Posso dizer que foi uma venda confortável”, avalia.

Os dados para a aquisição antecipada de “Era uma vez uma história bem contada” são os seguintes:

Marcus Venicius Filgueira de Medeiros

Caixa econômica

Agência: 0560 – Operação: 013

Conta: 00076343-5

Assim como no caso de Zenóbio, após o depósito, o comprador deve enviar comprovante para o número (84) 9.9967-3341 para controle interno dos autores.

Como se vê, as leis de amparo na cultura não têm cumprido o seu papel em níveis nacional, no caso da Rouanet, estadual, a Lei Câmara Cascudo, e mesmo a lei municipal Vingt-un Rosado, que se pretendem a ser facilitadores do fazer cultural no país.

 

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Vingança da Rosa: José Agripino não disputa reeleição por exigência da prefeita de Mossoró

Convenção do DEM foi último ato de Agripino e Rosalba como colegas de partido. A vingança veio com o tempo
Convenção do DEM foi último ato de Agripino e Rosalba como colegas de partido. A vingança veio com o tempo

Há quatro anos, em plena Copa do Mundo, o senador José Agripino (DEM) costurou o resultado da polêmica convenção do DEM que resultou na rejeição a proposta de candidatura a reeleição da então governadora Rosalba Ciarlini.

Por 121×63 os delegados demistas escolheram salvar o mandato de Felipe Maia (DEM) a arriscar uma reeleição dificílima de Rosalba que estava inelegível àquela altura do campeonato do voto. Além disso, ela era até então a governadora mais impopular da história do RN com quase 80% de desaprovação e tinha apenas um punhado de partidos pequenos lhe dando sustentação política.

Foi uma decisão pragmática de Agripino que preferiu garantir as condições de reeleição do filho Felipe Maia e dos deputados estaduais do partido. Deu certo, mas quatro anos depois a fatura seria cobrada.

Nos bastidores Rosalba jurou vingança. Carlos Augusto Rosado também.

A lei do retorno veio com força e no momento certo para o casal rosalbista. O Blog do Barreto apurou junto a várias fontes em Natal que nas negociações com Carlos Eduardo Alves (PDT) foi oferecido a indicação do vice na chapa do pacto oligárquico. No entanto, Rosalba e Carlos Augusto quiseram mais: exigiram que Agripino fosse excluído da chapa majoritária. Daí iniciou-se uma longa negociação que passou por um jogo de gato e rato em que a prefeita e o marido atuaram com maestria sugerindo em diversas ocasiões que poderia se entender com a senadora Fátima Bezerra (PT) ou com o governador Robinson Faria (PSD). A dupla se deixou iludir atendendo as necessidades do rosalbismo se deixando fotografar com eles durante o Mossoró Cidade Junina.

Nem mesmo uma improvável “neutralidade” (ver AQUI) foi descartada no trabalho para atrair o ex-prefeito de Natal.

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Até a “eterna” adversária Fátima Bezerra “chegou perto” de ter o apoio de Rosalba no jogo de cena

Carlos Eduardo mordeu a isca porque colocou na cabeça que Henrique Alves perdeu as eleições em 2014 porque não tinha o apoio de Rosalba em Mossoró. Isso deu a prefeita de Mossoró as condições de impor exigências.

As coisas aconteceram rapidamente na semana passada. Na sexta-feira Agripino anunciou que não disputaria a reeleição. No mesmo dia Rosalba convidou Carlos Eduardo para passar o Boca da Noite em sua companhia indicando o acasalamento político.

Ao leitor menos interessado na política uma questão dessa passa despercebido, mas em política as ações falam mais que as palavras.

Agora as discussões giram em torno da escolha do nome do vice que será indicado por Rosalba. Segundo o Blog apurou o acordo está muito próximo e Carlos Eduardo tem um plano B caso a prefeita não faça a indicação: o nome é Felipe Maia.

Agripino

José Agripino é pragmático.  Sabia que tinha uma reeleição difícil. Excluído da chapa ele tinha um discurso: dizer que se sacrificou para fortalecer a chapa de Carlos Eduardo. Não era bem assim.

Quando surgiram os rumores de que ele desistiria por meio da assessoria ele disse: “O que está em cogitação são apoios de novos partidos à candidatura de Carlos Eduardo. Isso abre negociações em torno da chapa. Essa negociação é que está sendo cogitada”. O plural na frase não deixa dúvidas sobre o que estava acontecendo.

