Grupo alternativo começa a se formar para as eleições de 2018 no RN

Empresários
Convivência com elite política é uma faca de dois gumes para alternativas de 2018

Há quem diga que uma das consequências da Lava Jato será o surgimento de uma nova classe política. De onde emergiria do caos esse povo? Há uma corrente que ela virá de uma classe social alheia aos acontecimentos da política.

Seria um outsider, o sujeito que vem de fora do sistema e ocupa os espaços políticos.

No Rio Grande do Norte, onde praticamente toda a elite política está enrolada nas delações da vida, um grupo começa a se articular.

A inspiração é o projeto Mossoró Melhor que disputou sem sucesso as eleições de 2016, mas fez Tião Couto (PSDB) surgir como liderança emergente na política mossoroense.

O nome trabalhado por esse grupo é o do empresário Marcelo Alecrim. Ele pode disputar Governo do Estado ou Senado. Tião e Jorge do Rosário (PR) seria cotados para as disputas proporcionais.

Há um vácuo de poder no Rio Grande do Norte e a classe empresarial percebeu isso. Os senadores Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (DEM), maiores lideranças do Estado nos últimos 30 anos, estão em queda livre com as imagens carbonizadas pela Lava Jato, que parece lavar com fogo a política brasileira.

Não será fácil Marcelo e seus congêneres conseguirem trabalhar essa formação de grupo alternativo. O discurso de alternativa política é capenga e não resiste a uma foto. Marcelo vive ao lado do enroladíssimo ex-deputado federal João Maia. Os dois estiveram no sábado em Tibau visitando Tião Couto. Na ocasião eles apararam as arestas com o empresário mossoroense Jorge do Rosário que foi vice da chapa tucana.

Jorge entrou pela porta da frente na política ao resistir as pressões partidárias e escolher ser vice de Tião e não da favorita Rosalba Ciarlini (PP) como queria João Maia. Ele aproveitou a visita para conversar sobre o assunto, aparando arestas e garantindo a permanência do aliado no PR.

Se em Natal Marcelo Alecrim anda com João Maia, em Mossoró Tião caminha com Fafá Rosado, ex-prefeita de Mossoró e política tradicional.

Há uma faca de dois gumes nesse comportamento: de um lado a demonstração de maturidade de que não se faz política sem políticos, do outro a sensação de contradição assombrando o discurso de quem se desvincula da política para atrair aquele eleitor que enche a boca para dizer que tem “nojo de político”.

Em princípio o projeto parece ser interessante para oxigenar a política potiguar em tempos de falta de alternativas e de um governo até aqui acéfalo de Robinson Faria (PSD).

Uma coisa é certa: o modelo oligárquico da política potiguar está esgotado.

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Imagem de “grande gestor” de Carlos Eduardo está abalada

Protesto em Natal
Sindicatos tocam terror no governo Carlos Eduardo que atrasa salários

Abertas as urnas nas eleições do ano passado saltou um favorito ao Governo do Estado em 2018: Carlos Eduardo Alves (PDT). Com 63,42% dos votos válidos ele venceu com folga no primeiro turno num pleito em que não permitiu ter adversários.

Nas idas e vindas da política natalense, o prefeito foi beneficiado pela catastrófica gestão de Micarla de Souza antes e depois da passagem dela pelo cargo. Foi ele quem antecedeu e sucedeu a ex-política que não deixou saudades na capital do Estado.

Ao ser reeleito com a maior margem já vista na capital do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo chegou lá graças a fama de “grande gestor” construída as custas do péssimo desempenho de Micarla.

Ela foi um cabo eleitoral e tanto. Parou nisso!

Embora tenha passado a imagem positiva nos últimos quatro anos, Carlos Eduardo tão logo passou o pleito passou  atrasar salários. A situação provocou vários protestos dos servidores e sindicatos.

Some-se a isso a crise no sistema prisional cujos reflexos caem nas costas dele por ter sido o secretário de justiça e cidadania responsável pela construção da Penitenciária de Alcaçuz palco na barbárie exibida em rede nacional.

Se Carlos sonha ser governador, ele já foi disputou o cargo em 2010 (fato que sinaliza interesse no posto), vai precisar ter muito cuidado porque a imagem de “grande gestor” está definitivamente abalada pelos fatos.

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Exposição de plano B de Robinson é sinal que governador jogou a toalha

robinson-faria

A mídia natalense sempre dócil com o governador Robinson Faria (PSD) especula que o grupo dele pode lançar o presidente do Tribunal de Justiça Cláudio Santos para disputar o Governo em 2018.

O plano seria por Robinson numa disputa pelo Senado ao lado de um nome do PSDB que poderia ser o empresário mossoroense Tião Couto ou o presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira.

Seria um caminho mais fácil para o chefe do executivo estadual. Afinal de contas a disputa para o Senado está mais em aberto que o Governo pelo menos no cenário atual. Espera-se que em 2018 o prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) seja um favorito sem adversários. Enquanto isso José Agripino (DEM) está profundamente desgastado e Garibaldi Filho (PMDB) não vai bem das pernas em termos de saúde.

A especulação de Cláudio Santos candidato ao Governo do Estado é viagem de imprensa natalense em tempos de falta de assunto? Até diria que sim se o próprio magistrado não tivesse admitido a possibilidade.

Casando essas informações com o fato do governador ter afirmado publicamente que aconselhou o prefeito publicamente a não ser candidato e o criticou por não ter tido a humildade de recuar, fica o sinal de que o governador não tentaria ser candidato apenas para se defender.

O plano B não seria de todo mal. Além de ir para uma disputa teoricamente menos inglória, Robinson ainda abriria espaço para a esposa dele, Juline Faria ficar elegível. Ela tem dado sinais que quer entrar na política, inclusive, participando de várias campanhas de prefeito pelo interior do Estado.

Ainda temos quase dois anos para 2018. Pode parecer longe para nós. Para os políticos o tempo tem outra velocidade.

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