Capitão Styvenson foca no eleitor desiludido com a política e confunde atividade partidária com blitz de trânsito

Capitão Styvenson

Pouco se sabe sobre o que o capitão Styvenson Valentin pensa sobre diversos assuntos. Confesso que darei o benefício da dúvida se ele vai adotar teses bolsonaristas. Espero que não.

Candidato a fenômeno eleitoral em 2018, o militar deu uma entrevista na última sexta-feira (ver AQUI) dizendo que se alguém oferecer dinheiro a ele dará voz de prisão e uns tapas. A primeira atitude conquista o eleitor desiludido com a política. A segunda flerta com o bolsonarismo, um risco para quem vai se aventurar numa disputa majoritária.

Tentar conquistar o eleitor desiludido com a política é legítimo, diga-se. No entanto, é preciso ter um discurso realista. Vou dar um exemplo: não é ilegítimo o presidente de um partido procurar um pré-candidato forte como ele e oferece a estrutura financeira do fundo partidário. Pertence ao processo político. O capitão vai dar uns tapas no interlocutor? Creio que não. Quando adota o discurso fácil o capitão fica exposto a contradições que podem lhe expor lá na frente.

O moralismo de goela anda de mãos dadas com a hipocrisia. Quero crer que o capitão usou apenas uma figura de linguagem ou, na melhor das hipóteses, deu uma demonstração de desconhecimento de como funciona a política em seus intramuros.

Se realmente quer entrar na política Styvenson precisa entender que este ramo é uma ciência e como tal tem em torno de si uma carga pesada de complexidade. Bem diferente de aplicar multas em bêbados numa blitz.

Hoje o capitão está numa encruzilhada entre pintar na política como um nome alternativo no Solidariedade de Kelps Lima que tenta fazer um trabalho de renovação dos quadros do Rio Grande do Norte sem pregar o discurso hipócrita da antipolítica ou o PSL bolsonarizado.

O caminho escolhido mostrará muito de quem é Styvenson Valentin e se ele percebe que a política é mais complexa do que multar bêbados.

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