Pesquisas apontam transmissibilidade próxima a 1 no RN, mas Estado ainda não atende critérios para retomada da economia

Professor Ricardo Valentim informa que Comitê Científico para enfrentamento da Covid-19 no RN está analisando dados para emitir parecer – Foto: Demis Roussos

“Já está consolidado que a taxa de transmissibilidade ela vem caindo de maneira gradual, com algumas variações para cima ou para baixo, mas ela vem, de maneira sustentada, reduzindo, o que é do curso da pandemia”. A afirmação é do coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS-UFRN) e integrante do Comitê Científico para enfrentamento da Covid-19 no RN, professor Ricardo Valentim, que participou da coletiva de imprensa desta sexta-feira, 29, em Natal.

Segundo ele, esse dado se consolida há mais de 15 dias e é apontado em três pesquisas. “Na pesquisa do professor José Dias, que faz uma análise utilizando modelagem matemática, que também aponta para essa redução da taxa de transmissibilidade próximo a 1, com pequenas variações; numa pesquisa feita pelo do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde, aonde também demonstra que essa taxa de transmissibilidade ela vem caindo e também em um trabalho junto do professor Ângelo Roncalli e do professor Kênio Lima, que faz a análise de tendência”, acrescentou.

A taxa e transmissibilidade, como explica Ricardo Valentim, é o índice que considera quanto um indivíduo é capaz de contaminar outros.

De acordo com o pesquisador, a equipe agora está em uma fase de análise dos dados, desde a semana passada, quando houve prorrogação do decreto nos mesmos moldes do que havia sido determinado antes, para esta semana.

Durante a coletiva, ele também falou sobre a demanda por UTIs e as solicitações de leitos por parte das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Há uma pressão ainda grande por ocupação de leitos de UTI, é verdade. Porém, durante seis dias há uma redução das solicitações das Unidades de Pronto Atendimento por novas vagas de UTI. Ainda tem uma quantidade significativa de pedidos, mas ela vem reduzindo de maneira gradual durante seis dias de forma consecutiva”, afirmou durante a coletiva.

“Um outro dado importante é a mudança no perfil de indicação de leitos”, disse.  “A gente tem percebido que tem aumentado muito mais indicação de perfis de pacientes para leitos clínicos”, acrescentou. De acordo com o pesquisador, esse é um dado sensível que está sendo monitorado.

“O Comitê Científico está debruçado observando esses dados, até a emissão de um parecer para o próximo decreto, que não é uma questão fechada ainda”, disse Ricardo Valentim, acrescentando que, os indicadores vem se mostrando positivos, mas isso não é motivo para sociedade baixar o isolamento social ou se descuidar.

“Pelo contrário, se todos nós quisermos voltar para uma nova normalidade, um modelo, é preciso ainda a colaboração de todos de maneira solidária, setor produtivo, sociedade, escolas, Governo, Poder. Todo mundo mantendo ainda vigilante com relação à pandemia no Estado que ainda continua bastante agressiva”, finalizou o pesquisador.

Sobre as pesquisas referentes à taxa de transmissibilidade

De acordo com o modelo de trabalho utilizado pelo professor do Departamento de Física da UFRN, José Dias do Nascimento, a taxa de transmissibilidade no Estado está em 1.1. Ele informou que esse dado é o produto dos últimos dez dias

Conforme dados do LAIS referentes à última semana, a taxa de transmissibilidade está em 1.1.

No caso do professor Ângelo Roncalli, Ricardo Valentim explica que esse trabalho não mostra a taxa de transmissibilidade. “Ele usa um decaimento em casos confirmados e óbitos, que é uma outra forma de analisar”, informou.

O professor explica que a taxa de transmissibilidade tem uma margem de erro, por essa razão é preciso ter mais de um trabalho como referência. Além disso, ele afirma que, apesar de esse ser um bom indicador, ele não pode ser analisado individualmente, ele tem que ser analisado juntamente com outras questões, por isso a importância de analisar a taxa de ocupação de leitos.

Ainda com relação à análise dos dados, Ricardo Valentim afirmou que é preciso observar se quando a avaliação de uma semana varia apontando aumento ela não é muito mais alta em relação ao pico anterior. Segundo o pesquisador, quando a queda é sustentável, quando ocorre um pico ele não é maior do que o pico anterior.

Gráfico mostra taxa de transmissibilidade conforme modelo do professor de Física da UFRN José Dias do Nascimento
Taxa de transmissibilidade no RN conforme pesquisa do LAIS-UFRN

 

Ocupação de leitos de UTI mostra que Estado não atende critérios para retomar atividades econômicas

Apesar dos dados informados durante a coletiva de imprensa, o Rio Grande do Norte ainda não atende os critérios para retomada das atividades econômicas, conforme previsto do Decreto Nº 29.742, de 4 de junho de 2020, prorrogado na terça-feira passada, 23.

De acordo com o documento, parágrafo 1º do Decreto 29.742, de 4 de junho, ” É condição essencial para a implementação inicial do plano de retomada gradual responsável das atividades econômicas no Rio Grande do Norte que exista desaceleração da taxa de transmissibilidade da COVID-19 de maneira sustentada e a ocupação dos leitos públicos de UTI seja inferior a 70% (setenta por cento)”.

Nesta segunda-feira, 29, mais uma vez a taxa de ocupação de leitos, como mostrado pelo Blog em matéria anterior, continua elevada, com mais de 80% de ocupação em todas as regiões que contam com leitos críticos para tratamento de pacientes com sintomas do novo coronavírus e índice superior a 90% nas áreas de maior pressão por leitos.

De acordo com dados do RegulaRN observados às 17h38 desta segunda-feira, na Região Metropolitana a taxa de ocupação era de 98,2%, com apenas dois leitos de UTI vagos no Hospital Central Coronel Pedro Germano (Hospital da PM).

No Oeste, 91,5% dos leitos estavam ocupados, com apenas quatro leitos de UTI desocupadas no Hospital Regional Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros. Em Mossoró, havia um leito de UTI vago no Hospital São Luiz.

Na Região do Mato Grande a taxa de ocupação do Hospital Manoel Lucas de Miranda continuava em 100.

No Seridó, 82,8% dos leitos contavam com internação e cinco leitos de UTI estavam vagos.

A fila de espera às 17h38 contavam com 45 pacientes aguardando por leitos críticos e 36 a espera de leitos clínicos. Esse dado se refere aos pacientes atendidos em unidades dos municípios que aguardam regulação para leitos do Estado.

Dados observados às 17h38 desta segunda-feira, 29 de junho (Fonte: RegulaRN)

 

Governo do RN vai publicar portaria com normas para ‘novo normal’

O secretário Estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier, também participou da coletiva. Segundo ele, dentro desse contexto o Governo do Estado está trabalhando nas novas normas que serão impostas para o novo normal.

De acordo com o secretário, ainda hoje deve ser publicada uma portaria alterando as regras que serão utilizadas no processo de retomadas das atividades econômicas.

Ele informou ainda hoje à tarde a Governadora vai se reunir com o setor produtivo e à noite a reunião será com chefes dos demais poderes.

Ainda de acordo com o secretário, a população não pode relaxar no comportamento, no uso de máscaras em sair apenas quando necessário, porque esse é o novo normal até que haja uma vacina.

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