Um Estado sem norte num Rio Grande de acordões

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“Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados”, já dizia o célebre Barão de Itararé. Adaptando a frase ao Rio Grande do Norte eu diria que acordão é o acordo político cujo o nome de quem reclama ficou de fora.

Temos um Estado atrasado, que perdeu várias oportunidades para se desenvolver por causa de uma classe política mesquinha que gasta 100 para que o outro não ganhe 50 e que parou no tempo. O Rio Grande não tem um norte, mas tem acordões de sobra para compensar a falta de planejamento.

O primeiro grande acordão político do Estado completa 40 anos em 2018. Juntou pela primeira vez Alves e Maia em torno da candidatura de Jessé Freire ao Senado (ver AQUI) nos tempos da ditadura militar.

Em 1982, os excluídos do acordo, Carlos Alberto (eleito senador) e Radir Pereira (eleito vice-governador), eram companheiros de chapa de José Agripino dando o troco em Aluízio Alves que os excluiu para ficar com Tarcísio Maia quatro anos antes.

Em 1990 Lavosier Maia largou os primos Tarcísio e Agripino para ser candidato ao Governo do Estado com o apoio dos outrora rivais de sobrenome Alves. Quatro anos depois ele estava junto com os primos vencedores de 1990 contra Garibaldi Alves Filho. Foi derrotado novamente e rebaixado de status na política potiguar.

Em 1998, foi a vez do acordão entre Agripino e Geraldo Melo, que tinha rompido com os Alves após anos de parceria política. Em 2002, Geraldo já estava de volta ao ninho bacurau para tentar a reeleição. Foi derrotado. Naquele mesmo ano, Fernando Bezerra também estava dentro de um acordão com José Agripino contra os Alves que lhe deram apoio para ser senador.

Antes, Wilma de Faria, em 2000, rompeu com Agripino e se juntou aos Alves sendo reeleita no primeiro turno para a Prefeitura de Natal. Dois anos depois ela mandou os acordões para os ares e fez o dela com Carlos Eduardo Alves (era vice que se tornou prefeito) e Agnelo Alves (prefeito de Parnamirim). Wilma ainda se juntou com Agripino no segundo turno e venceu o pleito se tornando a primeira mulher governadora do Rio Grande do Norte.

Em 2004, Alves e Maia voltaram a se juntar num palanque no segundo turno em Natal apoiando a eleição de Luiz Almir contra Carlos Eduardo, que embora Alves estava com Wilma. Dois anos depois ela estava junta com Fernando Bezerra contra Alves e Maias derrotando Garibaldi, mas assistindo Rosalba Ciarlini bater Fernando.

Quatro anos depois o acordão ganhou uma nova roupagem: o “voto casado”. Garibaldi, Agripino e Rosalba levaram a majoritária atropelando uma Wilma de Faria enfraquecida ao lado de Iberê Ferreira de Souza (candidato ao Governo) e PT.

Em 2014, Henrique Alves fez um “acordaço” juntando Alves, Maias e Wilma de Faria. A esquerda foi excluída. Dos grupos tradicionais só quem não se encaixou no projeto foi a então governadora Rosalba Ciarlini e o vice-governador Robinson Faria que terminou sendo eleito para o comando do executivo estadual denunciando o “acordão” como se ele mesmo não tivesse participado de outros tantos.

Em 2016, os Rosados se juntaram em Mossoró, mas por aqui o discurso não pegou.

Resumindo: toda eleição tem acordão e quem fica de fora esperneia. Às vezes o discurso cola, às vezes não. Depende da conjuntura e dos nomes envolvidos. O ano de 2018 já tem o seu acordão sendo costurado (ver AQUI) pelos grupos tradicionais. Quem ficar de fora vai choramingar na mídia.

De acordão em acordão o Rio Grande do Norte não vai sendo debatido, não surgem projetos de desenvolvimento e a nossa gente fica refém de uma elite política ultrapassada e mesquinha.

Os interesses deles em primeiro lugar. Se sobrar algo (coisa rara) o povo de beneficia.

