Equipe de afiliada da Globo é intimidada por caminhoneiros em Mossoró

Repórteres de afiliada da globo agredidos

A jornalista Sarah Cardoso e o repórter cinematográfico Almir Morais estavam se preparando para entrar em um link ao vivo no RNTV primeira edição quando foram abordados por integrantes do movimento grevista dos caminhoneiros.

O Blog do Barreto apurou que a equipe estava numa distância de mais ou menos 1 Km de onde se encontra bloqueio na BR 304. Antes de Sarah Cardoso entrar no link um homem chegou e começou a filmar e mandar para alguém como se estivesse informando que a equipe estava estava ali. Depois chegou outro homem numa Ranger preta e acompanhou lá do lado a entrada ao vivo da equipe. Depois chegaram mais dois em uma moto com os celulares apontados como uma arma.

Sarah chegou a pedir licença para trabalhar alegando ser trabalhadora igual ao homem e explicou que não tinha impedindo ele de protestar ou trabalhar, mas eles não deixaram mais ela entrar ao vivo. Quando a equipe estava se retirando chegaram dois homens na mesma ranger preta que já havia estacionado lá em um primeiro momento com outro indivíduo. Os dois agiram com ainda mais truculência. Ameaçaram quebrar os equipamentos se a equipe não fosse embora.

A equipe da Intertv Cabugi deixou o local sem concluir o trabalho.

No vídeo abaixo é possível ver como a situação foi conduzida pelos manifestantes que chegaram muito perto de agredir Almir Morais.

Nota do Blog: com certeza a maioria dos caminhoneiros que estão defendendo uma causa justa não compactuam com esse tipo de atitude, mas como jornalista não posso me silenciar diante de tamanha falta de respeito a liberdade de imprensa. Podemos não concordar com a linha editorial da Rede Globo, mas temos o dever de defender o direito de os jornalistas exercerem sua profissão. Lamentavelmente esse tipo de prática existe entre os caminhoneiros, mas também em outros protestos de esquerda e de direita. Precisamos de mais respeito a diversidade de pensamento.

Nota do Blog II: o Sindicato dos Jornalistas precisa urgentemente se posicionar sobre essa situação. Hoje foi Sarah Cardoso e Almir Morais. Ontem foram tantos outros colegas. Amanhã pode ser qualquer um outro colega. Minha solidariedade aos colegas.

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A permanência do fascismo

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*Por Homero Oliveira

O fascismo não pode ser analisado como qualquer movimento conservador ou fenômeno autoritário, ele tem suas próprias características e assume formas distintas

No livro As lições do fascismo (Graal, 1977), o filósofo marxista Leandro Konder chamou a atenção para o “alto teor explosivo” da palavra “fascista”. Escrevendo em plena ditadura militar (1964-1985) afirmava que ela vinha sendo utilizada mais como arma política do que com o necessário rigor científico. Naquelas circunstâncias, considerava que o uso do termo da forma como utilizado pela esquerda era compreensível “para efeito de agitação, é normal que a esquerda se sirva dela como epíteto injurioso contra a direita”, mas que era necessário “uma análise realista e diferenciada dos movimentos das forças que lhe são adversas”.

Não é nosso objetivo fazer uma ampla discussão sobre o fascismo. Já existe publicada, inclusive em português, uma extensa bibliografia, abordando os seus mais diferentes aspectos. O livro de Leandro Konder é um deles. Aqui, trata-se apenas de situar sumariamente quanto a sua permanência, ou seja, não circunscrito as experiências da Itália e Alemanha no período de 1920/40.

Nesse sentido, uma excelente contribuição é o livro de Rob Riemen “O eterno retorno do fascismo”(Editorial Bizâncio, Lisboa, 2012) que, como indica o título, analisa a permanência do fascismo mesmo em países com democracias consolidadas, como na Europa Ocidental.

