Candidato a vice-prefeito se diz surpreso com a ação do MPF

Sampaio se defende de acusação (Foto: reprodução/Blog do Barreto)

O médico Daniel Sampaio (PSL) gravou vídeo se dizendo surpreso com a denúncia do Ministério Público Federal que o acusa de propagar fake news contra as universidades federais em especial a UFERSA.

Ele questionou o fato de a denúncia aparecer no dia seguinte após ele ter o nome homologado como vice na chapa da ex-prefeita Cláudia Regina (DEM).

Confira o vídeo:

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Candidato a vice-prefeito é denunciado por propagação de fake news

Daniel Sampaio é alvo de ação do MPF (Foto: reprodução/TCM)

O médico Daniel Sampaio (PSL), candidato a vice-prefeito na chapa da ex-prefeita Cláudia Regina (DEM), foi alvo de denúncia do Ministério Público Federal por propagação da fake news contra a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).

Em uma entrevista à TV Cabo Mossoró (TCM) ele acusou falsamente essas as universidades federais de não prestarem conta dos recursos recebidos, de promover o vício em drogas entre os alunos e ainda tratou com preconceito os estudantes que usam tatuagens.

“A afirmação do réu é difamatória e preconceituosa e não corresponde à realidade dos professores e alunos”, enfatizam os procuradores da República Emanuel Ferreira e Fernando Rocha na peça que fundamentou a Ação Civil Pública.

Na última edição da Pesquisa Nacional de Perfil dos Graduandos das Instituições Federais de Ensino Superior (de 2018) apontou que em nível nacional 89,2% dos alunos responderam que nunca usaram drogas ilícitas, dentro ou fora das instituições. Na Ufersa esse percentual foi de 95,3%.

Na época a UFERSA emitiu nota questionando a postura do médico que agora é candidato a vice-prefeito: “Ao invés de promover um ambiente de estímulo ao uso de drogas, a Ufersa promove ações institucionais de prevenção e conscientização e combate, em especial ao comércio ilegal de substâncias”.

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O RN no banquete das fake news

Por Fernando Mineiro*

A sociedade potiguar precisa ficar atenta às manobras para servir fatias do nosso estado no banquete de fake news de pessoas, grupos e partidos alinhados com a perversão da política em politicagem. Nas últimas semanas, um deputado federal e um ministro potiguar têm citado sistematicamente o Governo do RN, atribuindo-lhe o que não fez e subtraindo a autoria do que está fazendo. Porém, no angu servido pelos dois, há caroços bem visíveis: os interesses de ambos nas eleições deste ano e de 2022.

O parlamentar já tornou público o desejo de disputar a Prefeitura de Natal. O ministro quer emplacar candidatura ao Senado ou ao Governo do Estado daqui a dois anos.  Em resumo: os dois falam e agem por puro cálculo político. Sem obras concretas, feitos significativos ou força popular para impulsionar voos mais altos, eles tentam construir uma carteira de realizações disputando ações e atribuições do governo local.

Nos meios e nos fins, os dois revelam-se discípulos aplicados do seu guru, que age cada vez mais como candidato e cada vez menos como governante. E daí? E daí que, ao dizer que o Governo do Estado abandonou a barragem de Oiticica, o parlamentar não serve à verdade nem ao povo potiguar. Terça-feira (18), a governadora Fátima Bezerra esteve em Oiticica para entregar o projeto de urbanização da Nova Barra de Santana, comunidade das famílias removidas da área a ser inundada.

As obras realizadas sob administração do Governo do Estado em Oiticica estão em ritmo normal. A construção de Nova Barra de Santana, com 217 casas, escola, unidade de saúde e outros serviços públicos, já chegou a 56% de execução. A construção da parede da barragem, a 83%. E, o mais importante, a atual gestão encaminhou ao Governo Federal um novo Plano de Trabalho, corrigindo as omissões e incluindo todos os serviços necessários à conclusão da obra e que não foram observados em governos anteriores.  E daí? E daí que a oposição não quer ver o Governo do Estado trabalhando bem, fazendo obras que melhoram a vida nos municípios.

O que aconteceu em outra barragem do Seridó, a Passagem de Traíras, mostra bem o que está em curso. A barragem estava sem manutenção havia décadas, com risco de rompimento. O atual Governo do Estado elaborou o projeto da reforma e tocava normalmente o trabalho, de forma transparente, inclusive divulgando que parte dos recursos veio da União, mas foi afastado pelo Governo Federal, que assumiu a execução da obra.

