Números negativos mostram tamanho do desafio de uma candidatura de Carlos Eduardo ao Governo do Estado

Carlos Eduardo Alves
Carlos Eduardo tenta melhorar imagem em Natal durante o carnaval

A tradicional elite política do Estado está em baixa com eleitorado potiguar. O sobrenome Alves do prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) pesa contra ele numa eventual postulação ao Governo do Estado. Por mais que seu marketing sempre o omita, a origem político-familiar é inegável.

O prefeito de Natal aproveitou o carnaval cada vez maior na capital para circular no meio do povo. Entre vaias e cumprimentos, sobreviveu enquanto o primo Garibaldi Filho (MDB) e o aliado José Agripino (DEM) passaram longe da folia.

De todos os nomes colocados ao Governo, Carlos Eduardo Alves é quem tem o tempo mais curto para tomar uma posição e é quem tem mais a perder: se decidir levantar-se da cadeira mais confortável do Palácio Felipe Camarão, vai trocar dois anos e oito meses de mandato numa prefeitura rica para encarar uma eleição dura para quem é integrante dos velhos clãs políticos.

Daí a necessidade de reforçar o empenho em melhorar a popularidade que vem em queda livre após trucidar os adversários nas urnas em 2016.

Entre 2013 e 2017 sua popularidade caiu consideravelmente. Os números são duros e desfavoráveis ao prefeito.

A pesquisa do Instituto Certus divulgada em outubro do ano passado mostrou um eleitor natalense dividido em relação ao prefeito: 52,15% de aprovação contra 44,39% de desaprovação. Pouco para quem chegou a ter quase 70% de aprovação em novembro de 2013 quando surfava na fama de quem “consertou Natal” no pós-Micarla.

Em dezembro de 2017, o Instituto Seta ainda trouxe números mais desalentadores para o prefeito de Natal. Para 65% dos entrevistados, a gestão de Carlos Eduardo é “ruim” ou “péssima”. É um cenário que mostra que após ser reeleito com folga a situação do pedetista inverteu-se em pouco mais de um ano após a vitória consagradora que ensaiou colocá-lo no posto de “Governador de Férias”.

Até aqui as sondagens mostram que tudo não passou de um ensaio, nada além disso. Prova? Em pesquisa do Instituto Certus realizada em outubro Carlos Eduardo lidera com margem muito apertada para o Governo:

Governo (Estimulada)

Carlos Eduardo (PDT): 22,77%

Fátima Bezerra (PT): 17,66%

Robinson Faria (PSD): 3,14%

Cláudio Santos (Sem partido): 2,97%

Não Sabe e Nenhum: 52,80%

 

Natal é o maior colégio eleitoral do Estado, mas seus 22% do eleitorado não elegem um governador sozinho ainda mais quando este não goza de grande popularidade onde é gestor. Esse quadro torna o discurso dele ao chegar ao eleitorado do interior onde o peso do serviço prestado é significativo.

Fator Micarla

O maior cabo eleitoral de Carlos Eduardo nas eleições de 2012 e 2016 foi a ex-prefeita Micarla de Sousa, a mais impopular da história de Natal. Após atrasar salários ao longo do ano passado essa “fantasminha camarada” deixou de servir como parâmetro.

Agora Carlos é obrigado a tocar o mandato e provar que pode fazer melhor que o governador Robinson Faria (PSD). Até agora o que há é a repetição em Natal, com menos gravidade, do que acontece no Estado.

Experiência

Catapultado como anti-Micarla em Natal, Carlos Eduardo foi candidato ao Governo do Estado em 2010. Teve pouco mais de 160 mil votos em todo o Rio Grande do Norte acumulando votações pífias até mesmo na capital onde ficou em terceiro lugar atrás de Rosalba Ciarlini e Iberê Ferreira de Souza.

O mau desempenho se repetiu em cidade da Grande Natal como Macaíba (4%) e São Gonçalo do Amarante (5%). Em Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do Estado ele obteve constrangedores 1.031 sufrágios.

Claro que diferente de 2010, quando era candidato de si mesmo, oito anos depois ele terá a estrutura política das oligarquias Alves e Maia, quiçá de ao menos uma ala dos Rosados. Mas o problema é que as pesquisas apontam um caminho inverso na corrida ao Governo do Rio Grande do Norte. O atalho oligárquico não é o melhor caminho afinal de contas a pesquisa Consult/FIERN divulgada em dezembro apontou que 75,18% dos potiguares não seguirão a orientação de líderes políticos na hora de definir o voto.

A postulação de Carlos Eduardo Alves é de extremo risco. Os números mostram isso.

