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Bolsonaristas: é o mundo que vocês criaram

Alberan amarrou e humilhou Luciano Simplício em Portalegre (Fotomontagem: reprodução)

Por Daniel Menezes*

Após a repercussão do acontecimento de que um cidadão de Portalegre (RN) amarrou um quilombola e o arrastou pelas ruas, logo veio o esperado enquadramento – tratava-se de um árduo defensor do bolsonarismo. Além disso, já com histórico de acusação de crime por injúria racial.

O bolsonarismo é uma ideologia que existe antes do presidente Jair Bolsonaro, mas que vicejava no submundo da sociedade brasileira. Com a vitória de JB, eles se agruparam e impuseram suas ideias, inclusive ao arrepio da lei e da nossa condição civilizatória. Os retrocessos vieram.

Ora, quem é que defende fazer justiça com as próprias mãos? Que bandido bom é bandido morto? Quem comemora feito maluco de auditório, gritando – CPF cancelado, CPF cancelado? Projetos políticos são materializados pelos seguidores.

Não adianta dizer que o presidente Jair Bolsonaro nada tem relação com o acontecimento, pois o caso é a perfeita realização de um discurso autorizativo de ódio cantado em verso e prosa a partir da principal cadeira política e administrativa do país.

Por exemplo: exatamente o mesmo processo se desenrolou durante a pandemia. Foi o presidente que colocou em xeque a política de enfrentamento ao coronavírus, negou a gravidade da situação, defendeu remédios ineficazes e até hoje fala que as vacinas são experimentais. Ora, quem adere a tais ideias, inclusive morrendo pelas mãos delas? Bolsonaristas.

As pesquisas já abundantes são insofismáveis. Quando o cidadão morre de amores peloo presidente, ele acredita em curas milagrosas sem base na ciência, diminui a relevância da pandemia e pode até recusar os imunizantes. Resultado: pelas pesquisas, se a pessoa for eleitora de Bolsonaro, tem maiores chances de pegar e morrer de covid do que quem estabelece distância das ideias bolsonaristas.

Portanto, bolsonaristas, assumam o que é de vocês. O que ocorreu em Portalegre é aquilo que seu líder e vocês ficam defendendo diuturnamente tornado ato.

*É sociólogo.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

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A humilhação do quilombola em Portalegre e o empoderamento bolsonarista

Alberan amarrou e humilhou Luciano Simplício em Portalegre (Fotomontagem: reprodução)

Quando vi o vídeo degradante do comerciante Alberan Ferreira humilhando o quilombola Luciano Simplício a primeira coisa que me veio a mente foi: “é bolsonarista!”. Confesso que senti a sensação de estar sendo preconceituoso por fazer um pré-julgamento, mas não deu outra: eu estava certo.

Alberan é entusiasta do presidente, usa máscara com a imagem dele e faz postagens com fotos na famigerada pose da “arminha”.

Alguns bolsonaristas e até metidos a isentos dirão: “nada a ver isso com Bolsonaro” como se o presidente apostasse em formas pacíficas de resolução de conflitos.

Como assim? Tem tudo a ver. As palavras têm força.

Bolsonaro já ridicularizou as comunidades quilombolas para começo de conversa. Quem não lembra ele dizendo que “afrodescente mais leve pesava sete arrobas” insinuando vagabundagem e fazendo alusão à referência para pesar animais de grande porte.

Bolsonaro incentiva que as pessoas se armem para resolver os próprios problemas sem precisar da polícia. Ao ultrapassar os limites do bom senso muita gente recebe esse tipo de mensagem como um endosso para ousar contra quem lhe ameaça.

Não precisa ser especialista em análise do discurso para saber que esse tipo de fala legitima o cidadão do Brasil profundo a se sentir empoderado pra fazer justiça com as próprias mãos contra um negro quilombola em situação vulnerável.

A confusão começou quando Alberan acusou Luciano de ser “drogado” e “bandido” este por sua vez reagiu fazendo ameaças e atirou pedras no comércio do desafeto. A reação padrão deveria ser chamar a polícia e prestar queixa pedindo proteção, mas o comerciante seguiu alógica do bolsonarismo empoderado e foi fazer “justiça” com as próprias mãos.

