O fim da Lava-jato

Por William Robson Cordeiro 

Existiam apenas dois tipos de pessoas com opinião sobre a postura do então juiz Sérgio Moro à frente da Operação Lava-jato: as que sabiam que ele perseguia ferozmente o presidente Lula e as que concordavam com a perseguição. Esta operação, criada a pretexto de combate à corrupção, carregava seu caráter político, de enfrentamento aos líderes progressistas. Agora que não mais existe (não estou falando do simulacro que insiste em permanecer), a Lava-Jato expõe a sua real intenção nesta horrenda narrativa escancarada.

Encarnado como justiceiro, xerife, Sérgio Moro praticou seu justiçamento à base de delações motivadas por torturas e comemoradas em micaretas com abadás do Morobloco e filmes toscos de José Padilha. A Operação Lava-Jato quebrou a indústria pesada no Brasil, a indústria naval e gerou os milhões de desempregados que até hoje contornam quarteirões. Toda esta destruição tinha a única finalidade de prender e neutralizar uma única pessoa: o presidente Lula.

O Brasil foi sacrificado. A Lava-Jato vazava conversas ilegais de presidentes e promovia pirotecnias cinematográficas transmitidas com exclusividade pela mídia. Desenvolvia powerpoints grotestos. Invadia a casa do presidente e nem o colchão em que ele dormia com sua esposa escapou.

Sítio de Atibaia, um tal triplex em praia cafona que teria recebido uma reforma milionária, fato desmascarado pelos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), tudo serviu para incriminar um único indivíduo. E havia uma razão para a Lava-Jato fazer isso  e nada a tem a ver com corrupção.

Sabemos que a Direita não ganha eleição. Direita dá golpe. A Lava-Jato foi uma forte personagem na narrativa que segue com as bizarrices que testemunhamos em 2019 personificadas no Jair Bolsonaro. Os integrantes da Lava-Jato usaram os seus cargos para atuar politicamente. E atuar no combate à esquerda, não no combate à corrupção.

Em meio aos escombros da nação, a Lava-Jato logrou êxito e tirou o presidente Lula do páreo. Não pôde se candidatar à eleição que venceria no primeiro turno e foi colocado numa solitária como o único condenado à prisão perpétua no Brasil. Moro et caterva abriram caminho fácil para que a Direita voltasse ao poder em uma falsa democracia onde o candidato preferido não poderia participar.

Como sabemos, Moro não fez justiça, fez política.

Nos episódios que se seguiam, a extrema-direita vence as eleições e monta equipe de ministros caricatos, de astronauta a pastora, de terraplanista a militar de três guerras mundiais.

Entre eles, está o justiceiro da Lava-Jato, carregando seu prêmio. Moro se valia do Judiciário para fazer política,  e agora, sua condição de político foi totalmente desvelada. A Lava-Jato se revelou um instrumento político perigoso, pois utilizou-se da estrutura da Justiça para perseguir opositores políticos.

Não para por aí. Moro ainda premiou seus colegas de operação. Lembram que ainda na transição, Moro anunciou amigos da Polícia Federal que participaram na perseguição a Lula, como integrantes de sua equipe no ministério? Teve até um almoço na CCBB onde foi a sede do governo de transição.

Alguns dos nomes foram Rosalvo Franco Ferreira, ex-superintendente regional da Polícia Federal no Paraná, e Erika Mialik Marena, uma das primeiras delegadas a comandar a Lava Jato, tendo inclusive batizado a operação.

Todos foram recompensados e a Lava-Jato definitivamente acabou por não haver mais serventia. Moro e os integrantes da operação, modelo que se expande para outros países da América do Sul, com o mesmo modus operandi e finalidades persecutórias, ocupam espaços na política oferecidos pelo maior adversário do Partido dos Trabalhadores: aquele que convocou seus militantes a metralhar a petralhada. Os integrantes da Lava-Jato também não foram esquecidos.

Neste universo, juízes de Curitiba acreditam que o segredo da promoção na carreira está entrelaçada na perseguição a Lula e o PT. A juíza Gabriela Hardt foi milimetricamente colocada para substituir interinamente o Moro depois de receber seu prêmio como ministro de Bolsonaro. Ela já tinha histórico que a gabaritava para a função. Mandou prender o ex-ministro José Dirceu no ano passado, que conseguiu, em seguida, um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Hardt é a mesma autora da frase “se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”, que virou estampa na camiseta da primeira-dama Michele Bolsonaro. Não sei que problema a mais ou a menos o Lula poderia ter se já estava confinado à prisão perpétua. Naturalmente, Hardt não quis impor respeito como juíza, mas estava ali para cuspir no Lula. Afinal, um dia o prêmio chega.