A obsessão por esconder o bom trabalho do Governo do RN e assumir a paternidade das obras levou o presidente da República a ignorar a governadora em agenda no estado. Uma pirraça pessoal e também uma descortesia com o Rio Grande do Norte, que tem dois ministros no Governo Federal. Um comportamento antirrepublicano, um vale-tudo que apequena o cargo e a institucionalidade necessária nas relações entre os entes federativos.

O presidente, o parlamentar e o ministro deveriam saber que a sociedade vê e pune os métodos dos quais se valem. Aliás, o ministro já sabe. Em 2018, foi rejeitado nas urnas, como troco por ter sido o relator no Congresso Nacional da lei que retirou direitos dos trabalhadores e instituiu modalidades abusivas de relações trabalhistas.

*É Secretário de Gestão de Projetos e Metas do RN

Este artigo não representa a mesma opinião do blog. Se não concordar, faça um rebatendo que publique como uma segunda opinião sobre o tema.

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O perigo das Fake News para a sociedade e o impacto às pessoas e instituições

Por Cristiano Magalhães*

Em tempos de Fake News, não podemos mais acreditar em tudo que lemos, vemos ou ouvimos, principalmente em redes sociais ou grupos de mensagens. Esse fenômeno é uma fonte de desinformação e, por isso, devemos ter atenção redobrada quando recebemos alguma notícia, não importa o meio que ela chegue até nós.

Numa tradução direta, as notícias falsas são informações divulgadas por qualquer meio que não corresponda com a verdade de um fato, a popular e já conhecida mentira. A divulgação destas não é novidade, mas com o alcance proporcionado pela internet, intensificado pelas redes sociais, elas se tornaram ainda mais comuns. E não há limites. Podem estar relacionadas às pessoas, ciência, política, religião, economia, esportes, etc.

A divulgação de notícias falsas pode acarretar sérios prejuízos às pessoas e instituições, tais como, manipulação de comportamentos, prejuízos morais e financeiros para pessoas e empresas, criação ou aumento de sentimento de revolta, estímulo ao preconceito, agravamento de surto de doença.

Imagine, por exemplo, que “A” divulga uma fake news sobre “B”, e que esta notícia seja repassada por outras em uma rede social, chegando ao local de trabalho de “B”. Em razão desta notícia, a empresa considera a conduta supostamente praticada pelo empregado não condizente com a cultura empresarial a ponto de demitir o empregado.

Além do aspecto trabalhista, outros desdobramentos podem ocorrer: “B” pode denunciar “A” pela prática de difamação (art. 139) ou injúria (art. 140), previstos no Código Penal. “B” pode propor uma ação na Justiça Civil pedindo a reparação de danos à sua imagem e sua honra, ou de ressarcimento de danos patrimoniais causados pela divulgação da fake news .

Agora, imagine o quanto uma notícia falsa pode impactar uma cidade, um estado, o país todo, por exemplo, quando o tema envolve políticas de saúde pública como a ineficiência de vacinas, ou quando envolve questões relacionadas a economia, contratos empresariais, condutas de ocupantes de cargos públicos.

Cabe a cada um de nós ser um obstáculo para a propagação de notícias falsas. Estarmos atentos à origem da notícia, desconfiar de fontes de informações sem autoria ou vínculo com instituições tradicionais, procurar confirmar a notícia com mais de uma fonte, não se deixar levar por manchetes sensacionalistas e ler o conteúdo das notícias é essencial. Buscar informações diretamente com os órgãos oficiais quando possível, essas são algumas medidas importantes que devemos tomar para nos precaver.

Tanto na leitura, como na partilha de notícias, é bom lembrar daquele velho ditado popular, “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

*É advogado especialista nas áreas civil e trabalhista.
Este artigo não representa a mesma opinião do blog. Se não concordar, faça um rebatendo que publique como uma segunda opinião sobre o tema.
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Câmara Municipal de Mossoró é alvo de fake news

A Câmara Municipal de Mossoró foi alvo de fake news nas redes sociais com o objetivo de induzir o público a achar que foi concedido um reajuste de 32% aos vereadores. A enganação se deu com o compartilhamento de uma notícia de 2016 do G1RN como se fosse atual.

Confira a nota:

NOTA OFICIAL

A Câmara Municipal de Mossoró esclarece ser falsa notícia sobre reajuste de 32% no salário dos vereadores, divulgada em redes sociais, nesta terça-feira (4). Trata-se de matéria de quatro anos atrás, publicada no portal G1 RN em 2016, disseminada como atual para enganar o público.

O vídeo indicado no link, aliás, sequer está disponível. Em nome da verdade, o Poder Legislativo recomenda não compartilhamento do material. Lamenta o episódio e repudia a divulgação de conteúdo intencionalmente enganoso, para semear a desinformação na Internet.

Câmara Municipal de Mossoró
Palácio Rodolfo Fernandes
Terça-feira, 4 de agosto de 2020

Nota do Blog: que coisa! Resgatar uma notícia antiga e compartilhar como se fosse atual é uma das coisas mais nojentas que se faz nas redes sociais.

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OAB/RN realiza debate sobre fake news

A Seccional do Rio Grande do Norte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RN) OAB/RN realiza nesta quarta-feira (5), às 17h, por meio de videoconferência um debate sobre fake news.

A transmissão será pelo canal do Youtube da OAB/RN.

A videoconferência será mediada pelo presidente da OAB/RN Aldo Medeiros tendo como debatedores o ministro Carlos Bastides Horbach do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os magistrados Erich Endrillo (TRE/DF) e Fernando Jales (TRE/RN), além do advogado Cristiano Barros (IPDE).

O evento virtual faz parte da programação do Mês da Advocacia comemorado pela OAB/RN.

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João Maia acusa oposição de espalhar fake news sobre votação do auxilio emergencial

João Maia se defende (Foto: arquivo)

Em entrevista ao Radar Costa Branca, da FM 104, de Areia Branca, o deputado federal João Maia (PL) se posicionou a respeito do voto contra a proposta que previa manter o auxílio emergencial enquanto durar a pandemia.

O parlamentar alegou questões orçamentárias para justificar a posição e acusou a oposição ao presidente Jair Bolsonaro de praticar fake News.

Assista e depois voltamos ao assunto:

Nota do Blog: o deputado federal confunde emprega indevidamente a expressão “fake news” que é quando um veículo de comunicação divulga uma notícia falsa com intenção de atacar a reputação de alguém sem qualquer compromisso com o contraditório e os fatos. Neste Blog e em todos os veículos que noticiaram o assunto a informação é de que somente dois deputados do Rio Grande do Norte votaram a favor da proposta. O próprio João Maia admite que houve a votação e explica os motivos pelo qual votou contra. O resto fica por conta da guerra de narrativas, mas daí a sair falando em fake news é um exagero.

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Liberdade de Ofensas

Por Fernando Rizzolo

Uma das características da nossa Constituição de 1988 é a determinação da Liberdade de Expressão, principalmente nos incisos IV e IX do artigo 5º. Poderíamos dizer que foi um grande avanço, pois vínhamos de um regime militar em que a censura estabelecia o cerceamento do livre expor das ideias. Contudo, uma observação deve ser avaliada em um contexto não apenas político, mas na esfera social em que se davam as relações interpessoais nos últimos anos do regime de exceção até os dias de hoje.

Para nos aprofundarmos no conceito social muito influenciador a partir dos anos 80, temos que traçar duas vertentes, uma na esfera cultural, na qual se esboçava a liberdade de não mais aprisionar as crianças em uma educação mais rígida ou mais antiga, seguindo os novos preceitos da psicologia, que preconizava liberdade em excesso às crianças, e outra ampliada pela televisão, que, através das novelas, mostrava jovens desrespeitando seus pais e até contestando sua educação. Na época, costumava-se dizer de forma jocosa que “os psicólogos defendiam que todos problemas dos jovens eram advindos da educação dada pelos pais”, jargão que se utilizava para justificar inclusive no inconsciente coletivo dos pais que foram reprimidos, ou tiveram uma “educação antiga”, que as regras mudaram, que o caminho certo para a felicidade futura dos filhos era deixá-los fazer o que quisessem, para não serem “traumatizados”.

Criamos, assim, uma geração de mimados, inseguros, contestadores sem fundamentos, que, com o advento da Constituição de 1988, que consagra a Liberdade de Expressão, tiveram seu comportamento legitimado por nada menos que a Carta Magna.

Foi assim que, ao surgir um governo de direita, que faz uso de palavrões, xingamentos e propõe o politicamente incorreto, ocorreu uma explosão que subverte preceitos constitucionais, levando ao desrespeito por parte dos jovens da geração nascida a partir dos anos 70 com relação aos mais velhos.

E é com esse pensamento, com essa reflexão político-social que engloba todo um histórico de desrespeito às instituições, aos pais, aos que pensam diferente, que a direita canalizou essa força histórica de educação não opressiva para a novidade explosiva: culpar a esquerda, desrespeitar as instituições, xingar autoridades e até ameaçar membros do Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, último baluarte da defesa do Estado Democrático de Direito.

Nessa “balbúrdia” generalizada, foi necessária então uma investigação por parte do STF sobre as fake news, uma vez que todos sabemos que o STF é composto por pessoas de notável saber jurídico, defensores da Constituição, juristas renomados que se dedicam ao labor da manutenção do devido processo legal e que jamais poderiam ser ameaçados, ultrajados, desrespeitados, num verdadeiro atentado à democracia do nosso país.

Portanto, quando alguém grita na frente da casa de um Ministro ou de uma autoridade, como se dizia antigamente, “a culpa é dos psicólogos, pois não podemos contrariar as crianças”. Com todo respeito aos psicólogos e sublinhando aqui que não concordo com essa afirmação leviana que se fazia outrora não só no Brasil, pois talvez seja ela mesma o motivo de o Brasil precisar hoje se sentar no divã e iniciar um processo de “livre associação”, obviamente não a tal associação criminosa, tão em moda nesse nosso pobre país.

 Advogado, Jornalista e Mestre em Direitos Fundamentais 

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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Se cair na fake news não peça impeachment

Foi totalmente desproporcional a divulgação do arquivamento do pedido de impeachment da governadora Fátima Bezerra (PT), do vice-governador Antenor Roberto (PC do B) e do secretário de saúde Cipriano Maia. Bem diferente de quando o advogado Rilyonaldo Jaerdson Ferreira Marques anunciou que estava entrando com a ação.

Pouco importou, claro, que ele fizesse mistério com o conteúdo do pedido alegando “questões éticas”.

Mas o parecer elaborado pela Procuradoria da Assembleia Legislativa e assinado pelos deputados estaduais da Mesa Diretora é didático para quem acha que pedir impedimentos de governantes é brincadeira de mesa de bar ou resenha de grupos de WhatsApp.

É preciso lembrar que o advogado alegou que a governadora fez compras sem licitação, divulgou estudos com projeções sobre a covid-19 que não se confirmaram (cansei de explicar que aquilo não era adivinhação), que a governadora mandou alterar um atestado de óbito para constar que uma morte foi causada por covid-19 e que a atual gestou descumpriu decisão judicial que previa pagamento de retroativos a servidores do Detran.

Feito o necessário preambulo vamos ao que consta no parecer que enxotou a denúncia dos trâmites legislativos.

O vexame da peça que pedia o impeachment da governadora, do vice-governador e do secretário de saúde começa a ser apontado na página 11 do parecer quando o procurador da Assembleia Legislativa Sérgio Freire mostra que Rilyonaldo Jaerdson Ferreira Marques se apresentou com documentos apócrifos para pautar a denúncia e sequer apresentou comprovantes de que esteja no gozo dos direitos políticos, condição necessária para formular este tipo de pedido:

“É fato, que cuidou o Denunciante, em reconhecer sua firma aposta na peça inaugural, juntou cópia de um documento de identificação e outros documentos apócrifos. Todavia, nenhum documento incorporado ao pedido encontra-se autenticado ou declarado como verdadeiro, o que deixa de emprestar-lhes o mesmo valor do original, tampouco, esqueceu de apresentar um documento essencial para formatação do processo de responsabilização dos Representados, qual seja, o título de eleitor ou certidão de quitação eleitoral, condição sine qua non para sua formatação, eis que o Denunciante deve comprovar que se encontra em posse plena dos seus direitos políticos”.

Além de mostrar que os argumentos usados não se encaixam como crime de responsabilidade, o procurador Sérgio Freire mostrou (com palavras mais elegantes, digamos assim) na página 18 do parecer que o autor do pedido se baseou em fake news para entrar com o pedido.

Confira:

“Da leitura dos autos, prepondera-se, de forma clara, a ausência de justa causa para admissibilidade do pedido de instauração do processo contra os Representados, pois, dos fatos que ensejam o pedido, ou se verifica que as narrações não possuem verossimilhança, ou de que se referem antes à interpretação sobre fatos, do que propriamente a fatos que permitam a corrente de interpretações logicamente desautorizadas pelo mínimo suporte probatório trazidos aos autos.

