Planilhas da Odebrecht apontam que potiguares receberam R$ 2,2 milhões

O Blog do Barreto fez um estudo minucioso nas planilhas recolhidas na Operação Lava Jato divulgadas nesta quarta-feira. Quatro políticos do Rio Grande do Norte estão na lista acumulando R$ 2,2 milhões.

Num primeiro momento esses recursos foram tratados como propinas. Mas circulam versões de que foram meras doações de campanha dentro da lei. Enquanto a Polícia Federal separa o que é doação legal de propina ou caixa dois, o juiz Sérgio Moro decretou sigilo para as planilhas.

As planilhas foram recolhida na 23ª fase da operação Lava Jato, batizada de “Acarajé”. Os dados estavam em mãos de Benedicto Barbosa Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura.

Na lista está o deputado federal Rogério Marinho (PSDB) que teria recebido R$150 em 2012 e R$ 350 mil em 2014. Em nota, o parlamentar negou irregularidades. “Nunca solicitei doações de Campanha à empresa Odebrecht ou a qualquer um de seus diretores, sequer os conheço. Os recursos citados são oriundos do Diretório Nacional do PSDB. As doações eleitorais que recebi foram todas identificadas mediante recibo eleitoral e estão devidamente registradas e aprovadas pela justiça”, frisou.

O ministro Henrique Alves (PMDB) está numa planilha mais detalhada onde um dos itens é “função” que utiliza abreviaturas “COR”, “SAR” e “CAP” que indicam as patentes militares coronel, sargento e capitão. O primeiro perfil recebe recursos acima de R$ 1 milhão, o segundo abaixo de R$ 500 mil e o terceiro entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão.

Henrique está no item como “COR” o que indica que é visto uma das principais lideranças. Valor na tabela (que corta sempre três zeros) indicado é 1.000 o que sugere ser uma abreviatura de um milhão dado o volume dos montantes envolvidos em doações (ou propina) a políticos.

O ministro admite as doações, mas garante que foram dentro da legalidade. “Sobre a citação do ministro na lista de doações da Odebrecht, cabe esclarecer que todos os valores recebidos pelo então candidato Henrique Eduardo Alves e ao PMDB-RN foram regulares e constam na prestação de contas apresentadas à Justiça Eleitoral”, argumentou.

O senador José Agripino, presidente nacional do DEM, é citado nos arquivos em três oportunidades. Na primeira ele aparece numa tabela das análises da Polícia Federal com a seguinte citação: “Documento com (uma) folha de papel carta com anotações manuscritas iniciando com “AGRIPINO MAIA finalizando com ‘ROBERTO FREIRE'”. Ele aparece em outra planilha como quem recebeu R$ 200 mil.

Curiosamente neste mesmo arquivo aparece uma tabela de obras da Queiroz Galvão apontando uma obra de R$ 39.843.000 para drenagem na zona sul de natal cuja uma das principais avenidas é a Eng. Roberto Freire.

Em outra planilha, José Agripino aparece ao lado do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB) como tendo recebido R$ 500 mil juntos.

Os dois senadores não se manifestaram.

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