No livro Lições do fascismo (1970) o dirigente do partido comunista italiano Palmiro Togliatti afirma que o fascismo assume diferentes formas, em diferentes países, porque seu credo não se fundamenta num único valor universal. Lembra ainda que Mussolini ascendeu ao poder pela via democrática e, portanto nas democracias representativas é possível que um fascista seja eleito. Como ele alerta, a chave do êxito do fascismo na Itália foi a crença na sociedade que as qualidades do seu grande líder iriam trazer ordem, prosperidade e segurança ao país. Para Robert O. Paxton, em Anatomia do fascismo ( 2007), da mesma forma que Togliatti, afirma que o fascismo assumirá sempre a formas do seu tempo e da sua cultura e, portanto, não é um fenômeno específico da Itália, alimentando-se do ressentimento (orientado para um inimigo) e um líder carismático e autoritário (“um mito”) que seja obedecido pelas massas.  Rob Riemen alerta para o fato de que quando se entrega o poder a demagogos e charlatães, que usam os mass media para cultivar a crença de que esse líder, o político que pretende ser contra a política é a única pessoa capaz de salvar o país, as instituições constitucionais e democráticas desaparecem tão depressa como a confiança nas autoridades porque já ninguém acredita nelas.

É importante compreender que o fascismo é uma forma específica de regime político do Estado capitalista. Mas, não qualquer regime, não qualquer ditadura, mas uma ditadura contrarrevolucionária com características distintas, por exemplo, das ditaduras militares na América do Sul nos anos l960-80, incluindo a do Brasil. No livro Fascismo e Ditadura (1970), Nicos Poulantzas faz uma análise das formações sociais da Alemanha e Itália e a constituição de um tipo de Estado de exceção – o fascista – e a relação entre as classes sociais, determinante para a emergência (e explicação) do fascismo. De acordo com ele, o Estado fascista seria uma forma distinta de Estado, forjado em condições peculiares da crise política durante a transição ao capital monopolista. Mostra o papel do Estado fascista de reorganizar, pela repressão e pela ideologia, o bloco das classes dominantes no poder, além das iniciativas que os fascismos alemão e italiano tomaram para assegurar a dominação do grande capital e das alianças com a pequena burguesia.

O fascismo, portanto, não pode ser analisado como qualquer movimento conservador ou fenômeno autoritário, ele tem suas próprias características e assume formas distintas, mantendo o essencial, que é a dominação do grande capital.  Se o fascismo teve início na Itália, num determinado contexto histórico, resultado, em grande parte das consequências e profundidade da crise europeia (antes e depois a Primeira Guerra Mundial) sua influência (e permanência) vai muito além do seu contexto histórico e geográfico.  Como afirma João Bernardo no livro “Os labirintos do fascismo: na encruzilhada da ordem e da revolta” (2015), “a história do fascismo não está concluída porque o fascismo é ainda uma realidade em suspenso”. O livro, como ele diz, não trata de uma história do fascismo, “mas o de apresentar a história dos problemas que o fascismo revelou plenamente como tais e que continuam hoje por resolver”.

O fato é que hoje os sinais de fascismos são evidentes em várias partes do mundo, como o fascismo islâmico, o crescimento da extrema direita na Europa, e com partidos xenófobos e neofascistas em outras partes do mundo, como na Áustria, Alemanha, Dinamarca, Holanda, França e Itália.

Mas se ele tem se apresentado de diferentes formas e com influências distintas,  há uma questão que, hoje,  no caso da Europa,  os une: a imigração. A oposição veemente a qualquer aumento do número de imigrantes tem levado a um crescimento do apoio a eles em diversos países, criando a possibilidade de ampliação de sua influência.

Na Itália, por exemplo, a Liga Norte é um partido claramente fascista que tem se afirmado como uma das forças da extrema direita que ingressaram no Europarlamento.  Há outros como Forza Nueva e CasaPound, que têm crescido nas eleições parlamentares, todos contra a imigração.

Na Áustria, o fascista Partido da Liberdade, conseguiu 20,5% nas eleições gerais de 2013. Na Holanda, o Partido pela Liberdade conseguiu 13,3% nas eleições europeias. Esses dois partidos juntos se tornaram a terceira força política em seus respectivos países.

Em relação à Holanda, país de larga tradição democrática, o Partido fascista, liderado por Geert Wilders, é no dizer de Rob Rimen “o protótipo do fascismo contemporâneo”. Para ele, não apenas o da Holanda, mas também de outros países “não são senão as consequências políticas lógicas de uma sociedade pela qual todos somos responsáveis”.

