A inteligência na simplicidade de Milton Marques

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Passei a conhecer Milton Marques de Medeiros mais de perto em 2011 quando fui nomeado por ele jornalista da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) após ser aprovado em segundo lugar em um concurso público.

Ficava impressionado como aquele pequeno grande homem era objeto de tanta admiração e ao mesmo tempo tão simples. Tive poucos e bons contatos com ele nesse período. Lembro de um em especial: fiz uma matéria, não lembro bem o assunto, mas o gesto não tinha como esquecer, um e-mail parabenizando o texto. “Ora! O reitor se preocupar em fazer isso?”, me perguntava.

Mas Milton Marques era assim. Fazia questão de incentivar e apoiar os que se encontravam em sua volta. Após deixar a Reitoria em 2013 com a sensação de dever cumprido por ter pacificado tanto a UERN, a ponto de quase ser candidato único na reeleição em 2009, só voltei a ter contato com ele em 2015 quando ele confiou a mim a missão de por em prática um antigo projeto dele: um programa político no concorrido horário do meio-dia. A carta branca foi total acompanhada de uma única recomendação: fazer jornalismo com “J” maiúsculo.

Foi nesse período que conheci melhor Milton Marques. Conversar com ele era uma aula de como ser inteligente e ao mesmo tempo simples convertendo a postura em sabedoria.

Tão sábio que mesmo cortejado por todos os segmentos políticos do Estado nunca quis entrar para a sujeira da política. Perdeu Mossoró? Não diria isso. Ganhou a cidade porque na sua sabedoria, Milton tinha ciência de que não precisava ter um mandato de prefeito ou deputado para contribuir com a cidade que ele tanto amava.

Com visão além do nosso alcance ele enxergava Mossoró melhor que os políticos e através da iniciativa privada pode fazer muito pela cidade. Também contribuiu no serviço público sendo presidente do antigo IPE (Instituto de Previdência do Estado, atual IPERN), como professor da UERN, fundador da Faculdade de Medicina e reitor por dois mandatos.

Médico psiquiatra, empresário do ramo salineiro, jornalista, advogado, professor, reitor e dono de um dos maiores complexos de comunicação do Rio Grande do Norte.

Creio que sua última grande alegria tenha sido poder anunciar que o seu xodó, a 95 FM, assumira a liderança em todos os horários no rádio local. Fica para nós, funcionários da emissora, a missão de manter essa posição como a melhor forma de homenageá-lo.

Como ser tanta coisa e ao mesmo tempo ser tão simples, tão humilde? Como ter tanta inteligência e boas ideias e ao mesmo tempo ter a disponibilidade de ouvir, ser conciliador? Só sendo Milton Marques.

Ele deixa um grande legado.

Guardarei na lembrança a imagem de um homem sábio, que aliava inteligência dentro da sua sublime simplicidade.

Foto: Luciano Léllys

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Um gesto que muda a imagem de um país

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Pare e pense: quando você pensa na Colômbia qual a primeira imagem que lhe vem a cabeça. Acredito que a resposta seja Pablo Escobar, tráfico de drogas, As FARC, terremotos… Quis o destino que a tragédia de terça-feira acontecesse na Colômbia, mais precisamente em Medellín justamente a terra que tantas notícias negativas deu ao mundo manchando a imagem de um país graças ao cartel.

Agora tudo mudou. Logo que a tragédia aconteceu o Atlético Nacional, atual campeão da Libertadores, abriu mão do título da Copa Sul americana num gesto de grandeza que me levou as lágrimas. Depois os jogadores do clube apoiaram a decisão e o mais bonito: os torcedores foram ao estádio homenagear as vítimas do acidente aéreo e dizer que a Chapecoense era a campeão do torneio. Foi de arrepiar. Fui as lágrimas.

A partir de agora o preconceito em relação a Colômbia será deixado de lado. O país será lembrado pelo seu povo solidário, pela grandeza de seus dirigentes esportivos e atletas.

Queria ter escrito antes esse texto, mas não conseguia porque chorão assumido que sou saberia que iria às lágrimas como estou indo agora.

Força Chape!!! Mas também viva Colômbia pela lição de humanidade dada esta semana.

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Adeus a um grande amigo

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Meu amigo Léo Sodré hoje fui informado de uma notícia que já esperava: a sua morte. Já esperava, pelas notícias que sempre recebia de sua pessoa. Nesses últimos anos não tomamos aquelas cervejas daqueles tempos após o fechamento do jornal. Afinal de contas. Você tinha retornado para Natal.

De todos os editores com quem convivi em O Mossoroense você é com sobras o que mais me marcou. Não só pelos conselhos, mas também pela vibração com cada matéria bem feita, com cada capa feita com esmero e pelos furos de reportagem.

Lembro de cada conselho como se fosse hoje. Um deles era: “faça matérias analíticas. Você tem conteúdo para isso”. Sempre ouvia com a desconfiança do menino com autoestima baixa, mas criei coragem e perdi a timidez passando a assinar matérias analíticas. De fato, seus conselhos sempre regados a uma cerveja gelada fizeram a diferença.

Quis o destino que você se fosse no mesmo ano de outro grande amigo nosso: Justino Neto.

Pena que não pude me despedir de você, mas ao menos guardo na lembrança nossas conversas e a boemia de um passado que teima em não ser esquecido.

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