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RN pode eleger deputado federal um candidato preso

Contradição
Nem sempre a prisão impede um político de seguir em frente numa eleição

Parece brincadeira, mas as brechas da vida permitem que alguém que esteja preso possa ser eleito. Isso aconteceu em duas cidades nas eleições de 2016.

Em Catolé do Rocha (PB), Bira Rocha, foi eleito vereador. Em Ibatiba (ES), Beto da Saúde não foi só eleito para o parlamento municipal como conseguiu ser o mais votado. Por que o Rio Grande do Norte estaria fora disso?

E não está. Informações de bastidores dão conta de que o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Alves estaria disposto a ser candidato a deputado federal mesmo de dentro do xilindró.

Ele preenche os critérios para entrar na disputa porque não está condenado nem mesmo em primeira instância. Para todos os efeitos é “ficha limpa” mesmo estando preso desde o dia 6 de junho na operação “Manus”, desdobramento da Lava Jato.

Henrique Alves mesmo preso conseguiu articular ocultação de bens e fraudes em licitações segundo os investigadores da operação “Lavat”.

Se isso foi possível, imagine disputar um cargo eletivo de dentro da cadeia? Henrique tem bases consolidadas e aparentemente intactas. O ex-deputado tem capacidade de articulação e precisa de foro privilegiado.

Henrique Alves 1998
Em 1998, o povo “falou” por ele. Em 2018, vai “soltar”?

Vale lembrar que em 1998 Henrique Alves viveu um momento dramático em sua vida pessoal que respingou na política. Estava com um câncer na garganta e impedido de fazer discursos e gravar vídeos para o horário eleitoral gratuito. Durante a maior parte da campanha ele esteve nos EUA fazendo tratamento e só esteve presente em um comício.

Com o slogan “O povo fala por ele”, Henrique obteve 163,572 (15.73%) se tornando proporcionalmente o deputado federal mais votado do Brasil em 1998.

Eleito, Henrique passaria a contar com foro privilegiado e num cenário ideal (para ele) poderia ser solto por algum ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ironia: já pensou em 2018, 20 anos depois, ele usando o slogan “O povo solta ele”?

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Estudo do Blog mostra que Mossoró é bairrista em pleitos proporcionais, mas sozinha não elege ninguém

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A eleição de 2014 é uma aula de como funcionam as disputas proporcionais no segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. Ninguém se elege só com os votos de Mossoró.

Até 2014 a disputa por vagas na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados tinha ares de eleição majoritária com a polarização entre os grupos de Sandra Rosado e Rosalba Ciarlini. Foi assim entre 1986 e 2010. Como há três anos, em 2018 tenderemos a não ter essa polarização repetida. A tendência é de termos várias candidaturas competitivas partindo de Mossoró.

É um equívoco achar que o eleitor mossoroense não vota para deputado. Vota sim e na mesma proporção que vota para governador. Vejamos abaixo a tabela sobre votos válidos para deputado federal e estadual num comparativo com a eleição para governador nas três últimas eleições para entender isso.

Votos válidos/ano

Governo

Deputado federal Deputados estadual
2006 108.961 112.885 116.029
2010 116.616 114.484 121.403
2014 91.462 99.695 105.149

Obs.: o número de abstenções, brancos e nulos foi maior em 2014.

Repare nos números acima que o eleitor Mossoró participa até mais das eleições proporcionais do que para o Governo do Estado. Alguns dados mostram que o eleitor mossoroense historicamente é leal aos candidatos locais. Para federal, Sandra e Betinho Rosado, quando polarizavam, sempre somaram juntos mais de 40% dos votos válidos.

Candidatos 2006 2010
Sandra 17,59% 21,9%
Betinho 25,43% 28,17%
Total 43,02% 50.07%

O quadro mudou em 2014 quando a família Rosado não tinha mais o controle dos dois lados da política (governo e oposição). O quadro mudou graças a presença de Francisco José Junior na Prefeitura de Mossoró. Além do fim da polarização entre sandrismo e rosalbismo, a ex-prefeita Fafá Rosado participou da disputa e o deputado federal Fábio Faria foi o candidato palaciano. Os votos locais se fragmentaram. Para 2018, com as duas principais alas da família Rosado juntas, a tendência é de um quadro semelhante.