Há aí um componente racial muito claro. Quem viu o vídeo vai lembrar do caso George Floyd, que chocou o mundo no ano passado. Quando um empresário se julga “cidadão de bem” se acha no direito de resolver as diferenças amarrando, agredindo e humilhante uma pessoa em situação vulnerável é porque ele se sente empoderado por um líder que prega a violência como instrumento de resolução de conflitos.

Foi Bolsonaro quem disse ter como especialidade matar.

Não, Bolsonaro não mandou ninguém amarrar quilombolas, mas só fanático nega que não há influência do discurso exaltando a violência que ele profere nessa história. Como escrevi acima, as pessoas recebem as mensagens e fazem delas o que bem entendem.

Que Alberan tenha um julgamento justo e seja punido na forma da lei e digo o mesmo para Luciano, caso se comprove que ele jogou pedras no estabelecimento, mas que este tenha acolhimento e empatia.

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 O Brasil é maior do que Bolsonaro

Foto: Antonio Molina/Estadão Conteúdo

Por Jean Paul Prates*

Neste domingo, 12 de setembro, completa-se um ano e meio do reconhecimento, pela Organização Mundial de Saúde, da pandemia do coronavírus.

São 18 meses de perdas, incertezas, desassossego e desesperança. Tem sido assim no mundo inteiro e lideranças e governantes de todos os cantos da terra têm sido desafiados a tomar medidas que preservem a vida, a saúde e o mínimo de bem-estar de seus povos.

Mundo afora, vemos exemplos melhores e outros nem tanto. Mas é difícil apontar um governante que tenha sabotado seu país e seu povo na intensidade alcançada por Jair Bolsonaro.

Exatamente no momento em que o Brasil mais precisa de um governo que promova um mínimo de estabilidade, demos o azar — conjurado pelo ódio às políticas inclusivas dos governos petistas — de ter um Bolsonaro na Presidência da República.

No início desses 18 meses de pandemia, o comportamento tresloucado do homem que ocupa o Planalto era atribuído à falta de empatia e de maturidade — um ser pouco evoluído que havia decidido disputar uma queda de braço com um vírus para ver quem trazia mais infelicidade a uma população indefesa.

Hoje, já sabemos que não era só isso. A cada camada de lodo escavada nas investigações da CPI da Covid, o País constata que foram o velho dinheiro e a velha corrupção que traçaram o script adotado para lidar com a maior crise sanitária da nossa história.

Mas a história consegue ficar ainda pior.

Não basta vender 585 mil vidas por 30 dinheiros. Não basta represar políticas compensatórias para minorar a fome dos desempregados da pandemia. É precisa submeter todo um país à trepidação política para tentar intimidar os Poderes que podem dar um freio nos desmandos.

E lá vamos nós, rolando mais alguns metros do abismo. A mais recente crise institucional criada por Bolsonaro e seus aliados foi mais um tiro na nossa já claudicante economia.

Na última quarta-feira (8), após o discurso irresponsável de Bolsonaro atacando o Congresso e o Judiciário no 7 de Setembro, a Bolsa despencou e os juros futuros e o dólar subiram. Após a cartinha de desculpas engendrada por Michel Temer, essas tendências foram revertidas.

Mas há como tranquilizar investidores quando Bolsonaro, o rei do ócio e da verborragia, só se mexe para gerar instabilidade e insegurança jurídica?

Assim como os democratas não se enganam com o recuo, o mercado também não é bobo. Se a “marcha sobre as instituições” planejada para o 7 de Setembro falhou, o comandante da bufonaria ainda usa a faixa presidencial.

Já passou da hora de mudarmos o tom da nossa resistência aos retrocessos deste governo. Nossa articulação, de agora em diante, deve ser direcionada para fazer avançar os mais de 100 processos de impeachment contra Bolsonaro. Sou signatário de algumas dessas peças e tenho convicção de que nelas está demonstrado todo um cardápio de crimes de responsabilidade, suficientes para livrar o Brasil de um erro que já nos custa caro demais.

Está nas mãos do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, a decisão sobre abrir um processo de impeachment contra o Presidente da República. Essa é a única saída para frear o redemoinho de autoritarismo e boçalidade que está tragando nosso País.

