Líderes do PDT pedem expulsão do partido e cassação da candidatura de Carlos Eduardo

Um grupo de 12 membros do diretório nacional do PDT pediu a expulsão de Carlos Eduardo Alves dos quadros do partido além da cassação do registro de candidatura dele por infidelidade partidária por descumprir a determinação nacional de proibir que seus membros declarem apoio a Jair Bolsonaro (PSL) na disputa presidencial.

Carlos Eduardo é acusado de flerte com o neofascismo. “A necessidade de vencer as eleições não é maior que a IDENTIDADE IDEOLÓGICA EM DEFESA DO TRABALHISMO. Portanto, é inconcebível qualquer flerte ao neofascismo, em tempos graves como este, sob a iminência da vitória de Jair Bolsonaro. Para agravar a situação, o mesmo faria declaração pública a favor de Jair Bolsonaro no programa eleitoral do PDT do RN no segundo turno”, diz a nota.

Além de Carlos Eduardo, também foram enquadrados na Comissão de Ética do partido Amazonino Mendes que disputa o Governo do Amazonas e Odilon Oliveira que disputa o Governo do Mato Grosso do Sul.

Confira a nota na íntegra:

Aos membros da Comissão de Ética do PDT,

Resistir ao fascismo é preciso! Pelo Trabalhismo!

O atual momento conjuntural nos inspira responsabilidade em meio a escalada do neofascismo. Em meio aos erros coletivos da esquerda, entre o extremo pragmatismo e o sectarismo, a criminalização da política através da Lava Jato e os consecutivos erros do Partido dos Trabalhadores (PT) na gestão de Dilma Rousseff resultaram no crescimento do neofascismo e do ativismo político da nova direita desde as jornadas de junho de 2013.

É impensável e inadmissível, como Partido, nos silenciarmos e sermos cúmplices diante dos quase 47% dos votos válidos de Jair Bolsonaro (PSL) no 1º turno, além do assustador crescimento da bancada reacionária do PSL, de 8 deputados federais para 52 e elegendo dois senadores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Inclusive, o eleito pelo estado paulista pertenceu as nossas fileiras e foi eleito deputado federal pela nossa organização em 2014.

Logo, em um momento insigne como este na História do Brasil Contemporâneo, o Partido precisa tomar medidas enérgicas. Até porque o PDT, como Partido, é um sujeito coletivo e, como tal, precisa externar em público as suas posições ao conjunto da sociedade. Como diria Leonel Brizola, o processo social é um fato presente na vida sociopolítica do país e cabe ao PDT tomar para si a postura de protagonismo político.

Sem a candidatura de Ciro Gomes, o fascismo teria vencido no primeiro turno.

Mas como o PDT não está no 2º turno, é preciso respeitar os 13.344.366 votos dados ao Ciro Gomes. Votos que apostaram no ressurgimento do trabalhismo no cenário político nacional e deram o novo rumo para a esquerda nacionalista. Hoje somos a alternativa de médio prazo para o povo brasileiro. E precisamos, mais do que nunca, passar uma mensagem clara, na condição de partido nacionalista, trabalhista e popular, contra o fascismo. Somos um partido de esquerda, antifascista e anti-imperialista!

Logo, a primeira medida que exigimos, em defesa da idoneidade ideológica do Partido e de sua imagem junto à sociedade é a EXPULSÃO PÚBLICA, SUMÁRIA E IRREVOGÁVEL de três candidatos a governador que ostensivamente externaram o seu apoio público a Jair Bolsonaro, conforme o que está previsto no Art. 64, alínea c do Estatuto do PDT e por não seguirem o previsto no Art. 9°, III e VIII do Estatuto do PDT, após a decisão tomada em Brasília pela Executiva Nacional do PDT no dia 10 de outubro de 2018 em apoio crítico a Fernando Haddad contra o fascismo.

– AMAZONINO MENDES

– CARLOS EDUARDO ALVES

– ODILON DE OLIVEIRA

No caso de Amazonino Mendes, além de boicotar sistematicamente a campanha de Ciro Gomes no Amazonas no decorrer do 1º turno, na manhã de 8 de outubro de 2018 ele externou em público o seu apoio oficial ao Jair Bolsonaro, recebendo o aplauso dos transeuntes. Não se importou em momento algum com qualquer princípio trabalhista e, sem qualquer decoro, age à revelia do Estatuto e das resoluções expressas pela Executiva Nacional e pela XXIV Convenção Nacional do PDT, realizada no dia 20 de julho de 2018 em Brasília.

Em relação a Carlos Eduardo Alves, já foi expresso em sites locais do Rio Grande do Norte as tentativas de articulação do candidato a Jair Bolsonaro no 2º turno, para se contrapor à Fátima Bezerra (PT). A necessidade de vencer as eleições não é maior que a IDENTIDADE IDEOLÓGICA EM DEFESA DO TRABALHISMO. Portanto, é inconcebível qualquer flerte ao neofascismo, em tempos graves como este, sob a iminência da vitória de Jair Bolsonaro. Para agravar a situação, o mesmo faria declaração pública a favor de Jair Bolsonaro no programa eleitoral do PDT do RN no segundo turno.

No que tange a Odilon de Oliveira, além do apoio dado a Bolsonaro, seus apoiadores fazem campanha aberta ao candidato do PSL à Presidência. E como não se bastasse isso, o mesmo Odilon chegou a afirmar, em uma rádio com bastante audiência em Campo Grande-MS, a sua apologia ao regime ditatorial pós-1964, afirmando que ela teve os seus saldos positivos ao país, em https://www.campograndenews.com.br/politica/odilon-chama-ditadura-de-governo-militar-e-provoca-polemica.  E os materiais de campanha, além da live feita no lançamento do Comitê Odilon/Bolsonaro, em https://www.facebook.com/juizodilon/videos/1314395152034759/

Se não bastasse apenas os três candidatos a governador, o Deputado Estadual Ênio Bacci apresentou em público em 8 de outubro de 2018, já no segundo turno o seu apoio oficial a Bolsonaro – o que é algo vergonhoso e inconcebível à nossa organização. A citação é expressa claramente em http://www.osul.com.br/deputado-enio-bacci-do-pdt-anuncia-apoio-a-bolsonaro-ele-nao-e-ladrao/ e em https://polibiobraga.blogspot.com/2018/10/deputado-enio-bacci-pdt-do-rs-abre.html?m=1.

E assim como ele, vários dirigentes municipais de Partido, vereadores e prefeitos espalhados pelo Brasil afora que, no uso de suas prerrogativas, externaram o seu apoio político a Bolsonaro no 1º turno.

Logo, solicitamos a expulsão imediata dos três candidatos a governador e a cassação imediata dos seus registros de candidatura, em defesa do trabalhismo. Transigir com o fascismo e com quadros de quinta coluna é o primeiro grande passo para a perda definitiva de nossa identidade político-ideológica, gerando precedentes para admitir até a filiação aberta de neonazistas que disputem cargos eletivos no PDT. Seria vergonhoso, na História do Brasil, um Partido com a história de lutas como o PDT abrigar em seu seio notórios oportunistas que flertam, paqueram e transam abertamente com o fascismo.

A expulsão de cada um dos três candidatos a governador e de Ênio Bacci é a defesa de todos aqueles que, como João Goulart, Leonel Brizola, Doutel de Andrade e Manoel Dias, foram proscritos por Atos Institucionais (AI’s) e/ou foram exilados. A expulsão de todos os que apoiam Bolsonaro é em respeito ao direito do trabalhador, ameaçado por propostas como o fim do 13º salário (conquista nossa no Governo Jango), o adicional de férias (conquista nossa com Vargas) e o aumento de 20% no Imposto de Renda, afetando a vida de trabalhadores e da classe média.

A expulsão de todos é em defesa dos Direitos Humanos do povo brasileiro. Defender a expulsão de todos os supracitados é defender a causa da mulher, do negro, do índio, da população LGBT, do jovem, do nordestino, do inválido e dos aposentados. O expurgo sumário de Amazonino Mendes, Carlos Eduardo Alves, de Odilon de Oliveira e de Ênio Bacci é em DEFESA DA NOSSA HISTÓRIA E DA NOSSA IDEOLOGIA TRABALHISTA!

Transigir com o fascismo, sem expulsar eles e quem quiser apoiar Bolsonaro, significa ESCARRAR E CUSPIR COM O NOSSO LEGADO. ASSASSINAR NOSSOS PRINCÍPIOS! ESTUPRAR A MEMÓRIA E O ENSINAMENTO DOS NOSSOS ÍCONES E LÍDERES TRABALHISTAS! JOGAR NA LATA DO LIXO A HISTÓRIA DE BRAVOS DIRIGENTES, PARLAMENTARES, TEÓRICOS E MILITANTES, CONHECIDOS OU ANÔNIMOS QUE DERAM A SUA VIDA EM PROL DO PDT E DO PAÍS!

Logo, queremos a expulsão sumária dos quatro e de qualquer um que, nos estados espalhados pelo Brasil afora, fizer campanha aberta ao Bolsonaro, com declaração midiática, pelas redes sociais ou qualquer outro meio que seja expresso esse apoio.

E queremos, em nome da nossa identidade ideológica, defender o voto de resistência ao fascismo. O nosso voto, como trabalhistas, é em defesa da nação e dos interesses do povo brasileiro. Não abriremos mão desse valor, mesmo sabedores que nem o PT e muito menos Bolsonaro possuem sequer qualquer projeto popular de libertação nacional e de desenvolvimento do país.

Logo, em face da iminência da vitória do neofascismo a ser legitimado nas urnas, o PDT precisa denunciar e alertar o povo brasileiro, orientando o voto crítico a Fernando Haddad (PT). O voto será dado não ao PT, mas contra a vitória do fascismo nas urnas.

E ao mesmo tempo, o Partido, em coerência com a sua linha, explicará ao povo brasileiro que o seu voto é em defesa do Estado Democrático de Direito. Mais ainda: o PDT assegurará que, eleito qualquer presidente, assumirá a sua posição como oposição independente, autônoma e nacionalista de esquerda. E mais: que a candidatura de Ciro Gomes à Presidência em 2022 é irrevogável e compromisso moral dos trabalhistas com o povo brasileiro.

É preciso coragem para assumir as posições!

Vamos honrar o nosso Partido! Sermos dignos de nossa História!

Combate aos quinta colunas, infiltrados, oportunistas e fascistas no seio da nossa organização!

O PDT pertence ao povo brasileiro!

O PDT é um partido popular de esquerda!

Nós somos nacionalistas! Somos um partido socialista!

Vamos honrar a memória de nossos líderes! Não vamos envergonhar a nossa história. Não podemos ser pusilânimes. Nem desfibrados!

SOMOS INIMIGOS DO FASCISMO!

Acabou o tempo do pragmatismo. É hora de assumirmos a nossa posição como trabalhistas!

Ousar lutar! Ousar resistir! Ousar vencer!

Logo, solicitamos a expulsão de Amazonino Mendes, Carlos Eduardo Alves, de Odilon de Oliveira e de Ênio Bacci de acordo com o previsto nos Art. 61, 62 e 64, alínea “c” do Estatuto do PDT.

Saudações Trabalhistas!

Brasil, 13 de outubro de 2018

Assinam o documento:

Wendel Pinheiro – Membro do Diretório Nacional do PDT

Júlio Rocha – Membro do Diretório Nacional do PDT

Rafael Galvão – Membro do Diretório Nacional do PDT

Lauri Bernardes – Secretário-Geral Nacional do MCDR

Joelma Santos – Vice-Presidente FLB-AP /Amapá e Membro do Diretório Nacional do PDT.

Jorge Eremites de Oliveira – Membro do Diretório Municipal do PDT Pelotas e do Movimento Cultural Darcy Ribeiro do PDT-RS.

Leonardo Moraes Jr. – Coordenador MCDR-PDT  do Sudeste / PR

Ricardo Pinheiro – Advogado Membro do Diretório Estadual RJ e da Executiva do PDT NITEROI

Felipe Pinheiro – Membro da Executiva Estadual do PDT/SP. Presidente Estadual do PDT Diversidade SP

Douglas Rafael Duarte – Secretário Geral da JS/RS e Presidente do PDT de Piratini-RS

Carla de Lima Maximila  – Vice presidente Diversidade RS /  Presidente PDT – Chuí-RS

Tiago Veras –  Membro do Diretório Nacional  do MCDR-PDT  / BA

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ENTREVISTA: ‘O Bolsonaro pegou um eleitor pobre do PT’, avalia cientista político

Luís Eduardo Gomes

Sul 21

O primeiro turno das eleições gerais brasileiras apresentaram o surgimento de uma grande onda pró-Jair Bolsonaro, que levaram o seu partido, o PSL, à segundo maior bancada na Câmara dos Deputados, sair de zero para quatro senadores e quase levar a disputa presidencial em primeiro turno. No final das contas, ele ficou em 46% e enfrentará no segundo turno o petista Fernando Haddad, que fez pouco mais de 29%. Para avaliar o cenário que emerge do pleito e se a disputa presidencial já está decidida ou pode ser revertida, o Sul21 conversou com o cientista político Alberto Almeida.

Almeida é o autor dos livros “A Cabeça do Brasileiro” e o “Voto do Brasileiro”, lançado em maio deste ano e que busca explicar, a partir de dados numéricos, porque o brasileiro vota como vota. Ele também é diretor da Brasilis, empresa especializada em análises e dados sobre a sociedade brasileira, informações sociais, políticas, econômicas e culturais.

Para o cientista político, o resultado das urnas é um reflexo da “rejeição a medalhões”, o que levou, por exemplo, à perda de mandato de 24 dos 32 atuais senadores que buscavam a reeleição. A respeito do segundo turno, ele destaca que a tendência é sim de favoritismo de Bolsonaro, mas ressalta que esta nova etapa elimina “ruídos”, como a presença de candidatos sem chances na disputa, a imporá um debate mais direto de ideias. Para ele, a questão chave para uma possível reversão do quadro por Haddad seria recuperar votos perdidos pelo PT no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, estados onde Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) no segundo turno de 2014 e agora deram ampla vantagem para Bolsonaro. Em 2014, Dilma fez 51% dos votos válidos nestes estados. Agora, no primeiro turno Bolsonaro alcançou 48% em Minas e 59% no Rio.

A seguir, confira a entrevista com Alberto Almeida.

Sul21 – Como o senhor recebeu o resultado do primeiro turno da eleição presidencial?

Alberto Almeida: É um resultado de rejeição a todos os medalhões da política, digamos assim. Dos 32 senadores que disputaram a reeleição, apenas oito foram reeleitos. Pega os nomes que não conseguiram, são nomes muito medalhões. Jorge Viana (PT-AC), Eunício Oliveira (MDB-CE), o presidente do Senado, Cristovam Buarque (PPS-DF), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), considerado um bom senador, Magno Malta (PR-ES), Lúcia Vânia (PSB-GO), Edison Lobão (MDB-MA), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Roberto Requião (MDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), Romero Jucá (MDB-RR). E medalhões que não eram senadores tentaram ao Sanado e também não conseguiram. No Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, Sarney Filho (PV-PA), Marconi Perillo (PSDB-GO), Dilma (PT-MG), César Maia (DEM-RJ), Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Eduardo Suplicy (PT-SP). Todos eles são medalhões, eram nomes conhecidos, e não conseguiram a vaga no Senado. É claro que alguém que vai conseguir ser reeleito, justamente para confirmar a regra, mas a grande maioria não conseguiu. E essa grande maioria são de políticos medalhões. Isso mostra o desejo de dar uma lição grande no ‘establishment’ da política brasileira.

