O que vem por aí em SST

Por Rodrigo Ferreira*

A Internet das Coisas (IoT) vai modificar as Avaliações Ambientais. No lugar de se fazer medições pontuais, serão feitas medições permanentes, inclusive com a tomada de decisões em tempo real (ex.: evacuar um local com uma concentração de substância que apresente nível de concentração elevado, ou interromper a tarefa de um trabalhador exposto a ruído acima do limite de tolerância ou do tempo permitido).

A legislação virá a reboque dessas inovações, já que não terá muito sentido Programa de Prevenção de Riscos Ambientais onde o ambiente não seja permanentemente monitorado.

Hoje a grande dificuldade é o custo, mas com a popularização haverá soluções cada vez mais baratas e mais completas. O padrão KNX provavelmente cumprirá um papel importante, e deve abocanhar parte deste mercado.

Tanto iOT quanto IA devem ser inseridos na Segurança do Trabalho junto com projetos de automação: a câmera de vigilância que vai detectar incêndios e chamar os bombeiros também vai analisar situações de risco de acidentes; o sensor em uma caldeira que detecta a avaria e aciona a manutenção também vai garantir a interrupção do trabalho em condições arriscadas; os sensores da empilhadeira que garantem não haver obstáculos também só permitirão sua condução por profissional habilitado; os sensores do EPI que medirão temperatura também vão monitorar o uso correto do equipamento; etc.

Inteligência Artificial também será integrada a plataformas que utilizem IoT, e tornarão mais assertivas as decisões e o controle de riscos. Já existe hoje no Brasil alguns softwares usando IA de forma rudimentar, mas APIs como os do Watson (IBM) em breve estarão incorporados a estes softwares.

Realidade Aumentada será usada principalmente para antecipação de riscos e investigação de acidentes. Influenciará o leiaute de ambientes, considerando também a ergonomia e a prevenção de acidentes, entre outros fatores. Realidade Virtual terá muitas aplicações em treinamentos, principalmente com simuladores. Inteligência Artificial “lerá” os dados destes treinamentos e vai sugerir adaptações, mudanças de leiaute e tomada de decisões.

Haverá uma redução drástica do número de profissionais de SST empregados, mas os salários “dos sobreviventes” tende a aumentar. Serão exigidas novas habilidades e conhecimentos. Programação será diferencial. Capacitação para manusear Big Data, Iot e IA serão exigidos de Técnicos e Engenheiros. Geolocalização será figurinha fácil dentro da Segurança do Trabalho. O mercado de consultoria de QSMS tende a se concentrar em grandes empresas e eliminar a maior parte dos pequenos negócios e dos autônomos por falta de fôlego financeiro. O dimensionamento legal dos SESMTs provavelmente será revisto. Serão validados dentro do PCMSO dados tirados de sensores usados diariamente pelos trabalhadores, e o trabalho dos Médicos do Trabalho será mais analítico.

Uma das curiosidades é que o eSocial, ao incluir no mercado de SST as milhões de empresas brasileiras que não cumprem a legislação, vai gerar um fluxo financeiro que deve financiar boa parte destas mudanças, ao mesmo tempo que vai gerar massa de clientes para consumir as soluções e barateá-las.

Outra curiosidade é que será pequeno o número de startups gerando soluções para QSMS: o conhecimento técnico é tão refinado que é difícil desenvolver serviços e produtos sem mão de obra cara, o que geralmente é um impeditivo para pequenas empresas.

Para finalizar, eu diria que qualquer profissional deste setor que não esteja se preparando para estas inovações terá muita chance de ficar desempregado, e empresas que não estão incorporando tecnologias em suas operações estão dando adeus ao mercado.

O divisor de águas será em 2019, com a entrada do eSocial. A partir daí a concentração de capital das empresas que capturarem fatias relevantes deste mercado começará a financiar as evoluções que devem aparecer em larga escala a partir do 2020. Lá por 2030 olharemos para o ano de 2018 e perguntaremos: como eles conseguiam fazer Segurança do Trabalho naquelas condições?

*É palestrante e consultor esocial

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