Ciro pede votos para quem certamente atrapalharia um eventual governo dele

O candidato a presidente da República Ciro Gomes (PDT) fez um discurso inflamado em João Câmara no último sábado. Além da desconstrução estrategicamente correta da senadora Fátima Bezerra (PT), ele entrou numa profunda contradição.

Ao final do discurso ele pediu votos para José Agripino (DEM) cujo candidato a presidente é Geraldo Alckmin (PSDB). Pior: Agripino certamente se oporia à boa parte das propostas de Ciro como revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos.

Ciro fez campanha para um adversário e fez uma crítica honesta a Fátima Bezerra ao explorar a falta de experiência dela em cargos executivos.

Confira o vídeo

Compartilhe:

Bolsonaro nunca chamará alguém de capitão do mato

cms-image-000540507

Na polêmica que marcou a semana, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) foi acusado de injúria racial por setores da direita por comparar o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) a um capitão mato (para saber mais sobre o contexto histórico do termo leia AQUI).

Deixando de lado a imprudência da verborragia de Ciro Gomes, a pergunta levantada por setores da direita nas redes sociais foi: “e se fosse Bolsonaro?”.

A pergunta, creio eu, é apenas uma mera provocação militante. Afinal de contas Bolsonaro é tão capitão do mato quanto Holiday e isso vale para o contexto histórico. Sim, brancos também faziam o trabalho de recaptura de escravos que fugiam. Mas esse é outro debate.

O capitão do mato “moderno” cumpre o papel de estabelecer como “vitimismo” qualquer argumento que justifiquem ações afirmativas em favor dos negros no Brasil.

Bolsonaro nunca vai considerar Holiday como um capitão do mato. Ambos estão do mesmo lado por reproduzirem o discurso opressor que finge que termos apenas 13% de negros nas universidades não tem nada a ver com a herança histórica da escravidão. Para eles, basta que um negro ou pobre se esforce para chegar ao ensino superior como se os caminhos fossem exatamente os mesmo de um branco de classe média.

O tal do “vitimismo” é uma muleta retórica que é usada para dizer que o Estado não tem nenhum compromisso em evitar que 71% dos homicídios no Brasil sejam praticados contra jovens negros. Temos em nosso país um verdadeiro genocídio de negros pobres e esse realmente é o assunto que deveria importar nos debates sobre política. Não vai ser com o esforço individual das raríssimas exceções que vamos acabar com esse problema. É com intervenção do Estado. Os EUA, berço do liberalismo de verdade, fez isso no Século XX. Mas parece que tem gente querendo copiar a parte ruim da questão racial estadunidense.

Bolsonaro já deu mostras do que é capaz de dizer quando o assunto envolve a inclusão e o respeito aos negros. Abaixo um vídeo do programa CQC da Band exibido em 2011.

Vejam, não vou nem entrar na mensagem subliminar que aborda a primeira resposta. Mas veja a segunda onde ele deixa claro que se um filho dele casasse com uma negra seria “promiscuidade” e que eles foram “bem-educados” para evitar que isso aconteça.

Uma das justificativas usadas para escravizar negros era de que eles não possuíam “alma” e a comparação deles com animais. Veja abaixo a comparação tosca que Bolsonaro faz entre quilombolas a animais medindo peso deles por arroubas. Ele reproduz o discurso do “negro preguiçoso” que foi usado lá atrás para justificar a substituir a mão-de-obra escrava pela do imigrante europeu logo após a abolição. Se o negro fosse incluído no mercado de trabalho após a assinatura da lei áurea teríamos hoje um país muito menos desigual. Mas os ex-escravos foram marginalizados e os seus postos ocupados por italianos e alemães. Isso matou uma classe média insipiente que estava sendo formada nos centros urbanos mesmo na época da escravidão pelos alforriados que ocupavam postos importantes na administração pública. Não por acaso, 20 anos após a o fim da escravidão tivemos nosso primeiro e único presidente negro, Nilo Peçanha.

Abaixo o vídeo

Não. Realmente Bolsonaro nunca vai chamar alguém de capitão do mato porque, repito, ele personifica a imagem de um dos nossos vilões históricos ao reproduzir o discurso que desqualifica a luta por igualdade racial no Brasil. Capitão do mato é um termo usado para enquadrar negros que lutam contra a própria causa, mas também serve para brancos que reproduzem o tal do argumento do “vitimismo”.

Um negro tem direito de não concordar com as pautas do movimento negro, mas causa estranheza quando ele adota o discurso do opressor. Logo um racista dirá “veja ele é negro e concorda comigo”. Isso vira argumento de autoridade para essa gente abjeta (os racistas). É a mesma coisa no sentido inverso, quando um branco se solidariza com a causa negra no Brasil e se irmana no combate ao preconceito racial ele dá mais força simbólica a uma causa justa.

Compartilhe:

Maioria dos leitores rejeitam hipótese de injúria racial para crítica de Ciro a Holiday

Para 83,65% dos leitores do Blog do Barreto o presidenciável Ciro Gomes (PDT) não praticou injúria racial ao chamar de “capitãozinho do mato” o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM).

O entendimento da maioria levou em consideração a simbologia histórica do capitão do mato e o comportamento político de Holiday que sempre classificou a causa negra no Brasil como “vitimismo” e sugeriu acabar com o Dia da Consciência Negra. “Para quem combate vitimismo, deve ser… Mas, vamos ler um livro de História para entender melhor”, disse Eriberto Monteiro.

Para outros 16,35% dos leitores que participaram na enquete, Ciro praticou injúria racial. Os argumentos passaram também por ataques ao editor do Blog. “Quem fez a enquete é branco, hétero, classe média alta e privilegiado. Você nem sabe o que é preconceito racial, Bruno Barreto. Só vejo brancos alegando que não foi injúria racial!”, disse Ewerton Medeiros.

Na próxima terça-feira o Blog do Barreto lançará uma nova enquete. Entre no grupo de nossa página no Facebook e participe.

Compartilhe:

Blog do Barreto pergunta: ao chamar o vereador paulistano Fernando Holiday de capitãozinho do mato, o presidenciável Ciro Gomes praticou injúria racial?

O tema é polêmico. Mas é o assunto político da semana e o Blog do Barreto chama os leitores a opinar sobre a polêmica envolvendo o presidenciável Ciro Gomes (PDT) e o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM).

Então no grupo desta página a enquete da semana é: ao chamar o vereador paulistano Fernando Holiday de capitãozinho do mato, o presidenciável Ciro Gomes praticou injúria racial?

Entre no grupo e opine AQUI.

Veja AQUI a nossa opinião sobre o assunto.

Veja AQUI uma opinião divergente da nossa.

Assista AQUI a declaração de Ciro sobre Holiday.

Compartilhe:

O racismo de Ciro Gomes e a hipocrisia da esquerda

Ciro-Gomes-PDT

Por Rodrigo Constantino

Ciro Gomes é incorrigível. Como se brinca no futebol, esse daí nem é preciso marcar, pois a natureza o faz. É só dar corda que o bicho se enforca, tal como uma moreia fisgada no anzol. É colocar um microfone à sua frente e deixa-lo falar à vontade que logo, no meio de sua verborragia com afetação pseudo-acadêmica e os vários números chutados, virá algum impropério fatal.

Dessa vez o pré-candidato deixou transparecer todo seu racismo numa entrevista na rádio Jovem Pan. Sem que alguém tivesse mencionado o nome do rapaz, Ciro puxou da cartola o vereador do DEM Fernando Holiday, ligado ao MBL, para acusa-lo de “negro capitãozinho do mato”. Não há “contexto” que justifique tal injúria racial.

Ciro é mestre em mentir, em negar o que disse ou tentar inventar um pretexto, mas dessa vez ficou claro demais: foi puro racismo mesmo. Aquele que adota postura de coronelzinho nordestino, que queria sequestrar Lula para protege-lo da Justiça, que receberia o juiz Sergio Moro “à bala”, pensa que negros não podem ser liberais, pois isso seria agir como um “capitãozinho do mato”, um traidor da raça. Negro só se for de esquerda, como ele, Ciro.

Essa mentalidade, infelizmente, é muito comum na esquerda, e vem desde o marxismo. O proletário só servia se fosse socialista, caso contrário era um traidor, um instrumento de exploração do burguês, por meio da alienação ou compra. Da mesma forma, o negro não existe como gente, como indivíduo, para um típico esquerdista. É somente uma parte do “coletivo”, e só presta se endossar as bandeiras da própria esquerda.

Que alguém seja julgado só pela cor da pele em pleno século XXI é algo realmente nefasto. E é justamente o que faz a esquerda das políticas de identidade. Foram os blogs podres ligados ao PT que atacaram Joaquim Barbosa com base em sua cor, não liberais. A esquerda usa os negros como mascotes, contanto que sejam capachos, obedientes, e se prestem ao papel determinado pelas elites brancas esquerdistas.

A prova dessa hipocrisia de quem fala em nome das minorias e costuma atacar a direita pelo suposto racismo está no silêncio constrangedor e ensurdecedor das lideranças esquerdistas e dos movimentos raciais. Não saíram em defesa do jovem Holiday, e tampouco partiram para o ataque contra Ciro. Só querem “lacrar” nas redes sociais quando o alvo é de direita, demonstrando que não ligam a mínima para as pessoas de carne e osso, para os negros de fato. É asqueroso!

E que conste a indecência do próprio DEM, que também optou por fazer vista grossa ao ataque racista e gratuito de Ciro, sem sair em defesa de seu vereador. O partido de Rodrigo Maia, afinal, tem mantido conversas com o pedetista escolhido pelo Partido Comunista Chinês como melhor candidato, o que já diz muito sobre ele. O DEM, assim, comprova uma vez mais ser um partido fisiológico e sem princípios, muito menos liberais.

O vereador ligado ao MBL já avisou que vai reagir pelas vias judiciais. Está certo e em seu direito. O problema é que nosso sistema judiciário também parece ter uma seletividade imensa quando se trata de julgar falas racistas: se o político for associado à direita, o estardalhaço é grande, mas quando se trata de um esquerdista radical feito Ciro, ou então Lula, aí há uma enorme boa vontade em se compreender o “contexto”.

Eis o que sobrou para a esquerda nessa eleição: apoiar um machista, racista e autoritário, além de destemperado. E a esquerda ainda tem a pecha de tentar monopolizar a defesa das minorias. Seria cômico, não fosse trágico…

Compartilhe:

Ciro é racista ou nós é que não conhecemos nossa história?

quem-foi-o-capitao-do-mato
Capitão do Mato, o oprimido que impunha opressão

O pré-candidato a presidente da República Ciro Gomes (PDT) é racista? Não sei dizer. Já o entrevistei em duas oportunidades, mas não tenho qualquer contato com ele para cravar que sim ou não.

Mas comparar o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) a um capitão do mato é um gesto racista? Não. Quem vê racismo nisso é um racista ou não conhece os livros de história.

Então vos apresento o capitão do mato: era o funcionário das fazendas responsável pelas capturas dos escravos “fujões”. Muitos capitães do mato eram negros e por isso são sempre considerados traidores da causa de libertação dos escravos.

Por que existiam capitães do mato? Porque os militares se recusavam a cumprir a tarefa subalterna de correr atrás de escravos que fugiam em ato de resistência. O capitão do mato recebia recompensas por escravos “recuperados”.

Daí a inevitável comparação de negros que traem a causa negra com capitães do mato, repito.

Fernando Holiday é um traidor da causa negra? Diria que sim. Ele é contra as cotas raciais, reproduz o discurso da elite branca do “vitimismo negro”, ataca o movimento negro com frequência e nega a dívida histórica que o Brasil tem com os descendentes dos escravos.

Holiday é autor de um projeto de lei que acaba com a celebração do Dia da Consciência Negra que é feriado no dia 20 de novembro em São Paulo e em várias cidades brasileiras.

Fernando Holiday propôs acabar com as cotas raciais em concursos em São Paulo. Veja o que ele disse sobre o assunto:

“Nós negros e pobres podemos sim vencer na vida através do mérito, não precisamos ficar como vermes, como verdadeiras parasitas atrás do estado, querendo corroer cada vez mais e mais, com esse discurso de merda, com esse discurso lixo. Vocês fazem dos negros verdadeiros porcos no chiqueiro, que ficam fuçando a lama através do resto que o estado tem a nos oferecer. Pobres da periferia, negros da periferia, não se submetam a esse discurso”.

Não corrigir distorções históricas contra negros e pobres favorece brancos ricos e de classe média. O caminho do sucesso profissional para negros e pobres é muito mais tortuoso se ele não nascer com talento para música ou artes.

Não concorda?

Então vamos a frieza dos números. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 53,6% dos brasileiros se declaram negros ou pardos. Conforme o mesmo IBGE apenas 12,8% dos estudantes universitários são negros ou pardos.

Não precisa ser gênio para saber que isso é fruto de uma herança maldita de nosso passado deixada para os negros e não da incapacidade deles em conseguir alçar voos mais altos. Mecanismos como cotas (sou a favor de cotas sociais que beneficia em sua maioria os negros) servem para corrigir distorções e não fazer dos negros vermes, parasitas ou porcos chafurdando no chiqueiro como afirma Holiday. Palavras que distorcem o papel do Estado numa sociedade tão desigual como a nossa.

Por sinal, essas palavras do vereador do DEM, partido historicamente sem qualquer identificação com a causa negra, são muito mais próximas do racismo do que as declarações de Ciro.

Holiday alega que um negro pode vencer na vida pelo próprio esforço. É assim? Os números mostram que não. A desvantagem entre um negro um branco no Brasil começa na própria gestação. O caminho da infância a vida profissional para um negro tem muito mais percalços e criar mecanismos para que essa desigualdade diminua é legítimo.

Recorro ao IBGE mais uma vez: os negros são apenas 17,4% da faixa mais rica de nossa população.

Quando um negro como Holiday reproduz um discurso que não sugere mecanismo de inclusão social para os negros ele legitima um argumento que interessa a setores da elite branca que deseja perpetuar nossas injustiças históricas. Logo ele porta-se como um capitão do mato que tolhia a rebeldia dos negros que lutavam por liberdade.

Comparar Holiday a um capitão do mato nem de longe é um ato racismo. Ele se encaixa perfeitamente no perfil de quem traiu a causa negra como os capitães do mato no faziam no passado.

Diferentemente de Holiday, Ciro reproduz em todas as entrevistas a necessidade de se criar mecanismos de inclusão social. Ele repete como um mantra os dados do Atlas da Violência que aponta que a cada 100 homicídios no Brasil 71% das vítimas são negras.

Dizer que é racismo chamar de capitão do mato alguém como Holiday só reproduz mais racismo.

A BURRICE DE CIRO

Tão eloquente quanto loquaz, Ciro cometeu uma burrice ao comparar Holiday a um capitão do mato. Primeiro porque a maioria dos apoiadores do MBL, movimento cujo vereador paulistano é um dos líderes, não se dão muito bem com os livros de história. Segundo porque ele trouxe ao centro das atenções uma turma que estava em baixa na Internet nos últimos dias.

O MBL sempre soube jogar com maestria com a ignorância de setores da parcela conservadora da sociedade. Como a maioria das pessoas não sabem quem danado foi esse tal de capitão do mato nem conhece as ideias de Holiday vão compartilhar as palavras de Ciro no contexto imposto pelo fascistinhas travestidos de liberais.

O presidenciável abriu margem na entrevista a Jovem Pam para que interpretações distorcidas se propagassem na Internet.

Ciro tropeçou nas mesmo estando coberto de razão.

Compartilhe:

Carlos Eduardo ignora Mossoró. Mossoró ignora Carlos Eduardo

Carlos Eduardo esteve pela última vez em Mossoró como mero expectador da palestra de Ciro Gomes
Carlos Eduardo esteve pela última vez em Mossoró como mero expectador da palestra de Ciro Gomes

Pré-candidato a governador há dois meses, o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) ainda não colocou os pés em Mossoró este ano. O pedetista esteve discretamente pela última vez na segunda maior cidade do Rio Grande do Norte em novembro do ano passado quando acompanhou a agenda do presidenciável Ciro Gomes.

Carlos Eduardo ainda fez uma visita a prefeita Rosalba Ciarlini. Ele fez questão de registrar nas redes sociais. Ela não.

Dos pré-candidatos colocados até aqui, o pedetista é o caso mais emblemático de desinteresse pelo eleitorado mossoroense. Até aqui o único elo entre ele e Mossoró é o desejo de ter o apoio da prefeita Rosalba Ciarlini (PP), incluindo a indicação de um vice made in Palácio da Resistência.

Não há registro sequer de contatos de Carlos Eduardo com os ex-vereadores Genivan Vale e Tomaz Neto, estrelas de seu partido em Mossoró.

Se Carlos Eduardo ignora Mossoró, a resposta da cidade também é com indiferença. Ele não consegue juntar dois dígitos nas pesquisas realizadas na cidade nem existe qualquer movimento político na cidade no sentido de lhe dar alguma sustentação no pleito vindouro.

O ex-prefeito de Natal não tem previsão de agenda em Mossoró conforme informou a assessoria de imprensa dele. Nem mesmo o contato popular no “Pingo” atraiu o homem.

Então fica assim: Carlos Eduardo ignora Mossoró. Mossoró ignora Carlos Eduardo. Nesse dito pelo não dito quem perde é o pré-candidato.

Compartilhe:

Chave de 2018 está na cadeia, indica Datafolha

Por Josias de Souza

A nova pesquisa do Datafolha sinaliza que a definição do primeiro turno da sucessão de 2018 passará pela cadeia. Os dados indicam que, se abandonar suas crendices e começar a falar sério, o PT ainda pode influir no jogo. Quase metade do eleitorado (46%) revela alguma propensão para votar num nome indicado por Lula —30% afirmam que farão isso com certeza. Outros 16% declaram que talvez sigam o caminho apontado pelo pajé petista.

Para ter o que comemorar em meio à desgraça, o PT precisaria virar o seu discurso do avesso. De saída, teria de aposentar a mistificação segundo a qual a Justiça brasileira é feita de tribunais de exceção, pois a maioria dos eleitores (54%) acha que o encarceramento de Lula foi justo. De resto, o petismo teria de desembarcar o quanto antes do trem-fantasma em que se converteu a candidatura Lula, pois 62% do eleitorado já se deu conta de que a fantasia descarrilou.

Enquanto o petismo nega a realidade, o eleitorado de Lula começa a migrar por conta própria. Num cenário em que aparece como Plano B do PT, Fernando Haddad herda apenas 3% das intenções de voto atribuídas a Lula. É coisa mixuruca se comparada com as fatias herdadas por Marina Silva (20%) e Ciro Gomes (15%). Até Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Joaquim Barbosa beliscam mais votos do legado de Lula (5% cada um) do que o petista Haddad.

Outro dado notável é que um pedaço expressivo do eleitorado do preso mais ilustre da Lava Jato (32%) decidiu fazer um pit-stop. Sem rumo, esse um terço informa que, se tivesse de comparecer às urnas hoje, anularia o voto ou votaria em branco. É gente que parece aguardar por uma sinalização qualquer de Lula.

O Datafolha apresenta o universo total do eleitorado como um bololô dividido em três grandes fatias. A fatia anti-Lula (31% dos brasileiros com direito a voto) continua detestando o PT e ruminando sua aversão a Lula. Nesse nicho, 32% votam na direita paleolítica representada por Jair Bolsonaro.