Aliás, é de bom tom destacar que o pedido não apresentou nada além do que notícias de blogs. Não traz elementos que permitam conhecer dos fatos, e quando remete a um possível descumprimento de decisão judicial, sequer junta qualquer comprovação desse ato. Em verdade, remete a uma possível sentença, mas, contudo, sequer traz à baila. Portanto resta divorciado os fatos em exame, com o suporte probatório mínimo exigido. Em nenhum documento apresentado encontra-se impressa a ordem das autoridades representadas de descumprimento de ordem emitida pelo Poder Judiciário”.

Só aqui eu já poderia parar, mas o parecer ainda aponta mais falhas técnicas como a incapacidade do autor de conectar os fatos narrados com a realidade.

Constata-se de pronto que: a) a denúncia não narra o elemento subjetivo do tipo nem as circunstâncias fático-probatórias que evidenciassem, ao menos para o efeito de recebimento da denúncia por indícios, pois da narração da denúncia, não se infere conduta representativa de expedição de ordens, fazer requisições ou infringir as normas legais. Sendo certo, ainda, que a denúncia não estabelece qualquer vínculo objetivo-subjetivo entre os Representados e a expedição de qualquer ordem determinando a inserção de dados inexistentes em atestado médico; b) a denúncia é excessivamente genérica em relação à individualização dos elementos objetivos do tipo, na medida em que omite-se do dever de definir, dentre os verbos nucleares do tipo, a hipótese que efetivamente corresponderia à ação praticada por cada Representado. 

Rilyonaldo Jaerdson pediu impeachment se baseando em notícias não comprovadas, aponta parecer (Foto: redes sociais)

O advogado Rilyonaldo Jaerdson Ferreira Marques alegou ética para não mostrar a denúncia, mas não conseguiu sequer comprovar que estava no gozo dos direitos políticos quantos mais que a tese dele se pautava em crimes que dizia denunciar.

Se Fátima Bezerra, Antenor Roberto e Cipriano Maia assim desejarem podem até processar o autor do pedido de impeachment.

Por fim, deixo um conselho: se cair na fake news não peça impeachment.

Confira aqui o parecer que arquivou o pedido de impeachment

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O bolsonarismo é muito mais do que uma máquina de notícias falsas

Por Ronaldo Pagotto*

É preciso chamar as coisas pelo seu nome. Mas só nominar não basta. É preciso compreender como funcionam e suas bases de estruturação, especialmente se queremos (precisamos) derrotá-las.

A ascensão de forças neofascistas tem sido um dos aspectos mais assustadores da conjuntura brasileira e da profunda crise de múltiplas dimensões que estamos vivendo. No centro a crise do capitalismo é geradora de um quadro em que as forças mais atrasadas se lançam para disputar a sociedade.

A designação como neofascista é um tema recorrente, mas não é demais abordar. É uma designação que considera parte das forças políticas da direita com os mesmos métodos daquelas experiências fascistas nascidas nas crises no século XX. Mas não só isso. É distinta. Ainda está em desenvolvimento e não alcança os contornos das experiências do passado, especialmente a presença de um forte movimento ultraconservador de massas. E isso ainda não há.

A superação da etapa de como chamar essa força e fenômeno político em curso exige passar para o tema de compreender o seu modus operandi. E não basta resumir a uma máquina de notícias falsas. Isso é uma parte da engenharia do caos bolsonarista em uma referência do italiano Giuliano da Empoli.

A arquitetura da força bolsonarista é muito sofisticada. Científica. Combina, como na realidade, caos e ordem e sem compreender isso o nosso diagnóstico nos levará a erros graves. Uma advertência precisa ser feita: sofisticada não significa impecável ou uma fórmula imbatível. Significa só que precisamos superar as visões de que se trata de um método baseado nas notícias falsas circulando em grande amplitude. Não é essa “Brastemp”, mas é eficiente para disputar e por isso é importante compreender sua sofisticação.

Sobre essa engenharia complexa e sofisticada, apresentamos doze principais pilares para sua sustentação:

Primeiro: a democracia brasileira tem sido incapaz de enfrentar os graves problemas brasileiros. Um país com a maior desigualdade social do mundo e uma das maiores concentrações de renda e riqueza. Dentre muitos outros. A crise econômica atual é um aditivo importante para que essa democracia seja objeto de questionamento, desconfiança, crítica e até mesmo desprezo. Para grande parte do Brasil as conquistas advindas dos governos liderados pelo PT foram fruto do trabalho ou de graça divina. Nem quando ela cumpre um papel na vida real a percepção é distinta. Há um desapego a essa conquista e promessa de meio para enfrentar os grandes problemas e o bolsonarismo usa isso.