Sul21 – E o senhor avalia que essa é uma lição pelo lado conservador ou considera que o Congresso já era conservador e não mudou tanto o perfil?

AA: A gente vai ter que ver. Conservador em quê? Tem muitos policiais eleitos, esse pessoal acaba sendo, do ponto de vista econômico, gastador. E conservador nos hábitos, na coisa da repressão. Então, tem aí uma salada, uma determinada coisa que ainda precisa clarear. Mas, a princípio, por conta de recursos próprios para a campanha, a gente pode dizer que tem um conservadorismo maior sim.

Sul21 – Qual a projeção que o senhor faz para o segundo turno?

AA: É um segundo turno que vai dar mais clareza para o eleitor sobre as candidaturas. O primeiro turno tinha muito ruído. Só para pegar um exemplo importante, o do Meirelles (MDB). Um candidato que teve menos votos do que o Cabo Daciolo (Patriota) e que tinha o terceiro maior tempo de televisão. Então, para o eleitor, isso é uma confusão tremenda. ‘Como é que esse cara tem tanto tempo de televisão e ele é tão desimportante e defende um governo que eu rejeito e odeio?’ Então, confusões como essa vão deixar de existir no segundo turno. E aí, pro eleitor, a campanha é mais compreensível. Você vai confrontar duas pessoas, duas figuras, dois símbolos, muito claramente. Cada um se auto-elogiando, o que é normal, política é venda, e criticando o outro. Isso é uma coisa. A outra coisa que é importante olhar no resultado eleitoral é que, de fato, o Bolsonaro ficou próximo de ganhar no primeiro turno. Porém, a gente pode fazer uma conta e colocar a maior parte dos votos do Ciro Gomes (PDT), com o Haddad. Pensando em ontem, eu não estou pensando na primeira pesquisa pós-primeiro turno, que tem efeito de mídia e várias coisas, mas pensando em ontem. Se você pegar 12% do Ciro, diminui um pouco, 10%, o Haddad sai de 29% para 39%. Então, vamos dizer que, sem o Ciro, talvez o Haddad tivesse chegado a 40%. Seria 46% a 40%. Nesse aspecto, uma eleição não muito distante, apesar da proximidade do Bolsonaro em relação ao sarrafo dos 50%.

Sul21 – O senhor considera que esse primeiro turno já foi quase o segundo turno, no sentido de que tinha um lado do Bolsonaro e outro que era Haddad/Ciro, visto que os demais candidatos fizeram poucos votos?

AA: Sim. A votação do PSDB é impressionante do ponto de vista negativo. Menos de 5% para presidente. O PSDB, é algo impressionante. Aí depois você tem o Amoêdo e depois todo mundo com 1%. Então, grande parte do voto decidido, com exceção do voto em Ciro Gomes, evidentemente muito maior que os demais. Nesse aspecto, você tem uma quantidade de votos que tende a caminhar para o Haddad, mas creio que, de fato, você tem o favoritismo do Bolsonaro.

Sul21 – O que o Bolsonaro precisa fazer ou evitar para confirmar essa vantagem no segundo turno?

AA: As duas campanhas não têm muita alternativa. O marketing está mais ou menos encaminhado, definido. O Bolsonaro batendo no PT, mais ainda do que ele sempre bateu, colocando a culpa de todos os males do sistema no PT. O PT haveria uma novidade, porque não atacou ainda o Bolsonaro, colocando ele como o candidato da elite, que apoiou o governo Temer, caminhando por aí.

 

Sul21 – A estratégia que o Haddad tem para reverter o quadro passa por tentar vincular o Bolsonaro ao governo Temer?

AA: É difícil dizer, pode ser que sim. A gente vai ver em função dos pronunciamentos do Haddad antes de começar o programa de TV e depois que começar. Vamos ter que aguardar.

Sul21 – O que restou ao auto-intitulado “centro democrático” depois das votações de ontem? Seria bom para partidos como PSDB e MDB aderir ao Bolsonaro ou isso pode significar um encolhimento maior nas próximas eleições?

AA: Olha, o eleitor já vai definido, esses apoios não importam, essa coisa de fazer campanha para outro. Eu acho que isso aí já está definido. O eleitor desses partidos, se fizer uma pesquisa, já sabe em quem votar. Esse pessoal, no fundo, na prática, vão ser observadores do segundo turno, na minha visão. Porque um deputado não vai fazer campanha para um candidato a presidente, não vejo dessa forma. Você pode ter as máquinas estaduais, os governadores mobilizando as suas máquinas locais, aí sim.

Sul21 – Mas o senhor avalia que o Alckmin declarar apoio para alguém não interferiria?

AA: Eu acho que não muda nada, isso daí é um mito. Ah, o ‘Ciro declara apoio’, acho que não muda nem pouco. O eleitor do Ciro tem menos identidade com o Bolsonaro, obviamente.

Sul21 – Haveria um eleitor que votou em um lado e poderia fazer a migração para o outro no segundo turno? Há espaço nos votos do Bolsonaro para migrar para o PT, e vice-versa?

