Natal em transe

Canal Ideal - Ivermectina terá venda controlada após salto da ...

A capital do Estado está em transe. A crença de que a Ivermectina é eficaz contra a covid-19 está entranhada no imaginário natalense de tal forma que a ciência pouco importa.

Fiz uma experiência com um post patrocinado no Facebook direcionando 100% para os moradores de Natal expondo um estudo feito por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que mostrava que o medicamento era ineficaz.

Os comentários são de arrepiar cabelo de careca como costuma dizer um comentarista de futebol (infelizmente não recordo o nome) diante de situações absurdas.

Leia os comentários AQUI.

Nota do Blog: pobre ciência.

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Projeto potiguar para fabricação de ventiladores pulmonares é selecionado para financiamento da Petrobras e IBP

Projeto receberá apoio de R$ 100 mil (Crédito da foto: Assessoria FIERN)

Saiu o resultado da seleção pública de projetos para produção de ventiladores pulmonares mecânicos – uma iniciativa da Petrobras em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Bicombustíveis (IBP). O comitê técnico selecionou quatro projetos da fase intermediária de fabricação dos ventiladores e, entre eles, o “Caninga– ISI-ER”, do Senai-RN.

O projeto vencedor é um protótipo de um respirador mecânico invasivo, equipamento utilizado no tratamento de pacientes com Covid-19. Foi desenvolvido pelos técnicos e engenheiros do Senai-RN em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), responsável pela fase de testagem clínica, e também com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que atua na etapa de documentação do projeto para aprovação e licenciamento junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Os outros projetos vencedores da seleção pública foram o modelo “3D Breath” da empresa ArcelorMittal Brasil; o “VExCO” da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além do “Frank 5010” da Universidade de Caxias do Sul em parceria com Meditron.

De acordo com o edital, a fase intermediária consiste na passagem dos chamados testes “in vitro” (testes de desempenho com uso de pulmão artificial) para os testes “in vivo” (com animas e seres humanos), ao passo que a fase de produção é a etapa seguinte de fabricação dos ventiladores. Cada projeto selecionado receberá R$ 100 mil em recursos financeiros para continuação do desenvolvimento, com acompanhamento técnico de especialistas da Petrobras e do IBP. O objetivo da iniciativa é acelerar a fabricação desses equipamentos, escassos no mercado brasileiro e essenciais ao tratamento de pacientes graves com Covid-19.

“Com quatro projetos, aumentam as chances de sucesso da produção de ventiladores menos complexos e mais baratos para tratamento emergencial da Covid-19 em curto prazo”, afirmou o líder da iniciativa na Petrobras, Luiz Paschoal.

Abertas as inscrições para segunda onda da seleção pública

Para a fase específica de produção de ventiladores, como nenhum projeto apresentou registro junto à Anvisa na primeira onda, a Petrobras e o IBP decidiram abrir as inscrições para a segunda onda da seleção pública, em busca de novos candidatos qualificados para o início da fabricação dos equipamentos. Universidades, empresas e instituições de ciência e tecnologia de todo Brasil podem inscrever seus projetos até o dia 24/06, desde que apresentem registro prévio junto à Anvisa. O edital está disponível no site do IBP (https://www.ibp.org.br/chamada-publica-ventiladores-pulmonares).

“Na primeira onda da seleção pública, tivemos dezenas de inscritos, mas infelizmente nenhum apresentou registro junto à Anvisa. É uma chancela fundamental para garantirmos a segurança dos projetos”, disse Luiz Paschoal. Nessa fase, um projeto será selecionado e receberá R$ 1,1 milhão em recursos financeiros para seu desenvolvimento.

Estrutura Científica de Resposta da Petrobras

A seleção pública é mais uma iniciativa da Estrutura Científica de Resposta (ECR) da Petrobras voltada para o combate ao coronavírus. O objetivo é reunir competência técnica em parceria com empresas, universidades e instituições de ciência e tecnologia para formular soluções viáveis e rápidas no enfrentamento à pandemia.

A Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) e o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) estão apoiando a iniciativa e participam da avaliação e seleção dos projetos – em conjunto com o IBP e a Petrobras.

Fonte: Gerência de Imprensa da Petrobras

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Deus e pátria, seja o nosso lema

Por Elviro Rebouças*

Aprendi cedo, nos bancos históricos e centenários do Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró, com o seu hino vibrante, a estrofe “Deus e pátria é o nosso lema, é nossa glória suprema servir a Deus e ao Brasil”. Como simples cidadão, como tantos milhões de brasileiros comuns, tenho este dístico no meu dia a dia. Sempre crente em Deus, procurando servir à Pátria amada, mas confesso, momentos de muito desânimo nos nossos  governantes. Agora mesmo, em uma cruel pandemia, no Brasil já contaminando mais de 380 mil patriotas e ceifando  preciosas 24 mil vidas.

A ciência, os elevados  estudos  em um mundo globalizado, ávido para encontrar a vacina para debelar o COVID 19, em pleno século 21, após incontáveis pandemias que dizimaram milhões de pessoas, há um único tratado internacional para regular as ações que a comunidade internacional deve tomar em situações emergenciais de saúde pública, o Regulamento Sanitário Internacional, da OMS (International Health Regulations) Aqui no nosso torrão verde-amarelo  tudo é relegado quando em benefício  da  área sanitária pelo Governo Central, já há mais de doze  dias, sem um Ministro da Saúde, tendo o  seu antecessor sido humilhado e arrancado do cargo, por não concordar com o desleixamento do mandante .Permaneceu a agonia, agora com mais agudeza. Espalha de militares à  área, imbuídos de boa vontade, não é possível que seja diferente,  mas sem legitimidade à causa, enquanto o Governo   se esgrima em assuntos pouco republicanos, deixando 210 milhões de pessoas à própria sorte, já não bastasse , apesar dos reconhecidos  e inauditos esforços  dos profissionais da saúde, (médicos, enfermeiros, técnicos e analistas), a fragilidade da rede pública de saúde, exibida do Amazonas  ao Rio Grande do Sul, aonde assistimos, impotentes, as pessoas serem massacradas, pelas condições da ausência de meios próprios ao tratamento,  em antessalas e escaninhos de UBSs,  UPAs  e Hospitais, geralmente sem condições adequadas , carcoma  implantado em  várias décadas de  absoluta exclusão e seriedade por parte dos  que governam.

O isolamento social continua sendo percebido pela esmagadora maioria da população como a medida mais eficaz para conter o avanço descontrolado do novo coronavírus e, assim, poupar vidas. A mais recente pesquisa XP/Ipespe, divulgada na terça-feira passada, mostrou que 76% dos entrevistados veem o isolamento como “a melhor forma de prevenir e tentar evitar o aumento da contaminação pelo novo coronavírus”. É muito bom constatar que tantos brasileiros levam em conta as vozes da ciência, da razão, dando o devido valor às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), de epidemiologistas e de governadores e prefeitos ciosos de suas responsabilidades no enfrentamento da pandemia. Entretanto, não se pode deixar de registrar que o apoio à medida, embora siga bastante forte, apresenta uma tendência de queda. Nas três sondagens realizadas pelo instituto de pesquisa em abril, nos dias 1º, 15 e 22, o isolamento social era defendido por 80%, 79% e 77% dos entrevistados, respectivamente.  O primeiro alerta do governo chinês sobre o surgimento de um novo coronavírus foi dado em 31 de dezembro de 2019. Na ocasião, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu um comunicado sobre uma série de casos de pneumonia de origem desconhecida em Wuhan, cidade chinesa com 11 milhões de habitantes. No Brasil, infelizmente, o Governo Central, de forma tosca, o tratou de “gripezinha”, coisa rápida e passageira. O Resultado de toda panaceia, enquanto a China, a Europa toda e os americanos do norte já reabrem as atividades econômicas, com perdas consideráveis, já somos a segunda nação mais atingida com a pandemia e, funestamente, subindo a ladeira.  Isto sim, para o nosso patriota cientista e sanitarista Oswaldo Cruz seria INCONCEBÍVEL E INACREDITÁVEL!

*É economista e empresário.

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Alternativas ao Genocídio

 

Foto: Kim Kyung-Hoon

Por Marcelo Zero

Jair “la Constitution ces`t moi” XIV, da ilustre Casa de Intolerância, é o maior patife político da história do país.

Despreparado, desqualificado, mentiroso, hipócrita e, last but not least, sociopata, Jair foi um mau militar, um deputado medíocre e é (pasmem!) um péssimo presidente. Quem diria. Ninguém podia prever.

Não sabia governar antes da pandemia. Agora, muito menos.

Muito mais preocupado em salvar as suas chances eleitorais em 2022, Jair XIV está se lixando para a democracia, para as instituições e para a vida dos brasileiros.

Quer se aproveitar da crise para colocar a culpa nos seus adversários e se apresentar como um falso “salvador da Pátria”. Completamente falso, pois o negócio dele é America First, Brazil Last.

Para tanto, Jair XIV pretende romper com a ciência, a OMS e o bom senso e retirar o país, de qualquer jeito, sem qualquer planejamento, do isolamento horizontal.

Claro está que o isolamento social estrito não poderá perdurar eternamente. Embora os estímulos contracíclicos à demanda possam e devam permanecer por muito tempo, a coisa não é tão simples de resolver pelo lado da oferta (produção), que sofre muito com lockdowns e o isolamento social horizontal.

Mesmo com isolamento estrito e extenso, há cadeias que precisam continuar a funcionar a contento, como a produção, distribuição e comercialização de alimentos, de medicamentos, de insumos hospitalares, de energia e combustíveis etc. Do mesmo modo, serviços essenciais precisam continuar a operar, como os de energia elétrica, de telecomunicações, de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, de coleta de lixo, de transporte (principalmente mercadorias) etc.

Ademais, cadeias produtivas e serviços não essenciais não podem permanecer totalmente paralisadas por muito tempo, pois isso imporia um custo inviável e poderia afetar também a produção de bens e serviços essenciais. A falta de produção de insumos agrícolas, por exemplo, poderia acabar afetando, em prazo mais longo, a produção de alimentos.

Um limite claro para o isolamento é dado pela ameaça do desabastecimento e pela carestia, que afetaria mais os setores pobres da população. Assim, em algum momento mais à frente, o país terá de começar a flexibilizar o isolamento e partir para outras fases do combate ao Covid-19.