O Brasil é um país muito maior do que o que temos visto nos últimos três anos de Bolsonaro e nesses 18 meses de pandemia. Somos um país de todos e todas, e não de uma turma que se intitula patriota e que só quer saquear nossas riquezas deixando nosso povo cada dia mais pobre e sem esperanças.

*É senador pelo PT/RN.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

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A celebração do fracasso

Aa celebração do fracasso (Foto: Getty Images)

Hoje o bolsonarismo invade as ruas do país com a ladainha golpista de sempre que prega voto impresso, fechamento do Congresso Nacional e do STF, além do alucinado pedido de intervenção militar que só está prevista na Constituição Federal de quem sofre de delírios.

Ao longo do dia teremos uma manifestação de apoio surreal a um governo que envergonha o Brasil no exterior. São patriotas que aplaudem um presidente que bateu continência para a bandeira de outro país. E não é qualquer país: são os EUA que sempre atrapalharam o nosso desenvolvimento.

O bolsonarismo vai as ruas celebrar o quê? O que temos para comemorar? O que temos a agradecer ao presidente?

Hoje faz total sentido os cartazes com a frase “eu quero meu país de volta”.

O país deles é o do aumento das desigualdades, da gasolina cara, da inflação, da politização das forças armadas, da crise econômica, do dólar alto que “não deixa a empregada doméstica ir para a Disney”, da fraude eleitoral…

São pessoas que se julgam cidadãs de bem, mas que ontem mesmo não pensaram duas vezes em furar o bloqueio policial. Sabem que a Polícia Militar está do lado deles, tanto que ninguém levou tiro de borracha no olho (nem era para levar, mas não podemos esquecer o que houve em Recife) e ficou por isso mesmo.

O país do neoliberalismo ultrapassado do “Posto Ipiranga” Paulo Guedes é o do crescimento pífio, das reformas que tiram direitos e não entregam resultados, do desemprego, do desemprego até dos que já desempregados estão, da precarização do trabalho e da prioridade aos mais fortes.

É uma gente que age como baratas que aplaudem a mão que segura o chinelo que está prestes a esmagá-las. Confundem crime com liberdade de expressão, ditadura com democracia e repressão com garantias individuais.

Muitos que ali estão são ressentidos que viram no bolsonarismo um escape para as frustrações e entraram num caminho sem volta em que abraçar a loucura é (para eles) melhor do que reconhecer o erro.

O governo Bolsonaro é um fracasso retumbante em todas as áreas. Essas pessoas não querem abrir os olhos para entender que estão sendo manipuladas para ajudar a esconder os assuntos que realmente importam como a tragédia na condução da pandemia e a crise energética que bate a porta.

Bolsonaro não tem nada a apresentar na reta final do terceiro ano de mandato. É um presidente sem projetos, sem resultados.

Daí ele precisar mergulhar o país no caos institucional para desviar o foco.

Bolsonaro está em queda livre na popularidade, mas tem uma capacidade incrível de mobilizar sua base e a motivação é o ódio ao pobre, a homofobia, misoginia e o racismo.

Essa gente se deixa instrumentalizar pelo presidente por saber que se sente representada por ele. Aí embarcam na tese de que o STF é um vilão que não deixa o presidente governar sem entender o papel dos poderes e dos pesos e contrapesos do regime democrático.

Hoje as instituições democráticas sofrerão mais um solavanco e vão resistir mais uma vez, mas a existência desse tipo de gente sempre será pateticamente preocupante.

São pessoas capazes de sair de casa para celebrar o fracasso.

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O que é ser “esquerdista” na Natal bolsonarista

Por Daniel Menezes*

Com a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, o bolsonarismo anterior ao presidente já presente nas terras de poti perdeu completamente a vergonha e mostrou sua cara de forma aberta, límpida e sem qualquer arrodeio. Não estamos falando mais de um movimento majoritário, é verdade. Pelas últimas pesquisas de opinião, o capitão é mal avaliado na cidade e perde para o ex-presidente Lula. Só que ele é hegemônico entre aqueles ocupantes das posições de mando na imprensa, na classe empresarial e em parcela considerável da classe política. E como o poder de impor opinião é desigualmente distribuído, conforme nos ensinou o sociólogo Pierre Bourdieu, tal minoria tenta estabelecer um enquadramento incomum em relação aos críticos do “Mito”, assim chamado por aqueles ignorantes sobre que tipo de liderança era desse modo entronizada num passado não muito distante.

