Os caminhos da Política

Por Thiago Medeiros*

Em meio a tempos caóticos e cheios de incertezas Gramsci cai bem: a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. A velha ordem já perdeu a maior de todas a batalha: a mente dos cidadãos. Cada um que faça uma aposta dos próximos passos a serem vividos pela política brasileira.

Em 2018 essa crise se agravou, diga-se que em 2014 tivemos alguns sinais com a câmara mais conservadora já vista pós-redemocratização, e em 2016 com a eleição de uma grande quantidade de prefeitos e vereadores de partidos da direita, mas o que estaria por vir seria uma onda sem precedentes, que culminou na eleição de Bolsonaro. Ainda em 2013 a sociedade que em sua maioria vinha escolhendo a esquerda como principal alternativa ao futuro do País, ao invés de repensar e discutir, preferiu tomar uma decisão cosmética. A insatisfação popular deu origem a uma forte blindagem e ruptura com a estrutura vigente de poder.

Cinismo Político, disfarçado de possibilismo realista. A ruptura das relações entre governantes e governados acabou criando uma situação caótica. O preço que se paga por escolher os governantes apenas movido por emoções custa muito caro aos cidadãos e ao próprio Estado. Um movimento antissistema e antipolítica que tomou conta do País, gerou profundos agravos ao desenvolvimento do País.

Para piorar toda esta situação, experimentamos um enorme progresso tecnológico que entra em total contradição com nossa baixa capacidade política e moral, nos fazendo presa fácil manobrada pelos algoritmos. Veja você, já temos experiências mundiais suficientes para compreender o papel que as manobras nas redes sociais podem influenciar no voto, as eleições Americanas, o Brexit e as eleições na Índia têm demonstrado como uma narrativa tóxica pode levar os cidadãos a escolherem não o melhor, mas aquele que mais representa o meu “eu” mais sombrio.

Infelizmente muitos políticos de espectros ideológicos diversos têm a certeza de que essa influência e utilização dos algoritmos dificilmente será mudada. Então muitos tomam a decisão mais fácil para impactar: vou lacrar nas redes sociais. Aí vivemos o mundo da lacração política. Vou lacrar com a oposição, vou lacrar com os jornalistas (estes viraram os principais alvos nesse momento), vou lacrar com todo mundo. Concordo que existem momentos que a lacração é o melhor remédio, mas precisa ser medida, lembre-se que a fama hoje pode significar a derrota amanhã.

Atualmente, não se pode avaliar as pesquisas atuais de intenção de voto como verdade absoluta. Mas uma disputa do Lulismo e Bolsonarismo, polarização que ao menos se encaminha com tendência, não será fácil para nenhum dos dois lados. Principalmente para a esquerda que precisa trazer à lembrança do eleitor médio seus tempos de prosperidade, ao mesmo tempo que vai se defender e atacar a extrema direita. E para a Direita que vai precisar se explicar, repensar seu programa, trazer aquele eleitor que se decepcionou com a gestão de Bolsonaro. O presidente viu que manter uma boa aprovação é um jogo muito difícil, nem mesmo o Auxílio Emergencial, que em sua segunda edição mostrou uma desaprovação deste em 57% ao governo federal.

Pouco espaço resta para uma terceira via, mas em tempos caóticos não podemos cravar nada, vamos esperar o jogo institucional e político, entender como ainda diversos atores e partidos vão se comportar para analisar melhor.

É nos caminhos batidos que há mais trilhos. Precisa-se preparar a terra para que em 2022 possamos ter novos horizontes, alternativas que contribuam para um debate acerca das principais mazelas que passamos. Os trilhos serão colocados naquela terra que melhor se apresentar como esta solução, seja recorrendo ao passado, o presente e também ao futuro.

*É sociólogo e publicitário.

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

 

 

 

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