NÃO É NECESSÁRIA A AUTO-CRÍTICA. BASTA A CRÍTICA DOS ELEITORES

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Por Alberto Carlos Almeida

O voto e a democracia são os melhores conselheiros para quem é democrata. Fundamentado nessa premissa, esse texto procura depreender quais as mensagens e recados enviados pelas urnas nas últimas eleições presidenciais.

A sociedade brasileira, para efeito de eleição presidencial, é claramente dividida em dois pilares. Isso já foi abordado por mim no livro O voto do brasileiro (Ed Record, 2018), onde tive a oportunidade de mostrar que nas eleições de 2006, 2010 e 2014 dois partidos, PT de centro-esquerda e PSDB de centro-direita, dividiram o eleitorado brasileiro da forma esperada: o partido de centro-esquerda tendo proporcionalmente mais votos junto ao eleitorado pobre e o partido de centro-direita, ao contrário, tendo mais força relativa junto ao eleitorado de classe média ou menos pobre.

Em 2018 esse fenômeno se repetiu, mas desta feita não com o PSDB e seu candidato, mas sim com alguém com uma agenda de extrema-direita e sem um partido tal como são, ou eram, PT e PSDB. Neste ano tivemos a quinta eleição consecutiva em dois turnos, e a primeira na qual o PT foi derrotado.

A avaliação da trajetória eleitoral do PT importa para todos aqueles que se opõem ao governo Bolsonaro. Digo isso porque ao finalizar a eleição de 2018 o PT foi o partido que ficou com a maior bancada de deputados federais, o maior número de governadores, perdeu percentualmente menos senadores do que os demais grandes partidos, e teve um candidato com 45% de votos válidos no segundo turno da eleição presidencial. Além disso, o PT é o principal opositor de Bolsonaro. Nesse sentido, sem desconsiderar a relevância de partidos como PSDB, PSB, PDT, para citar apenas alguns, o PT permanece sendo o pião do jogo, neste caso do jogo daqueles que consideram o governo Bolsonaro um risco para a democracia. O capital político e eleitoral do PT o qualifica para ser o principal rival do Governo Bolsonaro.

Assim sendo, o que aconteceu e acontecerá ao PT importa para todos os partidos da extrema-esquerda até o centro, vale listá-los: Psol, PC do B, PDT, Rede, PSB, PPS, PROS, e muitos políticos do Solidariedade, do PSDB, MDB e até mesmo do Podemos e do Avante.

Feito este preâmbulo, cumpre situar o que aconteceu à votação do PT nas últimas cinco eleições presidenciais, como ela evoluiu, o que condicionou essa evolução e o que pode ser feito tanto pelo PT quanto por todos os interessados no bom funcionamento da democracia brasileira para manter o PT no centro do palco.

Vale aqui antecipar um dos temas que será abordado no final deste texto. Em algum momento o sistema partidário brasileiro caminhará para ter bem menos partidos. A atual regra eleitoral, ao proibir as coligações, fará com que os menores partidos se unam aos maiores. Está no horizonte a existência de dois grandes partidos, além de três ou quatro menores que permitam formar maiorias parlamentares. É possível que esses dois grandes partidos sejam um de esquerda, uma espécie de moderno partido social-democrata, e outro partido de direita, que eventualmente possa emergir sob a liderança de Bolsonaro, caso ele vá além de ações conflituosas e busque agregar, ao menos em seu campo político.

Esse grande partido social-democrata pode ter no PT seu núcleo, seu centro de gravidade. É claro que existem muitos obstáculos pela frente, a começar pela dificuldade comum em todos os casos de fusão de instituições, sejam elas partidos ou empresas, de culturas internas e histórias inteiramente diferentes e, com frequência, muito difíceis de serem compatibilizadas. Um movimento nessa direção ocorre por conta de fatores externos, que forçam os partidos a fazê-lo. A nova legislação eleitoral, se não for modificada, ajudará bastante na formação desses dois grandes partidos.

O QUE OCORREU NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES

É importante iniciar essa reflexão pela trajetória eleitoral em segundo turno do PT. O gráfico 1 mostra que as votações de Lula 1 e Lula 2 são praticamente idênticas no percentual final, em 2006 ele é apenas 0,5 pontos menor do que em 2002. A grande diferença, facilmente observada nos mapas eleitorais, tem a ver com a composição do voto.

 

A eleição de Lula 1 é caracterizada por sua vitória em todos os estados do Brasil à exceção de Alagoas. Vale destacar que foi a única vez na qual o PT venceu em São Paulo, seu berço político e eleitoral. A distribuição de votos da eleição seguinte é inteiramente diferente. Lula 2 perde em São Paulo, nos três estados da Região Sul, em Roraima e em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Esses estados nunca mais dariam ao PT a vitória em segundo turno.

A partir de 2006 passou a vigorar a distribuição regional de votos que caracterizou todas as eleições seguintes. Quanto mais pobre fosse um estado, maior a votação do candidato do PT e quanto menos pobre maior a votação de seu adversário.

A cada nova eleição o PT passou a perder algum estado que nunca mais voltou a dar vitória ao partido no segundo turno. Em 2010 o PT passou a perder no Espírito Santo, em Goiás, em Rondônia e no Acre. Em 2014 aconteceu o mesmo, o partido comandado por Lula foi derrotado em segundo turno nos mesmos estados de 2006, acrescidos dos estados que ele havia perdido em 2010.

A novidade de 2018 é que o PT além de ficar atrás no segundo turno nos mesmos estados que já havia perdido em 2010 e 2014, foi derrotado também no Amapá e Amazonas, por margens muito pequenas, e em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, por diferenças muito grandes, particularmente neste último. Se tais derrotas vieram para ficar, como ocorreu nos outros estados que mudaram de voto, isso pode ser uma péssima notícia para o PT, pode significar que ele terá muita dificuldade de vencer as eleições presidenciais vindouras.

Entre o segundo turno de 2006 e o de 2018 o PT perdeu 16 pontos percentuais do eleitorado nacional. Isso equivale a pouco menos do que o eleitorado de Minas Gerais e do Rio de Janeiro somados. De 2014 para 2018 o PT perdeu pouco mais de 7 milhões de votos. Isso é equivalente a todo o eleitorado do Paraná, que disputa com o Rio Grande do Sul a posição de quinto maior colégio eleitoral do Brasil.

A LIÇÃO 1: A PRIMEIRA DERROTA EM SEGUNDO TURNO

As perdas eleitorais do PT tem sido contínuas desde 2010. Apenas no Nordeste e no estado do Pará o partido se manteve firme e forte. Em todos os demais estados o PT perdeu eleitores em 2010, 2014 e 2018. A grande questão para o partido e seus possíveis aliados é se a reversão da perda é factível e, em caso afirmativo, o que pode ser feito com esse objetivo. A resposta a essas perguntas depende de compreendermos a natureza das perdas.

O primeiro passo é compreender o que leva um candidato a vencer uma eleição, seja ela municipal, estadual ou nacional.

Dito de uma forma muito resumida, a democracia pode ser compreendida sob múltiplos ângulos, um deles é o que afirma que a democracia é um mecanismo de resolução de problemas. Em 1994 o problema era a inflação, e o eleitorado escolheu alguém para combate-la. Em 2002 o problema era o desemprego e a dívida social e o eleitorado convocou alguém que ele considerava talhado para atacar esse problema. Em 2018 o problema é a corrupção e o eleitorado agiu da mesma forma, chamou aquele que foi considerado o mais adequado para isso.

Atacar um problema não significa resolvê-lo em definitivo. A inflação foi contida, mas de tempos em tempos é preciso dar mais atenção a seu possível retorno. A dívida social do Brasil com a população pobre continua grande, mas uma parte relevante foi combatida e o tema foi colocado na agenda para não mais sair. Corrupção nunca acaba, porém é possível também colocar esse tema na agenda de maneira definitiva.

Em 1994 Fernando Henrique foi eleito porque o principal problema do país nos anos anteriores, desde pelo menos 1986, havia sido a inflação. Fernando Henrique tinha o currículo adequado para isso, ao menos a partir do segundo semestre do ano de sua primeira eleição quando elaborou e implementou o Plano Real. O candidato que dominou o principal tema da campanha venceu.

O controle da inflação resultou em uma explosão de consumo, cujos principais símbolos foram a possibilidade de a população ter acesso a dentaduras, iogurte e queijo. A consolidação do controle da inflação, acompanhada de seus benefícios quanto ao poder de compra, assegurou a reeleição de Fernando Henrique em 1998. Mais uma vez houve o encaixe perfeito entre o principal tema da campanha, o principal problema, e o candidato cujo currículo era o mais adequado para resolvê-lo.

Quatro anos mais tarde o segundo governo de Fernando Henrique estava mal avaliado. O Brasil vivia uma crise econômica caracterizada por um desemprego bastante elevado. Por outro lado, Lula havia disputado várias eleições presidenciais, o eleitorado o conhecia como sendo o ex-sindicalista, o líder dos movimentos sociais, alguém inteiramente dedicado à defesa dos interesses dos trabalhadores. Assim, quando na campanha ele fez a proposta de gerar 10 milhões de empregos, ele tinha credibilidade para isso. O candidato do Governo Fernando Henrique, Serra, não tinha porque pertencia a um time de administradores que havia destruído empregos. Novamente estávamos diante da combinação perfeita entre o principal problema do eleitorado e o candidato mais adequado para resolvê-lo.

É possível desenhar o resultado de todas as eleições presidenciais, estaduais e municipais, ou melhor, quase todas, no Brasil e no mundo, mostrando que o candidato que se torna o dono do principal problema, aquele que transmite ao eleitor a imagem que irá resolver o principal problema, acaba sendo o vencedor.

Bolsonaro não fez parte de nenhum governo nacional ou estadual, ele não ocupou cargos executivos, seja por eleição ou como ministro e secretário de estado, tampouco indicou pessoas de sua confiança para ocupá-los. Ainda que tenha sido deputado federal por quase três décadas, como ele mesmo Bolsonaro afirmou em entrevista durante a campanha na bancada do Jornal Nacional da Rede Globo, por ser um deputado do baixo clero ele não se envolveu em grandes escândalos de corrupção, cujo melhor exemplo foi, nos últimos anos, a Petrobras e o que foi investigado no âmbito da Lava-jato.

Depois de pelo menos quatro anos com forte cobertura midiática de escândalos de corrupção, o eleitorado passou a considerar esse o maior problema do país. Além disso, passou a ser uma visão predominante que a corrupção era a fonte de vários problemas, como o desemprego e a baixa qualidade de todos os serviços públicos. Assim, o candidato que prometesse de maneira mais crível combater a corrupção tenderia a ser o favorito. O eleitor médio enxergou em Bolsonaro esse ator.

Em 2014 a candidatura de Marina terminou o primeiro turno com 21,32% de votos válidos. Quem a escolheu não queria nem PT, nem PSDB. O voto em Marina era, de alguma maneira, o voto daqueles que rejeitavam os dois principais partidos que até então disputavam com chances de vitória a eleição presidencial.

Ocorre que de 2014 até 2018 a imagem do sistema político piorou muito. A crise econômica profunda e abrangente foi combinada com escândalos de corrupção inéditos na história do país. Os principais partidos do sistema eram PT e PSDB juntamente com o antigo PMDB, que sempre esteve presente nas alianças governamentais e, portanto, gozou em todo o período de muita visibilidade.

Nos quatro que se seguiram a 2014 vimos o desemprego aumentar, o poder de compra da população despencar, e o noticiário afirmar que o sistema político é inteiramente corrupto. As imagens televisivas de tubulações de esgoto jorrando dinheiro, superpostas àquelas telas retangulares com a legenda de gravações entre políticos negociando propinas, rechearam o noticiário assistido pela maioria dos eleitores.

Assim, nosso eleitorado chegou a duas conclusões simples: a atividade política é uma atividade criminosa e, não custa enfatizar, todos os nossos males derivam da corrupção. De posse dessa visão de mundo os eleitores passaram a procurar um candidato que os representasse. Foi então que encontraram Jair Bolsonaro.

O voto que levou Bolsonaro a vencer foi um voto anti-sistema. É interessante que ele tenha sido verbalizado durante a campanha como um voto anti-PT quando 30% de todo o eleitorado afirmava que “não votaria em um candidato do PT de jeito nenhum” e Bolsonaro teve 46 e 55% dos votos respectivamente no 1º e 2º turno. O voto que realmente decidiu a eleição foram os 16 pontos do 1º e 25 pontos percentuais do 2º turno de eleitores que não necessariamente eram anti-petistas. Em suma, o voto exclusivamente anti-PT não teria levado Bolsonaro à vitória.

Na realidade os resultados eleitorais tomados em conjunto, e relativos ao poder constituído em Brasília, isto é, às eleições para presidente, deputados federais e senadores mostram que o “sistema”, para os eleitores, era composto de PT, PSDB e MDB. Esses três partidos foram os que mais sofreram perdas. PSDB e MDB foram claramente preteridos pelo eleitor em favor de marinheiros de primeira viagem, ao menos no voto para a Câmara dos Deputados. Nada menos do que 23% (118) dos deputados federais eleitos nunca exerceram mandato algum, sequer de vereador.

Se o voto em Bolsonaro tivesse sido simplesmente anti-petista o partido de Lula não teria saído da eleição com a maior bancada de deputados federais, não teria sido o partido que menos perdeu senadores (proporcionalmente, comparando-se com os demais partidos associados ao sistema), não teria perdido apenas um governador de estado, nem teria alcançado 45% de votos presidenciais no segundo turno.

O voto em Bolsonaro foi, certamente, para retirar o PT do poder, mas porque ele, como PSDB e MDB, fazem parte de um sistema no qual a corrupção é a causadora do desemprego, do péssimo atendimento de saúde, do baixo nível de nossos alunos em testes como o Pisa, e da violência e assassinatos generalizados. Portanto, Bolsonaro foi eleito para acabar a corrupção, preferencialmente, se possível, com a ajuda de Sérgio Moro e de outros juízes a ele assemelhados.

Aqui surge o que denominarei de LIÇÃO 1 da democracia e do voto: a elite política, em particular aquela que controla os principais recursos de poder, e o cargo de presidente é o maior deles, deve estar atenta para o surgimento de novas demandas e agendas, como foi o caso do combate à corrupção e, em menor medida, do problema do crime e da segurança pública.

A dinâmica política que antecedeu a reeleição de Lula em 2006 foi um alerta. Em meados de 2005 eclodiu o escândalo do Mensalão. A sua força midiática foi tão grande que suscitou nos principais atores políticos da oposição o debate acerca de se tentar ou não o impeachment de Lula. O escândalo de 2005 resultou em uma ação penal levada a cabo pelo Supremo Tribunal Federal com a condenação de nada mais nada menos do que José Dirceu, aquele que foi em algum momento considerado o possível sucessor de Lula.

O Mensalão foi uma mensagem clara ao PT acerca do problema da corrupção. Não é meu objetivo discutir o mérito e a veracidade de processos e acusações. Limito-me a avaliar a corrupção como um fenômeno de opinião pública e de imagem, passível de se tornar uma agenda relevante e de mobilizar o voto tal como vimos agora em 2018. Nesse sentido, o Mensalão foi mais do que um alerta, foi um aviso de que o partido poderia perder muito se seus líderes fossem associados à corrupção.

Assim, vamos a um resumo da LIÇÃO 1.

LIÇÃO 1: estar atento ao surgimento de novos problemas e de novos temas.

Procurar dar respostas às agendas inteiramente novas, que estejam fora das pautas tradicionais do partido, da esquerda e do centro.

O que o voto de 2018 revela é que o PT não foi visto pela maior parte do eleitorado como aquele que poderá atacar o problema da corrupção. Considero que a mensagem do Mensalão não tenha sido ouvida por duas razões: o sucesso eleitoral presidencial de Lula em 2006 e de Dilma em 2010, e a dificuldade de atacar as raízes do problema, que é o arranjo institucional que vigora nas relações entre o Congresso e o Poder Executivo.

Começando por esse último, uma das denúncias mais interessantes do escândalo da Lava-Jato diz respeito ao Partido Progressista (PP). Toda a imprensa noticiou as narrativas de vários réus e testemunhas da Lava-Jato acerca do fato de o PP não votar a favor das propostas do Governo Lula até o momento em que puderam nomear um diretor da Petrobras de sua confiança. Basta tomar esse exemplo como caso específico de uma prática generalizada. Para se governar é preciso distribuir cargos e, preferencialmente, dando total autonomia decisória a seu ocupante e às forças políticas que o indicaram. Se isso não for realizado, não há governo, pois ele perderia todas as votações nas duas casas legislativas. O sucesso dos governos do PT se deve ao fato de eles terem aceito essa prática usual.

O segundo fator que dificultou ao PT encarar de frente a mensagem do Mensalão foram as vitórias nas eleições presidenciais seguintes. A imagem da corrupção não havia impedido o partido de manter o controle da presidência, crescer no Senado, conquistar mais prefeituras e governos estaduais. A prova maior disso foi vitória de Fernando Haddad em 2012 na eleição para prefeito de São Paulo ao mesmo tempo em que o Mensalão era julgado pelo STF e inúmeros petistas eram condenados. O PT era o dono do tema da melhoria do bem-estar dos pobres. Bastava manter o controle dessa agenda que as vitórias eleitorais estariam sempre acompanhando o partido.

Isso era verdade até que veio o primeiro Governo Dilma e a eleição de 2014.

A LIÇÃO 2: A QUASE-DERROTA DE 2014

A derrota de 2018 motivou a busca da LIÇÃO 1. Contudo, há na quase-derrota de 2014 um grande ensinamento. Note-se que estou indo além de aprender com apenas um fracasso inteiramente constituído, mas proponho aprender também com o quase-fracasso.

O arredondamento facilita a memorização. Assim, podemos dizer que Lula venceu suas duas eleições em segundo turno abrindo 20 pontos percentuais de vantagem. Na eleição de Dilma 1 foram 12 pontos. Porém, agora não cabe arredondar, Dilma venceu Aécio por uma margem de somente 3,28 pontos. Isso ocorreu porque uma crise econômica eclodiu durante o Governo Dilma.

O que ocorreu antes de 2014 tem ligação com o resultado da eleição de 2018. Qualquer um poderá encontrar na internet pesquisas públicas da reta final do segundo turno de 2018, elas mostraram que Bolsonaro se saía melhor do Haddad como o candidato que iria gerar mais empregos e fazer o Brasil votar a crescer. Esse resultado só foi possível graças à crise econômica que teve início no primeiro Governo Dilma. O eleitorado se lembra desse período. E aqui entra a resposta a um enigma: por que nas pesquisas feitas antes da eleição Lula tinha muito mais votos do que Haddad? Por que o seu indicado ficou tão distante dos votos que Lula tinha? Isto é, muitos eleitores que declaravam voto em Lula, quando Lula saiu passaram a votar em Bolsonaro e não em Haddad que é do PT e tinha o apoio de Lula. Por quê?

Votar em Lula era sinônimo de sair da crise econômica. Nesse aspecto o eleitor separava dois governos do PT, o Governo Lula e o Governo Dilma. Se fosse para reviver os bons tempos do Governo Lula, tudo bem, o eleitor aceitava votar nele, porém, uma vez que Lula não seria o candidato, um segmento importante se sentiu livre para votar em alguém que representasse alguma esperança de mudança também na economia, e não apenas no combate à corrupção.

Lula eleito seria bom, seria a volta a uma vida de melhorias, seria o resgate de um passado feliz, seria o mesmo que trazer esse passado para o tempo presente. Bolsonaro eleito seria uma tentativa de mudança. Há implícita nessa escolha a má avaliação do Governo Dilma. Por isso, aos olhos do eleitor nem Dilma era Lula, e nem Haddad poderia sê-lo. Bastaram sete milhões de eleitores (um estado do Paraná) pensando assim para transformar o resultado de 2014 no resultado de 2018.

De volta à quase-derrota, a minha leitura da crise de 2014 é diferente da maioria dos analistas. Faço um paralelo com as manifestações de maio de 1968, interpretadas pela grande maioria dos intelectuais como algo romantizado, representando a luta dos estudantes por um novo mundo, sem exploração, porém, analisada com os pés no chão por Tony Judt em seu magistral livro, Pós-Guerra, mostrando que o motivador daqueles levantes foi a falta de vagas em universidades para a crescente demanda dos jovens. Judt revela que tais revoltas foram mais fortes justamente nos países que menos absorviam os egressos do ensino médio.

O acerto da leitura de Judt foi indiretamente reconhecido por Daniel Cohn Bendit, o grande líder das jornadas parisienses, ao afirmar que as revoltas não haviam deixado herança alguma no que tange à mudança das estruturas de poder, mas apenas um certo ideal não alcançado de um mundo melhor, a desmobilização foi instantânea. Uma coisa certamente ocorreu, o ensino superior francês sofreu uma forte expansão e abertura de vagas no final da década de 1960 e início dos anos 70.

Algo semelhante ocorreu em 2013 no Brasil. Muitos romantizam como o rompimento do eleitorado com o sistema, alguns afirmam que foram motivados por redes sociais obscuras. Todavia, poucos salientam a superposição de dois eventos, uma inflação de alimentos crescente que tradicionalmente é maior em maio, e os gastos com os estádios inaugurados para a Copa das Confederações. A inflação de alimentos atinge em cheio o orçamento da grande maioria das famílias brasileiras, e o futebol mobiliza todo o país. Inflação crescente e desperdício de recursos públicos, este último trazido ao centro do palco pelo esporte nacional, foram os motivadores dos protestos. A fagulha foi a agressão física à jornalista da Folha de São Paulo na Av. Paulista.

As manifestações eclodiram em todo o país e o resultado imediato foi a queda abrupta da avaliação do Governo Dilma. Ela só veio a recuperar parte de sua popularidade meses depois, a partir do final do ano. Mesmo assim a sua avaliação não retornou aos patamares anteriores às manifestações. Há um motivo para isso, a efetiva redução do poder de compra da população, em particular dos mais pobres.

Não sou economista e, portanto, não desejo entrar aqui em controvérsias acerca das razões da crise. O fato é que os gastos do governo aumentaram muito ao mesmo tempo em que várias desonerações foram concedidas, prejudicando a arrecadação. O BNDES recebeu aportes do Tesouro Nacional aumentando as despesas para-fiscais do Governo. O superávit primário diminuiu e o resultado final foram as pressões inflacionárias. Parte delas foi absorvida pela política de preços da Petrobras. Ainda assim, a média aritmética da inflação dos quatro anos que antecederam o primeiro Governo Dilma foi de 5,15% ao passo que entre 2011 e 2014 foi de 6,17%.

Os exemplos subsidiários e contrastantes de Pimentel em Minas Gerais e Jaques Wagner e Rui Costa na Bahia ajuda a ilustrar o meu argumento. No primeiro caso um estado com sérios problemas fiscais, e no segundo um estado com as finanças ajustadas, dando graus de liberdade para seus governantes investirem para melhorar o bem-estar da população.

É muito comum que os governantes sigam a regra do senso comum de apertar o cinto dos gastos públicos na primeira metade do mandato, e passar a gastar mais nos últimos dois anos, com a proximidade das eleições. O que vimos no primeiro Governo Dilma foi praticamente o inverso disso. Tratava-se de um experimento que podia dar certo ou não. Creio que não seguir regras costumeiras indica um certo grau de voluntarismo. Vale o parêntesis de que políticos podem vir a ser voluntaristas quando o assunto é economia, e economistas tendem a ser voluntaristas quando o assunto é política. Nos dois casos o resultado final tende a não ser bom.

Mais importante do que a crise econômica foi a percepção do eleitor acerca dos elementos- chave que influenciavam seu bem-estar econômico. Pesquisas que coordenei mostravam que em meados de 2014 que:

– 40% achavam que estava faltando emprego e a inflação estava aumentando;

– 32% consideravam que havia emprego para todo mundo, mas que a inflação estava aumentando;

– 8% diziam que estava faltando emprego, mas a inflação estava sob controle e

– 20% achavam que havia emprego para todo mundo e a inflação estava sob controle.

Esse 20% eram obviamente os que tinham a melhor percepção da situação econômica. Dentro desse grupo a vantagem de Dilma sobre Aécio era grande. O grande problema eram os 40% que tinham uma percepção negativa tanto da inflação quanto do desemprego. Note-se que a dupla percepção negativa (40%) era o dobro da dupla percepção positiva.

Na realidade, a causa principal da quase-derrota de Dilma em 2014 foi essa, uma parcela pequena do eleitorado tinha uma visão positiva da inflação e do emprego. É daí que se retira a LIÇÃO 2.

LIÇÃO 2: partidos e governantes de centro e centro-esquerda não podem se dar ao luxo de produzirem crises econômicas que fragilizem o poder de compra dos mais pobres. Esse é seu eleitorado primordial.

O corolário é que as causas das crises precisam serem antecipadas, daí a necessidade

de dar atenção à situação fiscal do setor público e afastar-se de doses elevadas de voluntarismo econômico.

Quando me refiro ao voluntarismo tenho em mente decisões e ações que são contrárias a alguns limites impostos pela realidade. Na política e na economia há algumas “leis”, há alguns “dados da realidade” que convêm serem aceitos sob pena de se “dar murro em ponta de faca”. Sabemos, por exemplo, que a reciprocidade é uma moeda importante na política. Quando se atende às demandas de seu eleitorado ou grupo político, eles retribuem com o voto e com apoio. A reciprocidade simbólica, social e política muitas vezes é incompreendida por economistas que, no afã de realizar reformas, acabam por errar ao tentar passar com um rolo compressor por cima das regras básicas do mundo político.

O oposto também se verifica. Na economia também existem regras dessa natureza. Quando alguém do reino da política ignora algumas dessas regras, tentando atropelá-las com um trator, há sempre o risco de que o resultado final não lhe seja favorável.

A LIÇÃO 3: O RIO DE JANEIRO, A CRISE E OS EVANGÉLICOS

A terceira lição para o PT e seus aliados vem do Estado do Rio de Janeiro. A maior perda de votos do PT – comparando-se o segundo turno de 2014 com o de 2018 – foi lá, a perda foi de 42%. Em 2014 a Dilma teve 54,9% dos votos naquele estado e em 2018 Haddad teve 32,1%. O desempenho no estado do Rio foi tão ruim que se igualou a São Paulo que já rejeita o PT faz tempo (no estado de SP a votação de Haddad foi 32%).

O Rio de Janeiro representa a soma de uma crise aguda – a que combina economia em queda, desemprego e corrupção – com o fenômeno do voto evangélico. É possível que a combinação desses dois fatores tenha sido o grande responsável pela redução abrupta dos votos do candidato petista no Estado.

Em 2013 as pesquisas que coordenei no início do ano mostravam que a população do Rio estava muito insatisfeita com a reforma do Maracanã. Circulava junto à população que os gastos eram muito elevados, que havia superfaturamento, e as pessoas relacionavam isso com a crise da saúde pública no estado. Isso, repito, no início do ano. Quando vieram as manifestações, não sei se o leitor se recorda, as maiores foram no Rio. Houve uma cujas estimativas ficaram em torno de 500 mil pessoas nas ruas, mais exatamente na Av. Presidente Vargas no centro da capital.

Depois vários acontecimentos se sucederam, Pezão ficou doente, se retirou do governo, Dornelles assumiu e o estado quebrou. A crise financeira caiu também no colo de Eduardo Paes, que nada tinha a ver com ela. Consequentemente sua avaliação na prefeitura despencou e ele sequer conseguiu levar o deputado Pedro Paulo, seu candidato, para o segundo turno da eleição de prefeito.

Não bastasse isso vieram as Olimpíadas e junto com ela várias denúncias de gastos elevados, que sempre eram confrontados com a situação dos serviços públicos na capital e no estado. O Rio de Janeiro também sofreu muito com a paralisação das obras do Comperj. O impacto no desemprego foi muito forte. Aliás, cumpre registrar que a taxa de desemprego do Estado é a maior da Região Sudeste. Adicione-se a isso a crise da Petrobras, cuja sede fica no Rio, e a redução das receitas advindas dos royalties do petróleo, que feriram gravemente o orçamento de inúmeras prefeituras e do próprio governo estadual.

Depois disso tudo Sérgio Cabral e vários de seus assessores próximos foram presos. Essa foi, para o eleitorado do estado, a prova definitiva que a crise era resultado da “roubalheira de Sérgio Cabral” e da corrupção de um modo geral. Essa percepção foi reforçada em função de todo o simbolismo em torno das posses de Sérgio Cabral: casa luxuosa em Mangaratiba, iate, viagens a Paris e, não bastasse tudo isso, um anel dado de presente para a esposa no valor de 800 mil reais.

Durante o Governo Cabral um dos temas mais batidos pela comunicação de governo era a parceria e a união com o Governo Federal. Assim, no Rio, MDB e PT estavam com suas respectivas imagens fortemente vinculadas. Essa comunicação era importante porque o Rio sempre havia sofrido com os conflitos de seus governadores – Brizola e Garotinho – contra o Governo Federal. Assim, o que foi muito bom no momento de bonança se transformou em um enorme problema no momento de crise aguda. Adicione-se a isso a tibieza do PT no estado, que permitiu inclusive que o Psol herdasse os votos de esquerda tanto na eleição municipal de 2016 quanto na de 2018. De um modo geral, onde há voto de esquerda e o PT é eleitoralmente fraco o Psol acaba por se fortalecer.

Não se pode falar de crise no Rio sem tocar no problema da violência, ele é absolutamente generalizado. Nas áreas pobres da cidade e da Região Metropolitana o crime domina, vê-se criminosos circulando livremente com armas, sem contar as áreas em que são proibidas a circulação de pessoas não autorizadas pelos bandidos, com os limites físicos das barricadas. Nas áreas não pobres ou ricas o crime também aparece por meio de arrastões, falsas blitzes, assaltos a shoppings e a bancos, tiroteios em favelas que resultam no bloqueio de ruas e avenidas. Por fim, todo isso em um estado e em uma Região Metropolitana com uma grande população pobre e evangélica.

O resultado final foi que o Rio castigou fortemente tanto o MDB, não elegendo Eduardo Paes disfarçado de DEM, quanto o PT, dando uma votação irreconhecível considerando-se o histórico das quatro eleições presidenciais anteriores.

A título de comparação, em Minas Gerais a redução da votação do PT foi bem menos acentuada, em 2014 ela foi de 54,2 no segundo turno e agora foi de 41,8. É possível que a avaliação do Governo Pimentel tenha tido algum impacto, a soma de ótimo e bom dele era baixa, da ordem de 25%. Também em Minas a crise nacional influenciou a votação das pessoas mais pobres no PT. Foi a primeira vez desde 2002 que o PT teve menos de 50% de votos no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

Inúmeros relatos atestam que uma parte importante da informação propagada pela campanha de Bolsonaro trafegou por meio de grupos de WhatssApp, muitas vezes apoiados por grupos de convívio pessoal, como é o caso da presença em cultos e atividades de igrejas evangélicas.

O Rio de Janeiro se notabilizou recentemente por forte presença de evangélicos, em particular nas áreas mais pobres da região metropolitana, como são os casos da Baixada Fluminense e de São Gonçalo, o segundo mais populoso município do estado. Nesses locais as inúmeras denominações de igrejas evangélicas desfrutam de enorme capilaridade, é possível encontrar templos em todos os bairros, configurando uma rede de locais físicos de convivência muito espalhada e disseminada.

Tive a chance de, na última eleição municipal, ir a um culto evangélico em um dos bairros de Santa Cruz da Serra, no município de Duque de Caxias. A construção sem luxo algum era imensa. No templo cabiam com facilidade 500 pessoas. O terreno contava com um estacionamento coberto. O mais interessante era o local, ficava afastado da principal via de acesso, em uma região estritamente residencial, com casas simples e habitada por uma população carente. As ruas do entrono não eram pavimentadas. Lá não se via sinal algum de uma igreja católica, ainda que tenha procurado por isso.

No artigo intitulado O voto evangélico garantiu a eleição de Jair Bolsonaro, José Eustáquio Diniz Alves mostra, utilizando a pesquisa do Datafolha de 25 de outubro, isto é, a três dias da eleição, que no Brasil 69% dos evangélicos declaravam voto em Bolsonaro e 30% em Fernando Haddad. Multiplicando-se esses percentuais pelos votos válidos da eleição tem-se que Bolsonaro abriu sobre Haddad uma vantagem de 11,6 milhões de votos. Ainda que vantagem final tenha sido menor, porque descontada de outros segmentos do eleitorado nos quais Haddad era mais forte do que seu adversário, esse dado é uma indicação sólida das dificuldades que o PT teve junto a esse público.

Sabemos que o voto tem interferência de muitas variáveis, e que somente tipos específicos de análises estatísticas podem revelar o peso de cada uma delas. O que Diniz Alves mostra é que no público evangélico Haddad perdeu na proporção de 2 para um, trata-se de uma diferença bastante relevante.

Fábio Marton, em um texto muito esclarecedor intitulado Eu cresci no Brasil de Bolsonaro, revela com base em sua experiência pessoal de crente evangélico (ele deixou de ser), que tudo que ele aprendera em cultos e no convívio com seus pares de religião estava no discurso de Bolsonaro. Seu pai, também evangélico, sempre lhe dissera que “quem é gay tá possuído pela Pomba-Gira”, sempre fizera piadas de negros e nordestinos (baiano), o pastor afirmava que “o homem é a cabeça da mulher” (Efésios 5:23) e em seguida dizia que “Deus é a cabeça do homem”.

Segundo Marton, na sua formação ele aprendeu a dividir o mundo entre aqueles que seguiam a palavra de Deus e os demais, possuídos ou influenciados pelo Demônio. Nesse grupo entravam todas as demais religiões, em especial as de matriz africana. A mídia tradicional também era demonizada em função de conteúdos supostamente mentirosos, e por difundir uma moral rejeitada na doutrina evangélica. A cruzada contra a ciência e a crença em notícias mentirosas também fazia parte de sua rotina. Em algum momento o autor se deu conta da mensagem anti-liberal de sua antiga religião, segundo ele fascista, e isso se tornou uma das razões que lhe fez deixar o credo.

O PT, a esquerda e o centro precisam compreender melhor esse fenômeno a fim de saber lidar com ele e contorná-lo: é preciso saber a sua abrangência, se ele é resultado de uma doutrinação religiosa ou, se ao contrário, a religião se adaptou a uma subcultura pré-existente, e muitas outras coisas que são importantes para que não sejam novamente surpreendidos em uma eleição.

Bolsonaro abriu 10.756.941 sobre Haddad. No Estado do Rio de Janeiro a vantagem foi de praticamente 3 milhões de votos, faltaram somente 4.327 para que isso ocorresse. Ou seja, o somente um estado, o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, com 8,6% dos votos totais correspondeu a 28% da vantagem que Bolsonaro teve sobre Haddad. Evidentemente há aí um recado das urnas.

LIÇÃO 3: é indicado que seja buscada uma abordagem mais técnica do eleitorado, por meio da compreensão de grupos específicos de eleitores, e de posse disso, realizar uma avaliação política acerca da propriedade de inflexões nas propostas e comunicação do partido e do campo político.

No sistema político italiano do pós-segunda guerra, a Democracia Cristã (DC) governou por 45 anos e o Partido Comunista Italiano (PCI) foi oposição durante o mesmo período. A força eleitoral da DC combinava o voto das regiões ricas do país, o norte da Itália (equivalente a São Paulo) com o voto das regiões mais pobres, o sul da Itália, o equivalente ao nosso Nordeste. Isso só foi possível porque nas áreas pobres a DC contava com a máquina associativa das igrejas católicas. Era ela que criava uma blindagem de votos contra o PCI, posto que alinhado à antiga União Soviética era tido como um partido anti-religioso e anti-clerical.

Estamos muito distantes da Guerra Fria, porém podemos estar próximos de um veto religioso a uma sigla partidária ou a visões de mundo de centro e de esquerda. É preciso colocar essa ameaça no horizonte e encontrar maneiras de lidar com ela.

LAST, BUT NOT LEAST: SÃO PAULO

No estado de São Paulo, berço do PT, do novo sindicalismo brasileiro, dos mais importantes intelectuais da esquerda no Brasil, estado onde o partido de Lula tem a sua espinha dorsal política, viu em 2018 a mais folgada vitória de seu adversário. Porém, há um dado muito importante. Vejamos as votações comparadas das duas últimas eleições:

Aécio: 15.296.289

Bolsonaro: 15.306.023

Bolsonaro teve somente 9.734 votos a mais do que Aécio quatro anos antes. Porém, a derrota mais elástica sofrida pelo PT se deveu à votação de seu candidato, que era de São Paulo:

Dilma: 8.488.383

Haddad: 7.212.132

Haddad teve 1.276.251 a menos que Dilma em 2014. Esses votos foram para nulo, branco e abstenções.

Isso mostra o teto de votação do adversário do PT, porém não revela o piso do PT. Nota-se que a rejeição ao partido motivou os eleitores do estado de São Paulo a reduzirem os votos dados ao PT, portanto nada teve a ver com o nome de Haddad, mesmo que não aumentassem o voto de seu opositor.

Esse dado singelo pode ser interpretado como a mãe de todas as LIÇÕES: é preciso alguma renovação nas propostas, na imagem, na comunicação e os quadros eleitorais.

A mensagem do eleitor paulista foi bastante eloquente: “PT, sei que você nasceu nesse estado, sei que no passado a minha vida melhorou por conta da atuação de seus políticos, mas não votaria em você. Não voto em seu adversário, mas no seu candidato também não. Se a postura fosse outra, quem sabe …”

ANEXO DE DADOS

A votação do candidato do PT no segundo turno de cinco eleições por grandes regiões do Brasil: a votação no Nordeste segue inalterada, no Norte, pela primeira vez, ficou abaixo de 50%, a redução da votação – proporcionalmente falando – foi idêntica no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Abaixo a votação nos estados da região Sudeste, a queda no Rio de Janeiro foi a mais acentuada dentre todos os estados, a redução de 2014 para 2018 foi de 42%. Vale notar que com exceção do Espírito Santo, a votação do PT foi caindo a cada eleição. A queda da votação em toda a região foi de 21% (isto é, comparando-se 2018 com 2014 a votação do PT ficou reduzida por esse percentual).

No Nordeste a queda da votação foi muito pequena, de 3% (isto é, comparando-se 2018 com 2014 a votação do PT ficou reduzida por esse percentual). A votação do PT aumentou na Bahia, em Sergipe e na Paraíba, e foi um pouco menor em todos os demais estados:

Na votação para presidente, Acre, Rondônia e Roraima já eram anti-PT desde 2010. O Amazonas e o Amapá deram vitória apertada ao adversário. No Amazonas isso se deveu à capital, Manaus. No Pará e no Tocantins a vitória foi petista. Na região Norte como um todo a redução de votos foi de 15%.

No que tange à Região Sul destacaria a redução proporcional de votos no Rio Grande do Sul. Esse sempre foi um estado mais fiel ao PT. Em toda a região a redução foi de 23% (repito a explicação, comparando-se 2018 com 2014 a votação do PT ficou reduzida por esse percentual).

O último conjunto de dados refere-se à região Centro-Oeste onde a redução da votação foi da ordem de 21%. A redução da votação do PT em todo o Brasil foi de 13%. Note-se no Centro-Oeste a queda abrupta da votação do PT no Distrito Federal em 2014.

A votação de Ciro Gomes nas três eleições presidenciais que disputou. Em que pese o contexto de cada eleição ter sido diferente, assim como os partidos aos quais Ciro pertencia, é notável a estabilidade de sua votação, a variação é de apenas 1,5 pontos percentuais. O dado das votações de Ciro é relevante pelo fato de sua postulação de se tornar um líder eleitoralmente competitivo na centro-esquerda.

A votação de Marina nas três eleições presidenciais que disputou. É bastante impressionante a redução de sua votação em 2018. Votos que foram dela em 2014 migraram para Bolsonaro em 2018.

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Confira bate-papo entre jornalistas no encerramento do projeto Diário das Eleições

Quinteto de jornalista debate eleições 2018 e perspectivas para novos governos

Ontem este operário da informações recebeu quatro feras do jornalismo mossoroense. Durante uma hora e meia Carol Ribeiro, Saulo Vale, Vonúvio Praxedes e Carlos Santos dissecaram os resultados eleitorais e traçaram as perspectivas para os governos Fátima Bezerra e Jair Bolsonaro.

Também foi analisada conjuntura para o próximo ciclo eleitoral que desagua em outubro de 2020.

Confira no vídeo abaixo:

 

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Fátima conquistou Governo graças ao interior. Governar além da Reta Tabajara será o desafio

Nunca uma eleição para o Governo do Estado confrontou tanto capital x interior. Até 2018 quem venceu para a chefia do executivo estadual também era o mais votado em Natal e na região (Leste) onde fica a capital.

Em 2018 foi diferente. Fátima Bezerra (PT) venceu em 154 municípios sendo em 123 deles com mais 60% dos votos válidos (ver AQUI).

Na Grande Natal (região administrativa) a maioria de Carlos Eduardo Alves (PDT) foi de 57.602 votos (ver AQUI). Na região Leste, onde estão a maioria dos municípios da Grande Natal, a maioria a favor do pedetista foi mais apertada com 31.139 votos a mais.

Mas nas outras três regiões do RN (ver AQUI) Fátima impôs vitórias folgadas sobre o adversário que concentrou o bom desempenho praticamente em Natal e Parnamirim.

Somando as regiões Agreste, Central (que inclui o Seridó) e Oeste Fátima teve uma vitória de 631.105 (65,61%) x 330.657 (34,39%).

Quanto mais longe do entorno de Natal, melhor o desempenho de Fátima (63.55% no Agreste, 65.5% na Central e 66,91% no Oeste). Foi a população da Reta Tabajara para dentro que levou ela a vitória histórica do dia 28 de outubro.

Nunca uma governadora chegou ao poder com a votação tão concentrada no interior do Rio Grande do Norte. Fátima terá um compromisso imposto pelas urnas de fazer a economia do interior receber mais atenção e a população conhecer mais investimentos.

O desenho geográfico de sua vitória é um crédito de confiança e um recado para os futuros candidatos de que quem decide eleições no RN é o interior.

Levar mais investimentos em saúde, educação e segurança para além da Reta Tabajara será um desafio. Some-se a isso a necessidade de se interiorizar o turismo, trazer indústrias para gerar bons empregos e recuperar os investimentos da Petrobras.

O interior pode muito mais e o eleitor escolheu também rejeitar um candidato plenamente identificado com a capital do Rio Grande do Norte que teve dificuldades para levar o seu discurso para fora de Natal.

As expectativas sobre Fátima serão maiores nos lugares sempre esquecidos pelos governos. Se decepcionar o desgaste será na mesma proporção.

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Blog encerra temporada do Diário das Eleições com elite do jornalismo mossoroense

Time de peso estará presente na live de hoje

A temporada do Diário das Eleições realizada pelo Blog do Barreto no Facebook será encerrada hoje com um time de peso na live que será transmitida a partir das 21h nos nossos três perfis da rede social.

Confirmaram presenças os jornalistas Carol Ribeiro, Carlos Santos, Saulo Vale e Vonúvio Praxedes.

Deixamos para realizar a live com uma semana de atraso de forma proposital para esperar a poeira das eleições baixar e permitir uma avaliação mais abrangente com a presença de todos os convidados.

Links para acompanhar o vídeo:

Para assistir pela página pessoal clique AQUI

Para assistir pelo grupo do Blog do Barreto clique AQUI

Para assistir pela página do Blog clique AQUI

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CARTA DE OLAVO DE CARVALHO EM 2006 ANUNCIAVA AS DISCUSSÕES DO BRASIL DE HOJE

Por João Brizzi e Fabricio Pontin

The Intercept

EM JUNHO DE 2006, Olavo de Carvalho estava em um beco sem saída.

Ele havia se mudado há pouco mais de um ano para os Estados Unidos, época em que também perdeu sua coluna no jornal O Globo. Seu estilo bonachão e irônico, um estranho cruzamento da sofisticação clássica com a gritaria patriótica de Enéas Carneiro, não tinha feito muitos amigos para Olavo nos círculos intelectuais.

Parece estranho imaginá-lo andando entre jornalistas, mas Olavo acumulava passagens por Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, entre outros. Em dado momento dos anos 90, chegou a trocar farpas com Muniz Sodré, um dos fundadores da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Apesar dos desafetos criados, Olavo teve todo o tempo do mundo para estudar seu alvo – a esquerda brasileira – com alguma proximidade.

Planos traçados, o filósofo escreveu, no dia 20 de junho de 2006, uma carta pedindo doações pela internet para terminar um livro.

Identificando o inimigo

“Desde que cheguei aos EUA, em maio de 2005, assumi como dever pessoal, fora e independentemente do meu trabalho de correspondente jornalístico e da preparação do livro A Mente Revolucionária, informar ao maior número possível de jornalistas, intelectuais, empresários e políticos americanos a verdade sobre o estado de coisas no Brasil, a abrangência dos planos do Foro de São Paulo, a aliança entre partidos de esquerda e organizações criminosas, a colaboração ativa e essencial do governo Lula na revolução continental cujas personificações mais vistosas são Hugo Chávez e Evo Morales.”

No espaço de uma década, a ideologia de Olavo conseguiu derrubar um presidente e eleger outro.

Como diabos um intelectual marginalizado e exilado consegue influenciar, longe do Brasil, um movimento e se torna um dos maiores atores da direita na história recente do Brasil?

Para compreender isso precisamos, antes de mais nada, fazer algo que é proibido dentro dos altos círculos intelectuais brasileiros. Teremos de reconhecer alguns méritos de Olavão.

Entre 1994 e 1996, o escritor lançou uma triologia mezzo filosófica mezzo crítica à esquerda, na qual ele diz que a “elite formadora da opinião pública” teria aparelhado universidades, veículos de comunicação e o raio que o parta na missão de instaurar a mentalidade comunista sobre a incauta população brasileira. Na carta em que pede doações, ele explica as intenções do livro, nunca publicado e que teria objetivo imediato de “conscientizar a elite americana da loucura que faz ao dar suporte político, jornalístico e financeiro a organizações latinoamericanas de esquerda” que conspirariam “no sentido de manter uma ajuda bilionária sem a qual a revolução comunista na América Latina morreria de inanição”.

Olavo vai adiante e explica como, nos Estados Unidos, aprendeu o que é democracia:

“A democracia não dá liberdade a ninguém. Apenas dá a cada um a chance de lutar pela liberdade. A gente percebe isso, materialmente, na coragem e disposição de combate com que tantos americanos, hoje, se erguem contra o establishment esquerdista chique e não raro conseguem vencê-lo usando os meios postos à sua disposição pelo Estado de direito. Esses meios estão também ao alcance de quem deseje restabelecer a verdade sobre o Brasil.”

Para além disso, o filósofo goteja nomes famosos – Rockefeller, Foro de São Paulo, Ford e por aí vai – na missão de estabelecer ligações financeiras e políticas que justificariam a tal ascensão da esquerda no Brasil.

De certa forma, é como se a carta de Olavo fosse recitada a cada defesa de Bolsonaro, a cada fala de Kim Kataguiri pelo MBL e a cada briga no Zap da família. Mas se A Mente Revolucionária nunca saiu, como ele conseguiu espalhar a palavra?

O período de transição

No mesmo ano, Olavo começou a publicar o True Outspeak, podcast que usava para comentar política e cultura. Mas foi só em 2009 que ele deu início ao que seja, talvez, seu trabalho mais importante: o Curso Online de Filosofia.

Olavo reconheceu uma carência enorme de orientação por parte não apenas de jovens de direita, mas de jovens – ponto. Olavo ofereceu uma saída com uma linguagem sofisticada o suficiente para que o seu alvo não se sentisse burro, mas engraçada o suficiente para que ele se sentisse legal, e ofereceu isso nos termos da internet. Olavo criou fóruns de discussão, fazia crônicas semanais temáticas junto com apostilas de orientação intelectual falando dos clássicos gregos em uma linguagem acessível. Olavo, acima de tudo, entregava (e ainda entrega!) um excelente produto que dava retorno ao investimento feito pelo aluno.

Imaginem a surpresa de seus estudantes. Este cara que está nos Estados Unidos e manja de filosofia, misticismo, política e fala um monte de palavrão, esse cara responde minhas mensagens!, fala comigo como se eu fosse uma pessoa normal!, diz que eu sou inteligente!

Diante da postura intelectual dos baluartes da alta cultura nacional, que perdem tempo falando mal de funk enquanto vomitam lugares comuns sobre psicanálise e ignoram qualquer manifestação ou sentimento popular como uma espécie de sujeira acrítica, Olavão oferece uma alternativa: um mecanismo de inclusão dentro de uma espécie de alta cultura alternativa, algo que é, ao mesmo tempo, uma contracultura e uma comunidade onde transitam pessoas que acreditam ter acesso a um caminho alternativo – e melhor! – para pensar o mundo.

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Eram quatro os livros na mesa de Jair Bolsonaro durante o primeiro discurso do Presidente eleito: a ‘Bíblia Sagrada’; a constituição brasileira de 1988; ‘Memórias da Segunda Guerra Mundial’, de Winston Churchill; e ‘O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota’, de Olavo de Carvalho.

Até 2013, o olavismo era consideravelmente periférico, ainda que bem-sucedido. Entre 2006 e 2013, Olavo alimentou seus fóruns, fez visitas guiadas para seu bunker nos EUA, editou livros e organizou transmissões semanais em áudio e vídeo com sucesso absurdo. Também reeditou seus trabalhos de leitura dos clássicos (especialmente o Jardim das Aflições, livro da trilogia que o próprio Olavo ainda encara como sua magnum opus), e foi editado por Felipe Moura Brasil, influenciador político da Jovem Pan e O Antagonista, em O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota, coletânea de escritos seus.

Este último foi um divisor de águas: lançado em 2013, chegou às prateleiras das livrarias ao mesmo tempo em que o pessoal de verde e amarelo vagarosamente começava a aparecer nas ruas e a bater panelas. De repente, a frase “Olavo tem razão” aparecia em protestos. Figuras em preto e branco com o Olavão fumando eram carregadas por jovens que agora repetiam incessantemente uma ladainha sobre Foro de São Paulo, doutrinação gayzista-comunista e a presença de cloro na água para emascular nossos jovens – essa última é do Doutor Fantástico, mas vá lá. O livro teve mais de 300 mil cópias vendidas; mais de 12 mil alunos passaram pelas fileiras de seus cursos.

O estrago ainda era ignorado, mas já estava feito.

Olavo hoje

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Foto: Vivi Zanatta/Folhapress

De lá para cá, Olavo deixou de ser uma figura periférica para gradualmente se tornar a figura intelectual mais importante e influente do Brasil. Essa frase não vai nos fazer nenhum novo amigo nas universidades públicas, mas dane-se: Olavo de Carvalho se torna a figura intelectual mais importante e influente do Brasil ao entender que existe um movimento carente de uma linguagem que possa criar aderência rápida, que possa capturar a imaginação das pessoas sem grandes complicações e que, sobretudo, não ofenda as pessoas as chamando de burras – ou, para ser mais preciso, dizendo a todos que são burros, menos a seus seguidores.

Olavo detesta Gramsci. O velho marxista italiano admirado por muitos dos ideólogos do PT, inclusive, é um dos alvos mais constantes de ataque por parte do Olavão. Desde 1994 alguém – não nós – ouve o Olavão falando da nova classe intelectual, da multiplicação de uma hegemonia de esquerda, e usando os conceitos de Gramsci para acusar o governo Fernando Henrique Cardoso, ou Lula, ou Dilma, desta ou daquela nova e relevante conspiração para dominar tudo que a sociedade civilizada considera importante. É irônico, portanto, que Olavo, mais que ninguém no Brasil de hoje, se encaixe tão bem com o que Gramsci chamava de “intelectual orgânico” – aquele que se mantém conectado aos dilemas que o originaram.

Olavão, ao verificar que não havia clima para o tipo de discurso que ele andava fazendo ali no início dos anos 2000, fez um movimento estratégico para criar esse clima. Ele explora vulnerabilidades do nosso sistema educacional e da própria configuração do nosso ensino superior; ele explora a atitude classista da alta intelectualidade carioca e paulistana que teima em discutir esse ou aquele detalhe na obra de Adorno e não se dá conta que está alienando uma fatia enorme da população que teria, inclusive, potencial de colaborar para a construção de uma universidade realmente plural.

É fácil acusar seus admiradores de serem burros, manipulados, idiotas. Mas fazer isso é garantir uma manada de novos admiradores ao Olavo. É fácil dizer que Olavo é maluco, pirado, que ele comete erros na interpretação do livro Z da Metafísica de Aristóteles no Imbecil Coletivo, ou que a interpretação que ele faz deste ou daquele aspecto da fenomenologia husserliana é completamente inaceitável. Tudo isso é muito fácil. E também estúpido.

O leitor de Olavo está feliz da vida que alguém esteja falando com ele sobre todos esses temas ao mesmo tempo que fala sobre política, religião, mostra foto dos cachorros, vai caçar, admite que errou ou que acertou e ainda por cima lacra muito nos debates com esquerdopatas. O leitor do Olavo tem uma comunidade de afeto, política e intelectual, que ele dificilmente teria conseguido em qualquer universidade, especialmente nos termos que o professor oferece: uma inclusão sem conversão automática. É uma conversão gradual, voluntária, comunitária. Quando visto de perto, o fenômeno é absolutamente espantoso.

Agora, em 2018, Olavo pauta a direta e, indiretamente, a linguagem de Bolsonaro no horário eleitoral e tem impacto relevante em alguns dos deputados federais mais votados em São Paulo. Olavo virou um guru para toda a nova direita que se consolidou nestas eleições. Essa consolidação do discurso de Olavo, que passou da insignificância para a periferia e da periferia para o mainstream talvez tenha atingido seu ponto mais alto no último capítulo dessa novela ridícula, com Caetano Veloso atacando Olavo por ser autoritário e pedindo a “mobilização daqueles que não concordam com esse tipo de discurso”.

O ataque soa como um ato de desespero, fruto da percepção de que uma oportunidade foi perdida; uma tentativa de entrar correndo num trem que já passou. Caetano agora – quem diria? – ocupa posição periférica no discurso cultural brasileiro. Ele precisa surfar a onda de Olavo para tentar aparecer para além de seu público podre de rico sedento por rimas ricas. Caetano Veloso, um dos grandes símbolos da alta cultura, que já foi notícia até quando estacionou o carro no Leblon, precisa apelar para ser reconhecido por Olavo como alguém digno de discussão para realmente aparecer.

Caetano agora – quem diria? – ocupa posição periférica no discurso cultural brasileiro. Ele precisa surfar a onda de Olavo para tentar aparecer para além de seu público podre de rico sedento por rimas ricas.

Exausto, ele declara no final da carta:

“Preciso de ajuda já. Não quis pedi-la antes de chegar ao meu limite. Já cheguei. Por favor, me ajudem a salvar a honra do Brasil. Não quero chegar à velhice extrema pensando que vim de um país que se deixou estrangular sem exercer nem mesmo o direito de espernear. Quero exercer esse direito até o fim, com esperneadas vigorosas que pelo menos deixem o assassino da pátria com uma inesquecível dor na bunda.”

Se ele era uma piada, cabe perguntar quem está rindo agora.

A cultura agora é do Olavão. A gente só vive nela.

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Institutos de pesquisa falham no segundo turno. Veja quem chegou mais perto do acerto

Com exceção do Ibope, os institutos de pesquisa erraram acima da margem de erro no segundo turno nas eleições para Governo do Rio Grande do Norte.

O Instituto Seta também não ficou muito distante. Já Certus e Consult tiveram um percentual de erro mais significativo.

É preciso ponderar que a disputa de segundo turno é um embate de soma zero onde cada ponto percentual ganho é um a menos para o adversário.

Abaixo a tabela com ordem crescente de quem esteve mais próximo do resultado final das urnas.

 

Candidato Consult Certus Seta Ibope Urnas
Fátima Bezerra 52,7% 53,5% 54% 55% 57,60%
Carlos Eduardo Alves 47,3% 46,5% 46% 45% 42,40%
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Capitão Styvenson repassa sobras de campanha ao partido

Além de abrir mão do Fundo Partidário – e desta forma não utilizar um centavo sequer de dinheiro público para sua jornada ao Senado – o Capitão Styvenson fechou suas contas de campanha com um exemplo a ser seguido: ele doou R$ 1.176,34 à Rede Sustentabilidade, partido que o ajudou a ser eleito.

O dinheiro é sobra de recursos que o senador tinha disponível para empregar na disputa. Ou seja, é o que restou do dinheiro que foi doado por Styvenson para ele mesmo, e de doações de outras pessoas, que colaboraram financeiramente e acreditaram nas propostas do capitão.

“Eu queria poder repassar este dinheiro para alguma entidade carente, para pessoas ou instituições que realmente precisam, mas a Justiça Eleitoral não permite que eu faça isso. As sobras de campanha, que é justamente o dinheiro que não foi usado, deve obrigatoriamente retornar para a conta do partido, como determina a lei. Inclusive o dinheiro que eu doei para mim mesmo, que foi cerca de 75% de tudo o que usei, já que fiz questão de não trabalhar com recursos públicos, agora estou dando para o partido”, ressaltou o novo senador do Rio Grande do Norte.

A legislação não veda, porém, que o partido oferte esta sobra para alguma entidade beneficente, por exemplo. “Portanto, cabe à Rede doar ou não o dinheiro que repassei”, acrescentou Styvenson.

A transferência do dinheiro foi feita na manhã desta quinta-feira, dia 1º de novembro.

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Fátima venceu com 90% em um município. Carlos Eduardo por um voto em outro

Acima os placares extremos do segundo turno

Algumas curiosidades do resultado eleitoral seguem em aberto. Algumas delas passam pela maior e menor diferença percentual entre os candidatos.

Por coincidência os dois casos aconteceram em pequenas cidades do Alto Oeste.

A maior vantagem foi de Fátima Bezerra (PT) na cidade de José da Penha 90,62% a 9,38% de Carlos Eduardo Alves (PDT). Em Pilões, ela venceu por 90,11% contra 9.89%.

Já a vitória mais apertada foi em São Francisco do Oeste onde Carlos Eduardo venceu por apenas um voto.

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Pedido recusado pelo TRE dificulta tese da defesa de Kerinho e validação de votos que podem garantir mandato de Beto

Situação de Kerinho continua a mesma dos tempos das eleições

O caso Kerinho que envolve os destinos de Fernando Mineiro (PT) e Beto Rosado (PP) nas eleições deste ano tem um fato que pode ser determinante para o desfecho do caso.

Com a candidatura negada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por perder o prazo para entrega da documentação, teve a chance de corrigir a situação após ser intimado e mesmo assim não conseguiu cumprir a condição necessária para ser candidato.

O Blog chegou a registrar que não era possível retirar a certidão do registro de candidatura (ver AQUI).

Com o registro negado pelo TRE, foi necessário entrar com um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a tese de que houve uma falha no sistema de recepção de dados e documentos das candidaturas (Candex). No argumento da defesa essa seria a razão das certidões negativas e demonstrativo de parcelamento das multas não ter constado em seu requerimento.

A Coligação 100 % RN, de Beto Rosado e Kerinho, inclusive, chegou a pedir certidão ao TRE/RN com o objetivo de o tribunal declarar que os documentos necessários acompanharam o registro, mas o pedido foi indeferido pelo Presidente da Corte, Glauber Rego por ser inviável no Seção de Processamento de Feitos (SPF). “Conforme atestado pelo setor competente (SPF), mostra-se inviável do ponto de vista técnico, o atendimento ao pedido de nova operação no Sistema de Registro de Candidaturas – CANDEX por este se encontrar na situação ‘fechado’”, alegou o presidente Glauber Rego.

Em nível de TSE, os advogados de Kerinho solicitam que seja realizada uma verdadeira perícia no Setor de Tecnologia da Informação para que seja feita uma busca no banco de dados do candidato e se certifique que o documento de identificação, o comprovante de escolaridade e as certidões de 1ª e 2ª instâncias das Justiças Estadual e Federal foram apresentados pelo candidato dentro do prazo.

No entanto, o pedido esbarra na Súmula 24 do TSE que diz: “não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório”. Segundo o Blog apurou, a defesa de Mineiro alega que por isso não cabe reexame de provas.

São essas circunstâncias que levaram o ministro Jorge Mussi, relator do caso, a decidir monocraticamente pelo indeferimento do registro de candidatura.

Validação

A validação dos 8.990 votos de Kerinho na eleição para deputado federal faz com que a coligação 100% RN faça duas cadeiras abrindo espaço para Beto Rosado deixando de fora Fernando Mineiro, da Coligação Do Lado Certo.

Para saber mais clique AQUI

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