AA: Sim. O Bolsonaro pegou um eleitor pobre do PT, em particular no Rio de Janeiro e Minas Gerais, que foram estados bem desfavoráveis para o PT. O que aconteceu nessa eleição? MG e RJ não entregaram ao PT os votos que costumavam entregar. Aí o PT tem que ir lá tentar recuperar. Talvez não dê para recuperar, mas uma parte desses votos é possível.

Sul21 – Estes serão os principais palcos eleitorais que o PT tem para prestar atenção?

AA: Sim, não tenho a menor dúvida.

Sul21 – Falamos de apoio de candidatos nos estados a Bolsonaro ou Haddad. Por outro lado, o apoio deles a algum candidato a governador pode influenciar? A gente viu candidatos surgirem do nada no RJ e em MG.

AA: Isso aí é um mito. Ninguém vai apoiar um candidato porque ele apoiou o Bolsonaro. Se você pegar em Minas, tinha aquele Márcio Lacerda, que saiu no acordo do PT com o PSB. Todo mundo previa que o Lacerda ia ganhar, porque em Minas não iriam querer nem PT, nem PSDB. O Lacerda saiu e vai ganhar o outro, que não é nem PT, nem PSDB, mas não tem nada a ver com ele ter declarado voto no Bolsonaro, isso aí é um mito.

Sul21 – O senhor já consegue projetar como devem vir as primeiras pesquisas?

AA: Elas devem vir mais favoráveis ao Bolsonaro em função da mídia positiva que ele teve. Da surpresa relativa ao desempenho dele.

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UM OLHO NO GATO E OUTRO NO PEIXE

Por Francisco Carlos

Embora rejeite rótulos e patrulhamento ideológico, me declaro defensor da liberal democracia, do livre mercado e do meio-ambiente. Repudio a xenofobia, o racismo, a homofobia, a tortura, o preconceito religioso e de classe. Denuncio o maniqueísmo ideológico e condeno a forma majoritária de fazer campanha político-eleitoral. Defendo a liberdade política, científica e religiosa, como princípios para garantir igualdade de direitos e de oportunidades.

Em relação à eleição neste ano de 2018, rechaço as estratégias político-eleitorais dos dois principais candidatos à presidência da república e seus seguidores, que buscam demonizar adversários e construir cenários de medo, tensão e divisão entre os brasileiros. Com isso, esperam garantir plateia e eleitores. Apesar disso, o Brasil não está na iminência de uma guerra civil, nem se tornará o que cada candidato afirma, caso seu oponente seja eleito.

Partidos constroem discursos para representar e garantir espaços de apoio na sociedade, um pedaço (partido) da sociedade, que lhe garanta sustentação para alcançar o poder e mantê-lo. Para isso, esperam que o resultado da sua pregação seja expresso na forma de votos favoráveis.

Os partidos, por meio dos candidatos e da fé dos seus seguidores, procuram convencer os eleitores pela negação e desconstrução do oponente, em detrimento da valorização de ideias e propostas. Os candidatos buscam obter apoio social projetando características negativas no adversário, em detrimento da valorização da qualidade e viabilidade da sua agenda política, econômica, social e ambiental.

O candidato Jair Bolsonaro e seus seguidores propagam que, caso Fernando Haddad seja eleito, ocorreria uma fragilização da família e dos bons costumes cristãos, com disseminação da ideologia de gênero e do aborto, aconteceria uma ruína da economia devido ao viés estatizante e o crescente déficit público, ocorreria o avanço da violência, consequência da liberação do consumo de drogas, leniência com a bandidagem e a declarada libertação de 350 mil condenados a pequenas penas. Além disso, o Brasil passaria a ser governado por dirigentes corruptos, que levariam o país a uma ditadura socialista e ao caos social semelhante ao que ocorre na Venezuela.

O candidato Haddad e seus seguidores, por sua vez, propagam que uma eventual eleição de Bolsonaro, submeteria o país a uma ditadura fascista, na qual gays e negros seriam perseguidos e discriminados. Os pobres perderiam seus direitos, os trabalhadores seriam espoliados e as mulheres sofreriam ainda mais sob o jugo machista, diminuindo seu status humano e social. Além disso, a violência social cresceria porque o candidato defende a liberalização do porte de armas e apresenta um viés belicoso, propenso a soluções não democráticas.

De algum modo, os dois candidatos oferecem elementos que facilitam a adoção desses discursos. Contudo, afirmo que essa retórica está substancialmente equivocada e maculada pelo objetivo de poder ou, no mínimo, pela necessidade de garantir a fidelização de militantes políticos. As campanhas eleitorais não deveriam ser pautadas pela propaganda negativa e a rotulação dos adversários com adjetivos depreciativos.

Infelizmente, milhões de brasileiros reproduzem discursos construídos para servir a estratégias de poder, como verdades a qual todos devem se converter. Neologismos pejorativos são construídos para rotular e depreciar as qualidades do oponente: Eleitor de Haddad é petralha ou esquerdoparta, ou seja: esquerdista doentio, ativista gay, corrupto e/ou defensor de corruptos. Eleitor de Bolsonaro é bolsomínio ou facista, a saber: misógino, homofóbico e racista com tendências ditatoriais. Quem não assimila a propaganda politica automaticamente perde o respeito, sem direito a um cordial cumprimento.

