Ciro é racista ou nós é que não conhecemos nossa história?

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Capitão do Mato, o oprimido que impunha opressão

O pré-candidato a presidente da República Ciro Gomes (PDT) é racista? Não sei dizer. Já o entrevistei em duas oportunidades, mas não tenho qualquer contato com ele para cravar que sim ou não.

Mas comparar o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) a um capitão do mato é um gesto racista? Não. Quem vê racismo nisso é um racista ou não conhece os livros de história.

Então vos apresento o capitão do mato: era o funcionário das fazendas responsável pelas capturas dos escravos “fujões”. Muitos capitães do mato eram negros e por isso são sempre considerados traidores da causa de libertação dos escravos.

Por que existiam capitães do mato? Porque os militares se recusavam a cumprir a tarefa subalterna de correr atrás de escravos que fugiam em ato de resistência. O capitão do mato recebia recompensas por escravos “recuperados”.

Daí a inevitável comparação de negros que traem a causa negra com capitães do mato, repito.

Fernando Holiday é um traidor da causa negra? Diria que sim. Ele é contra as cotas raciais, reproduz o discurso da elite branca do “vitimismo negro”, ataca o movimento negro com frequência e nega a dívida histórica que o Brasil tem com os descendentes dos escravos.

Holiday é autor de um projeto de lei que acaba com a celebração do Dia da Consciência Negra que é feriado no dia 20 de novembro em São Paulo e em várias cidades brasileiras.

Fernando Holiday propôs acabar com as cotas raciais em concursos em São Paulo. Veja o que ele disse sobre o assunto:

“Nós negros e pobres podemos sim vencer na vida através do mérito, não precisamos ficar como vermes, como verdadeiras parasitas atrás do estado, querendo corroer cada vez mais e mais, com esse discurso de merda, com esse discurso lixo. Vocês fazem dos negros verdadeiros porcos no chiqueiro, que ficam fuçando a lama através do resto que o estado tem a nos oferecer. Pobres da periferia, negros da periferia, não se submetam a esse discurso”.

Não corrigir distorções históricas contra negros e pobres favorece brancos ricos e de classe média. O caminho do sucesso profissional para negros e pobres é muito mais tortuoso se ele não nascer com talento para música ou artes.

Não concorda?

Então vamos a frieza dos números. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 53,6% dos brasileiros se declaram negros ou pardos. Conforme o mesmo IBGE apenas 12,8% dos estudantes universitários são negros ou pardos.

Não precisa ser gênio para saber que isso é fruto de uma herança maldita de nosso passado deixada para os negros e não da incapacidade deles em conseguir alçar voos mais altos. Mecanismos como cotas (sou a favor de cotas sociais que beneficia em sua maioria os negros) servem para corrigir distorções e não fazer dos negros vermes, parasitas ou porcos chafurdando no chiqueiro como afirma Holiday. Palavras que distorcem o papel do Estado numa sociedade tão desigual como a nossa.

Por sinal, essas palavras do vereador do DEM, partido historicamente sem qualquer identificação com a causa negra, são muito mais próximas do racismo do que as declarações de Ciro.

Holiday alega que um negro pode vencer na vida pelo próprio esforço. É assim? Os números mostram que não. A desvantagem entre um negro um branco no Brasil começa na própria gestação. O caminho da infância a vida profissional para um negro tem muito mais percalços e criar mecanismos para que essa desigualdade diminua é legítimo.

Recorro ao IBGE mais uma vez: os negros são apenas 17,4% da faixa mais rica de nossa população.

Quando um negro como Holiday reproduz um discurso que não sugere mecanismo de inclusão social para os negros ele legitima um argumento que interessa a setores da elite branca que deseja perpetuar nossas injustiças históricas. Logo ele porta-se como um capitão do mato que tolhia a rebeldia dos negros que lutavam por liberdade.

Comparar Holiday a um capitão do mato nem de longe é um ato racismo. Ele se encaixa perfeitamente no perfil de quem traiu a causa negra como os capitães do mato no faziam no passado.

Diferentemente de Holiday, Ciro reproduz em todas as entrevistas a necessidade de se criar mecanismos de inclusão social. Ele repete como um mantra os dados do Atlas da Violência que aponta que a cada 100 homicídios no Brasil 71% das vítimas são negras.

Dizer que é racismo chamar de capitão do mato alguém como Holiday só reproduz mais racismo.

A BURRICE DE CIRO

Tão eloquente quanto loquaz, Ciro cometeu uma burrice ao comparar Holiday a um capitão do mato. Primeiro porque a maioria dos apoiadores do MBL, movimento cujo vereador paulistano é um dos líderes, não se dão muito bem com os livros de história. Segundo porque ele trouxe ao centro das atenções uma turma que estava em baixa na Internet nos últimos dias.

O MBL sempre soube jogar com maestria com a ignorância de setores da parcela conservadora da sociedade. Como a maioria das pessoas não sabem quem danado foi esse tal de capitão do mato nem conhece as ideias de Holiday vão compartilhar as palavras de Ciro no contexto imposto pelo fascistinhas travestidos de liberais.

O presidenciável abriu margem na entrevista a Jovem Pam para que interpretações distorcidas se propagassem na Internet.

Ciro tropeçou nas mesmo estando coberto de razão.

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Tião sinaliza apoio ao Governo, mas alerta: “vai depender do projeto”

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O empresário Tião Couto (PR) esteve hoje no Meio-Dia Mossoró da 95 FM. Ele não poupou críticas a gestão da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) que o derrotou nas eleições de 2016.

Ele disse estar disposto a abdicar de tentar um mandato de deputado federal em 2018 caso o PR feche com PP ou PSDB. “Já avisei que não subo num palanque com Rosalba e Ezequiel (Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa). Prefiro manter a coerência”, frisou.

Sobre o candidato ao Governo ele disse não se sentir empolgado por nenhum dos nomes postos e que só conversou com a senadora Fátima Bezerra (PT) de quem não descarta o apoio. Fora ela, só apoiaria Carlos Eduardo Alves (PDT) entre os nomes postos. “É preciso ter um projeto. A gente elegeu um governador sem projeto e deu nisso”, disse.

Ele também fez muitas críticas ao governador Robinson Faria (PSD) que na opinião dele está mais preocupado em viabilizar a reeleição do que em governar.

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Vereador deixa liderança da oposição para ser candidato a deputado

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Em pronunciamento na sessão da Câmara Municipal de Mossoró desta terça-feira (12), o vereador Genilson Alves (PMN) anunciou afastamento da liderança da bancada de oposição, para se dedicar à pré-candidatura a deputado estadual nas eleições deste ano.

“Agradeço aos colegas vereadores pela confiança depositada no meu trabalho, e aproveito a oportunidade para esclarecer que deixo a liderança de oposição para me dedicar a um projeto político maior, e não para fazer parte da bancada da situação”, assinala.

Para reafirmar sua coerência, Genilson Alves cobrou mais sensibilidade à gestão pública municipal, o que, segundo o vereador, gera falta de diálogo e ineficiência administrativa. “E os problemas estão nos quatro cantos da cidade”, diz.

O novo líder da oposição na Câmara Municipal de Mossoró ainda não foi anunciado oficialmente.

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Um resumo do atraso do RN em dois atos

Carlos Eduardo Alves (PDT) foi eleito para ser prefeito de Natal até 31 de dezembro de 2020. Largou tudo para realizar o sonho de ser governador do Rio Grande do Norte. Trata-se de um anseio pessoal.

O vice dele, Álvaro Dias (MDB), assumiu a Prefeitura de Natal. Em vez de cuidar da cidade que está cheia de problemas ele pressiona vereadores da base a reforçar a candidatura do filho dele, Adjuto Neto, a deputado estadual. O assédio é tão grande que três edis já romperam com o emedebista.

O projeto pessoal é a prioridade número um do prefeito que virou vice.

Entendeu porque o Rio Grande do Norte não vai para frente?

Projetos pessoais estão acima do interesse público.

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Um nicho eleitoral ignorado em Mossoró pelos pré-candidatos ao Governo

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Nas eleições de 2016, Rosalba Ciarlini (PP) foi eleita pela quarta vez prefeita de Mossoró com 67.476 votos num universo de 167.120 eleitores. Em números absolutos mais de cem mil eleitores deixaram de votar na chefe do executivo estadual.

Os adversários da prefeita somaram 65.114 votos. O restante se distribuiu entre brancos, nulos e abstenções.

Hoje é perceptível a olho nu que a popularidade da prefeita não é das melhores. Falta apenas uma pesquisa para materializar isso, mas a oposição parece fazer questão de não explorar isso.

Resultado: a fama de maior eleitora de Mossoró está intacta e os pré-candidatos ao Governo do Estado não estão se atentando a isso.

O antirosalbismo existe mesmo com uma oposição desarticulada. A preguiça e o desconhecimento sobre como está o quadro político em Mossoró criou uma falsa dependência do apoio de Rosalba para conquistar o eleitorado mossoroense.

Trata-se de um equívoco estratégico que até mesmo a senadora Fátima Bezerra (PT), tradicional adversária do rosalbismo, está cometendo.

Há um vácuo de liderança em Mossoró desde que as duas principais alas da família Rosado se uniram após mais de 30 anos de arengas. Ninguém ocupou.

Passado

Quando os Rosados eram um bloco monolítico, não existia adversários em Mossoró com potencial para derrota-los. Na ausência de uma liderança forte, Aluízio Alves mesmo com base na capital acabou se tornando o principal contraponto ao rosadismo na cidade. Sua atuação por aqui era intensa.

O mesmo acontece hoje em Mossoró, mas com a diferença de que até mesmo uma liderança de nível estadual poderia ocupar esse vácuo formando um grupo na cidade como Aluízio fez no passado.

Os tempos são outros, mas a história mostra que é possível conquistar uma boa votação em Mossoró sem o apoio da prefeita (e Prefeitura).

Os números estão aí para mostrar que é possível. Basta deixar o óbvio de lado e usar um pouco de criatividade e ousadia.

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Enquete da semana: Na sua opinião vale a pena votar branco ou nulo nas eleições deste ano?

Muita gente defende o voto branco/nulo nas eleições deste ano em protesto contra os políticos. Mas esse tipo de ação resolve o problema da nossa política?

Esse é o tema da enquete desta semana do grupo do Blog do Barreto no Facebook.

Entre e participe AQUI               

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