O ato seguinte confundiu a cabeça de quem acompanha o noticiário político: Agripino desistiu da reeleição para acomodar o deputado federal Antônio Jácome (PODE) candidato ao Senado.

Mas repare que Agripino não disse “novo partido”, mas “novos partidos” e isso significa que além do PODEMOS de Jácome estava em jogo o PP de Rosalba. Foi a exigência dela quem abriu o espaço para atrair Jácome que estava se entendendo com Robinson.

O sacrifício político de Agripino não foi necessariamente para atrair o deputado e a força dele no segmento evangélico, mas para garantir o apoio de Rosalba. A consequência foi a ocupação do espaço na majoritária por um outro ator político.

A intepretação de que Agripino desistiu de ir à reeleição por conta dos problemas no Supremo Tribunal Federal (STF) onde ele é réu em dois processos não é de todo errada. Afinal de contas candidato a deputado federal ele tem um caminho mais fácil para manter o foro privilegiado. Essa é a versão, até pelo fundo de verdade, mais consistente serve para esconder o fator determinante para a desistência de Agripino: a condição de Rosalba para apoiar Carlos Eduardo.

Por ironia, se Agripino tirou Rosalba do páreo há quatro anos para salvar o mandato de Felipe Maia desta vez é Felipe que ficará sem mandato de deputado federal por causa da exigência da agora prefeita de Mossoró.

Pensar que há 12 anos Agripino exigiu desalojar Geraldo Melo da chapa de Garibaldi Filho para colocar Rosalba candidata ao Senado, condição que levou ela, após vencer uma eleição apertada em cima de Fernando Bezerra, a se viabilizar para ser eleita governadora em 2010. Só falta agora a “Rosa” votar no “Tamborete”, o que não é de todo descartado, diga-se.

Agripino colhe as consequências do que fez de bom e ruim para Rosalba no passado.

Em 2018 a vingança é dela.

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Chapa proporcional vira “nó” para principais candidatos ao Governo

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Os pré-candidatos ao Governo do Estado e ao Senado Federal estão também preocupados com as chapas proporcionais que serão decisivas para atraírem as melhores alianças majoritárias. O famoso quociente eleitoral é o fator decisivo para cada deputado, seja estadual ou federal. Uma coligação ou partido terá que ter cerca de 70 mil votos para eleger a primeira vaga na Assembleia Legislativa. Já para a deputado federal o cálculo é estimado em 200 mil votos para cada uma das oito vagas em questão.

Lembrando que esse ano tem um fator novo. As sobras eleitorais beneficiarão partidos que não atingiram o quociente eleitoral. A medida, neste caso, beneficia pequenos partidos.

Somando a votação de todos os candidatos por coligação, aí gera quanto cada aliança fará para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados. A Justiça Eleitoral não considera eleito para deputado, quem tem mais votos, mas sim a soma dos votos de todos os candidatos por coligação. Em 2014, por exemplo, Vivaldo Costa, Larissa Rosado, Adan Eridan, Major Fernandes, Bispo Francisco de Assis, Amazan e Leonardo Nogueira tiveram mais votos que os deputados Souza Neto (PHS) e Carlos Augusto Maia (PCdoB), que conseguiram pouco mais de 20 mil votos em alianças menores.

A “chapa fechada” Carlos Eduardo (Governo), Garibaldi Filho e José Agripino (Senado) estão enfrentando problemas na questão das nominatas do PDT, MDB e DEM. É que baseados em pesquisas e comparando o resultado de 2014, só tem medalhões para concorrer a Assembleia Legislativa: Hermano Morais, Adjuto Dias e Nelter Queiroz pelo MDB, além do deputado Getúlio Rego no DEM, que almejam mais de 50 mil votos. Álvaro Dias foi o menos votado do MDB com 34 mil votos, mas quando assumiu a Prefeitura do Natal em abril decidiu lançar o filho, Adjuto Dias, que tem perspectiva, graças a máquina pública municipal, para sair somente da capital com 20 mil votos, segundo analistas eleitorais. O PDT de Carlos Eduardo só tem a vereadora Nina Souza como postulante a Assembleia Legislativa.

