Política x Técnica: a falsa dicotomia da “patrulha dos isentões”

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Por Jean Paul Prates* 

A pior consequência do tão deplorado ambiente de “polarização política” dos tempos atuais não é a apropriação simbólica da bandeira nacional ou da camisa da seleção brasileira de futebol por supostos justiceiros que, cedo ou tarde, terminam sendo desmascarados. Tampouco as famosas discussões acaloradas nos grupos das famílias nos aplicativos de bate-papo representam o fim da civilização.

A pior coisa que surge como subproduto desse ambiente radicalizado criado nas redes sociais é o fenômeno da aversão à política. Inversamente, para governos, grupos ou movimentos que apostam na estratégia da despolitização, esse é o melhor cenário para fazer sua mensagem chegar à opinião pública sem contestação.

Essa negação da política tem contaminado, inclusive, grupos de debates reunindo acadêmicos, técnicos e especialistas em temas diversos, onde estranhamente impera a censura a discussões, opiniões e posicionamentos políticos.

Concordo que se deve evitar que discussões técnicas descambem para a frivolidade das disputas meramente partidárias, das provocações eleitorais e das notícias de veracidade contestável. Ocorre que os limites daquilo que se considera como “assunto político” são muito amplos, tornando difícil, na maioria das vezes, estabelecer essa fronteira conceitual. Esse patrulhamento, além de meio paranoico, é alienante, porque ignora que “nem tudo é política, mas a política está em tudo”.

O banimento indiscriminado da política de grupos onde são debatidos temas setoriais só serve para pasteurizar desnecessariamente discussões importantes. Por mais óbvio que pareça, precisamos lembrar que a política é inerente à gestão pública. É, portanto, inimaginável desconsiderar os aspectos políticos quando tratamos de determinados assuntos de âmbito técnico, principalmente quando dizem respeito a atividades econômicas reguladas. Excluir a política da arena do debate, mesmo o debate técnico, é um exercício de cinismo retórico.

Durante minha vida profissional sempre tive uma atuação técnica, mas sem nunca desprezar a importância do exercício da política, em seu sentido lato sensu, na hora da tomada de decisões nas áreas com as quais trabalhava, como petróleo e gás, energias renováveis, infraestrutura urbana, consumo responsável, desenvolvimento sustentável e gestão de recursos naturais. Mas agora que estou político, ao exercer pela primeira vez um mandato parlamentar, devo concordar com essa imposição em nome do senso comum que prega que política e técnica são assuntos inconciliáveis? Essa é uma ideia que, além de antidemocrática, mascara a incapacidade que seus defensores têm de argumentar civilizadamente.

A “patrulha dos isentões”, tanto os que agem de boa-fé quanto os que só enxergam a política pelo seu viés ideológico, presta um desserviço à sociedade. Por isso, a única coisa que merece é ser ignorada. Ninguém tem o poder de reclamar para si o direito de tutelar o debate, pelo simples fato de que em uma democracia plena não existem donos da verdade.

O direito à opinião, à crítica e à liberdade de expressão é inalienável. Não pretendo, jamais, abrir mão dele, independentemente do tema em pauta. Continuarei dando minha contribuição ao debate público sobre os assuntos que se apresentarem importantes na agenda nacional, sejam eles técnicos, setoriais ou políticos (agora, no sentido stricto sensu).

É claro que, ao fazer isso, não poderei me apartar das convicções políticas, ideológicas e sociais que carrego e represento. Da mesma forma que não agredirei nem desqualificarei quem, civilizadamente, pensar diferente de mim, porque o exercício do contraditório é o que aprimora a democracia. Os que agem diferente assumem, automaticamente, a carapuça da intolerância, do sectarismo e do autoritarismo.

*É senador da república pelo PT/RN.

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Deseducação acima de tudo: a ideologia dos que não têm ideologia

O Brasil é o país em que as pessoas precisam defender a educação (Foto: autor não identificado)

Henry Bugalho

Carta Capital

Quem serão os reais ganhadores com o fim da educação superior pública? Quem lucrará com isto? Quem se beneficiará com este desmonte?

“Em defesa da educação” estampava a faixa afixada na fachada da icônica sede da Universidade Federal do Paraná em Curitiba. Esta faixa, com uma mensagem apartidária em favor de uma causa que qualquer pessoa minimamente racional apoiaria, acabou se convertendo no símbolo das manifestações pró-governo, em defesa da confusa e ineficiente gestão de Bolsonaro, no último domingo, 26 de maio.

Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, vemos um homem com a camisa da seleção brasileira, peça que vem simbolizando o patriotismo fajuto calcado num reacionarismo tupiniquim, dizendo o seguinte: “vamos retirar esta faixa, porque prédio público não pode ser utilizado de forma ideológica”, enquanto isto, vê-se atrás dele outros paramentados manifestantes bolsonaristas cumprindo o prometido.

Confesso que tive de me esforçar para encontrar o viés ideológico implícito nos dizeres “Em defesa da educação”. Como saber qual grupo político está por detrás disto? Quem se beneficiará com isto? A quem serve?

Mas o fato é que defender a educação é e sempre será uma postura ideológica, pois suscita outra indagação: que tipo de educação? Para quem?

De fato, todos vivemos num mundo permeado por ideologias, somos atravessados por elas e todos os nossos atos, falas e omissões são dotados de carga ideológica. Sob esta ótica, a faixa “Em defesa da educação” é claramente um slogan ideológico, assim como também é ideológica a fachada neoclássica desta sede da UFPR, com colunas, traves de cornijas que remetem a princípios arquitetônicos da Antiguidade greco-romana. A camiseta amarela da seleção brasileira com o logo da Fifa é também revestida de ideologia e a própria afirmação que “prédio público não pode ser usado de forma ideológica” também é, por sua vez, altamente ideológica.

Portanto, o problema essencial na cabeça do manifestante não é Ideologia com “i” maiúsculo, mas uma determinada ideologia da qual ele discorda, já que os atos seguintes são ainda mais reveladores. No lugar de “Em defesa da educação”, foi afixada outra faixa que dizia “Olavo tem razão, ao mestre com carinho” e incluía também a inscrição “Ninguém nos déte”, sabe-se lá o que isto queira dizer.

A cena expõe, como podemos supor, um conflito profundamente ideológico e que está no cerne do governo bolsonarista. Na base desta guerra cultural está o explícito ataque ao conhecimento, aos professores e aos estudantes universitários. Segundo Olavo de Carvalho, a pessoa homenageada na faixa posta no lugar daquela que defendia a educação, as universidades são antros esquerdistas que servem de ponta de lança para uma revolução comunista de inspiração gramscista, numa “marcha pelas instituições” para a consolidação da hegemonia cultural e intelectual dos vermelhos – de maneira resumida, isto é o que se chama de “marxismo cultural”.

Sendo assim, conquistar estes espaços educacionais, expurgar professores “comunistas”, reescrever a História e extirpar quaisquer vestígios da ideologia contrária é uma condição sine qua non desta guerra cultural. Para os olavistas, qualquer vitória política sem esta vitória cultural não será uma vitória completa, pois deixará margem para que os comunistas retornem rapidamente às esferas de controle social e político. O expurgo deve ser completo e irrestrito.

“Em defesa da educação” passa uma mensagem evidente, principalmente em uma universidade federal: de uma educação pública, de qualidade e inclusiva. Contudo, para quem pensa na universidade como um espaço destinado a uma elite, é evidente que isto pode soar como afronta. Sabe-se que o acesso à educação é um dos principais pré-requisitos para a redução da desigualdade social, por permitir melhores oportunidades de trabalho e, por isso, estimular a mobilidade social. O acesso dos mais pobres ao ensino superior público permite duradouras transformações numa sociedade. A quem duvide sugiro que veja o que fizeram os países do norte da Europa, hoje amplamente acatados como melhores modelos de sociedade. Neles a real implantação da socialdemocracia comprovou o antigo mote segundo o qual: uma sociedade é tão rica quanto é rica sua porção mais pobre.

Mas, voltemos à questão. A quem não interessa isto?

E deixo para resposta de vocês estas últimas perguntas: quem serão os reais ganhadores com o fim da educação superior pública? Quem lucrará com isto? Quem se beneficiará com este desmonte?

Adianto que qualquer resposta será ideológica, mas com inevitáveis e catastróficas implicações práticas para milhões de jovens estudantes que agora estão na linha de frente deste embate por seu futuro, por suas carreiras e, mais do que isto, por um modelo de sociedade mais aberta e inclusiva.

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Rotular candidatos só serve para tertúlias ideológicas

Por José Paulo Kupfer*

Poder 360

A internet potencializou muitas coisas, inclusive a banalização das palavras. No terreno fertilizado por uma absurda proliferação de informações e sobretudo de ruídos informativos, os exageros vicejam e as palavras perdem o sentido.

O fenômeno não se dá apenas entre os que à esquerda rotulam de “fascistas” todos os que pensam diferente, assim como à direita os discordantes são carimbados de “comunistas”. Lamentavelmente, o chumbo grosso da intolerância espalhou-se para todos os campos e esferas da vida em sociedade.

São muitos, é fácil perceber, os problemas derivados dessa polarização. Um deles é dar passagem a autoenganos e a avaliações desprovidas de valor analítico. Vale para inúmeras questões, mas vamos ficar no exemplo do grande nó da economia — os desarranjos fiscais e as formas de resolvê-los — para tentar entender o ponto.

Na banalização das palavras, “reformista” ganhou uma conotação positiva estranha ao seu significado estrito. Passou a referir os que pensam como nós. Ao mesmo tempo, o termo “populista”, agora vestido de designação negativa, engloba resto formado por irresponsáveis.

Nessa nova concepção vernacular, “reformista” se transformou em todo aquele que se propõe a resolver os desequilíbrios fiscais com corte de gastos públicos, sem medo de impor “sacrifícios” aos cidadãos. Já “populista” passou a ser quem acha que há espaço para aumentar despesas públicas e resolver tudo com aumento do crescimento econômico, sem as dores dos conflitos distributivos.

É fato que, se fosse possível eliminar o grande enrosco fiscal apenas com crescimento econômico, os “populistas”, num passe de mágica, se tornariam belos “reformistas”. Mas, não só isso não é possível, como também não será possível equacionar o problema sem mexer nas receitas públicas, o que faria do maior “reformista” um rematado “populista”.

Logo, “populistas” e “reformistas”, nessas mais recentes acepções, podem fazer a festa da especulação nos mercados, nas asas das pesquisas de intenção de voto. Mas são definições que não servem para muita coisa verdadeiramente útil, principalmente quando se quer saber como alcançar o equilíbrio fiscal e ao menos a estabilização da dívida pública.

Entre os candidatos com chances de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais, por exemplo, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, candidato do PSDB, é certamente o tido como mais “reformista”.

Como típico “reformista”, ele está prometendo eliminar o déficit público no curtíssimo espaço de dois anos e isso, conforme o próprio Alckmin tem declarado, exigirá cortar “para valer” as despesas públicas, embora não seja difícil verificar o irrealismo da promessa.

Alckmin, contudo, também promete, se eleito, reajustar o salário mínimo sempre acima da inflação ao longo de seu governo. Cálculos do Ibre/FGV mostram que cada 1% de aumento real no salário mínimo produz um adicional de R$ 3,8 bilhões nos gastos públicos. Em outras palavras, a promessa aumenta gastos. Se aumentar gastos é coisa de “populista”, onde enquadrar então a esperança branca “reformista”?

A resposta não parece, mas é óbvia. A divisão entre “populistas” e “reformistas” só existe para dar vida a tertúlias ideológicas e desvios do real foco do problema. Na dura realidade, o próximo governante começa tendo que arrumar R$ 18 bilhões para manter a máquina pública funcionando, mas isso não é nada perto da necessidade de negociar com o Congresso créditos extraordinários de R$ 260 bilhões, sem os quais não cumprirá a Regra de Ouro e incorrerá em crime de responsabilidade.

Teto de gastos, Regra de Ouro, Previdência, remuneração dos servidores públicos, regra de reajuste do salário mínimo, reforma tributária — para simplificar, reduzir ineficiências produtivas e reverter tanta regressividade —, são imensos os desafios à espera do novo governo. Eles envolvem revisões constitucionais, rearranjos federativos, correções de tributos, envolvendo direta ou indiretamente todos os Poderes da República.

Nem “reformistas”, nem “populistas” serão capazes de liderar tão crucial empreitada. O que precisamos mesmo é de políticos, na primeira acepção clássica da palavra, que designa os detentores da arte ou da ciência de governar.

* é jornalista profissional há 51 anos

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Mais ideologia. Menos fisiologismo: porque é preciso conhecer o candidato antes de votar

Só não se sente representado quem vota num candidato sem conhecer suas ideias

Por Bruno Barreto

Via de regra nossos eleitores não se importam muito com eleições para o parlamento. Votam por simpatia, por sugestão de um amigo interessado na eleição do candidato, por orientação de algum líder político, etc…

Nunca se busca um candidato a deputado, vereador ou senador pelas ideias que ele defende. Na campanha eleitoral os postulantes não fazem muita questão de expor as ideias até porque quanto menos se comprometer mais liberdade terão nos respectivos mandatos.

O resultado disso é que a cada quatro anos elegemos candidatos fisiológicos, muitos deles se pautando pela compra de votos.

Aí depois reclamamos dos deputados e senadores que votaram a favor das reformas impopulares de Michel Temer, dos que livraram a cara do presidente ou deram aval ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (para quem achou ruim a decisão, claro).

É preciso, antes de tudo o eleitor aprender a votar com consciência e desprendido de interesses pessoais ou de terceiros.

Não adianta vir com esse papo furado de que ideologia não existe. Esse argumento revela preguiça intelectual e indisponibilidade para o exercício da reflexão sobre a política.

Pessoas que são a favor de igualdades de direitos, do Estado como indutor do desenvolvimento econômico, liberalidade nos costumes ou de programas sociais tende a votar num candidato de esquerda.

Pelo menos deveria ser assim para depois não se lamuriar nas redes sociais que “perdeu o voto”.

Perdeu nada.

Foi vítima da própria desinformação e preguiça reflexiva de avaliar a postura dos candidatos e as ideias que eles defendem.

Agora se você é conservador nos costumes, entende que o Estado não deve intervir na economia e acha que as desigualdades serão reduzidas naturalmente sem a necessidade de programas sociais para isso seu caminho é votar em um candidato de direita e defensor do liberalismo econômico.

Se você não se informa e mesmo pensando assim vota num candidato com ideias opostas a culpa não é do candidato.

É da sua preguiça intelectual.

Precisamos entender que a política não se move apenas por corrupção, compra de votos ou acordos espúrios. Há ideias no meio de disso e muitas vezes os meios para se chegar aos fins ideológicos passam pelas sujeiras que nós costumamos assistir e ler no noticiário.

Se o eleitor votasse consciente ele obrigaria os candidatos a assumirem posições claras antes de chegar ao parlamento tornando mais difícil as tentações fisiológicas. Afinal de contas a política não mudará apenas com a troca de políticos, mas com o exercício do controle social sobre nossos representantes.

Um candidato ideológico tem a carreira pautada no voto de opinião que lhe deixa refém das cobranças do próprio eleitorado. O fisiológico só se importa com um exército de prefeitos de pires na mãe em busca de emendinhas chinfrins que servem como paliativos em gestões sofríveis.

Um candidato de viés fisiológico se lixa para a opinião pública. Ele vai atuar de acordo com os próprios interesses sem se importar com as cobranças porque entende que a “fatura” foi paga quando comprou seu voto nas eleições.