Sandra teve 18,33% dos votos válidos enquanto Fafá Rosado, Beto Rosado e Fábio Faria ficaram emparelhados entre 12 e 15%. O fator Palácio da Resistência foi fundamental para Fábio Faria que se equiparou aos candidatos locais, coisa que nunca chegou perto nos pleitos de 2006 e 2010.

Para deputado estadual o quadro se repete, mas sem o histórico de polarização no plano local entre as duas alas (hoje misturadas) da oligarquia Rosado. Em 2006 foram 68.25% destinados aos candidatos radicados em Mossoró, em 2010 tivemos 65,6% dos votos em candidatos locais. Já em 2014, esse número caiu consideravelmente mesmo incluindo, com boa vontade, Galeno Torquato (candidato do Palácio da Resistência) e Souza (da vizinha Areia Branca e nome simpático ao rosalbismo na época) na lista como locais. Foram apenas 47,72%. Sem Galeno e Souza o percentual cai para 32,04%.

Tanto para estadual como para federal, Mossoró perdeu representatividade em 2014 por falta de força de seus candidatos fora da cidade. Sandra e Larissa não tiveram a mesma estrutura dos anos anteriores ficaram sem mandatos. Leonardo Nogueira não tinha mais a Prefeitura de Mossoró lhe dando apoio e ficou de fora também.

Máquina pública

Além dos votos em Mossoró é necessário buscar apoios em outras cidades para manter-se nos parlamentos. O nosso sistema de representação é proporcional e não distrital.

Vou me delimitar primeiro aos exemplos mais claros: Sandra e Larissa Rosado. As duas vinham se reelegendo sem a estrutura da Prefeitura de Mossoró, mas graças à parceria com o governador de plantão conseguiam formar bases fora do segundo maior colégio eleitoral.

Em 2014, sem apoio do Governo, essas votações despencaram fora dos limites de Mossoró muito embora fossem as mais votadas na “capital do Oeste”.

Larissa teve apenas 8.585 votos fora de Mossoró em 2014 contra 21.334 em 2010. Para ser reeleita em 2014 ela precisaria de mais 1.763 votos fora da cidade para ultrapassar o último eleito de sua coligação, o atual vice-prefeito de Natal Álvaro Dias (PMDB).

Sandra obteve 33.341 votos fora de Mossoró em 2014 contra 67.074 nos demais municípios. Os números mostram uma queda 33.733 sufrágios entre os dois pleitos.

Outro exemplo é o do peso da Prefeitura de Mossoró que pode ser materializado em Leonardo Nogueira. Em 2006 e 2010 ele foi o mais votado na cidade. Em 2014, ele foi o terceiro colocado tendo menos da metade dos sufrágios de Larissa Rosado e atrás do desconhecido, mas palacianamente turbinado, Galeno Torquato. Leonardo teve 10.938 votos a menos em relação ao pleito anterior em Mossoró e nos demais municípios foram 11.329 votos a menos. No caso de Leonardo o estrago foi duplo: a votação dele despencou dentro e fora de Mossoró, diferente dos casos de Sandra e Larissa.

No comparativo entre os votos de Beto Rosado e do pai, Betinho, que está inelegível e pôs o filho no lugar há um dado interessante: a votação de Beto e Betinho caiu em 16.924 votos em Mossoró sem a força da Prefeitura.

Fora de Mossoró, com o apoio de um fragilizado governo Rosalba Ciarlini, foram 28.258 sufrágios a menos.

Enquete

O Blog do Barreto fez duas enquetes perguntando se o eleitor mossoroense votará em candidatos locais para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Os números não possuem qualquer valor cientifico, mas servem para mostrar um sentimento de prioridade aos nomes locais se repetirá.

No Twitter 61% disseram votar em candidatos de Mossoró, 21% em candidatos de fora e para 18% tanto faz. No grupo do Blog do Barreto no Facebook 71.04% disseram votar em nomes locais, 24.43% nos de fora e para 4,53% tanto faz. Os números, embora se trate de uma pequena amostragem, casam com os resultados das eleições de 2006 e 2010 e revelam uma reação a falta de representatividade após o pleito de 2014.

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O pai dos golpes brasileiros

 

Pedro II era satirizado pelos jornais em nossa primeira experiência com imprensa livre
Pedro II era satirizado pelos jornais em nossa primeira experiência com imprensa livre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje se comemora mais um aniversário da proclamação da república. Proclamação é um pomposo substantivo feminino que significa “declarar solenemente algo”, mas em relação a data de hoje seu uso serve para esconder o que de fato aconteceu em 15 de novembro de 1889: um golpe militar de muitos que aconteceriam nas 12, quase 13, décadas seguintes.

No Brasil as decisões sempre foram tomadas de cima para baixo sem participação popular como vemos, por exemplo, na tentativa de independência da Catalunha. O povo assistiu bestializado como bem atestou o republicano Aristides Lobo que viria a ser ministro do Governo Provisório (1889/91) de Deodoro da Fonseca, um monarquista convicto que foi forçado na última hora a derrubar o imperador D. Pedro II e se tornar primeiro presidente do Brasil.

Venderam para nós mais uma história distorcida. Com nosso último imperador vivemos nossa primeira experiência de liberdade de imprensa. Os jornais tinham tanta independência que o monarca era apelidado de “Pedro Banana”.

A monarquia brasileira que foi implantada pelo herdeiro da coroa portuguesa, se sustentava graças a um acordo com os escravocratas, mas o imperador gozava de popularidade. No livro 1889 de Laurentino Gomes mostra que o Partido Republicano teve um desempenho pífio na última eleição parlamentar do império. E olhe que eram pleitos em que apenas a elite participava.

Dom Pedro II caiu por diversos fatores, não apenas pela abolição da escravidão, mas também porque a elite econômica e os militares entenderam que a monarquia não servia mais.

O povo ficou de fora nesse e em outros golpes.

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Dez anos depois o sal ainda não foi totalmente refinado

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Foi numa véspera de feriado da proclamação da república, como hoje, que Mossoró parou para ver a maior operação para investigar políticos já realizada na cidade. Há dez anos a Operação Sal Grosso fazia o Rio Grande do Norte acordar mais cedo para ver a Câmara Municipal ser devassada durante cinco horas e meia.

O nome veio bem a calhar. Era um momento dos piores da história da Câmara Municipal que vivia uma caótica gestão tendo a frente da mesa diretora o então vereador Junior Escóssia. Eram tempos de extrema submissão ao executivo a ponto de a casa ficar dois anos consecutivos sem aprovar qualquer emenda ao orçamento anual e pagamentos efetuados de forma improvisada.

Não era preciso apenas jogar sal grosso para afastar os maus espíritos como apregoa a sabedoria popular, era preciso refiná-lo. A operação de 14 de novembro foi como uma proveitosa colheita do sal marinho no mar. O refino que foi dos mais lentos. Foram mais de 60 mil documentos analisados em 10 anos a partir de um trabalho realizado em 14 de novembro de 2007 por 10 promotores, 10 delegados e 50 policiais. A frente das investigações estava o promotor Eduardo Medeiros que já não está mais a frente do caso.

Foram recolhidos documentos da contabilidade, Departamento pessoal, licitação, comissões e gabinetes.

Além da Câmara Municipal, receberam visitas da operação sal grosso escritórios de contabilidade, assessorias jurídicas e a casa de Junior Escóssia que terminou preso em flagrante acusado de porte irregular de munições para armas de fogo exclusivas das forças armadas.

Esse é apenas um de mais de 80 processos que Junior Escossia passou a responder a partir de então seja da Operação Sal Grosso ou desdobramentos dela.

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Foram dezenas de ações civis públicas e criminais após investigações sobre diárias, empréstimos consignados, verba de gabinete e licitações com mais de 60 mil documentos analisados. “Por isso demorou muito para ser catalogado e desmembrar para estabelecer cada procedimento. O promotor tem que ter cuidado porque vai fazer acusações graves”, explicou Micaele Fortes Caddah.

Segundo a promotora a lentidão nos julgamentos é resultado da complexidade das investigações. “A operação sal grosso é um marco para Mossoró no sentido de tornar a administração mais proba. A terceira vara criminal tem dado a celeridade devida em todos esses processos. A demora não depende só do MP e Judiciário”, explicou.

Ainda existe um procedimento em tramitação e processos pendentes de audiência de instrução (depoimentos) na Vara Criminal. “Em regra, toda semana são realizadas audiências relacionadas a operação sal grosso”, explica a promotora.

As denúncias

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As primeiras denúncias coletivas contra os parlamentares da legislatura 2005/08 só vieram quase dois anos após a deflagração da Operação Sal Grosso, mais precisamente em abril de 2009 quando as 7ª e 11ª Promotorias do Patrimônio Público entraram com ações criminais contra 12 vereadores e ex-vereadores por causa da mais célebre das acusações da Sal Grosso: as fraudes em empréstimos consignados na Caixa Econômica que seriam pagos sem os devidos descontos nos salários dos parlamentares. Eles ainda seriam denunciados na esfera cível na Vara da Fazenda Pública.

Antes dessa denúncia, Junior Escóssia fora denunciado individualmente em 2008 por acumular os salários de vereador e fiscal da Secretaria Municipal de Tributação e utilizar para fins pessoais os serviços advocatícios do então procurador da Câmara Municipal Igor Linhares. Na primeira ação ele terminaria absolvido em 25 de novembro de 2013.

Mas nenhuma das investigações chegou tão próxima de um resultado factível para a sociedade como a que tratou dos empréstimos consignados desviados que segundo cálculos do Ministério Público teriam causado R$ 272.806,72 em danos ao erário. Foi ela quem rendeu condenações a 12 vereadores e ex-vereadores em processos na Vara da Fazenda Pública (em 19 de dezembro de 2013) e criminal (em 16 de fevereiro de 2012) em decisões proferidas respectivamente pelos juízes Airton Pinheiro e Cláudio Mendes Junior.

Na esfera criminal os condenados pegaram prisão em regime semiaberto e na cível a punição foi de multas que totalizam R$ 582.652,55.

Atendendo a pedido do Ministério Público Cláudio Mendes Junior chegou, em março de 2012, a determinar, em sentença reformulada, a perda dos mandatos de Claudionor dos Santos, Daniel Gomes e Manoel Bezerra. Ele ainda orientou a então prefeita Fafá Rosado que afastasse Izabel Montenegro da gerência da antiga FUNGER (Fundação para Geração de Emprego e Renda) e Osnildo do comando da Secretaria Municipal de Defesa Social.

Na esfera criminal o Tribunal de Justiça anulou, em agosto de 2013, a sentença de Cláudio Mendes Junior determinando um novo julgamento que aconteceu em 7 de novembro do ano passado. Em nova sentença, ele manteve as mesmas penas (ver tabela abaixo) desta vez incluindo as perdas dos mandatos de Izabel Montenegro e Manoel Bezerra.

O juiz Airton Pinheiro também precisou julgar mais uma vez o mesmo processo mantendo a decisão em 7 de janeiro de 2014

O Blog do Barreto fez contatos com o juiz Cláudio Mendes Junior que informou por meio de auxiliares que não iria comentar as decisões, mas disponibilizaria todos os arquivos públicos para consulta. Airton Pinheiro não foi localizado.

Veja as condenações

Vereadores Condenação criminal Condenação na Fazenda Pública
Junior Escóssia 6,5 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de R$ 46.647,99 e ressarcimento de R$ 15.549,35
Osnildo Morais 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de 58.352,16 e ressarcimento de R$ 29.176,08
Gilvanda Peixoto 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de R$

56.196,48 mais ressarcimento de R$ 28.098.24

Izabel Montenegro 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de R$ 70.540,42 e ressarcimento de R$ 35.270,21
Aluízio Feitosa 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de 58.352,16 mais ressarcimento de R$ 29.176,08
Benjamim Machado 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de 58.352,16 mais ressarcimento de R$ 29.176,08
Claudionor dos Santos 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de R$ 59.730,58 mais ressarcimento de R$ 29.865.29
Daniel Gomes 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de 58.780,32 mais ressarcimento de R$ 29.390,16
Manoel Bezerra 5,4 anos de prisão semiaberta mais multa Multa de 55.969,70  e ressarcimento de R$ 27.984,85
Chico da Prefeitura Absolvido Ressarcimento de R$ 8.569,19
Francisco José Junior Absolvido Ressarcimento de R$ 10.551,59

Além das penalidades da tabela acima, o juiz Airton Pinheiro ainda condenou Junior Escóssia ao ressarcimento ao Erário Mossoroense, em caráter solidário com os demais demandados condenados, do montante de R$ 238.136,99.

Versões

Junior EscossiaO ex-presidente da Câmara Municipal Junior Escóssia e Izabel Montenegro são considerados os personagens mais emblemáticos da Operação Sal Grosso. O primeiro por estar envolvido em praticamente todos os processos. A segunda por ter sido autora de denúncias que resultaram nas investigações.

Junior explica que ao descobrir que os empréstimos não estavam sendo descontados na folha de pagamento passou a fazer o abatimento da dívida. “Começamos a fazer isso antes da Operação Sal Grosso”, frisou. De fato, as penas de ressarcimento impostas pelo juiz Airton Pinheiro incluem o abatimento do que já fora pago anteriormente.

Atual presidente da Câmara Municipal, Izabel Montenegro, afirma que a operação aconteceu muito mais por causa da bagunça que era a casa há dez anos. “Era tudo muito desorganizado e isso colaborou para que a gente tenha que responder a esses processos até hoje”, frisou.

O próprio Junior em depoimento ao Jornal O Mossoroense (edição de 17 de fevereiro de 2012) chegou a reconhecer que os processos resultam de desorganização: “Estaria muito menos triste se apenas eu tivesse sido condenado. Foram cometidos erros? Foram, mas eu era o gestor. Foi uma falha minha”, admitiu.

Efeito eleitoral

Quem apostou que em 2008 a Operação Sal Grosso devastaria a Câmara Municipal acertou. Dos 12 vereadores que tentaram a reeleição naquele ano apenas quatro se reelegeram: Francisco José Junior, Chico da Prefeitura (ambos absolvidos), Daniel Gomes e Claudionor dos Santos. O último ainda seria presidente da casa como Izabel que retomou o mantado atualmente é. Manoel Bezerra retomou o mandato com a morte de Niná Rebouças em 2010. “A maioria dos vereadores não voltaram por causa das coligações e não porque baixaram as votações”, discorda Junior Escóssia.

No entanto, a memória do ex-presidente se equivocou. Dos 12 parlamentares que tentaram a reeleição (Renato Fernandes foi candidato a prefeito) sete viram as votações despencarem como mostra a tabela abaixo:

Vereadores envolvidos na Sal Grosso Votação em 2004 Votação em 2008 Saldo
Chico da Prefeitura 3.872 3.349 – 523
Claudionor dos Santos 2.398 3.227 + 829
Francisco José Junior 2.779 2.615 – 164
Daniel Gomes 1.922 3.161 + 1.239
Junior Escóssia 2.742 2.438 – 304
Gilvanda Peixoto 2.226 2.092 – 134
Sargento Osnildo 1.545 1.845 + 300
Arlene Sousa 3.163 2.711 – 452
Aluízio Feitosa 2.001 2.167 + 166
Izabel Montenegro 3.541 2.710 – 831
Benjamim Machado 3.001 1.889 – 1.112
Manoel Bezerra 2.471 3.217 + 746

Claro que esses números podem ser relativizados. Daniel Gomes, por exemplo, obteve 1.239 votos a mais naquele pleito assim como Benjamim Machado teve 1.112 votos a menos. Os números são importantes, mas não são determinantes para analisar aquele pleito. O próprio Benjamim não contava mais com uma estrutura que tinha em nível de Governo do Estado que lhe foi decisiva e 2008. Daniel conseguiu ter praticamente o apoio de todos os pastores evangélicos naquela eleição.