Para ele, o fascismo contemporâneo resulta, mais uma vez, de partidos políticos que renunciam à sua tradição intelectual, de intelectuais que cultivam um niilismo complacente, de universidades que já não são dignas desse nome, da ganância do mundo de negócios e de mass media que preferem ser ventríloquos do público em vez de o seu espelho crítico. São estas as elites corrompidas que alimentam o vazio espiritual contribuindo para uma nova expansão do fascismo.

Na Europa, em vários países, grupos fascistas estão atacando imigrantes e os seus centros de acolhimento, além de ataques a organizações não-governamentais que têm procurado ajudar os que fogem de guerras (caso da Síria) e das perseguições religiosas (como os que conseguem fugir do Estado Islâmico). Como o número de refugiados cresce, a tendência, ao que parece, também é de crescimento da intolerância e da violência.

Em relação à permanência do fascismo, Albert Camus faz uma alegoria do fascismo no livro A peste (1947) que se passa “em uma cidade comum (…) uma prefeitura francesa na costa argelina”.   O livro conta a história de uma peste na cidade em que o médico Bernard Rieux não se junta à celebração depois em que é anunciado que o reino da peste havia terminado. No final do romance ele diz “Na verdade, ao ouvir os gritos de alegria que vinham da cidade, Rieux lembrava de que essa alegria estava sempre ameaçada. Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e nas roupas, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lanços e na papelada. E sabia também que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz”.

Para Albert Camus, o bacilo fascista sempre estará presente, inclusive nas democracias de massas e nesse sentido é de fundamental importância ficar alerta para a gestação de um embrião fascista no Brasil, como os que defendem a intervenção militar, o fechamento do Congresso Nacional, a ditadura e a tortura.

Como diz Roberto Amaral, o fascismo não começa pela sua exasperação, ele começa lento, com ofensas verbais, e depois evolui para agressões físicas e coletivas. Para ele, isso ocorre quando há um ambiente favorável e se torna mais perigoso na medida em que os meios de comunicação são usados para destilar preconceitos e intolerâncias “dia e noite junto à população”.

O sociólogo Florestan Fernandes, numa palestra na Universidade de Harvard em 1971 intitulada “Notas sobre o fascismo na América Latina”, chama a atenção para os processos de “fascistização sem fascismo”, no qual valores e ideias fascistas podem existir nos mais diversos tipos de regime político, inclusive nas democracias. Ele se refere à longa tradição de fascismo potencial na América Latina, no qual “uso estratégico do espaço político”, mesmo nas democracias, “permitem distorções que comprometem a possibilidade real de um exercício democrático”.

O ambiente de polarização política e intolerância na sociedade brasileira é uma porta aberta para o fascismo porque possibilita a ascensão da intolerância, da xenofobia, do racismo, da homofobia, nas ruas e redes sociais, e aí reside o grande o perigo para a democracia: a forma como os discursos de intolerância, ódios e ressentimentos são aceitos por parcelas consideráveis da sociedade.  É um ambiente que nutre analfabetos políticos e que é potencializado com as redes sociais.

Na introdução do livro Como conversar com um fascista (2016), de Márcia Tiburi, Rubens Casara afirma que o antídoto para o fascismo é a democracia e por isso “os fascistas não suportam a democracia, entendida como a concretização dos direitos fundamentais de todos, como processo de educação para a liberdade, de governos através de consensos, de limites ao exercício do poder e de substituição da força pela persuasão e sugere confrontar o fascista, desvelar sua ignorância, fornecer informação/conhecimento, levar esse interlocutor à contradição, desconstruindo suas certezas, forçando-o a admitir que seu conhecimento é limitado. Daí a importância da difusão do conhecimento em confronto como a tradição autoritária que condiciona o pensamento e a ação no Brasil”.

Para enfrentar essa perigosa onda conservadora e autoritária é necessário que a esquerda deixe de brigar consigo mesma e se unifique e se junte a todos os antifascistas e que assim possa se fortalecer e, quem sabe, formar uma frente ampla, popular que reúna os setores progressistas e democráticos para enfrentar a ameaça fascista.

*Homero de Oliveira Costa é professor titular (Ciência Política) do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Texto extraído do site da Revista Nossa Ciência 

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Prisões de líderes sindicais carimbam atestado de óbito político para Robinson em 2018

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Fala-se que o dirigente do Sindsaúde João Assunção provocou a Polícia Militar durante protesto em frente ao Detran em Natal. Não é o que vi no vídeo e mesmo que ele fosse questionar os métodos dos representantes do aparelho repressor do Estado, não há motivo para prisão dessas em um regime democrático.

