Já dá pra chamar Bolsonaro de fascista? Parte da academia diz que sim

O ditador fascista Benito Mussolini em seu gesto característico de “dar uma banana” ao discursar (Reprodução)
Por Fábio Zanini*

Jair Bolsonaro é fascista? Um ano e meio depois de o capitão ter assumido a Presidência, muitos do que se debruçam sobre seus discursos e práticas parecem ter perdido o receio de aplicar-lhe a pecha, ainda que com ressalvas.

Nas últimas semanas, a busca por elementos que liguem o bolsonarismo ao fascismo tomou parte do meio acadêmico. Fazer essa relação não é algo trivial.

Chamar alguém de fascista só não é mais grave do que dizer que fulano é nazista. E é mais sério até do que dizer que sicrano é stalinista, porque, incrivelmente, parte da esquerda continua festejando ditadores comunistas de ontem e de hoje.

Um exemplo foi um texto publicado no caderno Ilustríssima, da Folha, em 9 de junho. Assinado por oito acadêmicos ligados à USP, tem um título categórico: “Por que assistimos a uma volta do fascismo à brasileira”.

A tese ali exposta é que os elementos que ligam Bolsonaro a esta ideologia, que ficou identificada com o italiano Benito Mussolini a partir os anos 1920, são inúmeros: ultranacionalismo, aceitação da violência, intolerância ao contraditório, defesa da família patriarcal e religiosidade extremada, entre outros.

Outra iniciativa recente na mesma linha é o projeto “Bolsonarismo: o novo fascismo brasileiro”, do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia, da PUC-SP.

Seu objetivo é “compreender o atual estágio da crise da democracia liberal, constitucional e representativa, a ascensão de populismos de extrema direita, a degradação das instituições brasileiras e a ameaça política, social e humanitária representada pelo movimento social e político do bolsonarismo“. 

O projeto, iniciado em 5 de junho, reúne 40 professores e pesquisadores, de diversas instituições de ensino e afiliações ideológicas.

Há desde conservadores clássicos como Luiz Felipe Pondé, colunista da Folha, até nomes ligados a grupos liberais de oposição a Bolsonaro, como Livres e MBL (Movimento Brasil Livre). A coordenação-geral é de Eduardo Wolf, doutor em Filosofia pela USP e professor do Laboratório.

Entre os temas a serem estudados, estão o uso de redes sociais, disseminação de fake news, neopentecostalismo, influência dos militares e o olavismo (sim, o guru de Bolsonaro agora é um “ismo” estudado em universidades).

“É uma tentativa de entender o que está acontecendo com a democracia brasileira. Está dado que existe uma crise, um deficit democrático, que se expressa em nível mundial”, diz Rodrigo Coppe Caldeira, historiador e professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC-Minas, um dos membros do grupo.

A ascensão da extrema direita e de um regime iliberal como o de Bolsonaro, segundo ele, é um retrato desse fenômeno.

“O fascismo está relacionado a um momento histórico determinado, então é preciso ir com cuidado ao fazer a comparação. Mas elementos que caracterizam aquele fascismo italiano nos levam a observar semelhanças com o bolsonarismo, como o flerte com as milícias, o discurso da violência, o antipluralismo, a ideia do líder como defensor do povo contra as elites corruptas”, afirma Caldeira.

A direita que apoia Bolsonaro, obviamente, rejeita a pecha de fascista. Afirma que é apenas um rótulo usado pela esquerda para tentar desacreditar uma agenda conservadora de costumes, com menos interferência de Estado e em oposição ao “globalismo”.

As investidas contra as instituições, para os bolsonaristas, seriam apenas críticas respaldadas pela liberdade de pensamento, que não pode jamais ser castrada. Episódios de violência seriam casos pontuais e difíceis de serem controlados.

Outras iniciativas de estudo da extrema direita que estão surgindo veem a relação entre bolsonarismo e fascismo com cautela, como é o caso do Observatório da Extrema Direita, ligado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

“Você tem elementos claramente fascistas no governo, como o olavismo, ou os praticantes de um  catolicismo exacerbado. Mas o governo Bolsonaro é muito cacofônico”, diz Guilherme Casarões, professor da Fundação Getulio Vargas.

