Eleições 2016 mostram cansaço do eleitor em relação aos caciques

Ainda é tempo de refletir sobre os resultados das eleições. O eleitor potiguar está cansado do surrado discurso dos caciques políticos potiguares. Prova disso foram as votações nas urnas. O recado está claro: o eleitor potiguar está disposto a encarar novidades, mas rejeita aventuras, frise-se.

Em Natal, a ex-governadora Wilma de Faria (PT do B) teve uma votação vexatória para a Câmara Municipal.  Foram míseros 4.421 votos. Ela foi eleita sem a votação estratosférica esperada. Muito pouco para quem já foi prefeita três vezes e governadora outras duas.

A outrora líder política não conseguiu embalar a filha, Márcia Maia(PSDB), amargou o quinto lugar com apenas 19.696 sufrágios. Muito pouco para a herdeira política da “guerreira”.

Claro que é preciso ponderar que Wilma está com a saúde fragilizada. Mas não deixa de ser muito pouco.

Em Mossoró, Sandra Rosado (PSB) não foi bem nas urnas. Foi a sexta mais votada com 2.129 votos. Pouco para quem teve projeção de “estourar” nas urnas com algo em torno de cinco a seis mil votos. Não deu. Sandra foi engolida pela pulverização dos votos. O mesmo vale para Betinho Rosado (PP) que insistiu numa candidatura por conta e risco para ter depressivos 433 votos.

A própria Rosalba Ciarlini (PP) foi eleita, mas em uma disputa em que muitos esperavam uma maioria superior a 31 mil votos. Terminou com votações menores que as de Cláudia Regina (2012) e Francisco José Junior (2014). A diferença foi de 15.486 votos. Ela acabou tendo dificuldades com um neófito na política e sem carisma, Tião Couto (PSDB), que em tese deveria ter servido como sparring, não foi o caso.

E os caciques de sempre? Henrique Alves, Garibaldi Filho e José Agripino pouco apareceram nos palanques do Estado. Apenas em uma ou outra cidade pequena. Nenhum dos três estiveram em Mossoró. Em Natal, só me recordo de uma discreta participação de José Agripino em uma das movimentações.

O governador Robinson Faria vai muito mal das pernas. Sequer conseguiu ter candidato em Natal. Viu seu candidato, deputado estadual Carlos Augusto Maia, perder uma eleição tida como ganha em Parnamirim e não pôs os pés em Mossoró.

O espaço está aberto para o novo, mas o eleitor potiguar é desconfiado. Em Natal preferiu ficar com Carlos Eduardo dando-lhe uma votação espetacular que o credencia para disputar o Governo em 2018. Em Mossoró, optou por dar um crédito de confiança a uma Rosalba Ciarlini manchada pelos quatro anos a frente da administração estadual.

O recado das urnas está dado.

Compartilhe: