Pedido de afastamento de Jório foi erro estratégico

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Tudo bem. Realmente é necessário e obrigatório que o presidente da Câmara Municipal publique os balancetes no Jornal Oficial de Mossoró (JOM). Não pode se limitar ao Portal da Transparência.

Nisso a oposição, mas política não se resume somente aos fatos. A versão é muito mais importante e mesmo que se esteja com a razão é preciso trabalhar bem como explorar o assunto para que ele não vire contra si.

Veja o caso do pedido de afastamento de Jório Nogueira (PSD) da presidência da Câmara Municipal. Abordar o assunto num sentido extremo por um erro que poderia ser discutido no plenário. Uma situação exige primeiro uma discussão interna, se não desse resultado a exposição no plenário. Mas a oposição escolheu queimar etapas e ir para a medida extrema num contexto em que o presidente estava se dispondo a suspender preventivamente o pagamento da verba de gabinete. Qual a impressão que ficou? A de que os vereadores estavam querendo tirar Jório do comando da casa para se vingar.

Em meio ao processo, que terminou sendo arquivado, duas decisões deram respaldo ao presidente: 1) uma rejeição a um mandado de segurança na justiça que pedia a manutenção da verba de gabinete; 2) suspenção da verba de gabinete por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Se essa pressão em Jório tivesse sido feita há um ano, por exemplo, contaria com respaldo da opinião pública. Da forma como foi feita acabou sendo criticada. O contexto fez a versão se sobrepor aos fatos.

Isso sem contar que estamos em ano eleitoral e Jório, que nunca foi um exemplo de empatia popular, ganhou um belo discurso para usar nos palanques: o de que faz uma gestão moralizadora na Câmara Municipal. Em tempos de lava jato, anarriê e tantas outras operações é um achado poder dizer em praça pública que foi atacado pelos seus pares justamente porque quis fazer as coisas conforme previsto em lei.

Os adversários de Jório deram o discurso dos sonhos para qualquer político. Basta que ele saiba trabalhar o tema.

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