Segundo: a utilidade do ceticismo. Pessoas estimuladas a não acreditarem em nada e a contestar notícias, grande imprensa, estado e demais instituições. Não sem auxílio dos desacreditados, com destaque para a grande imprensa, que é useira e vezeira em desinformar e manipular a opinião pública. Isso facilita a construção do ceticismo. E essa pessoa que não acredita em nada é um perfil muito útil para ser manipulado pelas emoções, pelo medo, pelos estímulos direcionados a partir dos grupos são os caminhos para manipular as pessoas. Para isso o estímulo permanente a descrença, descrédito das instituições e até mesmo da ciência. Tem bases aparentemente irracionais, mas são claramente um método útil para manipular a população.

Terceiro: não te convenço de uma ideia, mas te mostro que as outras são falsas saídas , assim como as lideranças e organizações. Não há apresentação de uma proposta de conjunto para o Brasil e os graves problemas, mas sim um apanhado de proposições costuradas com linha frágil e em grande medida são medidas reativas: menos estado na economia, contra o politicamente correto, contra os ataques a família, Deus, as tradições e outros. A força da mensagem é um aspecto importante da capacidade da disputa política. E as organizações políticas expressam a mensagem por ações e sobretudo por suas lideranças. Atacar e destruir a imagem de figuras públicas e as organizações políticas é parte desse método. Antes de conquistar a simpatia para propostas concretas apresenta contra o quê se luta e quem deve ser destruído. Cotidianamente figuras como Lula, Dilma, Haddad, Ciro e Boulos são atacados para alavancar a rejeição a eles. Por ela se alcança a rejeição das propostas vinda deles e de suas organizações. É uma estratégia muito mais eficaz do que silenciar os opositores porque tira da mensagem qualquer sentido em razão da rejeição racional e irracional construída sobre as pessoas e organizações políticas.

Quarto: a velha manipulação de massas. De Marx a Willian Reich as ideias hegemônicas da sociedade são sempre as ideias das classes dominantes. A manipulação é um estágio mais agudo dessa dominação e no quadro atual alcança níveis impressionantes. Por óbvio que isso não é sem esforços para contestação e contraditório, mas todos os esforços são muito inferiores ao necessário para enfrentar essa hegemonia conservadora. E a manipulação conjuga sempre emoção e razão e isso é parte da mensagem do bolsonarismo sempre. Não é um apelo a racionalidade, mas sim busca dialogar com as emoções e sentimentos. Isso é uma das lições da experiência de comunicação fascista e se baseia na comunicação buscando o emocional como caminho para o subconsciente para a alimentar ideias, sonhos, o desejo, medos, impulsos ou comportamentos.

O papel é chamar a atenção das pessoas para algo e não informar ou educar.

Quinto: alimentar fantasmas e medos. Uma sociedade é mais vulnerável politicamente se guia sua ação e ideias pelo medo, pela premência do fim, da morte etc. O medo é útil por induzir as pessoas a aceitarem coisas absurdas em nome de um combate a essa ameaça. A revolução, o comunismo e o sistema são os alvos corriqueiros e diariamente circulam pelos dutos da agitação e propaganda bolsonaristas.

A comunicação sempre contém a informação de um risco eminente, uma ameaça. Isso é mobilizador de paixões, do desespero e da permissividade. Esse “lugar” induzido pelo medo pode aceitar execuções sumárias, repressão, golpes e genocídios.

Sexto: demagogia com o “uso” dos quatro temas populares: pátria, família, corrupção e Deus. Esses temas são parte da adaptação do tema ao Brasil do século XXI. Diante dos grandes dilemas e em meio a uma crise de dimensões inédita nos últimos 100 anos pelo menos o olhar para o futuro pode ser inquietante e até mesmo perturbador. Essa inquietude e perturbação pode ser a base de uma indignação e revolta e indignação. Por isso precisa capturar temas centrais para as amplas massas, especialmente as camadas mais populares, para usar na disputa. E são quatro pontos para isso: a suposta defesa do Brasil contras os inimigos externos (que contam com a conivência de traidores internos), a defesa da família e das tradições, da obediência a Deus e do combate a política para enriquecimento pessoal e não para fazer “o bem”.

Os temas são capturados para, inclusive, dar conteúdo contraditório a sua defesa. Defendem a pátria com propostas de entrega das riquezas, a família com medidas puramente demagógicas, a Deus como um amparo onipresente ao projeto e contra os ateístas comunistas e religiões profanadores da fé, ou seja, definem o que é ser fiel e o tema da corrupção como a demagogia em estado puro.

A projeção do futuro é um olhar saudoso do passado, das velhas tradições, costumes e formas de pensar. Essa utopia de retrovisor funciona como um antídoto para não lidar com os problemas atuais e permite um horizonte futuro como uma continuidade do presente e suas mazelas. É a utopia sem conteúdo utópico ou, como queiramos, é a naturalização dos grandes problemas nacionais.

Setimo: a lógica do inimigo interno e a dinâmica da guerra. A mensagem tem um eixo padrão nesses dois temas e sempre apresenta inimigos internos e externos e governar seria conduzir uma guerra. Na mensagem os inimigos externos são o “Sistema” para tratar de maneira imprecisa das instituições multilaterais e de sustentação do capitalismo. E os internos são os de sempre: ameaça comunista, ameaça da guerra civil, centralmente os movimentos populares do MST, MTST e CUT. A dinâmica da guerra é muito nítida nas comunicações oficiais. Todo dia tem uma ameaça de golpe, de controle do governo, de derrubar e outros. Não passa um dia sem mensagens mobilizando a turma diante desse pilar muito consistente para garantir engajamentos e sacrifícios para defender o governo eleito.

Oitavo: o inimigo luta com regras, o neofascismo não. O padrão da luta de classes no Brasil e nos países de origem colonial é distinto. Por essas paragens a luta sempre foi uma combinação de força e convencimento, mas sempre com desequilíbrio para maior peso da força. Mas os padrões do neofascismo é totalmente diferente. Não respeita regras, existentes até mesmo para guerras, e subverte tudo. É uma força que combina a iniciativa por dentro e por fora das instituições. Governa e negocia com os partidos e organiza manifestações pedindo intervenção militar e o AI-5.

A dinâmica da luta é distinta em razão da natureza da força. O neofascismo é um projeto totalitário e não respeita limites, pactos sociais, políticos e jurídicos. É a lógica da subversão de tudo e usando todos os meios e caminhos. A lógica é uma só: vencer o que chamam de guerra.

A produção e veiculação de noticias falsas é uma das demonstrações mais cabais da ausência de limites e desrespeito a qualquer regras. São verdadeiros vertedouros de notícias falsas e isso está na base da ascensão do neofascismo, mas, o que esse artigo pretende demonstrar, as notícias falsas são parte do sistema e não o centro dele. O centro é a engenharia de organização, agitação e propaganda.

Nono: uma rede eficaz de organização, agitação e propaganda. A rede bolsonarista vem sendo construída desde os impasses de junho de 2013 e as eleições turbulentas de 2014. Com uma divisão clara de papeis essa rede é capaz de organizar a ação de milhares de pessoas todos os dias. É uma imensa capacidade de engajamento e organização.

As redes abertas como FB, YouTube e Instagram são espaços para propaganda de ideias. Figuras são destacadas e dezenas de pequenas organizações cuidam de amplificar essas ações. Sempre simplificando tudo, tratando o governo sempre sob ameaça e os inimigos sempre operando para derrubá-lo. A máquina é muito potente e alcança milhões de espectadores com mensagens para o engajamento político. Não é para que as pessoas pensem como o presidente, mas sejam capazes de defendê-lo com argumentos.

As redes fechadas são o Telegram e o WhatsApp e cuidam da orientação prática, da linha de ação e orientar concretamente a ação. São milhares de grupos com dezenas de milhares de pessoas sempre com mensagens dentro dos eixos aqui apresentados. Sempre adaptando os grupos a partir do público, com muita vigilância para conter ações que eles chamam de esquerdistas (todo e qualquer pergunta ou mísera crítica é tratada assim), para blindar os grupos de qualquer disputa. Nesse terreno secreto e só possível de participar por meio das iniciativas deles, que sempre conta com o apoio da vaidade em que os administradores (que é uma função política) apresentam uma coleção de grupos e sua imensa base. Para ampliar isso divulgam os convites e constroem os grupos amplamente, permitindo a entrada para observar e, quando muito, explorar algumas contradições internas.

E o Twitter é o campo de organização da ação, a linha de comando e o esforço para disputar a presença via iniciativas diárias desde antes das eleições de 2018 e ininterruptas. Com muita automação (robôs) para amplificar o alcance das ações e dar uma percepção de maior presença nas redes. Essas ações combinando a rede orgânica de militantes e os rôbos é algo muito potente e numa crescente.

Décimo: lições da educação popular: partir dos problemas reais para soluções falsas. A rede não discute projeto nacional, grandes problemas abstratos, debates intensos ou tem mensagens muito sofisticadas. Toda a ação de agitação e propaganda parte dos problemas simples e comezinhos e as propostas e soluções são igualmente simples. Não tem formulação de fôlego, muito menos teses, livros ou simpatia pelo método científico. Os livros mais populares são os de síntese e quase em formato de um agrupado de tuitadas.

Nesse tema o bolsonarismo se diferencia da esquerda, da direita tradicional e da grande mídia. Esses campos debatem grandes temas, ainda que com diferenças, mas tem debates mais profundos e formuladores. A direita se construiu com grandes referencias de formulação, mas estão fora de uso. São coisas do passado. O que seria uma figura de maior formulação é o astrólogo Olavo e uma meninada de “influencers” sempre com mensagens com a profundidade de um pires. Tudo é do simples para o simples. Com raciocínios breves e muito compreensíveis, com referências as lições da comunicação de massas: a agitação e propaganda deve ser feita a partir do nível de compreensão, abstração e intelectual da base da sociedade.

Décimo primeiro: os políticos escondem os interesses em fraseologia social. Nós falamos o simples e o direto, mesmo que isso seja duro. Isso é um antídoto para a rudeza dessas figuras, destoando do padrão de debates mais polidos e mesmo duros com algum decoro. Essa turma não tem isso. E acusam os “políticos” de usarem a fraseologia para esconder os reais interesses e passam uma ideia de que a mensagem simples das referencias do bolsonarismo como demonstração de que são do povo, são simples, não mentem e não mudaram com a política. Há um esforço de parecer verdadeiro com essa mensagem e isso é forte na própria figura do Jair Bolsonaro.

Há inclusive uma mensagem que encoraja o público e os engajados a se colocarem sem medo e que o desconhecimento, o uso de palavreado chulo, os preconceitos, a discriminação, etc não são problemas ou motivos para qualquer inibição. Que a vulgaridade floresça sem freios e controles dos padrões que seriam de uma elite política corrupta e só preocupada consigo.

Décimo segundo: as redes sociais e a dinâmica estímulo – resposta – estímulo novo…A política da atualidade se estrutura na análise de meta dados e isso precisa ser muito considerado. O bolsonarismo não entra em conflito com o que o povo pensa e o senso comum. Ele parte desse quadro e dialoga com esse pensamento. E o faz com amparo em um trabalho de redes e análises de dados que permitem mensurar a reação de milhões de pessoas diante dos problemas e de estímulos. Com essas informações o bolsonarismo constrói mensagens diárias, algumas incompreensíveis, já que aos olhos de quem busca compreendê-las utilizando o referencial do passado essa comunicação é incompreensível. Por que falar em tomada de três pinos no meio de uma reunião tensa? Ou falar de assuntos como aborto ou os pontos da carteira de habilitação em meio a uma pandemia?

A resposta está no formato de comunicação do guru Steve Bannon e da Cambridge Analytics. Nessa elaboração a sociedade é mapeada, as interações públicas são medidas, a reação a estímulos são mensurados tudo para organizar um padrão de comunicação para grandes grupos de perfis. A mensagem é submetida ao público, os resultados são observados e isso serve para o aprimoramento dos temas e propostas.

Esse quadro é um aditivo importante para a política. O que há pouco mais de uma década só seria conhecido com caríssimas e demoradas pesquisas de opinião ou no trabalho popular agora são produzidas em formatos simples e diários. É como se a sociedade estivesse sendo medida e monitorada o tempo todo. E está. E esses dados são a base para a criação de ações de propaganda, para a mensagem ser enraizada nos problemas do povo e guiadas por certeiros indicadores de opinião. Há aqui uma certa matemática ou ciência exata dentro da política e das ações. Novos tempos.

É importante repisar: não estamos tratando desse sofisticado sistema para passar uma idéia do que ele não é. Não estamos falando de um sistema indestrutível. Mas também não é mais um campo político dentro da fauna brasileira e a vitória em 2018 como parte de uma normal alternância de projetos e representantes. É muito mais do que isso. Se hoje esse sistema já se apresenta com esse grau de complexidade a cada dia ele se torna mais forte. E só será desmontado se for derrotado, isolado e suas frações radicais neutralizadas. É um projeto de poder para décadas. Com fascismo não se brinca, nem se menospreza. Se derrota.

*É advogado, integra a Consulta Popular e o Projeto Brasil Popular.

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