O PSB do vice-governador Fábio Dantas só tem o deputado Ricardo Motta e analisa lançar a ex-prefeita de Mossoró, Fafá Rosado. Alguns nomes menores foram incentivados como o jovem empresário Artur Maynard, de Caicó e o vereador Franklin Capistrano em Natal, mas juntos não conseguem 20 mil votos em todo Estado. Existe a possibilidade de lançar Fábio Dantas a estadual e tentar emplacar a deputada Cristiane Dantas do PPL como vice-governadora na chapa de Fátima Bezerra, do PT. Falta só convencer o PT aceitar uma aliança do PSB de Ricardo Motta, com o PHS de Souza Neto e o PCdoB de Carlos Augusto Maia.

O PT da senadora Fátima Bezerra tem nominata própria, mas não aceita aliança com o PHS do deputado Souza Neto e talvez faça com o PCdoB do deputado Carlos Augusto Maia. Os nomes do ex-prefeito de Parelhas, Francisco Medeiros, da vereadora Isolda Dantas (Mossoró), do vereador de São Gonçalo, Eraldo Paiva, da jovem Mada Maia, filha da deputada federal Zenaide Maia, além do vereador de São Paulo do Potengi, João Cabral, entre outros estão sendo mobilizados em cada região do Estado.

Já o PSD do governador Robinson Faria, tem uma chapa reforçada na proporcional. Os deputados Galeno Torquato, que atua no Alto Oeste, Vivaldo Costa no Seridó, Dison Lisboa no Agreste Potiguar e  Jacó Jácome em Natal e no segmento evangélico são postulantes à reeleição. Ederlinda Dias que parte com o apoio do prefeito de Macaíba, Fernando Cunha, e os ex-prefeitos Ivan Júnior (Assu) e Wellinson Ribeiro (Canguaretama), além de Raimundo Costa, ex-secretário estadual de Assuntos Fundiários e Reforma Agrária, também serão postulantes.

O PSB de Fábio Dantas, o PDT de Carlos Eduardo e o PSD de Robinson Faria devem ter a melhor chapa proporcional para desembarcar o PSDB que tem nove deputados, o PR de João Maia e o PP de Rosalba Ciarlini, que prioriza a reeleição do deputado federal Beto Rosado e a candidatura do publicitário Kadu Ciarlini a estadual.

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Ernesto Geisel autorizou execução de pelo menos dois potiguares

geisel

Por Rafael Duarte

Agência Saiba Mais

Três dias depois da reunião em que o ditador Ernesto Geisel autorizou as “execuções sumárias de subversivos perigosos”, o jornalista natalense Luiz Inácio Maranhão Filho foi preso por agentes do Estado em uma praça pública de São Paulo e desapareceu. A prisão dele ocorreu em 3 de abril de 1974 e até hoje seu corpo não foi encontrado.

Destino semelhante teve o jornalista, ator e poeta caicoense Hiram de Lima Pereira, preso pelos órgãos de segurança em 15 de janeiro de 1975.

O nome dos militantes comunistas Luiz Maranhão e Hiram Pereira voltaram à tona depois que o Departamento de Estado dos EUA revelou um memorando, datado de 11 de abril de 1974, enviado pelo diretor da Agência de Inteligência Norte-americana (CIA) ao então secretário de Estado Henry Kissinger.

O documento foi trazido a público pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor e confirma que a cúpula do governo brasileiro sabia dos assassinatos contra os opositores do regime militar. Até então, essa versão era negada oficialmente.

No memorando consta que, inicialmente, Geisel pediu para refletir sobre a questão, mas em 1º de abril de 1974, “informou ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que extremo cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados”. E exigiu ao Centro de Informações do Exército a autorização prévia do próprio Palácio do Planalto.

Ernesto Geisel governou o país de 1974 a 1979, quando deu lugar ao general João Batista Figueiredo.

Hiram-Pereira

Luiz Maranhão e Hiram Pereira estão na lista dos 89 desaparecidos políticos oficiais da ditadura militar, a partir de 1º de abril de 1974, que nunca foram encontrados. O relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV) diz ainda que 11 pessoas podem ter desaparecido ou morrido também a partir de abril daquele ano, mas as datas não foram esclarecidas.

Ao todo, foram confirmadas pela CNV 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre elas, 210 estão desaparecidas.

Mortes

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O destino dos corpos dos militantes desaparecidos durante o regime militar vem sendo revelado aos poucos por colaboradores e agentes da ditadura. Há depoimentos registrados pela Comissão Nacional da Verdade confirmando as mortes de vários militantes, entre eles Luiz Maranhão Filho e Hiram Pereira.

