Fátima Bezerra aumenta vantagem, mas em cenário desatualizado

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Num comparativo com a pesquisa Consult divulgada em dezembro de 2017, a senadora Fátima Bezerra (PT) subiu 7% (arredondando). Cresceu acima da margem de erro.

É algo positivo para os planos políticos da petista? É. Mas não há motivos para euforia.

Outro ponto é que o êxito do carnaval em Natal não trouxe ganhos substanciais para o prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT). Ele tinha 11,41% em dezembro e na sondagem realizada entre 24 e 28 de fevereiro avançou dentro da margem de erro para 13,29%.

O mau desempenho de Carlos Eduardo mostra o tamanho do risco que ele tem ao deixar a Prefeitura de Natal para disputar o Governo do Estado.

Fátima agora tem algo em torno de 14% aumentando em 5% a vantagem em relação a pesquisa anterior.

Mas o cenário está desatualizado porque a pesquisa não conta com a presença do deputado estadual Kelps Lima (SD). A exclusão do nome dele na pesquisa estimulada (quando é apresentada uma lista de candidatos) não se tratou de má fé por parte do instituto. Quando a sondagem foi realizada ele ainda não estava no jogo político.

Preconceito

Mais uma vez o nome da vereadora de Grossos Clorisa Linhares (PSDC) não foi incluído na pesquisa do Instituto Consult mesmo o nome dela estando escolhido pelo partido há quase um ano. Engraçado é que Geraldo Melo que sequer está filiado a uma agremiação política e não disputa eleições há 12 anos está na lista da estimulada.

Pura descriminação com a parlamentar.

Confira a pesquisa estimulada realizada em dezembro pelo Instituto Consult

Fátima Bezerra – 20,29%

Carlos Eduardo – 11,41%

Flávio Rocha – 6,59%

Robinson Faria – 5%

Cláudio Santos – 2%

Tião Couto – 1,41%

Branco/nulo/não sabe/nenhum: 53,3%

Pesquisa atual

Fátima Bezerra (PT) – 27,12%;

Carlos Eduardo Alves – 13,29%;

Geraldo Melo (sem partido) – 7,29%;

Robinson Faria (PSD) – 5,35%;

Fábio Dantas (trocando PC do B pelo PSB) – 1,76%;

Tião Couto (PSDB) – 1,29%;

Nenhum – 31%;

Não Sabe – 12,29%

 

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Ex-dono de empresa que deve mais de R$ 120 milhões ao RN ensaia volta à política

Geraldo Melo

A Companhia Açucareira Vale do Ceará Mirim deve R$ 125.629.571,87 ao Governo do Rio Grande do Norte. É a quarta colocada no ranking dos caloteiros do sofrido elefante.

Afundada em dívidas ela foi vendida a um empresário cearense em 2009. Como ele não cumpriu o acordo, o antigo proprietário entrou em uma guerra jurídica com o novo dono da empresa.

Quem é o antigo dono da quarta maior devedora do Estado? Geraldo Melo.

Ele mesmo!

Ex-vice-governador, ex-governador (um dos piores da história) e ex-senador. Num momento em que os potiguares clamam pelo novo ele tira o mofo dos velhos paletós e ajusta o gogó cansado para pintar como velha novidade na política potiguar.

Geraldo Melo deixou o MDB (que também tenta ser novo com lata velha) e se aproxima do projeto do grupo de empresários que se articula para galopar em cima do elefante a partir de 2019 caso consiga a aprovação dos eleitores.

Hoje ele deu até uma entrevista ao Agora RN revelando alguns detalhes da reunião de empresários que envolve o mossoroense Tião Couto mais Luiz Roberto Barcelos e Marcelo Alecrim. A turma ainda conta com o desembargador Cláudio Santos. Parecia ser o “guru” do quarteto.

Legitimo representante da velha política, Geraldo Melo quer se travestir de novo, mas é tão antigo quanto as dívidas que deixou com o Rio Grande do Norte seja na política ou na conta bancária.

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A redenção de Geraldo Melo pós-tragédias administrativas

WhatsApp Image 2018-01-07 at 19.39.13A máxima da política potiguar era de que Geraldo Melo era o pior governador da história potiguar. Não era para menos: foi um governador que encarou um período difícil marcado pelos planos econômicos fracassados de José Sarney e atrasou salários.

Geraldo bateu de frente com professores e humilhou os servidores estaduais com pagamentos em estádios de futebol nas principais cidades do Estado.

Até hoje sua trágica administração é lembrada.

A dupla “Ro-Ro” (Rosalba Ciarlini e Robinson Faria) trouxe a redenção biográfica de Geraldo Melo. Não está mais só na galeria dos piores governantes.

Geraldo Melo não se desincompatibilizou para disputar o Senado no final do mandato em 1990 por causa da impopularidade, mas foi perdoado pelo eleitor nas urnas se elegendo senador em 1994 com mais votos que José Agripino.