Refuto esse maniqueísmo. Denuncio a insensatez e não aceito incentivar ou fazer parte desse tipo de política e alerto: minha posição é apenas uma entre outras possíveis. Acredito ser a melhor postura, mas não a defendo como uma verdade universal.

Acredito que não há santos ou demônios em nosso escopo político-partidário. Observando de perto, o mais santo guarda um tridente debaixo da túnica e o demônio projetado no outro, tem uma auréola. A política não é a luta do bem contra o mal, é um embate ideológico de verdades relativas, dinâmicas e passageiras. O que se quer, é alcançar e manter posições sociais.

A política sempre expressa verdades limitadas e provisórias, razão pela qual não é prudente assumir fervorosa e irremovível defesa de posições político-partidárias. Como não é um dogma, a política é fluída, sujeita a lentas alterações ou radicais mudanças de posição. Em condições democráticas, é um ambiente no qual se expressa o antagonismo de ideias e visões conflitantes sobre o mundo ideal.

A cada eleição, as imagens projetadas sofrem alterações, se invertem ou se misturam. Neste ano, partidos e candidatos rotulados de golpistas devido ao impeachment de Dilma Rousseff, apoiam ou são prazerosamente apoiados pelos golpeados, em nome de convenientes arranjos de curto prazo para obtenção de poder político. Com isso, o adversário que personifica o mal, recebe uma benção redentora.

Neste enredo, há os ideólogos e os propagadores de discursos e plataformas políticas. Os ideólogos elaboram estratégias e discursos, sempre sabem o que fazem e o que querem. Os propagadores estão divididos entre os disseminadores conscientes e os ignorantes. Alguns conhecem os equívocos e limitações do discurso, enquanto outros, movidos pela boa fé, não conseguem perceber o maniqueísmo ao qual estão sujeitados.

O Brasil não está dividido entre fascistas e comunistas, ou mesmo entre maquiavélicos ideólogos e alienada massa de manobra. Há outras divisões e alternativas. Embora o tema não esteja esgotado, está lançado o apelo em favor da moderação, da parcimônia e do equilíbrio e fica uma exortação: defenda firmemente suas crenças, sempre considerando a possibilidade do erro e o que pode aprender com seus oponentes. Escolha seu candidato, com um olho no gato e outro no peixe.

*É professor da UERN e vereador pelo PP em Mossoró/RN.

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Bolsonaro vira tábua de salvação para o rosalbismo

Rosalbismo cola em movimentação política de Bolsonaro em Mossoró

Arrasado pelo resultado das urnas no domingo o rosalbismo encontrou na popularidade de Jair Bolsonaro (PSL) em Mossoró uma tábua de salvação no segundo turno das eleições.

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) não conseguiu eleger nenhum de seus aliados no domingo. O presidenciável mais votado em Mossoró foi Bolsonaro que não tinha o apoio explícito dela (conforme me informei a prefeita votou em Ciro) embora muitos dos militantes rosalbistas estivessem alinhados com o candidato do PSL. Ele teve 44.402 votos.

Mesmo com apoio de Rosalba e o voto útil de antipetistas, Carlos Eduardo terminou derrotado na capital do Oeste com 37.243 votos. Foram 9.391 sufrágios a menos que Fátima Bezerra (PT) que pouco fez campanha no segundo maior colégio eleitoral do RN e ainda teve que administrar problemas internos no diretório local de seu partido.

Já Rosalba se dedicou pessoalmente em todas as movimentações políticas em favor de Carlos Eduardo e do filho Kadu.

Não precisa nem falar das votações pífias de Antônio Jácome (PODE) e Garibaldi Alves Filho (MDB) em Mossoró. Eles contavam com o apoio da prefeita.

Para virar o jogo, Rosalba colou no bolsonarismo. Ontem o candidato a vice-governador Kadu Ciarlini (PP) esteve presente numa movimentação política do PSL em Mossoró. Quem estava a frente das ações era o deputado federal eleito General Girão, ex-auxiliar da “Rosa” no Governo e Prefeitura de Mossoró.

Um dos grandes problemas para o rosalbismo é a ausência de renovação da militância. Os jovens se distanciaram do seu esquema político, mas se entusiasmam com Bolsonaro e suas ideias ultraconservadoras. A mistura é um reforço para um grupo político tradicional tentar colar sua imagem em movimentações populares e o principal: atribuir para si um eventual crescimento de Carlos Eduardo e Bolsonaro dentro dos limites de Mossoró.

Será como colocar uma peneira para tapar o sol que ilumina o desastre político de domingo.

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PT desiste de ser PT

Em 2016 o antipetismo estava no auge. Como bem lembrou hoje o jornalista Carlos Santos (ver AQUI) agremiação abriu mão do uso do vermelho e da estrela nas disputas municipais.

Após ressurgir das cinzas mesmo com seu maior líder preso por corrupção, o petismo conseguiu colocar no segundo turno um ex-prefeito fracassado no projeto de reeleição há dois anos.

É um feito e tanto, diga-se.

Foi Lula nestas condições que manteve o PT em condições de vencer as eleições presidenciais com uma tática que deu certo. Agora seu maior líder será escondido no segundo turno para que Haddad tenha mais identidade própria, mas o problema é que Lula e o PT são uma mesma entidade.

