Centro de Oncologia fecha pronto-socorro

Blog Carlos Santos

A crise no atendimento de oncologia agrava-se em Mossoró. O atraso no repasse de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Prefeitura Municipal ao Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM) levou o hospital a paralisar o atendimento em seu pronto-socorro.

A prefeitura tem uma dívida superior a R$ 1 milhão mil com o hospital. São R$ 667 mil de produção hospitalar, R$ 49.665 de produtividade médica e mais R$ 300 mil de um acordo judicial, quebrado pelo Executivo Municipal. A maior parte da dívida ainda se refere a faturamentos ainda do ano de 2015.

_Sem esses recursos, não temos como continuar a oferecer os serviços disponibilizados pelo SUS à população _, diz o diretor do Centro de Oncologia, médico José Cure de Medeiros. Segundo ele, a situação de hoje, que já é muito crítica, poderá se agravar ainda mais nos próximos dias.

Distorções

Cure alerta que, caso a prefeitura não regularize os repasses financeiros, o Centro de Oncologia será forçado a paralisar também o serviço de quimioterapia, interrompendo o tratamento dos pacientes com câncer. “Cerca de 700 pessoas seriam afetadas com a medida”, calcula o médico.

Se não do atraso no recebimento dos recursos do SUS, os valores pagos pelo Ministério da Saúde aos hospitais são insuficientes para cobrir as despesas com o tratamento. A situação se torna ainda mais complicada com a distorção dos valores pagos.

A diária de uma UTI de oncologia paga a um hospital de Natal é duas vezes maior do que a paga em Mossoró.  Lá, o SUS (com complementação do Estado e da Prefeitura) a diária é de R$ 1.500,00. Em Mossoró, esse valor é de apenas R$ 450,00. Duas vezes menos.

Plus

E não é só isso. Uma mastectomia em Natal sai por R$ 1.650,00. Já em Mossoró, o SUS paga ao COHM apenas R$ 650,00. R$ 1 mil a menos. Os oncologistas estão se sentindo desestimulados, e muitos deles estão deixando Mossoró e indo para centros maiores, como Natal.

Um acordo entre a Prefeitura de Mossoró e o Governo do Estado, solucionaria o impasse. Além da gritante diferença nos preços de exames e internação de UTI, os médicos querem o pagamento de um “plus” (suplementação) de 150% sobre a tabela de serviços do SUS, pago em Natal.

Com informações do Centro de Oncologia e Hematologia de Mossoró (COHM).

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