Ele é um dos coordenadores do Observatório, ao lado de Odilon Caldeira Neto, professor de História Contemporânea da UFJF, e David Magalhães, professor de Relações Internacionais da Faap e da PUC-SP. No total, 13 professores e pesquisadores estão envolvidos com o projeto.

“Às vezes a agenda do Bolsonaro atrai grupos fascistas, ou neointegralistas. Mas a definição de fascismo é relativamente recortada”, diz Magalhães.

Como lembra Caldeira Neto, o governo Bolsonaro tem espaço também para componentes cuja relação é bem maior com o liberalismo, embora regimes fascistas no passado tenham recorrido a liberais como suporte técnico. São os casos de Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura), por exemplo.

“O bolsonarismo é fenômeno muito diversificado. O presidente tem relações com a extrema direita, mas não dá para dizer isso do governo como um todo”, afirma.

Ao menos num ponto a semelhança é indiscutível. A exemplo de Mussolini, Bolsonaro gosta do gesto de “dar uma banana” para seus detratores, como fez algumas vezes em Brasília.

O presidente Jair Bolsonaro “dá uma banana” para a imprensa em frente ao Palácio do Alvorada (Reprodução)*Texto extraído do Blog Saída Pela Direita da Folha de S. Paulo.

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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Bolsonaro já tem seu ‘tchau, querida!’

Por Reinaldo Azevedo*

O governo Bolsonaro acabou. A reforma da Previdência, único marco que ficará destes dias, durem quanto durar, é, na verdade, herança do governo Temer, que só não conseguiu aprovar o texto porque teve de enfrentar o lavajatismo golpista e de porre de Rodrigo Janot. Isso à parte, sobra pregação golpista. E só.

Quanto tempo o “mito” ainda fica por aí? Não sei. Mas é “um cadáver adiado que procria”, para lembrar verso de Fernando Pessoa em caso bem mais nobre. E qualquer coisa que venha à luz, nessas circunstâncias, será necessariamente ruim.

Não temos mais um presidente, mas um refém do fundão do centrão. À medida que a sociedade vai saindo da clausura a que a condenou o coronavírus, cresce o preço político para manter o corpo na sala. Até a hora em que os próprios apoiadores resolvem enterrar o malcheiroso.

Lembram-se do “tchau, querida” de Lula, ao se despedir de Dilma, naquela gravação feita e divulgada ilegalmente por Sergio Moro? Esqueçam o mérito. Fixo-me nas palavras. Elas se transformaram numa espécie de emblema da derrocada do governo. Era também uma senha entre os que defendiam o impeachment.

Bolsonaro já tem os dois vocábulos imortais que servem para carimbar seu fim. E saíram de sua própria boca, em um dos habituais acessos de fúria. Falando a seguidores no Alvorada, deu a entender que, a partir daquele momento, passava a ter o comando das vontades do STF. Vociferou para o TIH (Tribunal da Ironia da História): “Acabou, porra!”.

Pois é… Acabou, porra!

A partir de agora, não há mais como o presidente se ocupar do governo. Enquanto estiver por aí, vai ter de pagar, às custas do futuro do Brasil, o preço para que não se formem os 342 votos na Câmara que o empurrariam para julgamento, e condenação certa!, no Senado por crime de responsabilidade.

Aqui e ali, as pessoas se espantam: “Caramba! O Fabrício Queiroz foi se homiziar justamente no sítio de Frederick Wassef, advogado dos Bolsonaros, que tinha estado no Palácio do Planalto no dia anterior, a convite do presidente, na posse de Fábio Faria, o ministro que simbolizaria a disposição para o diálogo?”.

Meus caros, vocês queriam o quê? De Goethe a Max Weber, estamos diante de uma derivação das chamadas “afinidades eletivas”. A Operação Anjo, no âmbito da qual Fabrício foi garfado, é uma referência ao apelido de Wassef entre os Bolsonaros: anjo. Eles todos devem saber por quê.

Queiroz foi preso no dia seguinte àquele em que Bolsonaro negou a democracia três vezes. O dia 17 de junho entrará para a história. Logo de manhã, o presidente anunciou às portas do Alvorada, referindo-se a magistrados de tribunais superiores: “Eles estão abusando. Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar”. À noite, foi ainda mais sombrio: “É igual uma emboscada. Você tem de esperar o cara se aproximar”.

Na sequência, foi arriar a bandeira em companhia do comandante do Exército, Edson Leal Pujol, que caía, ele sim, numa emboscada. Entre uma ameaça e outra, fez a mais grave de todas as afirmações desde que assumiu. E justamente na posse do novo ministro.

Nas barbas de Rodrigo Maia e Dias Toffoli, presidentes, respectivamente, da Câmara e do STF, o mandatário evocou as forças do caos: “Não são as instituições que dizem o que o povo deve fazer. É o povo que diz o que as instituições devem fazer”. Essa é a divisa dos tiranos, não dos democratas. “Povo”, para Bolsonaro, ele já deixou claro, se resume às suas milícias digitais e àqueles que comungam de seus, vá lá, valores, que ele chama “conservadores”, numa distorção miserável do sentido da palavra.

É o passado policial de Bolsonaro que põe fim a seu governo, ainda que o cadáver fique por aí. Mas o que já o impedia de governar é a sua absoluta incompreensão do que é a democracia. Sim, novas ameaças de autogolpe virão nos próximos dias. É de sua natureza.

Bolsonaro quer que acreditemos que os generais podem botar os tanques nas ruas para unir a história das Forças Armadas à de patriotas como Fabrício Queiroz.

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Fábio Faria toma posse como ministro

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro das Comunicações, Fábio Faria, durante cerimônia de posse (Foto: Allan Santos/Agência Brasil)

Por Andreia Verdélio

Repórter da Agência Brasil

O deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) tomou posse hoje (17) como o novo ministro das Comunicações e disse que entre as suas prioridades está inclusão digital da população. Para Faria, o momento atual do país, também exige uma postura de compreensão e abertura ao diálogo.

“É tempo de levantarmos a guarda contra o novo coronavírus, também é hora de um armistício patriótico e deixarmos a arena eleitoral para 2022. É preciso sobretudo respeito e que deixemos as nossas diferenças político-ideológicas de lado para enfrentarmos esse inimigo invisível comum que tem tirado a vida de milhares de pessoas e gerado danos incalculáveis à economia. É hora de pacificar o país”, disse ao lado do presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Faria destacou a transformação e o impacto da pandemia de covid-19 na vida das pessoas e os efeitos na saúde pública e na economia, especialmente na área das comunicações. Ele citou avanços na tramitação digital de atos, na telemedicina e no comércio eletrônico. “É prioritário, entretanto, fazer o processo de inclusão digital andar a passos largos, porque ainda há uma grande parcela da população sem acesso à internet, milhões de crianças que não conseguem assistir às aulas online e adultos que não tem como trabalhar remotamente”, disse.

De acordo com o novo ministro, a internet banda larga avança de maneira consistente e já tem potencial de alcançar 80% dos lares brasileiros. Mas, segundo ele, a orientação do presidente Bolsonaro é que chegue a todos os cidadãos já que esse é um passo fundamental para a implementação da infraestrutura para a chegada da tecnologia 5G ao país. “O 5G permitirá uma banda larga móvel de altíssima potência em qualidade com impacto significativo na economia, além de proporcionar aos brasileiros grande cesso ao conhecimento”, explicou Faria.

O novo ministro das Comunicações também falou sobre a importância da TV fechada, que oferece agilidade na informação jornalística, e a força de abrangência da TV aberta, do rádio e dos jornais, que, somados à internet, “formam o símbolo e o palco da liberdade de expressão.”

Em seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro disse que, “quanto melhor estiverem as nossas comunicações, transmitindo sempre a verdade na ponta da linha, melhor estaremos todos nós”.

O presidente Bolsonaro destacou que, cada Poder da República, “com harmonia e independência”, precisa fazer valer os valores da democracia. “O nosso povo respira liberdade, temos uma Constituição pela frente, que pesa alguns de nós até não concordar com alguns artigos, mas temos um compromisso, todos nós do Judiciário, Legislativo e Executivo, de honrá-la e respeitá-la para o bem comum. E tenho certeza que, respeitando cada artigo da nossa Constituição, nós atingiremos o nosso objetivo para o bem de todos”, disse.

Novos ministérios

O presidente Bolsonaro também deu posse a Marcos Pontes, agora como ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que já estava sob comando de Pontes, foi desmembrado pela Medida Provisória nº 980/2020 nos novos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Comunicações.

Na semana passada, o ministro fez um balanço das ações de sua pasta na área das comunicações.

O Ministério das Comunicações existia como órgão autônomo do primeiro escalão do Executivo até 2016, quando foi fundido com a área de ciência e tecnologia durante a gestão de Michel Temer. Retomado agora, vai reunir as ações na área de radiodifusão e telecomunicações bem como a comunicação institucional, incluindo a Empresa Brasil de Comunicação.

Na mesma solenidade, Bolsonaro assinou o parecer vinculante da Advocacia-Geral da União sobre integralidade e paridade da aposentadoria de policiais civis da União; o decreto sobre licenciamento de radiodifusão; e o decreto sobre adaptação do instrumento de concessão para autorização de telecom, sobre prorrogação e transferência de autorização de radiofrequência.

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Brasil está a pouca distância de uma tragédia monstruosa

Por Jânio de Freitas

Com a histórica indiferença por seu destino, o Brasil está a caminho de todos os recordes negativos cabíveis na pandemia, já alcançados alguns deles. Como a rapidez de disseminação e a mais deficiente comunicação/conscientização dos riscos, orientadas por um governante (sic) que se dedica a incitar e encabeçar aglomerações com propostas criminalmente golpistas.

Sepultadores chegam para trabalhar na area do cemitério São Luiz, na zona sul de São Paulo, reservada para as vítimas do Covid-19 Lalo de Almeida/Folhapress

Como consequência lógica, o Brasil está a pouca distância de uma tragédia monstruosa: a população indígena corre o risco de sucumbir a um genocídio. Bolsonaro desconstruiu a sempre mínima rede de setores governamentais voltados, ainda que em parte, para alguma assistência aos remanescentes de brasileiros originais.

Corte de recursos, demissões numerosas, entrega de cargos a militares despreparados e apoio a grileiros, desmatadores, madeireiros e garimpeiros ilegais já compunham as bases da tragédia continuada e agravada.

O descaso por providências emergenciais para a proteção contra a virose mortífera, tratando-se da mais vulnerável população, é o cume da política de crime governamental. Não é novidade, mas nunca foi tão descarada.

Diz o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, que Bolsonaro é apenas “reativo”, os outros é que lançam os ataques. Esse ministro não entende que políticas são agressivas ou defensivas, responsáveis ou até criminosas, nas relações de governo e população.

Reativas são as críticas a Bolsonaro, que não precisou chegar ao título de presidente para agredir o país em atos e palavras desumanas, racistas, de violência e uso de armas.

O próprio general Ramos comete agressivas atitudes contra a Constituição, a democracia e os cidadãos em geral. Sua última encenação é uma botinada na legalidade constitucional, com a afirmação de que os militares não pensam em golpe desde que a oposição “não estique a corda”.

E o que foi que o general esticou, ao dizer inverdades para servir a Bolsonaro no depoimento sobre a reunião dos desvairados? Inverdades que o levaram a correr com um pedido para retificá-las, prevenindo-se de processo por falso testemunho.

Mas minha preferência, entre as produções verbais do general Ramos, é sua resposta a certa dúvida sobre uma atitude de Bolsonaro: “Conheço há muito tempo aqueles olhos azuis…”. Só não sei o quanto a resposta clareou alguma dúvida. Ou aumentou-a.

Quaisquer que sejam, os ditos de Bolsonaro e seu grupo são demonstrações de alienação. Autêntica e insolúvel. Não é o caso do que diz, por exemplo, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, diante das realidades brutais trazidas por Bolsonaro e sua tropa. “Algumas atitudes [de Bolsonaro] têm trazido uma certa dubiedade, e essa dubiedade impressiona e assusta a sociedade brasileira.”

Só isso? O ministro do Supremo nada vê além disso?

Esse é um pronunciamento que a nenhum integrante do Supremo deveria ser permitido, em tempo algum. Acovardado, mentiroso, nem ele e seu autor são dúbios, como Bolsonaro não é. Quando todos atentam para as ideias e manifestações antidemocráticas e contrárias à Constituição, de Bolsonaro, filhos & cia., Dias Toffoli desce a dizer-nos que tem “certeza, em todo o relacionamento harmonioso que tenho com sua excelência, com seu governo e com o vice-presidente Hamilton Mourão, […] que eles são democratas. Merecem o nosso respeito”.