O pedaço do eleitorado pró-Lula, 100% feito de devotos, não se aborreceria se a divindidade presa em Curitiba pedisse votos para um poste. Como Lula ainda não pediu, pedaços da procissão começam a seguir outros andores, especialmente os de Marina e Ciro. Mas a maioria continua fazendo suas preces diante de um altar vazio.

De resto, existe a fatia da geleia geral (37% do eleitorado), que balança na direção de várias candidaturas. Destacam-se nesse grupo, por ora, os partidários de Bolsonaro e Marina. Mas ambos têm menos votos do que o bloco dos brancos e nulos. Ninguém se anima a votar numa hipotética candidatura de Lula no primeiro turno. Mas muitos não descartariam a hipótese de votar nele num eventual segundo round.

Para efeito de sondagem, o Datafolha incluiu o ficha-suja Lula em alguns cenários pesquisados. No principal, o candidato inelegível do PT amealhou 31% dos votos, seis pontos percentuais a menos do ele colecionava em janeiro. Sem Lula, Marina (entre 15% e 16%) encostou em Bolsonaro (17%). A dupla está tecnicamente empatada. Segue-se um amontado de concorrentes.

Desde 1994, quando Copa e eleições passaram a ocorrer no mesmo ano, os candidatos sabem que, enquanto não for decidido o torneio de futebol, a campanha política é um pesadelo que atrapalha o sonho de erguer a taça. Mas a prisão de Lula obriga o PT a adiantar o relógio.

Numa disputa com muitos candidatos, em que um cesto com menos de 20% dos votos pode levar para o segundo turno um pretendente ao trono, parece claro como água de bica que a herança eleitoral de Lula pode influir nos rumos da disputa. Resta saber se o petismo deseja jogar o jogo ou se vai continuar tentando cavar faltas.

Compartilhe:

Enfim 2018: um ano crucial para os rumos da política brasileira

Spigot-Inc-Fireworks

Finalmente 2018 começou, pelo menos do ponto de vista formal. Na prática esse ano já está em curso desde o dia 27 de outubro de 2014 quando as urnas do segundo turno foram abertas. Nunca um ano eleitoral foi tão aguardado e discutido.

Tudo que aconteceu entre 2015 e 2017 foi focando no ano que ora se apresenta ao povo.

São muitas perguntas que serão respondidas até o mês de outubro. Será um pleito diferente sobretudo pela presença de algo inédito: um candidato assumidamente conservador e de direita com chances reais de vitória.

Há tempos alerto que Jair Bolsonaro não deveria ser tratado como piada. Hoje ele encontra-se consolidado no segundo lugar e pode, por incrível que pareça, ser o maior beneficiário de uma eventual (e provável) exclusão de Lula do pleito.

Como assim? Perguntaria o leitor que não consegue enxergar a política além do nariz que respira pelo viés da ideologia. Lógico que uma pessoa de esquerda não votaria num candidato como Bolsonaro. Mas o povão não segue essa lógica. O grosso do eleitorado do PT tem gratidão a Lula pelos programas de inclusão social. Sem o líder petista, eles vão migrar para outro tipo de populismo: o de Bolsonaro bem ao estilo “bandido bom é bandido morto”.

E Lula? Seu futuro político está nas mãos do judiciário. A candidatura é mais que viável mesmo com todo o desgaste que sofre. Mas a ficha limpa pode tirá-lo do pleito.

O PSDB segue minguando principalmente pelo efeito Bolsonaro que lhe tirou boa parte do voto antipetista. O partido entra 2018 tentando se reinventar como alternativa de centro, mas manchado pelos escândalos de corrupção e imagem atrelada ao governo de Michel Temer.

Outros nomes brigam para não serem coadjuvantes em 2018. Destaque para Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (PODE) e Marina Silva (REDE).

A surpresa pela esquerda pode ser Guilherme Boulos, Coordenador Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Ele pode ser o candidato do PSOL.

O ano de 2018 já começou e pode ser de uma virada de rumos na política brasileira.

Ainda hoje

Análise sobre o ano de Rosalba

Análise sobre o ano de Robinson

Prognósticos para as eleições de 2018 no RN

Compartilhe: