O pai dos golpes brasileiros

 

Pedro II era satirizado pelos jornais em nossa primeira experiência com imprensa livre
Pedro II era satirizado pelos jornais em nossa primeira experiência com imprensa livre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje se comemora mais um aniversário da proclamação da república. Proclamação é um pomposo substantivo feminino que significa “declarar solenemente algo”, mas em relação a data de hoje seu uso serve para esconder o que de fato aconteceu em 15 de novembro de 1889: um golpe militar de muitos que aconteceriam nas 12, quase 13, décadas seguintes.

No Brasil as decisões sempre foram tomadas de cima para baixo sem participação popular como vemos, por exemplo, na tentativa de independência da Catalunha. O povo assistiu bestializado como bem atestou o republicano Aristides Lobo que viria a ser ministro do Governo Provisório (1889/91) de Deodoro da Fonseca, um monarquista convicto que foi forçado na última hora a derrubar o imperador D. Pedro II e se tornar primeiro presidente do Brasil.

Venderam para nós mais uma história distorcida. Com nosso último imperador vivemos nossa primeira experiência de liberdade de imprensa. Os jornais tinham tanta independência que o monarca era apelidado de “Pedro Banana”.

A monarquia brasileira que foi implantada pelo herdeiro da coroa portuguesa, se sustentava graças a um acordo com os escravocratas, mas o imperador gozava de popularidade. No livro 1889 de Laurentino Gomes mostra que o Partido Republicano teve um desempenho pífio na última eleição parlamentar do império. E olhe que eram pleitos em que apenas a elite participava.

Dom Pedro II caiu por diversos fatores, não apenas pela abolição da escravidão, mas também porque a elite econômica e os militares entenderam que a monarquia não servia mais.

O povo ficou de fora nesse e em outros golpes.

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Uma opinião sobre “O pai dos golpes brasileiros

  • 15 de novembro de 2017 em 15:56
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    *A mutação do Homem Cordial*

    No livro “Raízes do Brasil” o historiador Sérgio Buarque de Holanda chamou o Brasileiro típico de *Homem Cordial* por seu hábito de ocultar suas verdades grosseiras sob uma túnica de hospitalidade e bom convívio.

    No Brasil contemporâneo, pensamentos que antes rastejavam pelas sombras passaram a ganhar o palco com o advento das redes sociais. Aqueles que antes não ousavam proclamar seu ódio cara a cara, sentiram-se fortalecidos ao descobrirem-se legião.

    O Homem Cordial saiu do casulo. E observando sua metamorfose o neo-observador resolve chamá-lo de *Néscio Impafioso*.

    O Néscio Impafioso continua Homem Cordial, ainda adula quem pode lhe servir, tem preconceito de classe e continua patrimonialista em relação à coisa pública, entretanto agregou ou revelou novas características:

    *Refratário à história* – desconhece a origem dos direitos fundamentais, é alheio às lutas históricas, acha que eles sempre existiram, que talvez foram concedidos por algum ser supremo.

    *Negação do aprendizado* – É reducionista, se algum dia estudou Sociologia, História ou a formação do Estado, foi só pra passar nos exames. Prefere repetir erros a aprender com os dos outros. Vive resumido ao seu pequeno cosmos, não sabe e não se interessa por nenhum conhecimento que não lhe traga ganhos imediatos.

    *Etnocêntrico* – Desconhece o significado da palavra alteridade. Nivela todos os povos e estratos sociais de acordo com os preceitos e costumes de seus horizontes.

    *Especialista em generalidades* – Repete chavões e truísmos; desconhece a história e os princípios fundamentais das ideias que defende; ignora que sua opinião é moldada pelas técnicas de neurolinguística; rechaça o contraditório; opina sem propriedade sobre o orçamento e a administração pública. Acredita que “o Brasil é rico em impostos”, que “temos a maior carga tributária do mundo” e que “o setor privado é púdico e socialmente orientado”.

    *Impáfia* – Cultua o pernosticismo, herança oculta do Homem Cordial agora exposta. Defende a meritocracia, mas só para os outros. Acredita no jeitinho para resolver seus problemas diários e se julga superior ao resto da população. É o interlocutor da célebre frase: “Sabe com quem você está falando?”

    *Foco na exceção* – não entende e não quer entender as estatísticas. Suas conclusões são baseadas nas exceções. Está sempre pronto para discorrer sobre o indivíduo que superou todas as adversidades e se destacou em uma sociedade em que a regra majoritária é a exclusão.

    *Escravo Escravocrata* – Descendente direto dos Capitães do Mato, ignora sua condição subalterna e pensa que frequentar a cozinha da Casa Grande é equivalente a ser conviva. Se contenta em contemplar seus senhores. Anui à defesa cega de seus interesses e bovinamente vive como querem, como deixam, como lhes convém.

    *Complexo de vira-lata* – O Néscio Impafioso carece de autoestima, confirma o diagnóstico do Dramaturgo Nelson Rodrigues. Ele se coloca voluntariamente em posição de inferioridade em face do resto do mundo. “… é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem…”.

    *Religiosidade de conveniência* – Sepulcro caiado, se declara cristão, mas não abre mão de seus privilégios em favor da miséria de seu povo. Assim como os Fariseus, usa os textos sagrados para justificar suas convicções enquanto nega os valores supremos da fé que diz professar. Acha normal discordar dos ensinamentos do Sumo Pontífice. Esquece-se que Hitler também se declarava cristão.

    *Maniqueista e dicotômico* – Insiste em dividir o mundo em duas faces opostas, em bem e mal, preto e branco, nós e eles.
    É incapaz de perceber que toda solução simples para questões complexas é um engodo. E toda postura de se contentar com respostas prontas e reducionismos revela falta de senso crítico.

    Existe saída? Assim como aconteceu em vários países com povos descendentes de bandidos e traficantes (como na maioria da Europa), a discussão de sociedade que queremos e a exposição de nossas vísceras pode, no médio e longo prazo, significar uma evolução de valores e princípios morais, nos reposicionando no cenário mundial e nos livrando de nossas próprias amarras.

    “O *estado de natureza* é uma permanente ameaça que pesa sobre a sociedade e que pode irromper sempre que a paixão silenciar a razão ou a autoridade fracassar.”
    _*Thomas Hobbes*_ , em “O Leviatã”

    “Pode-se avaliar a inteligência de uma pessoa pela quantidade de *incertezas* que ela pode suportar.”
    _*Immanuel Kant*_

    “Quem não se movimenta não percebe as *correntes* que o aprisionam.”
    _*Rosa de Luxemburgo*_

    “As pessoas são tão felizes quanto elas *decidem* mentalmente *ser*.”
    _*Abraham Lincoln*_

    “A *Democracia* é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.”
    _*Winston Churchill*_

    “O amor é *sábio*, o ódio é tolo.”
    _*Bertrand Rousseau*_

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