A Sal Grosso teve peso muito mais na intimidação em colocar mais estrutura nas ruas, mas não foi o fator determinante no resultado do pleito.

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Leitores do Blog do Barreto escolhem Dix-huit como prefeito mais importante de Mossoró

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Com 53,42% dos votos os leitores do Blog do Barreto escolheram Dix-huit Rosado como o mais importante prefeito que Mossoró já teve.

O comportamento dos leitores foi surpreendente tendo em vista que no imaginário local reina a impressão de que a atual prefeita ostenta essa fama. Sem contar que a última passagem de Dix-huit no Palácio da Resistência foi desastrosa.

Mesmo assim Rosalba Ciarlini ficou com 33,79% dos votos. Pesou também o maior censo crítico em relação a ela como política diante das dificuldades da atual gestão.

Famoso por comandar a resistência ao bando de Lampião em 1927, Rodolfo Fernandes ficou com 9,13%.

O legado de moralidade de João Newton da Escóssia rendeu 3,66% de menções.

O blog ainda registra menção honrosa aos ex-prefeitos Antônio Rodrigues de Carvalho e Raimundo Soares que foram lembrados pelos leitores, principalmente o segundo pelo fato de ser o fundador da atual universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Raimundo foi injustamente esquecido pelo blog.

A enquete não tem valor científico, mas pode dar uma boa noção do que pensam os mossoroense porque só era possível um único voto por perfil.

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O Blog do Barreto pergunta: qual o prefeito mais importante para Mossoró?

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Não se trata necessariamente do melhor prefeito de todos os tempos de Mossoró. Mas do mais importante, o mais relevante.

Os quatro nomes selecionados pela enquete levam em conta e memória coletiva da cidade, os fatos históricos que presenciaram e as obras realizadas.

A lista começa com Rodolfo Fernandes que não era propriamente um prefeito nos moldes atuais. O prefeito ficou imortalizado pela resistência ao bando Lampião em 13 de junho de 1927. Ele governou Mossoró por menos de um ano e morreu apenas três meses após o feito que ficou para a história como símbolo de bravura dos mossoroenses.

Outro nome que não poderia ficar de fora é o de Dix-huit Rosado. Prefeito de Mossoró em três oportunidades (1973-77, 1983-89 e 1993-96) ele ficou marcado pela “milobras”, as mil obras realizadas nos anos 1980 destacando-se a mais importante de todas: a tricotomização do Rio Mossoró que minimizou o efeito das enchentes na cidade.

João Newton da Escóssia governou Mossoró entre 1977 e 1982. Conhecido como “João Não”, ele entra na lista sobretudo pela marca da moralidade e zelo pela coisa pública. É famoso por ser o prefeito mais honesto que Mossoró já teve. Em tempos de Lava Jato, uma cidade ter na memória coletiva um nome com esse perfil já diz muito.

Por fim Rosalba Ciarlini, primeira mulher a comandar a cidade. Atualmente ela enfrenta o quarto mandato a frente do Palácio da Resistência em um momento de dificuldade extrema. Ela governou Mossoró em outras três ocasiões 1989-93, 1997-2001 e 2001-2005. É a política mais vezes eleita prefeita da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.

Fenômeno populista, o nome dela povoa o imaginário de boa parte da cidade com a fama de melhor prefeita que a cidade já teve sobretudo pela segunda e terceira passagem quando realizou uma série de obras importantes como a pioneira UPA do Alto de São Manoel, Ginásio Pedro Ciarlini e Teatro Dix-huit Rosado. Ela também é responsável por criar um calendário cultural da cidade que inclui eventos como Chuva de Bala no País de Mossoró e Alto da Liberdade.

Para votar na enquete acesse o grupo do Blog do Barreto no Facebook AQUI.

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