O ex-sargento do Exército Marival Chaves revelou em 2012 que Hiran foi interrogado no centro de torturas e execuções, implantado clandestinamente pelo DOI-Codi em Itapevi, na Grande São Paulo, morreu sob torturas e teve seu corpo lançado em um rio próximo a Avaré.

Já o assassinato do jornalista Luiz Maranhão Filho foi trazido à tona, também em 2012, pelo delegado Cláudio Guerra, autor do livro “Memórias de uma guerra suja”. Segundo ele, Maranhão foi barbaramente torturado e teve o corpo incinerado numa usina de açúcar, no Rio de Janeiro.

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Quais as áreas centrais de atuação de um governador

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Por Ricardo Chapola

Nexo Jornal

Em outubro de 2018, o eleitor brasileiro terá de escolher em quem votar para presidente da República, senador, deputado federal, estadual (distrital para quem vota no Distrito Federal) e também para governador. Mas será que a sociedade sabe exatamente o que um governador faz? O Brasil é uma República federativa. Isso quer dizer que o poder central, o governo federal, divide funções de gestão com os estados e municípios. O governador é quem comanda um estado, uma unidade da federação com autonomia administrativa em relação ao poder central (são 26 estados mais o Distrito Federal). É muito comum uma certa confusão entre as atribuições de cada ente federativo. A autonomia dada aos estados está prevista no capítulo 3 da Constituição Federal de 1988. É ali que estão detalhadas as atribuições do governo estadual, bem como tudo o que ele pode e o que não pode fazer no aspecto de exploração de serviços. Abaixo, o Nexo lista algumas das atribuições centrais dos governadores de estado no Brasil:

O que faz o governador

SEGURANÇA PÚBLICA

O governador comanda as duas polícias: a Polícia Militar, responsável pelo trabalho ostensivo nas ruas, e a Polícia Civil, que atua na parte investigativa. Nacionalmente há a Polícia Federal, que investiga crimes contra a União e com abrangência interestadual e cuida das fronteiras. Nas cidades, há guardas municipais, com atribuições ligadas à zeladoria. Ou seja, quando o assunto é segurança pública, um governador é central, já que as duas instituições  que estão no front do combate à maioria dos crimes são as polícias civil e militar.

ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA

Grande parte das cadeias do sistema prisional brasileira é administrada pelos governos estaduais, por determinação constitucional. Cada estado coloca o sistema prisional em um modelo específico. A União participa também da administração penitenciária de algumas formas, em especial com repasse de dinheiro. Mais recentemente, a participação do governo central tem aumentado com a construção de penitenciárias federais. Os municípios não tem responsabilidade alguma em relação à administração penitenciária.

INFRAESTRUTURA

Os Estados costumam gerenciar e investir em estradas, portos, aeroportos, saneamento e metrôs. Mas é uma atuação dividida. Há estradas federais e estaduais, assim como aeroportos divididos entre esses dois entes da administração. Mesmo o saneamento fica nas mãos de estados e, em outros casos, de municípios. Há ainda dinheiro federal em obras estaduais e municipais. ORÇAMENTO E IMPOSTOS

O estado tem um orçamento próprio, formado por impostos estaduais e repasses federais. O principal tributo estadual é o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Outro importante é o IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). Parte do que é arrecadado vai para municípios. O orçamento anual, com receitas e despesas, precisa ser aprovado pelas Assembleias Legislativas (ou Assembleia Distrital, no caso do DF).

NEGOCIAÇÃO

Cabe aos governadores administrar os gastos estaduais, além de buscar outras fontes de financiamento. Essa busca ocorre tanto em bancos nacionais e internacionais, quanto na própria União. Há recursos que são automaticamente destinados aos estados pelo governo federal. Mas negociações pontuais podem levar mais dinheiro para o caixa, a partir de projetos específicos.

LEGISLATIVO ESTADUAL

As Assembleias Legislativas compõem o Poder Legislativo estadual. Na prática, elas possuem funções semelhantes às da Câmara e do Senado: representar a sociedade, legislar e fiscalizar o governador. A diferença é que a atuação dos deputados estaduais é mais restrita em relação a parlamentares federais. Enquanto estes cuidam principalmente de assuntos que impactem na nação como um todo, aqueles tratam de problemas regionais e locais. EDUCAÇÃO

Os estados têm a obrigação de destinar 25% do que arrecadam em impostos estaduais para a educação. O estado é responsável por administrar o sistema de ensino estadual, principalmente no ensino médio, e por ajudar os municípios na rede de ensino fundamental. Muitos estados também administram universidades.