Mas como diz o sociólogo Jessé de Souza, a esquerda adora ser colonizada pela direita e o que faz o PT? Abre mão de sua própria identidade visual para se aproximar do centro como se cores e símbolos fossem determinantes na definição do voto.

O PT se deixou colonizar pelos bordões direitistas despejados nas redes sociais.

Não vai colar como não colou no fracasso eleitoral de 2016 que levou o agora candidato presidencial Fernando Haddad à derrota no primeiro turno em São Paulo.

O PT sucumbiu ao discurso daquele eleitor de Jair Bolsonaro que compartilha fake news no Whatsapp e adora bradar “a nossa bandeira jamais será vermelha”.

A maluquice do marketing do PT faz da chacota o assunto do dia quando na verdade o que realmente importa segue sem ser debatido deixando seu adversário já planejando o que fará quando sentar na cadeira de presidente.

Se o PT queria atender ao eleitor conservador deveria fazer o que ele exige há tempos: a moralidade na política e atender aos desejos da mídia de um pedido público de desculpas por escândalos de corrupção como mensalão e petrolão.

Escolher mudar de cor não vai resolver nada com um eleitorado que enxerga no petismo o inimigo a ser derrotado e encontrou em Jair Bolsonaro a representação do oposto ao que a agremiação prega, deixa de pregar ou o que dizem que ela prega.

O PT desistiu de ser PT sonhando em vencer a eleição, mas ganhou mesmo foi um motivo para servir de chacota.

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Vice-prefeita se envolve em polêmica nas redes sociais

A discretíssima vice-prefeita Nayara Gadelha (PP) “causou” nas redes sociais ao declarar apoio ao presidenciável de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL).

No post no Intagram ela diz: “Mossoró já Mostrou sua força no primeiro turno! Agora é Rumo a Vitória🇧🇷!! Mossoró é 17🇧🇷 #Brasil #eleições #OrgulhodeSerNordeste #Mossoro #MudaBrasil #DeusAcimaDeTudo”.

O vídeo aparentemente é antigo tendo em vista que foi gravado nos corredores da Câmara dos Deputados e o presidenciável se encontra convalescendo de um atentado.

Dentre manifestações de apoio de seguidores da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e simpatizantes do Movimento Brasil Livre (MBL), ela recebeu uma enxurrada de críticas dos internautas que não simpatizam com o candidato do PSL.

“Antes eu te achava acanhada por assumir um cargo de última hora, aí você ganhou, aí te achei tímida por não ter voz nenhuma e ocupar um prédio para uma vice-prefeita que não faz porra nenhuma. Mas te peço desculpas, achei muita coisa de você, quando na verdade, você é apenas insignificância. Prepara a prótese e põe em prática o que aprendeu na facul (sic), porque mulher no governo dele tu vai andar de chapa”, disse Guilherme Kayam.

Nayara ainda sofreu ironias pelo resultado pífio do rosalbismo nas eleições de domingo. “Mossoró mostrou tanto a sua força que os candidatos a deputado estadual, federal e a senador da Prefeitura nem foram reeleitos. Sem falar no candidato a governador…”, disse Rafael Barra.

Em outro comentário, Nayara foi comparada a um criado mudo:

Nas mensagens de apoio houve exaltação ao posicionamento de Nayara. “Orgulho dessa vice-prefeita! Parabéns pelo posicionamento, @nayaragadelha ! Força pra resistir ao ódio desses intolerantes!”, disse Joathan Robério. “Muito bem, nossos representantes tem que se posicionar. Parabéns pela postura em defesa da família brasileira, da união nacional, do combate à corrupção e do zelo com o dinheiro público. Todos com @jairmessiasbolsonaro 1️⃣7️⃣✅ para salvar o Brasil”, disse Nilton Rego Junior.

Também não faltaram manifestações antipetistas. “Parabéns fez a escolha certa, ridículo é quem apoia essa gangue do PT e acha que tem moral pra falar de alguém sou mulher, negra e pobre e voto @jairmessiasbolsonaro 17 com orgulho e não me importo nem um pouco com o que os eleitores do PT acha 👏👏👏👏👏👏👏👏 Ramos juntas”, declarou Crhis Rodrigues.

Para ver a confusão clique AQUI.

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#Elenão x #Elesim: Mossoró dá um banho de democracia

Mossoró tem banho de democracia

O sábado amanheceu com a mulherada na rua em protesto contra o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ruas cheias com manifestações contra o machismo, homofobia e o racismo.

Na tarde de sábado e no domingo mais manifestações. Desta vez em defesa do candidato do PSL que convalesce de uma facada no último dia 6.

Simpatias políticas e ideológicas à parte, o bom nisso tudo foi ver a cidade dar um banho de democracia.

A democracia é tão linda que torna possível quem não tenha apreço por ela receber amplo apoio popular.

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O lendário crash do Brasil

Ein Mann und ein kleiner Junge in Kampfausrüstung zeigen mit einem Plakat, das sie Bolsonaro für die kommende Präsidentschaftswahl ihr Vertrauen schenken.

Por Philipp Lichterbeck*

Republik

Fazia menos de 48 horas desde o ataque com faca, quando o candidato presidencial brasileiro do PSL, Jair Messias Bolsonaro, estava sentado em uma cadeira do hospital sorrindo. Ele não se parecia com alguém que havia pulado o nó da morte. Ele formou as mãos em uma arma imaginária.