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9 opiniões sobre “O fim da Lava-jato

  • 13 de janeiro de 2019 em 10:39
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    Meu caro Willian, realmente os petistas tem seus ladrões de.estimação, no caso, Lula e ZeDirceu. Outra coisa q o petismo faz muito é apoiar ditaduras sanguinárias como, Cuba, Venezuela, Honduras, entre outras, mas, no Brasil eles só enxergam democracia se ganharem as eleições. Né mesmo?

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  • 13 de janeiro de 2019 em 11:39
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    Muita gente insiste em defender o Lula… Também já o defendi em muitos momentos (quando eu apenas enxergava um lado da história). Mas, passei a ser mais crítico/reflexivo e dessa forma menos alienado. Esqueci as paixões partidárias, o jogo político (quem é certo e errado) e passei a avaliar o comportamento dos que fazem a política. Infelizmente, me decepcionei com o ex Presidente, me senti traído e não poderia mais compactuar com tanta corrupção vinda de um homem que pregava a moralidade. Não podemos justificar a corrupção de um corrupto mostrando a corrupção do outro. É notório que muitos são corruptos (não apenas o Lula), mas o líder petista merece sim pagar pelos seus crimes. Engraçado, como pessoas inteligentes apenas demonstram argumentos a favor e esquecem dos fatos comprovados que os incriminam. Tenho certeza que não é alienação…

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    • 13 de janeiro de 2019 em 12:22
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      Lindemberg, engraçado é q tem alguns analista políticos aqui da terrinha q diz q a OAS, Odebrecht, só queria fazer um agrado ao Lula. Pode?

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      • 13 de janeiro de 2019 em 20:38
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        ‘É verdade… Acham que tudo é perseguição política e que Lula foi condenado sem provas. Quem o condenou foi o TRF (composto po 3 desembargadores). O mais engraçado, que dá vontade de rir é que todos os juizes e desembargadores estão perseguindo Lula e que todas as provas são falsas. Inclusive muito peixe grande está preso, como o presidente da Odebrecht, que admitiu seus crimes, mas só o santo do Lula que está preso injustamente.

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  • 13 de janeiro de 2019 em 23:15
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    Escreveu o autor do artigo: “A Operação Lava-Jato quebrou a indústria pesada no Brasil, a indústria naval e gerou os milhões de desempregados que até hoje contornam quarteirões”

    Ou seja, para o autor devemos fechar os olhos para a corrupção endêmica em nome de empregos e de interesses da grande indústria…Isso sem falar em inúmeras inconsistências jurídicas e a mirabolante tese de complô. Não dá pra dar muita credibilidade ao texto do rapaz.

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  • 14 de janeiro de 2019 em 16:04
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    Até agora nada do Queiroz. A famiglia Bolsonaro não diz nada. Moro continua em silêncio. O MP ainda não ofertou a denúncia. No fim quem paga a conta somos nós brasileiros

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  • 14 de janeiro de 2019 em 16:18
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    Será que os que se dizem decepcionados com Lula, preso sem provas, estão decepcionados com algum juiz? ou será normal um juiz justiceiro, dono da lei, receber como bonus um Ministério? Ainda não ouvi, nem li, nem escutei algo sobre. Ou será normal??????

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    • 14 de janeiro de 2019 em 20:23
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      Os seguidores da seita Lulupetista, não enxergam nada além do Lula presidente, o mais para eles não existe, inclusive o futuro do Brasil. Sugiro, pensamos no futuro, porque o Lula já era, vai curtir uma boa e longa cadeia. Né não.? Ou eu estou mentindo? Aguardemos.

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  • 15 de janeiro de 2019 em 08:30
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    Realmente, a seita Lulupetista deixa seus seguidores cegos. Dizem que ele está preso sem provas. É só pesquisar que aparece todas as provas, inclusive a foto dos documentos assinados pela a esposa Letícia. É só digitar no google. Deveriam está felizes pq agora temos um Ministro da Justiça de vergonha, que combaterá o crime organizado, não apenas bandidos como Lula, mas também as facções.

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