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Vereadores eleitos gastaram em média R$ 12,84 para cada voto

Os 21 vereadores eleitos no último dia 2 de outubro gastaram em média R$ 12,84 para cada voto conquistado. O levantamento enviado ao Blog do Barreto por um colaborador há algumas semanas. Estrategicamente esperamos a atualização do sistema da Justiça Eleitoral para ver se haveria alguma alteração, o que acabou não acontecendo.

O candidato mais votado nas eleições deste ano, Zé Peixeiro (PTC), gastou em média R$ 33,68 para cada um dos 2.802 sufrágios recebidos nas urnas. Ele também está no topo do ranking dos custos de campanha.  Teve despesas que totalizam R$ 94.376,60. Também foi o campeão em arrecadação: R$ 113.813,20.

Quem menos gastou para cada voto conquistado foi Ozaniel Mesquita (PR). Foram incríveis R$ 0,99 para cada um dos 1.574 votos recebidos. Ele teve a menor despesa: R$ 1.565. Já quem menos arrecadou foi Didi de Arnor (PRB) que teve apenas R$ 6.359,50, gastando penas R$ 2.480,00 para ser eleito. Foram R$ 2,43 para cada um dos 1.021 votos recebidos.

O Blog do Barreto foi informado que o Ministério Público pode pedir a cassação dos registros de candidaturas de alguns vereadores justamente por irregularidades na prestação de contas.

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Antipetismo é o maior vencedor das eleições 2016

O PSDB cresceu muito. O PRB deu um salto para deixar de ser um partido periférico. Aécio Neves mostrou fragilidade em Minas Gerais e Geraldo Alckmin mostrou que está forte para 2018.

A antipolítica está em alta com as vitória de João Dória em São Paulo e Kalil em Belo Horizonte.

Mas o que mais chamou a atenção nessas eleições foi a derrocada do PT. A legenda que comanda a esquerda brasileira vive o pior momento da história. Só elegeu um prefeito de capital. Perdeu cidades importantes na Grande São Paulo, no chamado cinturão vermelho, e de quebra perdeu sete em cada dez votos num comparativo entre 2012 e 2016.

O antipetismo vive o auge. O PT está no pior momento. A legenda virou símbolo de corrupção e por mais que não seja a campeã em envolvidas na Lava Jato a imagem do partido está encalacrada aos escândalos de corrupção.

As narrativas petistas que sempre se sobressaíram, agora não são mais hegemônicas. Uma ala mais conservadora da sociedade rompeu o silêncio e as bandeiras petistas encontram antagonistas que defende, inclusive, pensamentos preconceitos.

A onda antipetista venceu em 2016. O partido vai ter que se reinventar como o DEM fez num passado não muito distante. Como o maior partido de direita do país, o PT pode voltar a respirar, mas sem ter a mesma força de antes.

Ainda é cedo para fazer avaliações, mas não será fácil. O vácuo da esquerda deixado pelo PT pode ser assumido por outra agremiação ou o partido pode recuperar terreno. Por mais que os radicais de direita não aceitem o pensamento progressista não vai ser varrido do mapa do mesmo jeito que o de direita não foi quando esteve em baixa.

A política é feita de ciclos. O atual é o de fortalecimento do antipetismo.

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A política mudou mesmo? Candidatos que admitem roubar e vomitar com cheiro de pobre vencem eleições

As análises das eleições 2016 giram em torno do lugar comum de que “o povo acordou” ou que o eleitor está rejeitando os políticos. Será isso mesmo? Não seria mesmo uma rejeição ao PT em específico?

Ontem que a finalização do segundo turno das eleições deste ano duas vitórias provocaram em mim um sentimento de que nada mudou. O eleitor segue desatento ou fazendo vista grossa votando com base em critérios passionais.

Em Curitiba, Rafael Greca (PMN) admitiu ter vomitado com cheiro de pobre e mesmo assim foi vitorioso:

Já em Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS) venceu admitindo que rouba, mas não recebe propina. Isso mesmo. Ele admitiu ser um gatuno e venceu o pleito.

O eleitor continua desastroso em seus critérios. Temos muito o que evoluir como nação e democracia. Assim penso.

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Números mostram que mulheres integram coligações proporcionais apenas para “cumprir lei”

O Blog do Barreto fez um levantamento sobre as chapas proporcionais nas eleições em Mossoró e constatou o que todo mundo sempre desconfiou: colocam mulheres apenas para cumprir a legislação que obriga a inclusão de 30% de pessoas do sexo feminino nas disputas proporcionais.