Dias Toffoli abre mão do nosso respeito. A que troco, não está claro. Uma carreira política, talvez, uma vice para começar. Com o democrata Bolsonaro, quem sabe, ou alguém entre os vários que veem o retrocesso do país, a invasão dos meios de administração por incapazes e desatinados, riscos entre o de genocídio indígena e o de problemas internacionais perigosos —veem, mas jamais passam de umas poucas palavras de crítica leve, se chegam a isso, para voltar pouco depois às conveniências da ambição.

Que assim é, em nove exemplares sobre dez, a gente importante hoje circulando no Brasil.

Este artigo não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.

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Pela primeira vez o RN tem dois ministros

Fábio Faria se junta a Rogério Marinho na equipe de Bolsonaro (Foto: web/autor não identificado)

Um fato histórico. Quando o deputado federal Fábio Faria (PSD) tomar posse na pasta das comunicações será a primeira vez que o Rio Grande do Norte terá dois ministros na equipe do Governo Federal.

Da redemocratização em 1985 para cá o Estado só não teve ministros nos governos de Collor (1990/92) e Lula (2003/10).

No governo Sarney (1985/90) Aluízio Alves ocupou a pasta da administração. O mesmo líder político ocupou a pasta da integração nacional na gestão de Itamar Franco (1992/94).

Fernando Bezerra também foi alçado à condição de ministro no Governo FHC (1995/2002). Ela era ligado a família Alves quando ascendeu ao cargo.

Na era Dilma Rousseff (2011/16) Garibaldi Alves Filho ocupou o Ministério da Previdência no primeiro Governo e Henrique Alves o turismo no segundo. Este último ocupou o mesmo cargo na gestão de Michel Temer (2016/18).

No mês de fevereiro o ex-deputado federal Rogério marinho (PSDB) assumiu a pasta do Desenvolvimento Regional. Agora ele terá a companhia de Fábio Faria como o outro político do RN no primeiro escalão do Governo.

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Deputada mais votada do país detona indicação de Fábio Faria: “será que Jair Bolsonaro não deu um Google no nome do novo Ministro?”

Janaína Paschoal detonou indicação de deputado potiguar (Foto: Edilson Dantas)

Do alto dos seus 2.060.786 votos nas eleições de 2018 quando se tornou a deputada estadual mais votada da história do Brasil, Janaína Paschoal (PSL), detonou a indicação de Fábio Faria (PSD) para o comando do Ministério das Comunicações.

Sem citar o nome do ainda parlamentar, ela questionou se o presidente Jair Bolsonaro chegou ao menos a “dar um Google” para saber quem estava indicando.

Fábio Faria é alvo de investigações por corrupção sendo apontado como o “Garanhão” nas planilhas da Odebrecht descobertas pela Operação Lava Jato. Ele ainda se envolveu em escândalo das passagens aéreas e foi aliado do PT em três dos seus quatro mandatos de deputado federal.

“Não é possível! Foi para isso que eu apoiei esse Presidente? Foi para isso que fomos às ruas para derrubar Dilma?”, questionou em outro trecho do post.

Janaína Paschoal é professora de direito da Universidade de São Paulo (USP) e foi a advogada contratada pelo PSDB por R$ 50 mil para elaborar a peça do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Veja a manifestação de Janaína Paschoal abaixo:

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Confira a trajetória que levou Fábio ao Ministério das Comunicações

Fábio não foi ser ministro só por causa de ser genro de Sílvio Santos (Foto: redes sociais de Jair Bolsonaro)

O deputado federal Fábio Faria (PSD) por ser bonito e namorar mulheres famosas sempre foi politicamente subestimado pelos críticos. Junte-se a isso ao fato de ter sido alçado à vida pública pelo pai Robinson Faria (PSD) em 2006.

Filhotismo à parte, Fábio tem luz própria. Goste-se ou não dele é preciso reconhecer.

Em 2013, na mesma eleição em que Henrique Alves (MDB) se tornou presidente da Câmara dos Deputados, Fábio Faria foi alçado à condição de segundo vice-presidente da casa.