Mas isso tem de ser feito de forma planejada e muito cautelosa, no momento adequado, seguindo as diretrizes da OMS e os embasados conselhos dos verdadeiros cientistas. “Doutor Bolsonaro” não conta.  Flexibilizar de qualquer forma, para ser obrigado depois a fechar tudo de novo, seria um desastre, tanto sanitário como econômico.

A experiência da gripe espanhola nos EUA demonstra que as cidades que se recuperaram mais rapidamente, do ponto de vista econômico foram justamente aquelas que agiram mais precocemente nas medidas de isolamento e prevenção.

Alguns países da Europa, como Áustria e Dinamarca, que estão numa fase diferente da epidemia que o Brasil, já tentam iniciar seus cautelosos processos de flexibilização. Esses países, graças ao isolamento, já entraram numa curva descendente de novos casos. O mesmo também começa a acontecer em alguns estados dos EUA, menos afetados pela pandemia.

Entretanto, tais processos causam compreensível temor e resistência. Na Dinamarca, por exemplo, as mães se insurgiram contra a abertura de escolas e iniciaram o movimento “Meu Filho Não Será Cobaia”. No estado da Georgia, EUA, os prefeitos se insurgiram contra a decisão do governador de acabar com o isolamento horizontal e continuam recomendando que a população permaneça em casa.

A questão essencial para se iniciar qualquer processo de flexibilização é a informação. Não se pode planejar nada sem informação fidedigna. Por isso, qualquer tentativa de flexibilização do isolamento social horizontal pressupõe, como condição sine qua non, uma ampla disponibilidade de testes rápidos para a detecção precoce de infectados. Sem isso, qualquer tentativa de flexibilização é um perigoso salto no escuro.

Há até países que conseguiram controlar sua epidemia do Covid-19, sem recorrer a lockdowns extensos, com base numa estratégia baseada em informação e ampla testagem.

É o caso da Coreia do Sul, que passou de quase um milhar de novos casos por dia, no início da epidemia, para menos de 50, atualmente.

A estratégia da Coreia do Sul baseia-se no seguinte tripé:

  1. Ampla testagem da população

  1. Rastreamento intenso e rápido de possíveis infectados, via tecnologia digital, de modo a eliminar as hotzones

  1. Imposição de quarentena para os infectados

A Coreia do Sul testou e testa mais de 10 vezes que a média dos países europeus e, como é uma sociedade hiperconectada pelas redes sociais, desenvolveu formas eficientes de rastreamento digital de possíveis infectados.

Mas isso não é tudo. A Coreia do Sul estava mais preparada para lidar com o Covid-19, pois tinha passado pela epidemia da MERS (Middle East Respiratory Syndrome), uma doença também causada por um tipo de coronavírus semelhante ao Covid-19, em 2015.

O surto coreano de MERS ocorreu devido à inexistência de testagem e informação. Os primeiros pacientes, vindos do Bahrein, onde supostamente não havia MERS, foram tratados como vítimas de gripe comum, o que acabou levando à morte de 36 pessoas.

A Coreia do Sul aprendeu a lição e agora testa massivamente. Até o final de fevereiro, a Coreia do Sul já havia testado quase 50 mil pessoas, ao passo que os EUA haviam testado apenas 426. Até 21 de abril, a Coreia do Sul já havia testado mais de 571 mil pessoas, numa população de aproximadamente 50 milhões de habitantes. Proporcionalmente, o Brasil teria de testar ao redor de 2,4 milhões de pessoas para chegar ao nível da Coreia do Sul. Além disso, a Coreia do Sul desenvolveu respiradores de custo barato (US$ 200,00), em 2016.

Outros fatores também explicam o sucesso da estratégia “flexibilizada” da Coreia do Sul.

O primeiro deles tange ao fato de que se trata de um país geograficamente pequeno (pouco menos de 100 mil quilômetros quadrados) e com hiperconectividade digital, o que facilita muito o rastreamento de novos infectados e a eliminação precoce de hotzones. A Coreia do Sul já desenvolveu aplicativos que permitem a conexão via bluetooth de celulares e que informarão aos usuários se eles interagiram com pessoas infectadas, nos últimos 14 dias.

O segundo diz respeito ao seu sistema de saúde. A Coreia do Sul tem 12,3 leitos de hospital para cada grupo de 1.000 habitantes, enquanto a média da OCDE é de 4,7. A Itália tem ao redor de 3 e o Brasil apenas 1,95. Na realidade, muitos países do mundo, mesmo os mais ricos, andaram sucateando seus sistemas de saúde, como o Reino Unido, por exemplo,  o que explica muito dos gargalos criados pelo Covid-19. Aparentemente, a Coreia do Sul não seguiu esse caminho. A China, outro exemplo de sucesso no combate ao Covid-19, fez o contrário: investiu muito em saúde.

A Coreia do Sul realiza 16,6 consultas médicas anuais per capita. A média da OCDE é de 6,8 consultas, o mesmo índice da Itália. Nos EUA, país onde a medicina é privada e muito cara, são apenas 4 consultas anuais per capita.

