O PMDB de hoje é o PDS de ontem

O ano é 1984. O Brasil vivia a ressaca do movimento “Diretas Já” e a redemocratização já era um caminho sem volta. O PDS era um partido gigante que reunia a base política (e civil) da Ditadura Militar.Àquela altura um grupo conseguia enxergar um horizonte fisiológico com um discurso bem arrumadinho: o da conciliação. Quem liderava o grupo? José Sarney o senador que seria o vice de Tancredo e logo em seguida presidente da República num raro lance de sorte. Do Rio Grande do Norte quem estava nas trincheiras do grupo intitulado “Frente Liberal” (que ganharia um “P” de partido se tornando PFL)? José Agripino.
Com a ditadura moribunda um surto de democracia nos corações de quem por anos se beneficiou dos anos de chumbo sem qualquer preocupação com o que acontecia nos porões da ditadura.
Ao ver o PMDB rompendo com o PT nesta tarde me veio à cabeça as leituras sobre um período em que eu ainda usava fraldas. O PMDB lembra muito o PDS.
Se o PDS dava a sustentação política à ditadura é o pior estilo centrão/fisiológico que dá ao PMDB as condições de garantir a badalada governabilidade aos governos democráticos eleitos após o período autoritário.
Pois é. Enquanto a turma da Frente Liberal largava o osso do regime pensando em voltar ao poder após as eleições indiretas de 1985 (ou seja num curto prazo), o PMDB que tomou doses homeopáticas de vacina Anti-PT pensa num pós-Dilma em maio.
O que sobrou no poder está de olho apenas nas benesses do Governo e no comando de ministérios se comportando igualmente aos que ficaram no PDS apoiando a inviável candidatura de Paulo Maluf.
Quem diria o outrora valoroso PMDB da resistência democrática agora repete como farsa o passado do outrora ferrenho adversário PDS.

Obs.: na foto a “conciliação” da Frente Liberal que deixava o PDS e a ditadura para se aliar ao PMDB.

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