Não é pouco, diga-se.

Venhamos e convenhamos isso não foi por ser filho de Robinson Faria à época um vice-governador do Rio Grande do Norte rompido com a governadora Rosalba Ciarlini (filiada ao DEM).

Fábio é tido nos bastidores como boa praça e articulador. Foi assim que ele se aproximou do presidente Jair Bolsonaro e começou a pavimentar sua ascensão ao primeiro escalão do Governo Federal.

Os sinais de que ele estava trabalhando para ser ministro começaram a ser dados na virada do ano quando ele, sempre distante do debate público no Rio Grande do Norte, passou a atacar a governadora Fátima Bezerra (PT) de forma mais virulenta. Não que não fosse legítimo, mas o que chamou atenção foi a postura incomum em sua trajetória política. Nem quando o pai rompeu com Rosalba ele atuou dessa forma.

Atacar petista agrada o presidente. A estratégia estava clara como mostramos AQUI.

Em janeiro, Fábio jactou-se de ser um dos dez políticos que mais estavam presentes nas agendas presidenciais. Ele esteva a frente do ranking do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) e Hélio Negão (PSL/RJ) respectivamente filho e melhor amigo do presidente.

Ontem a jornalista Natuza Neri dizia na Globo News que Fábio ganhou prestígio junto ao presidente também por agir como bombeiro em crises.

Faz sentido.

No final de maio, quando o “centrão”, grupo de partidos do qual o PSD faz parte, costurava o acordo para ocupar mais espaços no Governo Bolsonaro, Fábio Faria foi apontado pelo site da Revista Fórum como articulador da retirada da não transmissão do SBT Brasil no dia 23. O deputado negou nas redes sociais.

De fato o telejornal que traria informações negativas sobre o governo não foi exibido após reclamações do Secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten.

Aí que entra mais um elemento que fortalece a indicação de Fábio. Ele é casado com Patrícia Abravanel, filha do dono do SBT Sílvio Santos, notório apoiador do presidente.

A indicação de Fábio para a função de ministro tem um pouco de tudo. Foi por ser articulado, foi por ter criado uma boa relação com o presidente, foi por ser genro de Sívio Santos e foi por ser de um partido do “centrão”.

Ele trabalhou para isso e conseguiu.

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Bolsonaro anuncia Fábio Faria como ministro

Fábio Faria agora é ministro (Foto: Web/autor não identificado)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou no Facebook que o deputado federal Fábio Faria (PSD) será ministro das comunicações.

A pasta foi desmembrada da ciência e tecnologia e será dirigida pelo deputado potiguar.

“Nesta data, via MP, fica recriado o Ministério das Comunicações a partir do desmembramento do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Para a pasta foi nomeado como titular o Deputado Fabio Faria/RN”.

O Blog do Barreto já tinha informado em fevereiro que o deputado vinha trabalhando nos bastidores para se tornar ministro. Ele é o segundo potiguar no primeiro escalão do Governo Federal, ou outro é Rogério Marinho (PSDB), ministro do desenvolvimento regional.

No lugar de Fábio assume Karla Dickson (PROS) que nas eleições de 2018 recebeu 60.590 (3,76%) votos.

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Ufersa terá reitor pró-tempore

Sem eleição, Ufersa terá reitor pró-tempore (Foto: arquivo)

O presidente Jair Bolsonaro assinou a Medida Provisória 979 de 9 de junho de 2020 que determina a não realização de consulta pública para escolha de reitores e diretores de campi das universidades federais durante o período de emergência da pandemia de covid-19.

A MP atinge em cheio a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) que tinha eleição virtual marcada para a próxima segunda-feira.

De acordo com a determinação proposta pelo presidente caberá ao ministro da educação Abraham Weintraub fazer a nomeação do reitor pró-tempore da instituição cujo mandato de reitor se encerrar.

O mandato de Arimatéia Matos termina no dia 7 de setembro, dois dias antes do encerramento da validade da MP. Logo, sem eleições, um reitor pró-tempore será nomeado por livre escolha do Governo Federal.

O pró-tempore ficará no cargo até que seja realizada uma nova consulta pública e um novo reitor seja nomeado.

Confira a MP aqui

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