O que deveria ser um incentivo à entrada de mais mulheres na política termina funcionando como um instrumento de constrangimento.

Nada menos que 32 mulheres tiveram menos de 10 votos nas eleições deste ano. Enquanto que apenas oito homens tiveram votações neste patamar. Como há bem mais homens entre os mais 400 candidatos inscritos na luta para chegar a Câmara Municipal fica claro que as mulheres integraram as chapas apenas para “cumprir tabela”. Tanto que sete delas sequer votaram nelas próprias. Não receberam um único sufrágio. Outras cinco receberam um único voto.

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Há casos como o de Alberlania Lucena que se inscreveu na Justiça Eleitoral como “Lana Lucena”. Mesmo candidata pelo PRB ela trabalhou para eleger Raério Cabeça, que acabou vitorioso. Ela não teve um único voto, nem o dela.

O PRB é, ao lado do PRP, o campeão de mulheres com menos de dez votos. Além de Lana, ficaram na lista Francisca Madalena (0), Aline Guimarães (3) e Emília da Salada (5).

No PRP a lista é composta por Gilvânia do Santo Antonio (7), Verônica (3), Valéria Alves (1) e Professora Jadir (0).

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Eleições 2016 mostram cansaço do eleitor em relação aos caciques

Ainda é tempo de refletir sobre os resultados das eleições. O eleitor potiguar está cansado do surrado discurso dos caciques políticos potiguares. Prova disso foram as votações nas urnas. O recado está claro: o eleitor potiguar está disposto a encarar novidades, mas rejeita aventuras, frise-se.

Em Natal, a ex-governadora Wilma de Faria (PT do B) teve uma votação vexatória para a Câmara Municipal.  Foram míseros 4.421 votos. Ela foi eleita sem a votação estratosférica esperada. Muito pouco para quem já foi prefeita três vezes e governadora outras duas.

A outrora líder política não conseguiu embalar a filha, Márcia Maia(PSDB), amargou o quinto lugar com apenas 19.696 sufrágios. Muito pouco para a herdeira política da “guerreira”.

Claro que é preciso ponderar que Wilma está com a saúde fragilizada. Mas não deixa de ser muito pouco.

Em Mossoró, Sandra Rosado (PSB) não foi bem nas urnas. Foi a sexta mais votada com 2.129 votos. Pouco para quem teve projeção de “estourar” nas urnas com algo em torno de cinco a seis mil votos. Não deu. Sandra foi engolida pela pulverização dos votos. O mesmo vale para Betinho Rosado (PP) que insistiu numa candidatura por conta e risco para ter depressivos 433 votos.

A própria Rosalba Ciarlini (PP) foi eleita, mas em uma disputa em que muitos esperavam uma maioria superior a 31 mil votos. Terminou com votações menores que as de Cláudia Regina (2012) e Francisco José Junior (2014). A diferença foi de 15.486 votos. Ela acabou tendo dificuldades com um neófito na política e sem carisma, Tião Couto (PSDB), que em tese deveria ter servido como sparring, não foi o caso.

E os caciques de sempre? Henrique Alves, Garibaldi Filho e José Agripino pouco apareceram nos palanques do Estado. Apenas em uma ou outra cidade pequena. Nenhum dos três estiveram em Mossoró. Em Natal, só me recordo de uma discreta participação de José Agripino em uma das movimentações.

O governador Robinson Faria vai muito mal das pernas. Sequer conseguiu ter candidato em Natal. Viu seu candidato, deputado estadual Carlos Augusto Maia, perder uma eleição tida como ganha em Parnamirim e não pôs os pés em Mossoró.

O espaço está aberto para o novo, mas o eleitor potiguar é desconfiado. Em Natal preferiu ficar com Carlos Eduardo dando-lhe uma votação espetacular que o credencia para disputar o Governo em 2018. Em Mossoró, optou por dar um crédito de confiança a uma Rosalba Ciarlini manchada pelos quatro anos a frente da administração estadual.

O recado das urnas está dado.

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Beto Rosado destaca crescimento do PP nas eleições 2016

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Com o resultado das eleições de 2016, o Partido Progressista (PP) cresceu no Rio Grande do Norte. A sigla, que tinha três prefeitos, conquistou cinco prefeituras. Entre elas, a de Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do Estado, com a eleição de Rosalba Ciarlini.

No número de vereadores, o partido, que tinha 59 parlamentares antes da disputa eleitoral, conquistou 88 cadeiras nas Casas Legislativas Municipais do RN. A legenda elegeu ainda sete vice-prefeitos. Para o deputado federal Beto Rosado (PP), o resultado foi positivo. Ele avaliou que o partido está se fortalecendo no âmbito estadual.

