Fátima tenta construir um governo de conciliação, mas precisa ficar atenta com as bases

Fátima busca conciliação (Foto: Pedro Vitorino)

A governadora eleita Fátima Bezerra (PT) está tentando montar um governo de conciliação inspirada no que fez o ex-presidente Lula no passado.

Com o ex-presidente deu certo. Ele deixou o poder com a maior popularidade da história.

A conciliação a que Fátima se propõe ficou evidente na formação da equipe de segurança. Primeiro por ouvir sugestões da opinião pública, depois por buscar ganhar a confiança dos segmentos militares para em seguida colocar seu projeto em prática.

A futura governadora entendeu que segurança pública não é só técnica, investimento e planejamento de ações, mas também uma questão política.

A petista deu um forte indício de que não vai passar quatro anos fixada no discurso do retrovisor ao manter no Mauro Albuquerque no comando do sistema prisional. Ela preferiu encarar as críticas das bases para manter no cargo um crítico do PT, mas reconhecido por ter colocado ordem em Alcaçuz após a tragédia do início de 2017.

Sobre esse ponto é preciso frisar que a gestão de Mauro está sob questionamento de prática de torturas o que precisará ser esclarecido ainda.

Outro ponto que Fátima pretende dar continuidade da gestão de Robinson Faria (PSD) são os programas sociais como a política de expansão dos restaurantes populares.

Com a classe empresarial, Fátima tem buscado o diálogo para construir uma pauta de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. São frequentes as reuniões com os líderes empresariais do Estado e ela incluiu um indicado da Fecomércio na equipe de transição.

Considero um acerto político Fátima buscar essa conciliação. O Estado vive uma crise profunda e não sairá desta situação com guerra ideológica nem alimentando rancores do passado.

No entanto, Fátima não pode se descuidar da base social que ela construiu em mais de 20 anos de vida pública. São inúmeras as queixas nas redes sociais.

A governadora eleita terá que buscar a virtude do equilíbrio para garantir a conciliação sem aprofundar os melindres dos aliados de primeira hora.

Governar é fazer política. Quem pensa diferente e se entrega ao idealismo ingênuo termina mal. Neste aspecto Fátima sinaliza um bom caminho para o combalido Rio Grande do Norte.

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