Trata-se, portanto, de uma realidade completamente diferente da realidade brasileira. Muito embora o Brasil ainda tenha o SUS, que o próprio Mandetta tencionava desconstruir, houve grande desinvestimento recente no sistema e o programa Mais Médicos, que levava assistência médica básica aos mais carentes, foi paralisado por motivos puramente ideológicos. Ademais, nosso país é continental, ainda pobre e com enormes desigualdades sociais e regionais.

Nessas condições estruturais e conjunturais (falta de testes, falta de informação, ausência de rastreamento etc.) flexibilizar precocemente e sem qualquer planejamento é crime de genocídio. Simples assim.

Contudo, como assinalamos, o Brasil precisará, mais à frente, fazer um planejamento sério e cauteloso da saída gradual e segura do isolamento horizontal.

A questão essencial é: quem fará isso?

Parece-me que o governo Bolsonaro não tem competência e vontade política de fazer a coisa certa, no momento certo.

Caberia, portanto, aos governadores, prefeitos e a outros poderes, como o Congresso Nacional, começar a desenvolver para o país alternativas racionais e viáveis à loucura genocida de Bolsonaro et caterva. Essa é uma missão histórica que cabe a todos os brasileiros responsáveis.

Uma primeira etapa desse processo poderia ser a elaboração de diretrizes e condições seguras para o início de qualquer flexibilização gradual do isolamento horizontal estrito, como:

  1. Haver ampla disponibilidade de testes e capacidade operacional de realizá-los.

  1. Ocorrer a implantação de um banco de dados fidedigno, transparente e auditável sobre a epidemia.

  • Existir mecanismo eficiente de rastreamento de possíveis infectados e de eliminação precoce de hotzones.

  1. O número de novos casos registrados, após amplas testagens, estar em nível baixo e descendente.

  1. Os hospitais estiverem com reservas seguras de equipamentos (respiradores, leitos de UTI, etc.) para o atendimento de novos casos.

  1. A decisão de flexibilizar ou não, e em que extensão fazê-lo, teria de caber, em última instância, aos governadores e prefeitos, face à realidade muito desigual do Brasil, e teria de estar baseada em dados cientificamente sólidos, respeitadas todas as diretrizes cautelares.

Além disso, o país tem de começar também a monitorar mais eficientemente todas as cadeias produtivas essenciais, de modo a evitar qualquer ameaça de desabastecimento, bem como reprimir remarcações abusivas de preços.

Nosso país tem cientistas preparados para fazer esse trabalho de desenvolver um planejamento seguro e racional para as novas fases do combate ao Covid-19. Eles só precisam de respeito, apoio e liberdade para trabalhar sem pressões eleitoreiras e ideológicas dos ignorantes de plantão.

O Brasil não pode continuar a depender de um governo central que já era um desastre em 2019 e que agora se transformou numa calamidade sociopática.

Precisamos salvar vidas. Precisamos salvar os empregos e a renda. Precisamos salvar a democracia. Precisamos salvar o Brasil dos vírus e dos abutres. Com ou sem impeachment.

 

 

 

 

 

 

 

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Exclusivo: autores das projeções explicam estudo que estima 1,2 milhão de infectados no RN até 15 de maio

Professor explica o que fundamenta as projeções (Foto: cedida)

O estudo do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) José Dias do Nascimento apresentado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) deixou a Internet em polvorosa. Tudo porque o trabalho estipulou que caso o quadro de medidas de controle ao novo coronavírus não sejam efetuadas até o dia 15 de maio o Estado pode atingir 1,2 milhão de infectados.

O trabalho foi elaborado pelo Laboratório de Inovação e Tecnologia da Saúde (LAIS) com ajuda do professor Wladmir Lyra da Universidade do Novo México (EUA) e do médico infectologista Ion de Andrade.

Com exclusividade ao Blog do Barreto, o professor José Dias do Nascimento, que também é pesquisador no Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, explica logo de cara que está existindo uma confusão em torno da interpretação dos números. “O relatório oficial, tabelas e gráficos na apresentação da Sesap, abriu margem para picaretas mal intencionados fazerem espuma com os número”, disparou.

O professor José Dias do Nascimento esclarece que a taxa global que se tem notícia desse vírus é de 50 a 70% da população no decorrer de um ano. Na pior das hipóteses 60% dos 3,5 milhões dos potiguares vai pegar covid-19. “Vamos ter aí 2 milhões de infectados em números fechados”, frisa.

Sobre a perspectiva de óbitos considerada exagerada por boa parte da mídia do Estado, o autor do estudo usa como base a média global. “A mortalidade global se você olhar levando em consideração lugares como China, EUA e Itália tem variação de 0,8% a 8,4% de fatalidade dependendo da idade e da região. Agora se você calcular 1,4%, que é a média global, partindo de 2 milhões vai dar 28 mil. É isso que pode acontecer no Rio Grande do Norte se medidas não forem tomadas”, declarou.

O professor, que tem dado entrevistas a sites nacionais como UOL e Tecmundo desde o início da pandemia, explica que as projeções se concretizam ou não ao sabor das medidas que vão sendo tomadas. “Se você estiver numa sociedade que estiver bem protegida esse número cai. Se deixar correr vai dar 500 mil mortos em um curto espaço de tempo”. Estima.

O professor José Dias estima que no dia da primeira morte por covid-19 no Rio Grande do Norte, dia 28 de março, quando tínhamos 44 casos confirmados oficialmente no Estado, que há um indicativo de que já teríamos 50 mil infectados. Esse é número típico para calculo de infectados a partir da data da primeira morte. “Seriam 49.966 subnotificadas”, frisa.

Ele afirma que se nada tivesse sido feito o número de óbitos seria bem maior hoje no Rio Grande do Norte. “Se não tivéssemos restrição social em vez de 11 óbitos teríamos 97 hoje e no dia 11 já seriam 200”, calcula.

Por fim, o professor reforça que o quadro poderia ser ainda pior em número de infectados sem as medidas. “Se o Governo e as prefeituras não tivessem feito nada teríamos 270 mil infectados no dia 11 de abril”, esclarece.

Para saber mais sobre o modelo elaborado pelo professor José Dias e colabores acesse os links (ver mais abaixo) da sala de situação que trazem informações sobre a evolução do covid-19 no Rio Grande do Norte.

Outro autor

Médico epidemiologista explica estudo (Foto: cedida)

O Blog do Barreto também ouviu o médico epidemiologista Ion de Andrade, coautor do estudo, que explicou que as críticas às projeções são um misto de medo e desconhecimento. “Isso não é como um tsunami ou terremoto. A epidemia tem alguma possibilidade de ser controlada dependendo do comportamento de todos. O problema não é a magnitude apontada pelo modelo que fala da possibilidade de milhares de óbitos. Para isso basta fazer um pouco de matemática. A gente pode acompanhar a situação da China, da Itália e Estados Unidos. Não se trata de uma abstração. Ontem tivemos no Brasil mais de cem mortos. O importante é que a situação seja percebida com a gravidade que ela tem. Isso é uma coisa que não está dentro da nossa memória histórica”, explica.

O médico acrescenta que o trabalho não é destino sobre o que vai acontecer mais a frente vai depender das medidas preventivas. “A fórmula matemática não é um destino, mas uma projeção. Se o comportamento mudar e as pessoas passarem a se cuidar melhor aquele cálculo pode ser bastante minimizado. O importante que as pessoas saibam para que isso não ocorra na magnitude que está prevista”, declarou.

Ele cita como exemplo de medidas para prevenir novos casos gira em torno dos cuidados com os idosos além das medidas já conhecidas como respeitar o isolamento social, a etiqueta respiratória, lavar as mãos com frequência e manter a distância das pessoas. “Todo esse ideário diminui a ocorrência do contágio. É importante proteger o idoso do contágio porque mesmo que existam óbitos em todas as faixas etárias eles estão concentrados nas faixas mais idosas e das pessoas com doenças crônicas. De 13 a 14% das pessoas são idosas e eles aparecem nos óbitos com uma participação de a 80 a 90% a depender da série. É preciso fazer com ele use a máscara e cumpra os protocolos”, declarou.

Saiba mais:

https://covid.lais.ufrn.br/#pacientes

http://astro.dfte.ufrn.br/html/Cliente/COVID19.php 

Nota do Blog: esta página também pediu a um estatístico a análise dos números. Assim que o trabalho for concluído faremos a publicação.

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Professora do RN cria protótipo em 3D para explicar como novo Coronavírus age no corpo humano

Protótipo do agente infeccioso foi criado em uma impressora 3D (Foto: cedida)

Antes do dia 31 de dezembro de 2019, provavelmente, muita gente nunca tinha ouvido falar sobre o Coronavírus. Esse agente infeccioso foi isolado pela primeira vez em 1937 e a maioria das pessoas se infecta com tipos comuns do vírus ao longo da vida. Porém, uma nova variação começou a aparecer na China. Entender o que é esse novo Coronavírus e como ele age é uma forma de incentivar as pessoas a se protegerem da doença respiratória causada por ele, a Covid-19.

A professora Juliana Ribeiro, bióloga da Escola Robô Ciência de Natal, explica que, assim como todos os outros vírus, o novo Coronavírus é um parasita intracelular obrigatório, ou seja, ele precisa infectar uma célula para desenvolver o seu metabolismo. Para facilitar a compreensão, um protótipo do agente infeccioso foi criado em uma impressora 3D. O processo durou cerca de 6 horas.

“O vírus tem uma camada lipídica, de gordura, e várias espículas, que são aglomerados de proteínas com lipídios, que vão servir para a aderência na célula, para causar a infecção. Isso ocorre quando o material genético do vírus entra na nossa célula. Assim, ele se desenvolve”, explica a professora.

Segundo Juliana Ribeiro, da mesma forma que o vírus da gripe, esse novo tipo de Coronavírus deve ter sofrido mutações genéticas, o que elevou o seu grau de infecção. “O vírus atinge, principalmente, pessoas que estão nos grupos de risco, que são os idosos que já tem outras comorbidades, como o diabetes e problemas cardíacos. Vinte por cento das pessoas que estão com essa infecção vão precisar de internação hospitalar e há um grande risco de sobrecarga no sistema de saúde. Por isso, é extremamente necessário fazer a prevenção”, alerta.

Estudos indicam que o novo Coronavírus pode resistir no ar entre 3 e 4 horas; no papel e no papelão, a resistência é de cerca de 24 horas; no plástico e em superfícies de aço inoxidável, pode durar até 3 dias. Logo, é fundamental adotar as medidas de proteção. A melhor forma de fazer isso é lavando bem as mãos com água e sabão. Outra maneira é o uso do álcool gel 70%.

“O álcool, que é polar, tem dois carbonos na sua estrutura molecular com a característica apolar. Esse envelopamento de lipídios que tem no vírus também é apolar. Quando esse carbono interage com esse envelopamento, ele começa a romper essa membrana. Essa camada vai soltando e vai fazendo isso com todo o vírus para dificultar a transmissão do código genético”, explicou o professor de física e diretor da Escola Robô Ciência, Alexandre Amaral.

Além de higienizar bem as mãos, é necessário também evitar o contato físico e aglomerações, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando espirrar ou tossir e jogá-lo no lixo, manter os ambientes bem ventilados e não compartilhar objetos pessoais.

Fonte: SKA Comunicação.

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Paciente faz cálculos matemáticos enquanto passa por cirurgia no cérebro em Natal

Procedimento foi realizado em Natal (Foto: cedida)

Na semana passada, enquanto o mundo falava sobre a paciente inglesa que foi submetida a uma cirurgia no cérebro, no qual os médicos optaram por mantê-la acordada e ainda pediram para que ela tocasse um violino durante a intervenção, em Natal-RN também aconteceu algo parecido. A diferença foi que, ao invés de tocar algum instrumento musical, a paciente potiguar fez cálculos matemáticos durante o procedimento.

Uma equipe de neurocirurgiões potiguares fez uma cirurgia parecida para retirada de um tumor no cérebro de uma mulher formada em matemática. Durante a cirurgia, a paciente de 37 anos de idade se manteve acordada, fazendo cálculos complexos de maneira que a equipe pudesse avaliar sua fala e seu raciocínio, minimizando o risco de déficits.

Localizado no lobo frontal esquerdo, o tumor estava próximo de áreas cerebrais da linguagem e da cognição. Essa região é crucial para quem utiliza a fala e o raciocínio lógico e, em alguns pontos, o tumor estava tão perto que qualquer erro poderia comprometer o funcionamento.

Os médicos conseguiram remover 100% do tumor sem afetar nenhuma área do cérebro. Recuperada da cirurgia, ela já recebeu alta e está em casa com sua família. Antes do procedimento, a equipe de especialistas mapeou todo o cérebro da paciente para descobrir quais eram as áreas ativadas quando ela falava e fazia cálculos.

“A ‘awake craniotomy’ é um recurso cirúrgico utilizado em pacientes que possuem lesões cerebrais, como os tumores e displasias, próximas a área da linguagem. Com esse método, conseguimos minimizar possíveis déficits, pois o paciente interage conosco durante o procedimento”, explica Dr. Thiago Rocha.

Estavam na equipe, os neurocirurgiões Dr. Thiago Rocha, Marcos Moscatelli e Erton César, além do anestesista Wallace Andrino e o neurofisiologista Luiz Paulo.

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Deputado do RN questiona ministro: “o Brasil vive um apagão científico”

Deputado alerta ministro para apagão científico (Foto: Christiano Brito)

O deputado federal Rafael Motta (PSB/RN) criticou os cortes de recursos dos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, durante audiência pública com o ministro Marcos Pontes realizada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 08. Na última semana, o governo federal anunciou o corte de 30% dos recursos para as universidades e institutos federais do país e, em abril, o contingenciamento de 42,2% dos recursos do MCTIC.

Juntos, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal do Semiárido (Ufersa) perderão cerca de R$ 70 milhões, o que coloca em risco o funcionamento dessas entidades. Rafael Motta questionou o ministro se o Brasil “vive um apagão científico”.

 “Eu fico muito feliz com seu otimismo, ministro. Sou um admirador do seu trabalho, mas a sua boa intenção está parando na porta do Palácio do Planalto ou do Ministério da Economia. Os gráficos em curva descendente mostram que a produção científica no nosso país não é prioridade”, afirmou o deputado.

Rafael Motta questionou se as bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) continuarão a ser pagas e o ministro admitiu que, apesar de resguardadas do corte, já estavam em déficit e só tem recursos até setembro deste ano. Sem reajuste desde 2013, os 76 mil pesquisadores recebem auxílio de R$ 1,5 mil para mestrado e R$ 2,2 mil para doutorado.

“São vidas. Os nossos bolsistas fazem um planejamento de vida, se dedicam à ciência para mudar não só as suas vidas, mas de toda a sociedade brasileira. Eu espero que não haja prejuízo nessa área”, defendeu o parlamentar.

O deputado potiguar também questionou como o MCTIC pretende modificar as assimetrias nos investimentos em ciência e tecnologia e como o Brasil quer se reposicionar no mundo em relação ao setor. O ministro Marcos Pontes citou os investimentos em dessalinização da água e o Programa Nordeste Conectado, de ampliação do acesso à internet.

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Oligarquia milionária parece querer um Brasil de analfabetos, diz cientista

Vanderlan Bolzani é pesquisadora

Gabriela Fujita

Do UOL

Olhando para os caminhos já percorridos pela professora Vanderlan Bolzani, 68, é possível compreender que ela levou ao pé da letra a orientação dada por seu pai desde a infância. “Meu pai sempre falou: ‘Meus filhos não são filhos não são filhos de coronéis, então têm de ser letrados’. Ele era quase semianalfabeto, mas de uma inteligência brilhante. E isso vale para a nossa sociedade de hoje”, afirma.

Pesquisadora do Instituto de Química da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e vice-presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), ela falou à reportagem do UOL sobre a queda de investimentos públicos na área de ciência e tecnologia, os desafios para o próximo presidente eleito e o que a levou a

“fugir” das bonecas para se aventurar, criança, em outras brincadeiras.

De acordo com a SBPC, o orçamento para Ciência e Tecnologia teve um corte drástico em 2018, em comparação aos anos anteriores: começou o ano 25% menor em relação a 2017 e ainda encolheu mais 10% nos primeiros meses do ano, chegando ao valor de R$ 4 bilhões. Em 2013, os recursos para esta área somavam R$ 8,4 bilhões. Em agosto, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) anunciou que poderá haver corte de 200 mil bolsas de estudo em 2019, caso o governo federal mantenha como está a proposta de orçamento para a entidade

Confira, a seguir, os principais trechos da conversa com a cientista.

UOL – A senhora afirma que está no caminho errado um país que acha que ciência é custo. Pode comentar?

Vanderlan Bolzani – Num mundo onde se trocam músculos por cérebros, temos no conhecimento a ferramenta mais preciosa para o desenvolvimento econômico e a melhoria social. Isso é o que acontece nas nações desenvolvidas. Percebendo que conhecimento gera riqueza, quanto mais se investe, maior a possibilidade de gerar produtos de alto valor agregado, de ser competitivo.

O Brasil começa a ter o seu sistema de educação, pesquisa e tecnologia organizado com a criação da Capes e do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), nos anos 1950. E quando começa a organização das indústrias e daquilo que gera riqueza no país? Na época Getúlio Vargas, quando foram criadas as primeiras metalúrgicas no Sudeste, algumas

[empresas] agrícolas e a Petrobras.

 Em fontes renováveis de energia, nós somos um país respeitado no mundo; em alguns problemas de endemias também, como o caso zika, por exemplo. Nós temos uma ciência que evoluiu com o trabalho de muitos cientistas e de muitos políticos que acreditavam que só se constitui uma nação robusta com ciência e tecnologia.

Em 2012, chegamos a quase R$ 9 bilhões para o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Isso vem caindo e chega a 2018 em torno de R$ 3,2 bilhões. E agora você não tem mais o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Temos um ministério que tem outra pasta no meio, chamada de Comunicação. São dois ministérios, e a verba enxugou de forma drástica. É muito triste ver que o país tem uma vertente forte que manda no destino da nação que acha que educação, ciência e tecnologia é custo, não é investimento.

No começo de agosto, a Capes informou, em nota pública, que 200 mil bolsas de estudo podem ser suspensas a partir de 2019, caso o governo federal mantenha a proposta orçamentária sugerida à entidade para o ano que vem. Como a senhora recebeu este comunicado?

 

Eu fiquei muito assustada. É um momento em que os reitores das estaduais e das federais deveriam se manifestar. A pós-graduação fez um diferencial enorme para as universidades públicas federais e estaduais, que é onde se realiza a pesquisa de qualidade neste país. Quando o presidente da Capes faz um manifesto falando que no próximo ano não haverá bolsas, e o presidente [da República rebate] falando que vai ter bolsas, só que no próximo ano este presidente não está mais aí. E quem define a política econômica, o Ministério da Fazenda, não tem compromisso com aquilo que dá riqueza a um país, que é a sua educação sólida em todos os níveis, ciência e tecnologia.

A impressão que dá é que aqui [no Brasil] tem uma oligarquia pequena de milionários querendo um país de analfabetos absolutos e escravos e que trabalhem como mão de obra barata. Que sejam massas de manobra, porque um povo que não é educado é massa de manobra para político. Você só estuda com bolsa, a não ser que seja filho desses milionários aí, de coronéis.

E quem define a política econômica, o Ministério da Fazenda, não tem compromisso com aquilo que dá riqueza a um país, que é a sua educação sólida em todos os níveis, ciência e tecnologia.

O que a senhora sugeriria para o próximo presidente da República?

O próximo presidente do Brasil deveria ser compromissado e tentar, junto com pessoas dignas e honestas, que não desviam dinheiro público, fazer uma agenda de prioridade de educação, ciência, tecnologia, inovação e segurança para o Estado brasileiro. Precisamos de um programa mínimo do Estado brasileiro. Seja o governo A ou o governo B, não importa. Porque cada governo faz suas agendas, promete mundos e fundos, e o próximo [governo] é capaz de destruir o que o anterior fez para mostrar que pode ser “melhor”. Isso é escoamento de dinheiro público. Governar um país como o Brasil não é uma tarefa simples. É um país continental, regional, com muitas diferenças. Chegamos a um nível de desenvolvimento que nós não merecemos retroceder.