SAÚDE

O governador precisa destinar 12% da arrecadação tributária para o setor. Pode construir e administrar hospitais, além de laboratórios, hemocentros e centros de pesquisa. Com a Constituição, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), cuja administração é dividida entre União, Estados e municípios. O governador pode criar suas próprias políticas voltadas ao tema. O estado é responsável por apoiar a execução das políticas federais e repassar dinheiro para os municípios.

 

O que havia antes dos governadores

O termo “governador” surgiu em 1947, após a morte do então presidente Getúlio Vargas. Antes disso, os governadores tinham outros nomes, embora tivessem funções semelhantes ao longo da história. Durante o período colonial, eram chamados de “donatários”, ou “capitães-mor”. No período imperial, eles eram conhecidos como “presidentes de província”. Na República Velha, como presidentes de estado. Quando Vargas assumiu o comando do país, após a Revolução de 30, e em especial no Estado Novo, os chefes dos Executivos estaduais eram “interventores federais”. Vale lembrar que, em pleno 2018, o Brasil tem um interventor federal: o general Walter Souza Braga Netto, que assumiu o comando da segurança pública do Rio  por determinação do presidente Michel Temer. A intervenção federal no Rio foi decretada em 16 de fevereiro de 2018 após a cidade ter sofrido uma onda de violência. Ela vai vigorar até 31 de dezembro de 2018.

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Detran tem R$ 36 milhões arrecadados em multas parados em contas por falta de projetos

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Por Everton Dantas

Página Paralela

A auditoria que aponta sobrepreço de R$ 852 mil em contrato de locação de impressoras no Departamento de Trânsito do RN (Detran/RN) encontrou também uma situação curiosa no órgão: seis contas bancárias que juntas acumulavam na época da auditoria um total de R$ 36.905.221,96.

Dessas seis contas, quatro seriam para receber dinheiro de multas. As outras duas diziam respeito a convênios. “Confrontando as informações bancárias com as extraídas do SIAF é possível observar que, no exercício financeiro de 2017, não houve execução orçamentária e financeira em quatro dessas contas correntes, ao passo que em apenas em uma conta (40001-7) houve execução considerável de partes dos recursos.”

O diretor do Detran na época, Júlio César Soares Câmara, explicou a situação, por meio de ofício:

“Os recursos financeiros depositados nas contas bancárias 15.230-7, 9.719-5 e 9.546-X se tratam de arrecadações de multas de trânsito (oriundos de convênio firmado com a Prefeitura Municipal de Natal, de Convênios de Municipalização do Trânsito celebrados com os municípios de Macaíba, Mossoró e Parnamirim e do sistema RENAINF, respectivamente). Essas arrecadações são consideradas receitas vinculadas, conforme a Resolução do CONTRAN nº 638/2016, destinadas a atender, exclusivamente, as despesas públicas com sinalização, engenharia de tráfego e de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito.”

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Ele acrescentou na mesma explicação que “os recursos dessas contas só podem ser utilizados para despesas dessa natureza que, atualmente, vêm sendo pagas com os recursos oriundos de multas de competência do DETRAN/RN depositados na conta 40.001-7. Sendo assim, os recursos das contas 15.230-7, 9-719-5 e 9.546-X são utilizados com pouca frequência, uma vez que os valores arrecadados na conta 40.001-7 estão sendo suficientes para acobertar as referidas despesas.”

Os auditores, por sua vez, apontaram que esse dinheiro poderia estar sendo usado para melhorar a qualidade das estradas potiguares “conforme estabelece o art. 8º, VII, da Resolução nº 638/2016-CONTRAN, que regulamentou a aplicação da receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito”.

E fizeram a seguinte ressalva: “Dessa forma, em que pese não seja atribuição institucional do DETRAN/RN prover diretamente a manutenção das rodovias estaduais, mas sim ao Departamento de Estradas e Rodagens do RN, nos termos do art. 40, VI, da Lei Complementar Estadual nº 163/1999, não é aceitável que milhões de reais fiquem parados, sem destinação pública, enquanto grande parte das rodovias estaduais, incluindo sinalização vertical e horizontal, necessita urgentemente de reparos.”