Qualquer moderação diante do extremismo de direita virou sinônimo de esquerdismo. Trata-se de algo absolutamente fincado numa visão ideológica da realidade carente de faticidade. Até porque, quando se aloja num ponto limite da escala, tudo o que vier de contrário passa a ser o oposto.

Desde 2018, o eixo espacial que começa em Ponta Negra e termina ali mais ou menos em Petrópolis enlouqueceu. Ou se mostrou de vez. A aposta em um deputado ressentido, inoperante e animador de auditório – não é uma metáfora – de baixo clero trouxe expectativas caracterizadamente hilárias. Talvez por se olharem no espelho com a percepção de quem se acha, viram em Bolsonaro a chegada de uma líder como Angela Merkel só que de paletó.

A realidade logo se impôs, mas daí vieram as apostas que continuam a ser dobradas até hoje. Em Natal, atravessamos uma trágica pandemia na qual a defesa do respeito à ciência, do conhecimento especializado e do papel central das agências reguladoras na administração de remédios viraram delírio de esquerdistas. Os melhores quadros da infectologia do RN foram sumidos – o médico e professor da UFRN, Kleber Luz, era, disparado, o mais entrevistado até o momento em que ele disse que ivermectina era para piolho – em favor de profissionais com lattes que não preenchem uma página. Teorias conspiratórias, meias verdades e mentiras inteiras passaram a habitar a esfera pública como explicações legítimas, tudo para se alinhar ao populismo sanitário presidencial. Os críticos perderam espaço, a sensatez virou comunismo.

A tragédia está escancarada. A saída do remédio para cavalo virou piada mundial e nos colocou no topo de óbitos do mundo. Os seus defensores se apresentaram por inteiro – recentemente, nos brindaram com o grand finale de recusar as vacinas que derrubaram os índices de mortes por covid no Brasil. Quando não têm suas contas derrubadas por desinformação, as últimas manifestações das estrelas do negacionismo local são objeto para a psiquiatria.

Não deixando a peteca cair, no reino da análise política esta minoria vive igualmente alojada no fantástico mundo de bobby. A governadora Fátima Bezerra, aquela que fez uma reforma da previdência, implementou teto de gastos estadual, é aliada de parte do PSDB e abre diálogo com o PMDB é radical. O presidente, que cria uma crise institucional diária, corrói as instituições em seu cotidiano e ameaça com golpe com a mesma frequência que o brasileiro toma café, é pintado como estadista.

As falas de quem ainda tenta apresentar moderação na proteção das bizarrices bolsonaristas chegam a fazer pena, dada a tarefa hercúlea. Todos os dias o articulista é obrigado a matizar que a ação, o ato e o discurso de ocasião de Bolsonaro estão errados. Porém, há pontos positivos – nunca mostrados – em seu governo. E que a oposição é culpada por provocar o coitadinho do presidente e tudo de ruim no país.

No momento em que a inflação galopa, a fome alcança quase metade da população e somos objetivamente um dos últimos países a avançar com a vacinação, Bolsonaro eleva o tom. Diante da inacreditável inoperância frente a crise energética, tendo como única medida direta o pedido para o brasileiro economizar, a rejeição do capitão inviabiliza sua reeleição. Em Natal, porém, o grupo aqui tratado segue multiplicando o sonho do jardim da infância de que o cenário vai mudar, um presidente que sequer tem um partido não vai cumprir suas promessas já em curso de tumultuar a eleição e finalmente renovar o seu mandato. Quem segue dizendo que o rei nunca utilizou roupa assiste de camarote, até porque está chegando a hora do castelo de carta ruir de vez. E não terá operação que dê jeito de apagar quem vestiu o figurino golpista.

*É professor da UFRN.

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Foro de Moscow 2 set 2021 – A tensão dos protestos de 7 de setembro

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Chega de aviltar o patriotismo

Foto: autor não identificado

Por Jean paul Prates*

Durante uma oitiva da CPI da Covid, na última quinta-feira (26), perguntei ao depoente — suspeito de participar do esquema corrupto na compra de vacinas — se ele era integrante do “bloco verde-amarelista” que serve de apoio ao desgoverno Bolsonaro.