Quem vai ser o próximo?

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RN terá em 2018 a maior oportunidade para mudar de rumos

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O ano de 2018 será de encruzilhada para o “sofrido elefante”

O Rio Grande do Norte é um Estado que parou no tempo. Segue num modelo administrativo implantado nos anos 1970 que foi se mantendo graças a maquiagem contábil, gambiarras orçamentárias e muito compadrio. Mesmo quando algo mudou foi para continuar do mesmo jeito.

O último governador que pensou o Rio Grande do Norte para as futuras gerações foi Cortez Pereira, primeiro chefe do executivo estadual do ciclo biônico (escolhido pela via indireta) potiguar. Ele planejou e executou um processo de desenvolvimento do Estado através da fruticultura irrigada e turismo de sol e mar, sobretudo no litoral próximo a Natal.

Foi sucedido pela dinastia Maia que emplacou três governadores consecutivos: Tarcísio, Lavoisier e José Agripino. O trio não inovou, mas manteve o projeto de Cortez.

O modelo estava cansado quando Geraldo Melo se tornou governador após a histórica vitória em 1986. Ele se desgastou porque não teve a capacidade de inovar. Foi considerado o pior da história potiguar até o surgimento da dupla “Ro-Ro” (Rosalba e Robinson).

De volta ao Governo do Estado após vitória em 1990, José Agripino conseguiu reajustar as contas com programas de combate à sonegação fiscal e demissões de servidores em situação irregular.  Mesmo assim não conseguiu evitar atrasos salariais.

Garibaldi foi governador entre 1995 e 2002. Também não inovou. Foi uma gestão marcada pelo congelamento de salários e as vendas da Cosern e Telern. Mesmo assim, o sufoco era grande a ponto de mudar o regime de tributação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que passou a ser pago de forma antecipada.

Wilma de Faria chegou ao poder em 2002 e foi reeleita em 2006. Teve a maior chance de mudar os rumos do Rio Grande do Norte, mas foi uma gestão de muitas perdas por falta de infraestrutura. Foi na administração dela que o regime de distribuição de recursos para os poderes foi modificado. O Estado passou a fazer repasses acima dos limites estabelecidos pela Constituição Federal.

Foi com Wilma também que tivemos a aprovação de planos de cargos, carreiras e salários dos servidores sem estudo de impacto financeiro. Ela foi a última governadora sem desgaste estratosférico, mas também é responsável pelas tragédias administrativas que a sucederam.

Rosalba Ciarlini e Robinson Faria são legítimos representantes desse modelo ultrapassado de governar cuja marca maior é a incapacidade de inovar, atrair grandes investimentos e tornar a máquina pública menos ineficiente.

O Rio Grande do Norte precisa romper com esse modelo dos anos 1970 para reencontrar a trilha do desenvolvimento. O Estado teve muitas perdas nos últimos anos justamente por não ter infraestrutura para oferecer em troca de investimentos.

Não se trata apenas de uma mudança de mentalidade da pessoa que vai sentar na cadeira de governador, mas também de uma profunda revisão nos sobrenomes que ocupam espaços na bancada federal e Assembleia Legislativa.

O modelo atual chegou ao fundo do poço e 2018 será a grande oportunidade de o eleitor decidir se vai cavar mais ou jogará uma corda de esperança para mudar essa realidade.

ALTERNATIVAS

O problema são as alternativas que não são boas para o eleitorado. O prefeito de Natal, Carlos Eduardo, é um legitimo representante desse modelo administrativo. Sua vitória seria mudar para continuar do mesmo jeito.

O governador Robinson Faria já se mostrou incapaz de mudar os rumos do Rio Grande do Norte. Não soube aproveitar a própria chance. Uma eventual tentativa de reeleição seria uma subestimação a inteligência do eleitor potiguar.

A senadora Fátima Bezerra lidera as pesquisas, mas é um nome muito dependente de uma vitória presidencial de Lula para fazer um bom governo. Ele não demonstra, até aqui, ser uma alternativa capaz de fazer frente ao receituário da cartilha neoliberal para soluções de crises.

Fala-se em um outsider que seria o empresário Flávio Rocha. Seria uma alternativa para quem defende um “estado empreendedor”, mas é preciso lembrar que ele exerceu dois mandatos de deputado federal entre 1987 e 1995. Não se trata, necessariamente, de um nome novo. Ele, como o desembargador Cláudio Santos, seriam os legítimos representantes da proposta neoliberal que gera muita antipatia e desconfiança.

Até aqui ninguém se mostrou capaz de apresentar alternativas para que o Rio Grande do Norte se liberte desse modelo tradicional de gestão que tantos bons resultados rendeu ao Ceará e vai fazendo a Paraíba nos deixar para trás.

O ano de 2018 será decisivo para traçarmos um novo rumo ou mudarmos para continuar do mesmo jeito.

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