DPVAT

Com relação à conta 9.378-5, foi informado que “esta conta recebe um percentual repassado da arrecadação dos prêmios tarifários dos bilhetes do Seguro Obrigatório DPVAT que são utilizados, exclusivamente, em ações e projetos que visam o desenvolvimento de tecnologias da informação, o aparelhamento e modernização da Autarquia, o aprimoramento e especialização dos recursos humanos de natureza técnica e o desenvolvimento de campanhas de educação para o trânsito com o objetivo de reduzir os índices de acidentalidade e sinistralidade de trânsito e redução de vítimas, podendo ainda ser direcionado a outros órgãos que integram o Sistema Estadual de Trânsito e da Segurança Pública.”

Ele acrescentou ainda que “como os valores arrecadados nesta conta só podem ser utilizados nessas ações específicas e poucos projetos foram desenvolvidos no decorrer dos anos são poucas as saídas de recursos ocorridas nessa conta. Destaca-se que o saldo financeiro não se encontra parado. As arrecadações são realizadas uma vez por mês, como previsto em convênio, e alguns pagamentos de despesas foram realizados em ações
de Modernização da Tecnologia da Informação”.

A auditoria constatou que havia nessa conta um total de R$ 6.281.707,08 “sem a devida utilização, provenientes da arrecadação do convênio firmado com a Seguradora Líder.

De acordo com os auditores, esses recursos “poderiam ser utilizados em uma gama de ações votadas ao trânsito, o que provavelmente acarretaria melhoras nos índices das metas acima relacionadas.”

E fizeram a seguinte ressalva: “Contudo, o principal argumento do DETRAN/RN pela não utilização desses recursos é a falta de projetos voltados para tais ações, o que não se justifica, tendo em vista o cenário precário das condições gerais das rodovias estaduais ora apresentadas”.

“Conclui-se que esse elevado saldo financeiro, verificado nas 06 (seis) contas correntes em destaque do DETRAN/RN, é reflexo da ausência de projetos cujas ações poderiam ser implementadas com recursos oriundos da arrecadação das multas de trânsito, assim como das arrecadações provenientes dos convênios firmados com a FENASEG e a Seguradora Líder DPVAT S.A., isto é, o problema não é a insuficiência na previsão orçamentária, nem na disponibilidade financeira do DETRAN/RN, tendo em vista que essa Autarquia Estadual executou apenas 67,04% e 53,36% do seu orçamento nos exercícios de 2016 e 2017, respectivamente.”

Programa

Com relação à conta 9.336-X, cujo saldo total era de R$ 4.407.033,03 foi informado que o intuito de sua abertura foi operacionalizar o convênio entre o DETRAN-RN e a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta (FENASEG). Os recursos deveriam ser usados no “Programa FENASEG de Divulgação Educativa de Trânsito, de Treinamento, de Pessoal e de Re-equipamento dos Órgãos Estaduais de Segurança Pública e Trânsito”.

Esse programa previa pagamentos relativos a “projetos de pesquisa, realização de cursos, seminários, reuniões de trabalho, consultorias especializadas, capacitação de pessoal, programas de fiscalização e educação para o trânsito, informatização e, até, aparelhamento do próprio DETRAN/RN e dos demais órgãos ligados à Segurança Pública do RN”.

De acordo com o diretor do Detran na época, “o motivo de possuir recursos parados (na conta) é em virtude da inércia da gestão passada, haja vista não ter tomado, à época, as providências necessárias para devolução do saldo remanescente deste Convênio após o seu fim.”

De acordo com a auditoria, apesar da explicação, foram encontrados dois pagamentos feitos com dinheiro dessa conta, no total de R$ 1.167.300,00.

“Esta Comissão de Auditoria observou que o Convênio firmado entre as partes não
estabelece tal obrigação ao DETRAN/RN, isto é, o termo em apreço é silente no
tocante a devolução de eventual saldo não utilizado. Soma-se a isso (não existência de tal previsão no acordo firmado) o fato de o DETRAN/RN executar despesas com tais recursos, mesmo com o fim da vigência deste Convênio”, observaram os auditores.

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A tradição do “Partido do Presidente da Assembleia”

PSDB é a bola da vez com a força do presidente da Assembleia Legislativa
PSDB é a bola da vez com a força do presidente da Assembleia Legislativa

Na Assembleia Legislativa existe uma tradição que vem se mantendo desde a redemocratização dos anos 1980: a força do “Partido do Presidente da Assembleia”.

É sempre assim: os deputados escolhem um nome para comandar a mesa diretora e ele monta um grupo político capaz de um influenciar nos pleitos estaduais.

A primeira experiência foi com o antigo PL (atual PR), partido do então presidente Vivaldo Costa (1989/91). A legenda deu muito trabalho ao então governador Geraldo Melo em votações na casa. Vivaldo acabou sendo o vice-governador da chapa vitoriosa de José Agripino em 1990.

O PL seguiu forte nos quatro anos da gestão de José Agripino assim o então presidente da Assembleia Legislativa Raimundo Fernandes foi candidato ao Senado em 1994, amargando o quarto lugar.

Já em 2001, Álvaro Dias deixou o PMDB e assumiu o PDT sem reforçar a agremiação como outros presidentes da Assembleia Legislativa. Nos oitos do Governo Garibaldi Filho o partido mais forte na casa era o PPB (atual PP) do vice-governador Fernando Freire que hoje cumpre pena por corrupção.

Mas a força da cadeira de presidente da Assembleia Legislativa alçou Álvaro Dias a condição de deputado federal e hoje ele acaba de assumir a Prefeitura de Natal.

Entre 2003 e 2010, o atual governador Robinson Faria comandou a casa. Fez do minúsculo PMN o maior partido do parlamento independente do resultado das eleições. Quando não elegia membros, cooptava os que foram aprovados nas urnas. Com a força do cargo ele fez de Fábio Faria deputado federal pela primeira vez em 2006 e foi eleito vice-governador em 2010.

Na era Ricardo Motta (2011/2015), o PROS foi a bola da vez. A legenda cresceu na mesma velocidade que se esvaziou após as eleições de 2014. Ricardo foi reeleito com 80.249 votos, a maior votação da história de um deputado estadual potiguar. Ele ainda elegeu o filho, Rafael Motta, vereador em 2012 e deputado federal dois anos depois.

Agora é a vez do PSDB de Ezequiel Ferreira de Souza fazer força via presidência da Assembleia. Hoje são oito deputados estaduais. A legenda se arvora de ser a segunda maior do Rio Grande do Norte e quer indicar um nome para o Senado em uma das chapas do campo conservador.

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PSDB é um partido turbinado no RN

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Em quatro anos, o PSDB que não elegeu nenhum nome para a Assembleia Legislativa, saltou para oito cadeiras, mantendo a tradição e a força do “Partido do Presidente da Assembleia” que vem desde 1980 (ainda vou escrever um texto sobre esse assunto).

O PSDB nunca foi forte no Rio Grande do Norte. Durante toda a década de 1990 a legenda tinha em Geraldo Melo sua principal liderança. Ele era senador, mas o partido sempre foi coadjuvante.

Para você ter ideia, o PSDB potiguar nunca disputou o Governo do Estado em 30 anos de história. O máximo que conseguiu foi uma vitória de Geraldo Melo em 1994 para o Senado com o beneplácito da oligarquia Alves. A agremiação é forte em Estados vizinhos como Ceará e Paraíba.

A história do PSDB tem tudo para mudar em 2018, muito embora siga a sina de não ter candidato ao Governo do Estado em terras potiguares.

O ninho tucano está nas costas do sofrido elefante sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza. A legenda hoje conta com simplesmente oito deputados estaduais, um recorde que dificilmente aconteceria pela via das urnas.

Nos últimos anos, o máximo que um partido conseguiu sozinho foi conquistar seis cadeiras. O feito é do PMDB em 2010.

Um detalhe interessante é que o PSDB ainda se deu ao luxo de dispensar o segundo colocado nas eleições de Mossoró, Tião Couto.

A legenda terá como meta reeleger Rogério Marinho e conquistar uma cadeira no Senado trazendo de volta a política Geraldo Melo, seu antigo fundador.

Com esse staff o PSDB terá um peso importante na eleição de governador. A legenda tem alguns problemas internos, mas em princípio endossa o nome de Fábio Dantas (PSB). Mas o diálogo está aberto com o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) e com o governador Robinson Faria (PSD).

Sob influência do debate nacional, os neotucanos só descartam diálogo com o PT.

O PSDB nunca esteve tão forte no Rio Grande do Norte.

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