A prisão da dirigente sindical Rosália Fernandes eu não vi. Não há como analisar o caso.

Mas estamos em tempos temerosos e qualquer tentativa de reação do trabalhador tem sido fortemente reprimida pelo governador Robinson Faria (PSD) que, como registrei no último sábado, abraçou o autoritarismo.

A atual máscara usada pelo governador Robinson é uma face truculenta de sua personalidade. O comportamento mostra impaciência com quem já não aguenta mais os sucessivos atrasos salariais confirmando as previsões tenebrosas de que as greves no futuro seriam por pagamentos em dia.

Está faltando ao governador a humildade de reconhecer que passou do ponto, pedir desculpas ao povo do Rio Grande do Norte e sentar para dialogar com os servidores do Estado.

Também carece à Robinson Faria a consciência de que o servidor tem razão. O governador até aqui tem se escondido. No final de semana ele divulgou uma nota que não convenceu a ninguém e ainda por cima ignorou o incidente da última sexta-feira em mais uma demonstração de insensibilidade.

Hoje um ouvinte do Meio-Dia Mossoró da 95 FM me perguntou se Robinson colocar o salário em dia teria condições de ser reeleito. Respondi que o chefe do executivo estadual está 100% “micarlizado”. O estrago que ele fez é irreversível para 2018.

As prisões de João Assunção e Rosália Fernandes carimba o atestado de óbito político de Robinson Faria.

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Robinson se entrega a tirania tratando trabalhador como bandido

PM x Trabalhadores

O candidato Robinson Faria (PSD) venceu as eleições de 2014 muito mais pelo não-voto em Henrique Alves (PMDB) do que pelas próprias qualidades.

O problema é que o Robinson governador nunca entendeu isso. Vaidoso, sempre nas entrevistas procurava lembrar que se superou, calou os críticos e ironizando quem (com razão) duvidava de sua capacidade. Mais parecia um técnico de futebol após ganhar um campeonato contra todos os prognósticos do que um chefe de estado.

O governador Robinson Faria não aceita críticas, não convive com o contraditório e trata a mídia como extensão de uma roda de amigos. Quem não é da sua turma, é inimigo.

O Robinson presidente da Assembleia Legislativa cunhou a fama de político parceiro dos servidores. Hoje algumas operações como “Dama de Espadas” e “Anteros” talvez revelem os motivos de tanta benevolência. O Robinson candidato fazia propaganda dessa “parceria”, o governador desmente tudo isso.

O governador começou muito mal no cargo na relação com os servidores. Primeiro criou uma cortina de fumaça dizendo que pagava em dia quando na verdade estava raspando o Fundo Previdenciário para, artificialmente, manter o compromisso dentro do mês trabalhado. Seguidamente ele rejeitou aumentos de salários, massacrando os servidores, mas não teve a menor cerimônia em dar aumento de 100% a si próprio e mais recentemente aumentar os salários dos cargos comissionados.

Sem a grana, o governador foi gradualmente atrasando a folha. Agora o quadro chega a níveis desesperadores e as previsões de atrasos salariais para 2018 apontam Robinson entregando o cargo ao sucessor com cinco meses de atraso.

Não vou aqui poupar o governador pela crise e a bomba fabricada pela incompetência de seus antecessores que estourou em seu colo. É verdade que de Tarcísio Maia (1975/79) para cá todos os governadores do Rio Grande do Norte são culpados pelo nosso atraso em termos de desenvolvimento. Todos tiveram a oportunidade de planejar o Estado para hoje, mas preferiram o butim e a preocupação com os interesses pessoais. Robinson sabia de tudo isso, mas na campanha vendeu fantasia. Não pode ser poupado.

Robinson prometeu resolver o complexo problema da segurança, mas piorou a situação com o número de homicídios explodindo e se tornando refém de bandidos amotinados no queijo suíço conhecido como Presídio de Alcaçuz.

E é aí que eu quero chegar, mas não agora.

