Capitão Styvenson foca no eleitor desiludido com a política e confunde atividade partidária com blitz de trânsito

Capitão Styvenson

Pouco se sabe sobre o que o capitão Styvenson Valentin pensa sobre diversos assuntos. Confesso que darei o benefício da dúvida se ele vai adotar teses bolsonaristas. Espero que não.

Candidato a fenômeno eleitoral em 2018, o militar deu uma entrevista na última sexta-feira (ver AQUI) dizendo que se alguém oferecer dinheiro a ele dará voz de prisão e uns tapas. A primeira atitude conquista o eleitor desiludido com a política. A segunda flerta com o bolsonarismo, um risco para quem vai se aventurar numa disputa majoritária.

Tentar conquistar o eleitor desiludido com a política é legítimo, diga-se. No entanto, é preciso ter um discurso realista. Vou dar um exemplo: não é ilegítimo o presidente de um partido procurar um pré-candidato forte como ele e oferece a estrutura financeira do fundo partidário. Pertence ao processo político. O capitão vai dar uns tapas no interlocutor? Creio que não. Quando adota o discurso fácil o capitão fica exposto a contradições que podem lhe expor lá na frente.

O moralismo de goela anda de mãos dadas com a hipocrisia. Quero crer que o capitão usou apenas uma figura de linguagem ou, na melhor das hipóteses, deu uma demonstração de desconhecimento de como funciona a política em seus intramuros.

Se realmente quer entrar na política Styvenson precisa entender que este ramo é uma ciência e como tal tem em torno de si uma carga pesada de complexidade. Bem diferente de aplicar multas em bêbados numa blitz.

Hoje o capitão está numa encruzilhada entre pintar na política como um nome alternativo no Solidariedade de Kelps Lima que tenta fazer um trabalho de renovação dos quadros do Rio Grande do Norte sem pregar o discurso hipócrita da antipolítica ou o PSL bolsonarizado.

O caminho escolhido mostrará muito de quem é Styvenson Valentin e se ele percebe que a política é mais complexa do que multar bêbados.

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Capitão Styvenson anuncia pré-candidatura ao Senado e manda recado a quem tentar corrompê-lo: “Dou voz de prisão e ainda leva umas tapas”

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Texto e foto: Agora RN

O capitão da Polícia Militar, Styvenson Valentim, confirmou a intenção de participar das eleições de outubro deste ano. Ele anunciou na sexta-feira, 6, que é pré-candidato ao Senado Federal. Contudo, ainda não escolheu a legenda partidária. O policial estuda propostas de seis partidos políticos.

Em entrevista para a rádio 96 FM, Styvenson Valentim revelou que assinou a descompatibilização de função de comandante da 1ª Companhia do 9°Batalhão da Polícia Militar, na zona Oeste de Natal. “Não sou mais o comandante. Eu vou pensar nas propostas dos partidos até o dia 20 [data limite para filiação partidária], mas já posso dizer que sou pré-candidato”, resumiu.

Segundo o oficial da PM, a possível candidatura decorre dos incentivos recebidos da população potiguar. Nas pesquisas eleitorais, o nome do capitão está entre os favoritos a uma das vagas ao Senado. “É bom saber que a gente está neste nível, mesmo sem ter utilizado nenhum recurso. Estou sendo empurrado pela população, mesmo não tendo o perfil dos políticos locais”, considerou.

Apesar de iniciante no universo político, Styvenson já percebe que a sua candidatura causou incômodo. “Eu percebo que eles [políticos tradicionais do Rio Grande do Norte] sentem medo. Eu não me preocupo com a Ideia que vão me atacar. Minha vida é pública e transparente”, rechaçou.

Ele também se diz preparado para lidar com políticos “oportunistas”. Alerta que será rígido com possíveis propostas indecorosas. “Não tenho dinheiro para dar a ninguém. Se entrar na política, eu espero que alguém me faça alguma proposta [de receber dinheiro ilícito], para ver se ela tem coragem. Dou voz de prisão e ainda leva umas tapas. É preciso acabar com estas situações”, detalhou.

Sobre o partido político ao qual pretende se filiar, ele diz que ainda está analisando propostas. Diz que não se prende às questões ideológicas. “Eu tenho a minha ideologia. Já falei com o PSL e Solidariedade. O fato é que não preciso de aprovação de partido”, reforçou.

Ele lamenta que ao deixar função de comandante também de ser ausentar da ação desenvolvida na Escola Estadual Maria Ilka de Moura, no bairro do Bom Pastor, zona Oeste de Natal. O capitão adotou a unidade de ensino. Os policiais militares realizaram atividades de segurança e de cidadania. O sucesso da empreitada, que elevou o número de matrículas e a redução dos índices de violência na região, resultou num convite para uma palestra em um fórum de segurança pública na Universidade de Oxford, na Inglaterra, em setembro deste ano. “Não dá para falar de segurança sem falar educação pública. A educação é a base para a cidadania. Prometi que não vou esquecer a escola e sempre vou ajudá-los”, finalizou.

Nota do Blog: o Solidariedade é o partido mais próximo de abrigar a candidatura do militar.

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Pesquisa mostra Capitão Styvenson com viabilidade eleitoral e isso diz muito sobre qualidade da política potiguar

Capitão Styvenson

O Instituto Consult revelou no Blog do BG mais números sobre a eleição no Rio Grande do Norte. A disputa pelas duas vagas para o Senado tende a ser emocionante.

Um dado que eu já esperava com base no monitoramento que faço nas redes sociais se materializou: Capitão Styvenson está eleitoralmente viabilizado. Na pesquisa ele aparece tecnicamente empatado com Garibaldi Alves Filho (MDB) e Zenaide Maia (PHS) tidos como favoritos para o pleito de outubro.

Vou delimitar os números dos cinco primeiros colocados somando os percentuais de primeiro e segundo voto da pesquisa para dar embasamento aos argumentos que virão na sequência deste artigo:

Candidato Soma de primeiro e segundo votos
Garibaldi Filho 20,24%
Zenaide Maia 18%
Capitão Styvenson 17,53%
Geraldo Melo 11,18%
José Agripino 11,11%

Veja que o senador José Agripino (DEM) fez bem em desistir da reeleição. Ele estava definhando nas pesquisas e caindo em pontos percentuais acima da margem de erro e Geraldo Melo mesmo com a viabilidade política imposta pela estrutura atual do PSDB potiguar também fica para trás. Capitão Styvenson sem partido, espaço na mídia e qualquer estrutura política está tecnicamente empatado com Zenaide e Garibaldi.

Qual a explicação para um fenômeno como esse? A carência de líderes políticos no Rio Grande do Norte. A reposição de quadros é sempre para pior e o eleitor está cansado dos sobrenomes de sempre. Agripino afundou com essa circunstância e entendeu isso fazendo um recuo inteligente para sobreviver na política. Garibaldi ainda tem viabilidade em virtude do carisma pessoal, mas ele mesmo reconhece que esta é a eleição mais difícil da vitoriosa carreira política dele.

Já Zenaide surgiu forte, mas cresce lentamente muito com base no comportamento dela nas reformas propostas por Michel Temer (MDB).

E Styvenson? Ele fez fama por ter uma atuação considerada implacável em fiscalizações fazendo cumprir a Lei Seca. Na verdade, ele não fez nada além das suas obrigações como policial. Mas se diferenciou num cenário de bagunça institucional que rege a segurança pública no Rio Grande do Norte. Ele na verdade é apenas a nova versão de Zenaide que também não fez nada além do que cumprir o compromisso de não atuar contra os mais humildes.

Mas no imaginário das pessoas, policiais cobram propina para livrar o cidadão de multas e os políticos trabalham contra o povo.

Num cenário com péssimos quadros, Styvenson acaba se sobressaindo por multar bêbados, coisa, inclusive, que ele nem faz mais. Mas ficou no imaginário popular como alguém de caráter inabalável. Ele passa seriedade e essa qualidade é obrigação em qualquer pessoa, mas não pode ser o único fator para fazer surgir um fenômeno político. Pelo menos não poderia.

A política é muito mais complexa do que multar bêbados numa blitz, mas o eleitor está tão carente no Rio Grande do Norte que acaba encontrando no capitão uma referência e fazendo dele um nome capaz de aposentar as velhas raposas da vida pública potiguar.

Styvenson é um nome competitivo. A pesquisa prova isso. Mas há algo que os números não dizem em sua frieza. O eleitor que repulsa a velha guarda da política parece ter encontrado um segundo nome para o Senado.

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