“As eleições de 2016 foram positivas para o Partido Progressista. Aumentamos o número de prefeitos, tendo entre as novas prefeituras a de Mossoró, aumentamos o número de vice-prefeitos e ainda crescemos bem nas Câmaras Municipais”, ressaltou o parlamentar.

O deputado atribuiu o crescimento ao trabalho de formação política e fortalecimento, com a inclusão de todos os segmentos da sociedade, como os jovens e as mulheres. “Irei trabalhar cada vez para o fortalecimento do partido”, declarou Beto Rosado.

Além de Mossoró, o PP conquistou as prefeituras de Viçosa, com Toinho do Miragem; de Touros, com Assis do Hospital; de Portalegre, com Neto da Emater; e de Lagoa D’Anta, com Taianni.

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Larissa retornará a Assembleia com missão pedagógica

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Mossoró ressentiu muito da ausência de um legítimo representante da cidade na Assembleia Legislativa. Fora uma ou duas ações pontuais do deputado estadual Souza Neto (PHS), a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte foi praticamente ignorada na casa.

Dia 1º de janeiro, Larissa Rosado (PSB) voltará a ser deputada estadual graças a eleição de Álvaro Dias (PMDB) como vice-prefeito de Natal. Vaga aberta. Vaga ocupada. A futura parlamentar chega com uma missão pedagógica para si e para o eleitor mossoroense.

Está claro que o eleitor local está ciente da necessidade de eleger representantes da região para casa. Esses mandatos fizeram e fazem muita falta.

Mas a Larissa resta correr contra o tempo para mostrar mais uma vez que a cidade precisa se unir para garantir representação local e concentrar votos nos seus candidatos. No entanto, a futura deputada precisa também aprender com os erros do passado e corrigir onde falhou.

Fazendo isso ela será pedagógica para si e para Mossoró.

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É hora de repensar os planos para Josué Moreira

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Jovem, bom discurso e ideias interessantes. Essa era a imagem construída por Josué Moreira (PSDC) até o início dessa disputa pela Prefeitura de Mossoró deste ano.
Diria que o professor esteve irreconhecível. Talvez estivesse atordoado pelas injustiça da legislação que lhe reservou apenas 19 segundos no rádio e TV. Não sei.
O fato é que ele não repetiu o desempenho das campanhas anteriores e chegou ao ponto de fazer uma louvação à adversária Rosalba Ciarlini (PP) no debate da TCM. Somente ele depois conseguiu esclarecer o que quis dizer no Facebook, mas o estrago já estava feito.
O professor precisa deixar a condição de eterno candidato para buscar um reposicionamento na política mossoroense. Uma coisa é certa: vai precisar acabar com essa história de impor o nome dele como cabeça de chapa quando for dialogar com possíveis aliados. Josué terá quatro anos para pensar.

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Surge um líder da esquerda em Mossoró?

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Fala mansa, estilo professoral de se expressar sem parecer pedante e uma grande capacidade intelectual. Assim defino Gutemberg Dias (PC do B). Com esse estilo ele conseguiu a maior votação já alcançada por um candidato a prefeito de Mossoró pelo campo da esquerda.

Os mais de 11 mil votos, que quase o dobro do recorde anterior, abre uma pergunta: surge um líder de esquerda em Mossoró? Só o tempo dará essa resposta. Dizer que sim ou não é mero palpite.

Os caminhos escolhidos por Gutemberg Dias apontarão se ele vai ocupar esse espaço ou não.

O fato é que o comunista conseguiu esse recorde num contexto completamente adverso. Afinal de contas, a esquerda brasileira está numa crise sem precedentes no Brasil. Isso reforça a tese de que ele conseguiu essa votação expressiva graças a imagem construída ao longo da campanha: a do político propositivo e pacífico. Deixar essa impressão foi fácil. Difícil vai ser manter.

Para manter essa imagem e seguir como o líder da esquerda em Mossoró vai depender de como ele vai se portar. Se mantiver o discurso ponderado e resistir aos encantos do poder, terá êxito. Se embarcar no estilo esquerda raivosa ou ceder às cantadas palacianas, vai se dar mal. O exemplo do ex-reitor da UFERSA Josivam Barbosa está aí para comprovar. Ele tomou decisões equivocadas e a carreira política dele já nasceu morta.

Para Gutemberg emergir como maior liderança da esquerda em Mossoró precisará trabalhar para manter a boa impressão deixada na campanha. O primeiro passo foi dado. Só dependerá dele mesmo.

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