O governador se converteu em um tirano daqueles que tratam a todos com desigualdade conforme seus interesses. Nos atrasos salariais os órgãos com arrecadação própria e a educação sempre foram poupados. Robinson não queria deixar o Estado sem arrecadar nem encarar a categoria mais organizada e com maior poder de mobilização do Rio Grande do Norte (vale lembrar que ele utiliza recursos federais do FUNDEB para a folha dos professores).

Quando a situação se tornou insustentável, várias categorias ameaçaram entrar em greve. Qual recebeu maior atenção? A segurança. O governador chegou a portar-se como um bravo leão nas redes sociais ameaçando os policiais militares, mas nos bastidores agiu como um gatinho assustando colocando os salários dos fardados em dia, afundando os problemas das demais categorias. Na época eu cantei a bola em artigo publicado no Facebook: “Robinson vai precisar do aparelho repressor do Estado para reprimir as outras greves”. Não era previsão, mas uma triste constatação de uma estratégia tirânica.

Agora relembro mais uma vez Alcaçuz. Quem lembra da postura de Robinson com os bandidos rebelados? Primeiro negociou com os bandidos. Negou, agrediu os jornalistas que ousaram revelar o fato e chegou ao requinte de crueldade de permitir que o país assistisse uma batalha primitiva com paus e pedras entre os bandidos sem qualquer intervenção da Polícia Militar.

Dez meses depois, servidores da saúde e professores da UERN indignados com os salários atrasados decidiram ocupar a Secretaria Estadual de Planejamento com toda legitimidade do mundo. Qual foi a atitude de Robinson? Entrar na Justiça para pedir a reintegração de posse. Negociar está fora de cogitação quando quem ocupa o espaço público é o trabalhador.

“Ah! Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra”, diria o insensível. Verdade. Com trabalhador se negocia, dialoga. Com bandidos o uso da força é um recurso a ser usado, mas nunca contra quem não comete crimes.

Robinson em Alcaçuz hesitou e permitiu que os bandidos mandassem no presídio durante 13 dias. Com os servidores não deixou que eles ficassem 72 horas no prédio da Seplan. Resolveu na base da força.

Realmente não se compara os dois casos, mas o governador preferiu tratar os trabalhadores como bandidos sujando de vez a própria biografia. Além de tornar a comparação factível.

Se Robinson sonhava ter alguma condição de disputar a reeleição deverá se olhar no espelho e dar a si próprio o conselho que dera há um ano ao ex-prefeito Francisco José Junior (sem partido): “tenha humildade e não dispute”.

O governador momentaneamente desune o quadro geral dos servidores jogando a PM contra as demais categorias, mas não percebe que une o Rio Grande do Norte contra ele.

Robinson se entregou a tirania!

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Prisão administrativa é entulho autoritário para inibir lutas de PMs e bombeiros

Autoritarismo

A parcela democrata do Rio Grande do Norte está chocada com a notícia da prisão administrativa por três dias do soldado do Corpo de Bombeiros Dalchem Viana do Nascimento Ferreira.

O motivo é revoltante. Ele está privado de liberdade por ter convocado os colegas em um grupo de whatsApp para uma reunião da corporação.

Detalhe: somente membros do Corpo de Bombeiros estão no grupo. Ele respondeu por oito meses a um processo administrativo que resultou na punição que usou o artigo do Regimento Interno da corporação que proíbe manifestações em redes sociais.

Em entrevista ao G1RN o presidente da Comissão de Segurança Pública e vice-presidente da Comissão de Direito Militar da OAB-RN, o advogado Bruno Costa Saldanha afirmou que esse tipo de punição fere acordos internacionais assinados pelo Brasil na área de direitos humanos.

Mas infelizmente no Rio Grande do Norte temos setores de nossa sociedade apegada a entulhos autoritários como esse Regimento Interno do Corpo de Bombeiros.

Qual a finalidade de manter regras que vão além da necessária disciplina militar? Simples: querem inibir lutas das categorias menos privilegiadas dentro da Polícia Militar e CB.

Na Paraíba que paga aos servidores em dia, o governador Ricardo Coutinho (PSB) numa canetada acabou com essa excrecência. No Rio Grande do Norte que paga salários atrasados, setores significativos do serviço público estadual está amordaçado por leis espartanas.

Já pensou se existissem prisões administrativas para político que promete algo em praça pública e depois de eleito não cumpre?

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