Só com a escolha ideológica faremos a qualidade do parlamento melhorar tirando espaço dos candidatos fisiológicos do chamado “centrão” que são sempre da base governista. O debate ficaria mais restrito ao campo das ideias com os políticos a toda tendo que se explicar sobre o que dizem e defendem.

Lembre-se: a direita privilegia a eficiência econômica. A esquerda privilegia a redução das desigualdades. Ambas as ideologias possuem muitas variáveis significativas. Não há um combo de ideias pronto e acabado como muitos radicais de lado a lado rosnam nas redes sociais.

Deem a mesma atenção as eleições proporcionais que damos aos pleitos majoritários para depois poder dizer que se sente representado num parlamento.

A política seria mais interessante com mais ideologia e menos fisiologia.

Abaixo deixo o clipe da música “Ideologia” do genial Cazuza.

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O caso Mariele e os “cidadãos de bem” à brasileira

Meme fascista expõe segunda morte de Mariele Franco via linchamento moral
Meme fascista expõe segunda morte de Mariele Franco via linchamento moral

Mariele Franco era uma vereadora do Rio de Janeiro, a quinta mais votada no último pleito na capital fluminense. Negra, mãe aos 17 anos, feminista, homossexual, militante dos direitos humanos e filiada ao PSOL. Simbolizava tudo que rejeita a crescente onda fascistóide, que corrói nossa sociedade.

A morte dela precisa ser investigada e esclarecida. Por mais que existam algumas suspeitas óbvias qualquer julgamento de valor nesse momento é precipitado.

Mas nada, absolutamente, nada justifica uma segunda morte de Mariele Franco. Antes mesmo de seu corpo ser sepultado imbecis sob o manto da moral e dos bons costumes estão fazendo um verdadeiro linchamento que massacra a imagem da jovem vereadora.

Nas redes sociais vi o absurdo de gente compartilhando memes e postagens que “celebram” a morte de Mariele numa morbidez que não combina com quem diz professar a fé cristã e/ou se coloca como um “cidadão de bem”. É uma constrangedora falta de empatia com o sofrimento de uma família.

A morte de nenhum ser humano pode ser comemorada. Mas o caso de Mariele carrega consigo uma carga simbólica que resume muito bem setores mais idiotizados de nossa sociedade que se deixam iludir por “salvadores da pátria” e embarcam nos chiliques estridentes de apresentadores de programas policiais.

Não é hora para misturar ideologia, politicagem de quinta categoria e sentimentos rancorosos. É um momento para se pensar o tipo de sociedade que temos e o quanto a liberdade que temos não pode servir de pretexto para expressar sentimentos odientos.

A morte de Mariele não é como a de tantos negros, mulheres, homossexuais e militantes de causas justas. A tragédia mistura num caixão toda a carga de preconceito que cada dia tem saído mais e mais dos porões do inconsciente de setores autoritários e violentos de nossa sociedade nada cordial como apregoou Sérgio Buarque de Holanda. Não somos cordiais. Somos violentos e celebramos a desgraça alheia com a indiferença de que é incapaz de se colocar no lugar do outro.

Essa tragédia provoca comoção de quem possui empatia com o próximo porque a jovem reunia em si toda a carga dos oprimidos desse país, mas também expões a hipocrisia nossa de cada dia do racismo velado, machismo “cavalheiro”, homofobia de pé de ouvido e do preconceito de quem diz não ter preconceito, “mas…”.

Poucos dias antes de ser vítima de uma emboscada ela tinha denunciado abusos da Polícia Militar. Dizer que ela estava defendendo bandidos é um reducionismo pobre e desonesto. É colocar no mesmo caldeirão bandidos e pessoas pobres/honestas que são maioria nas comunidades carentes.

Do mesmo jeito que ninguém pode dizer que foram membros da Polícia Militar que mataram Mariele Franco não se pode espalhar memes fascistas tornando a vítima culpada pela própria morte trágica.

Precisamos refletir sobre que “cidadãos de bem” são esses. São de “Bem” por serem honrados ou a moral deles é mera hipocrisia?

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