O inquirido escolheu não responder à pergunta, fazendo uso do direito ao silêncio, para não se incriminar.

Fossem outros os tempos, seria inusitado que alguém considerasse incriminatória sua condição de apoiador de um governo estabelecido e em pleno controle dos aparatos de força — não esqueçamos nunca que os perseguidos, torturados e assassinados por confrontarem a ditadura militar tiveram sempre a coragem de explicitar seu lado, mesmo com a vida em jogo.

Mas esse País virado do avesso tem dessas surpresas: os usuários de camisas da CBF, participantes de manifestações raivosas e trombeteadores de um “Brasil acima de tudo” começam a temer serem incriminados por seu abraço à insanidade bolsonarista.

É compreensível. Em algum momento, será necessário prestar contas pelas quase 580 mil mortes da pandemia, pelo desmantelo econômico, pela volta da fome, da inflação e do desespero.

Entre os que apoiaram a ascensão de Bolsonaro, é possível encontrar muitos sinceramente arrependidos. Mas, no núcleo duro dos skinheads verde e amarelos, a debandada e o silêncio é muito mais uma esquiva das cobranças do que uma autocrítica.

O fato é que encolhe a olhos vistos o contingente de papagaios interesseiros e mal-intencionados com coragem de vir a público bater no peito e jurar amor eterno ao projeto mitômano que os colocou em marcha para destruir o Brasil.

É uma horda minguante, que jamais terá a dignidade, a brasilidade e a beleza dos indígenas que esta semana tomaram a Praça dos Três Poderes, em Brasília, para reclamar seu direito a suas terras ancestrais e reconectar corações e mentes com a ideia de um país diverso, amoroso e inclusivo.

Tenho engulhos, nojo mesmo — e sei que não estou sozinho — com o uso calhorda que o bolsonarismo faz do falso patriotismo para acobertar o oposto. Dos patifes que pretendem induzir nosso povo a emprestar sua bandeira para cobrir tanta infâmia e covardia, como já definiu o poeta.

Nossa bandeira não pode servir de biombo para a ação de medíocres e picaretas que perpetram falcatruas na compra de vacinas, que praticam corrupção, engendram embustes na recomendação de medicamentos inúteis, se associam à aprovação de reformas que anulam direitos trabalhistas, previdenciários e assistenciais.

Como quis Castro Alves, não podemos permitir que o pendão verde e amarelo tremule sobre o assassinato da juventude negra, sobre o feminicídio, sobre a perseguição à população LGBT, sobre o massacre físico e cultural dos povos indígenas.

Nossas cores nacionais não podem mais servir de brasão para a torra do patrimônio público e para a devastação de nossas riquezas naturais.

Quanto mais se investiga o governo Bolsonaro — na CPI da Covid, nos inquéritos sobre fake news e ataques à democracia, na observação das medidas desumanas tomadas contra o povo — mais se revela o retrato horrível de um país que não queremos.

Chega de aviltar o patriotismo. Essa gente nefasta não fala em nome do Brasil.

*É senador pelo PT/RN.

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Voto impresso: não há como impedir o ostracismo do bolsonarismo

Voto impresso é manobra desesperada do bolsonarismo (Foto: Sérgio Lima/Poder360)

Por Jean Paul Prates*

Foi preciso armar um golpe para que os bolsonaristas mantivessem, respirando por aparelhos, a proposta de readoção do voto impresso, que tramita na Câmara dos Deputados.
Na última sexta-feira (16), em meio ao tumulto e encenação, os apoiadores de Bolsonaro na Comissão Especial que analisa a proposta conseguiram impedir que a matéria fosse rejeitada pela maioria do colegiado, assegurando alguma sobrevida a essa peça de saudosismo político concebida em nome do ilusionismo barato que caracteriza a narrativa bolsonarista.
O sepultamento ficou para depois do recesso, mas não vai tardar.
A Proposta de Emenda à Constituição 135/2019 quer criar um mecanismo no mínimo curioso: após a votação eletrônica, uma cédula passaria a ser impressa, confirmando a opção do eleitor. O papel seria depositado, a seguir, em outra urna, supostamente para permitir a “auditoria” de uma eleição.
Faz um quarto de século que o Brasil utiliza as urnas eletrônicas, sem que jamais tenha sido comprovada qualquer fraude.
Pelo contrário: o mundo olha com respeito a capacidade de nosso País de colocar à disposição do eleitorado um processo ágil, seguro e moderno para que os cidadãos e cidadãs escolham seus representantes.
A que serve, portanto, essa campanha de descrédito em um processo que já mais do que testado e aprovado — e por meio do qual, não esqueçamos, foram eleitos os seus detratores que hoje ocupam postos no executivo e no Legislativo?
A resposta é clara: é completamente improvável que um raio caia duas vezes no mesmo lugar. O bolsonarismo sabe disso.
A maré de ressentimentos e irracionalidade de 2018, que permitiu a eleição de tanta gente truculenta e antidemocrática para o Legislativo e para a Presidência dificilmente vai se repetir.
Ainda mais quando tantos dos iludidos sentem na pele os efeitos devastadores que resultam da aposta no ódio. O projeto alicerçado na sociopatia não cuida sequer de seus entusiastas, largados à própria sorte em meio a uma pandemia mortal e a um derretimento econômico sem precedentes.
É preciso, portanto, criar desde já uma narrativa para o discurso que virá, imediatamente após a derrota eleitoral mais do que anunciada. Gente que nunca se constrangeu em se eleger por meio de um processo que aponta como “defeituoso” e “pouco confiável” prepara o terreno para questionar a lisura das urnas que estão prestes a sepultar seu macabro projeto político.
Na democracia ateniense, os cidadãos eram chamados a decidir sobre o banimento e desterro de políticos que atentassem contra a liberdade pública ou cometessem outros atos considerados indignos.
A vontade desses cidadãos era expressa por meio do voto, anotado em cacos de cerâmica, chamados de óstracos— de onde vem o termo ostracismo, aplicado ao banimento dos inimigos da democracia.
O Brasil está prestes a banir a boçalidade bolsonarista para o canto escuro da História ao qual pertence. Vai fazer isso por meio do voto secreto e inviolável, em um processo seguro e transparente admirado em todo o mundo, as urnas eletrônicas
Mas ainda que a os governistas ressuscitem os cacos de cerâmica, não conseguirão deter o ostracismo dessa noite escura que infelicita o País.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

*É senador pelo PT/RN.

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Foro de Moscow 16 jul 2021 – Benes Leocádio é o nome do bolsonarismo para enfrentar Fátima?

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Ministros de Bolsonaro batem sem dó em Fátima, mas temem enfrentá-la nas urnas

Rogério e Fábio atacam Fátima, mas evitam encarar a governadora na disputa pelo voto (Foto: Foto: Cléverson Oliveira / Ministério das Comunicações)

Diante do presidente Bolsonaro na última quinta-feira durante agenda em Jucurutu e Pau dos Ferros o ministro Fábio Faria não poupou críticas à governadora Fátima Bezerra (PT).

Ele chamou a petista de “cara de pau” em Jucurutu e “mentirosa” em Pau dos Ferros.

Rogério Marinho, o outro ministro potiguar, também não poupa a governadora de críticas embora seja mais comedido nas palavras.

Ambos cumprem o papel de representar o antipetismo pela via bolsonarista para agradar o presidente.

No entanto, nenhum dos dois topa enfrentar diretamente a governadora que será candidata a reeleição. O pai de Fábio, o ex-governador Robinson Faria (PSD), chegou a fazer um apelo público para que Marinho desista do Senado e se candidate ao Governo apoiando Fábio.

Marinho resiste a ideia.

Fábio já descartou tentar o Governo e afirmou que se for candidato a algo no RN será ao Senado.

Eles preferem a Alta Câmara do que enfrentar a Governadora que recebeu o Estado com quatro folhas atrasadas e está pagando a terceira delas, devolveu  equilíbrio fiscal ao Estado e, sem alarde, sob sua gestão diminuiu os índices de violência.

Além disso, eles teriam Fátima com Lula reabilitado ao seu lado enquanto eles teriam a companhia de um Bolsonaro em queda livre.

Faz sentido o cuidado de bater nela, mas não querer enfrenta-la.