Por que têm tanto medo de Lula livre?

Lula completa um ano preso (Foto: Ricardo Stuckert)

Por Luís Inácio Lula da Silva*

Faz um ano que estou preso (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/04/lula-completa-um-ano-deprisao-com-financas-deterioradas.shtml) injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer.

Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1953026-

tribunal-aumenta-pena-e-condena-lula-a-12-anos-e-um-mes-de-prisao.shtml) foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014.

Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas.

Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros.

Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais. Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.

Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato (https://www1.folha.uol.com.br/especial/2014/petrolao/), que foi pano de fundo no golpe do impeachment (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/jornalista-retrata-em-livro-tormenta-que-derruboudilma-e-quase-levou-temer.shtml), atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República.

Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.

Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro (https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/governo-bolsonaro/), o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU (https://painel.blogfolha.uol.com.br/2019/02/24/em-ultima-manifestacao-a-onu-lula-diz-que-estado-brasileiro-o-tratoucom-cruel-mesquinhez/0 para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1926681-em-propaganda-pt-diz-quetentam-impedir-candidatura-de-lula-em-2018.shtml), se não há nada que sustente essa prisão?

Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.

Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.

*É ex-presidente da república e atualmente cumpre pena por corrupção em Curitiba

 

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4 opiniões sobre “Por que têm tanto medo de Lula livre?

  • 7 de abril de 2019 em 13:10
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    A primeira mentira é q Lula, não escreveu isso, alguém escreveu por ele. O mais vai na seqüência:Quem governou o país por 13 anos foi o PT, portanto, a pobreza, o desemprego, a saúde, a educação, a segurança, estão do jeito q estão, se deve a quem? Ao petismo. Né mesmo? Quanto as classes dominantes, basta ver quem eram os amigos de Lula? Os donos das maiores construtoras do Brasil, Odebrech, OAS, UTC, Etc…Mentir, mentir, mentir, até quando? O desemprego, querem sempre culpar o Temer, que é outra mentira. Né não?

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    • 7 de abril de 2019 em 18:20
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      É um biltre mesmo. Desequilibrado mental, sujeira ambulante mente descaradamente e ainda abusa do alcance da lei 7.210/84. Um judiciário acuado e medroso. Esse ladrão rouba durante anos e ainda se faz de vítima, tentando inverter os fatos e se esconde dos crimes que cometeu.

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    • 7 de abril de 2019 em 19:30
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      Você consegue perceber tudo isso, mas infelizmente muita gente eh alienada e acredita nesse texto mentiroso. As pessoas não contestam nada e acreditam nesse presidiário. São apaixonados…. ele ainda me enganou, votei nele quando tinha 18 anos, acreditei em suas palavras, mas depois me senti traído e enxerguei a verdade: que Lula e seus comparsas eram uma quadrilha disfarçada de partido.

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  • 7 de abril de 2019 em 19:24
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    Só mesmo a parte dos analfabetos funcionais do Brasil para acreditar nesse texto inventado e enfeitado de palavras lindas, como Democracia. Graças a Deus que o povo brasileiro está abrindo os olhos e não caem mais nessas armadilhas. O texto fala em retomada da democracia… Quer dizer que o Presidente atual não foi eleito democraticamente. Foi um golpe? É uma falta de respeito aos 57 milhões de brasileiros que elegeram Bolsonaro. E se Hadad tivesse ganho as eleições? Aí teriamos democracia?

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