Gustavo nega acusações e diz respeitar Ministério Público

Acusado pelo Ministério Público de chefiar uma quadrilha que desviava recursos do Mossoró Cidade Junina nos anos de 2013 e 2014, o ex-secretário municipal de cultura Gustavo Rosado negou as acusações de que teria desviado mais de R$ 2 milhões em um esquema que contava com a participação do empresário Tácio Garcia.

No entanto, ele encarou com naturalidade as acusações. “Ao assumir um cargo público qualquer pessoa está sujeita a uma situação como essas. Fiquei a frente da Secretaria de Cultura um ano e sete meses”, frisou.

Questionado a respeito de uma interceptação telefônica em que é acusado de pedir para que os artistas não baixassem os cachês para evitar suspeitas, Gustavo explicou os casos de Carlos Andre (e Trio Mossoró) e da cantora Cristal. “Se ele tivesse se apresentado por cinco mil reais e no outro por 400 seria muito estranho. Teve também o momento de Cristal que vivia um bom momento pela classificação do The Voice”, acrescentou.

O ex-secretário também falou das diferenças dos cachês pagos a artistas que tocaram em Mossoró e Caruaru em que sempre a prefeitura da cidade potiguar pagou mais caro. Ele primeiro falou que os valores variam conforme o dia da semana, mas ao ser questionado pelo Blog do Barreto que naquele ano a banda “Garota Safada” tocou numa quinta-feira (dia mais barato) em Mossoró e em Caruaru num sábado (valor mais caro) cobrando R$ 93 mil a mais para se apresentar no Cidade Junina. Gustavo desconversou. “Esses números não podem ser analisados friamente. Nós já explicamos que não foi bem assim”, justificou.

O advogado Olavo Hamilton interferiu para explicar os motivos que levaram Gustavo a conversar com os demais servidores negando que se tratava de uma articulação para acobertar depoimentos.  “Quando se recebe uma convocação ela não sabe do que se trata e é natural que se procure um advogado para pedir uma orientação. Nos autos consta apenas um resumo e quando se ouve na íntegra compreende-se que as pessoas falavam que iam dizer a verdade”, garantiu.

Gustavo também falou a respeito da acusação de ser chefe de uma quadrilha. “Eles estão apurando. O Ministério Público quis entender assim, mas há tempo para rever essa avaliação”, frisou. Olavo complementou: “O MP em sendo acusação vai carregar nas tintas”.

Sobre a possibilidade de o servidor público Riomar Mendes assinar delação premiada, Gustavo demonstrou tranquilidade: “A mim não preocupa em nada. Não tenho dúvida de qualquer relato que Riomar faça não seja para confirmar o meu zelo com a coisa pública”.

Sobre a possibilidade de Carlinhos Ferdebez (da Ferdebez Produções que realizou o MCJ 2015) ter agido com interesses comerciais ao denunciar a gestão dele, Gustavo comentou ter achado estranho o comportamento do empresário.“Achei muito estranha as primeiras entrevistas de Ferdebez de como ele dedicou muito mais tempo para atacar a Gondim & Garcia. Há uma disputa de mercado e eu não vou entrar. As declarações de Tácio foram mais no sentido de se defender do que de acusar Ferdebez”, explicou.

Sobre os comportamentos dos prefeitos Cláudia Regina (2013) e Francisco José Junior (2014) durante o Cidade Junina Gustavo disse que ambos mantiveram distância do evento opinando apenas pontualmente e dentro do perfil de cada um. “Qualquer atribuição de uma secretaria tem o conhecimento do prefeito. O Mossoró Cidade Junina é um evento dificílimo de se realizar e todas as secretarias dão uma contribuição fundamental e tudo só funciona com o envolvimento do prefeito. Cláudia não se envolveu muito. Ela se interessou muito mais pelo aspecto social da festa. Silveira sim porque ele já foi promotor de eventos no passado e conhece as bandas. Era muito mais pela experiência e conhecimento das bandas”, relatou.

Sobre os servidores que receberam salários da Gondim & Garcia, Gustavo negou irregularidades: “Os eletricistas receberam uma gratificação porque trabalharam fora do horário de trabalho. A decoração é feita a noite porque o trânsito está mais calmo e não é justo que eles não recebam uma remuneração extra”.

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