Somos o maior exportador de soja do mundo (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/brasil-assume-lideranca-mundialna-producao-de-soja-segundo-eua.shtml). Para produzir a soja que o Brasil tem hoje, se fez muito investimento em ciência e tecnologia. Fixação de nitrogênio [que interfere na produtividade] é uma coisa fascinante. Houve uma quantidade de trabalhos [científicos] gerados. São produzidas toneladas de soja, mas veja quantos chips de computador são comprados. A balança econômica não fecha. E aí, para fazer superávit primário, começa-se a congelar aquilo que tem de mais precioso no país, que é a sua educação, a sua segurança e a sua ciência e tecnologia. Banco não traz riqueza para o país, banco guarda a riqueza que é produzida. Na hora em que você não tem mais uma indústria robusta de alta tecnologia e você tem uma sociedade com salários baixos –que é isso o que gera uma sociedade que não tem uma industrialização baseada em alta tecnologia, a circulação de renda de pessoal altamente capacitado–, você tem uma estratégia que nós estamos vivendo agora. Há uma minoria que gasta muito, mas isso não é suficiente, somente para essa minoria.

O [atual] presidente da República congelou por 20 anos os investimentos. A justificativa é que o país está descapitalizado e não tem dinheiro. Quando você congela por 20 anos prioridades em uma nação, como saúde, educação, segurança, é uma coisa estapafúrdia e não dá para acreditar. Se isso acontecesse num país onde as pessoas tivessem noção, com certeza toda a sociedade estaria reivindicando. Nós somos ainda muito ignorantes. E uma crítica grande é que a ascensão econômica não levou a uma ascensão de escola, de entendimento. É o que eu chamo de analfabetos funcionais. Isso é grave para o país.

O [atual] presidente da República congelou por 20 anos os investimentos. A justificativa é que o país está descapitalizado e não tem dinheiro. Quando você congela por 20 anos prioridades em uma nação, como saúde, educação, segurança, é uma coisa estapafúrdia e não dá para acreditar.

Como evitar que um governo desfaça o que anterior fez de bom?

Tem muitos fatores envolvidos. Uma sociedade minimamente instruída vota melhor. É extremamente importante que você tenha os representantes do povo com um olhar de não legislar para seus interesses pessoais, mas para uma comunidade maior. Uma política que olhe para o seu desenvolvimento industrial baseado em tecnologia. Não adianta ter investido tanto em ciência para ter uma soja altamente produtiva, se toneladas de soja valem alguns produtos como chips de computadores, quando a gente faz essa balança econômica. Vamos estar sempre devendo. O grão é muito importante, vamos continuar exportando, mas por que não tem alguma indústria para fazer isoflavona* de soja? E aí não é só exportar soja, mas exportar o produto manufaturado, molécula de alto valor agregado. (* Isoflavona é uma substância encontrada em alta quantidade na soja e que ajuda, por exemplo, no controle de colesterol e doenças coronárias. Por ter estrutura semelhante à do hormônio feminino estrogênio, pode ser aplicada em tratamentos para amenizar os efeitos da menopausa.)

A Amazônia é um exemplo fantástico. Nós detemos a maior biodiversidade do planeta. Aquilo é uma fonte de inspiração para produtos de alto valor agregado para a indústria farmacêutica, indústria de cosméticos, agroquímicos, fragrâncias e aí por diante, não para ficar só extraindo. Tem que ter um laboratório para você fazer pesquisa e dali tirar produtos de alto valor agregado, como fazem os países desenvolvidos.

Por que isso não acontece no Brasil?

É uma questão política mesmo.

Fazer ciência é a coisa mais fascinante para uma mulher. Nós temos algumas características que propiciam que sejamos muito boas cientistas: poder de observação, poder de se concentrar e de se organizar.

Qual é uma dica sua para as mulheres que querem ser cientistas?

 

Eu era muito levada [na infância]. Minha mãe, uma portuguesa conservadora, queria que eu brincasse de boneca, que coisa mais sem graça. Eu ia para o portão de casa e via os meninos jogando bolinha de gude, jogando pião, ficava fascinada. Eu escapava, fugia, ia brincar com os meninos. Quando ela via, ela me puxava pela orelha: “Menina não pode brincar com menino!”. Por mais que a gente esteja avançando, as brincadeiras dos meninos são mais de desenvolvimento cerebral, de associação lógica, do que as das meninas. Eu insisti para brincar com os meninos numa inocência, porque eu gostava de ver [as brincadeiras], sempre fui muito curiosa.

Fazer ciência é a coisa mais fascinante para uma mulher. Nós temos algumas características que propiciam que sejamos muito boas cientistas: poder de observação, poder de se concentrar e de se organizar. Se você faz e gosta, tudo o que se faz com paixão se faz bem, só depende de você, do seu intelecto. O que é diferente do que as pessoas associam hoje a “poder” de cargo, para ser reitor, diretor, presidente, governador… Aí já começa um outro tipo de competição, que pode envolver o conhecimento. E aí, devido ao processo histórico, os homens são mais competitivos que as mulheres.

Isso não significa que você não é uma boa mãe, eu adoro meus filhos, sou uma mãe daquelas leoas, meus netinhos são apaixonados pela avó, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. A gente tem que pensar nas crianças também. Penso que é muito importante que se prepare esse futuro, essa geração, para se fixar no país, que tem uma riqueza. O que se projeta para essas crianças com esse ambiente de pessoas que não têm juízo, um país esquizofrênico? As pessoas olham uma para a outra com cara de ódio, em vez de construir.

 

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