O peso das vaias

Que político nunca foi vaiado? Lula encarou um Maracanã lotado lhe vaiando na Abertura dos Jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro em 2007 e três anos depois encerraria o mandato como o presidente mais popular da história do Brasil com direito a eleger uma desconhecida presidente da República.

Na abertura da Copa do Mundo Dilma Rousseff tomou uma vaia monumental e meses depois foi reeleita presidente da República.

Quando era governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini cansou de tomar vaias em Mossoró, algo até então inimaginável. Hoje é tida como favorita para voltar ao Palácio da Resistência.

“As vaias são os aplausos dos desanimados”, já dizia Nelson Rodrigues. O povo está mais que desanimado com Francisco José Junior (PSD). Está descontente, revoltado, irado, etc… a lista de adjetivos negativos é interminável.

A vaia que o prefeito levou ontem no encerramento da Festa de Santa Luzia é a prova disso.  Mas a vaia, pelo visto, teve um caráter didático para Francisco José Junior. Ele sabia que seria apupado. Tanto que leu um discurso que já previa a reação negativa da multidão. De positivo, o fato dele não ter se intimidado. Foi com o discurso até o final e até conseguiu alguns aplausos no final. Nada que se compare as vaias, claro.

O prefeito tem acima três exemplos de políticos que emergiram das vaias para a glória. Ele precisa recuperar a credibilidade da gestão para sair da condição de vaiado para aplaudido. O primeiro passo foi dado. Reconheceu publicamente que tem errado.

De negativo, a nociva mistura de política com religião e a comparação de si com uma Santa Luzia e Jesus Cristo. Sem contar as palavras do Bispo Dom Mariano Manzana reclamando que foi pego de surpresa com a entrega do projeto do Santuário de Santa Luzia.

Que o efeito da vaia seja didático. O tempo é curto.

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