Um homem mentalmente perturbado atacou Bolsonaro durante uma aparição de campanha com uma faca de cozinha . Uma operação de emergência salvou a vida do político de extrema direita. Depois disso, a campanha eleitoral brasileira ficou parada por um momento. Ele recomeçou com o gesto provocativo de Bolsonaro.

Bolsonaro é um cara de arma. Ele diz que as crianças não podem aprender cedo o suficiente para atirar. Então eles saberiam como lidar com criminosos. Ele acredita que Jesus teria usado uma pistola se já houvesse uma em seu tempo. Certa vez, em um palco de campanha, ele segurou um tripé de câmera como um rifle de assalto e gritou para a multidão: ” Vamos dar um soco na Petralhada! “Ele quis dizer os partidários do Partido Trabalhista de Esquerda.

Seus seguidores amam Bolsonaro por tais momentos e cantam seu nome de luta: “Mito, Mito!” Isso significa mito. Para os adversários de Bolsonaro, é apenas mais uma prova de que o homem é um perigo de incêndio. Ele é “um fascista clássico”, diz o filósofo brasileiro-chileno Vladimir Safatle.

Um populista de direita em ascensão

Este homem, Jair Bolsonaro, poderia se tornar o próximo chefe de estado do Brasil. Em 7 de outubro, a primeira rodada de eleições presidenciais acontecerá – e Bolsonaro está na frente de seus 12 competidores em todas as pesquisas. O ataque de faca deu-lhe atenção e simpatia adicionais. Ele, que de outra forma gosta de atacar, foi repentinamente a vítima – e para seus oponentes foi ainda mais difícil criticá-lo.

Apenas um homem, segundo as pesquisas, teria ainda mais votos do que Bolsonaro: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas Lula está preso desde abril e não pode competir. Portanto, é certo que Bolsonaro chegará ao segundo turno em 28 de outubro.

Se ele mantivesse o nariz ali, isso não seria apenas um choque para o Brasil. Seria após a eleição de Donald Trump outro terremoto geopolítico: o Brasil é de longe o maior, mais populoso e economicamente o mais importante país da América Latina. Bolsonaro seria governado por um aventureiro de extrema direita que quer deixar a ONU e considera Adolf Hitler um “grande estrategista”. Ele regularmente incita negros, gays, mulheres, indígenas e politicamente dissidentes.

O mito da “democracia racial” brasileira

Por que milhões de brasileiros querem que esse homem chegue ao estado? Brasil tem sido considerado nação tolerante com uma população mista cheio de vitalidade, “pessoas amigáveis”, como descrito pelo historiador Sérgio Buarque 1936, o arquétipo do brasileiro em seu texto tecla “As raízes do Brasil”. E para o escritor vienense Stefan Zweig, o Brasil era acima de tudo uma ” terra do futuro ” porque acreditava que não encontrava racismo ou nacionalismo aqui.

Por mais distorcida que essa percepção fosse, gerações de brasileiros queriam acreditar nela. Como uma “democracia racial”, o Brasil gostava de se ver em contraste com os EUA, com seus distúrbios raciais. Mas agora o brasileiro se tornou o brasileiro feio. O país se moveu para a direita. E mesmo que Bolsonaro não ganhe no final, surge a pergunta: como poderia ter chegado tão longe?

Da nação em crescimento ao estado de crise

As explicações são variadas, têm uma coisa em comum: são sobre um país que foi celebrado há dez anos como uma nação ascendente do século XXI, mas que caiu em uma crise existencial por volta de 2012. O que começou como uma crise econômica se transformou em uma crise do Estado e da sociedade.

Está intimamente ligada a um gigantesco escândalo de corrupção que revelou a cleptomania da elite política e econômica. Incluiu a demissão duvidosa da presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff. Além disso, a detenção do ex-presidente Lula da Silva depois de um polêmico processo. Lula é o homem que liderou o Brasil nos anos de boom e que ainda escolheu a maioria se eles permitirem.

A crise roubou milhões de brasileiros de seus empregos e quase esperava que as coisas pudessem melhorar num futuro previsível. Porque eles experimentam diariamente a imposição do transporte público. Eles percebem que seus filhos não estão aprendendo nas escolas. Eles percebem que não há mais medicamentos nos hospitais. Eles estão com medo porque o estado não consegue protegê-los dos criminosos. E então eles vêem como o museu mais antigo do país no Rio de Janeiro simplesmente queima, porque o estado não pagou por sua manutenção e os hidrantes na área não carregavam água.

Jair Bolsonaro grinst mit rotem Beret und hochgehaltenen Daumen am Tag der Armee in Brasilia.

O fenômeno Bolsonaro

Nesta situação, Bolsonaro promete: ordem! “Eu vou limpar”, diz ele. E muitos querem acreditar. Porque não há mais ninguém que parece ter uma bússola. Alguém que poderia formular uma visão positiva do futuro e coragem. Geralmente são esses momentos de desorientação, nos quais a hora dos cínicos, extremistas e destruidores bate. E assim a sociedade brasileira também se polarizou muito, dificilmente é possível um diálogo entre esquerda e direita, preto e branco, pobre e rico.

Em suma, a história recente do Brasil é a de um acidente. Jair Bolsonaro é tanto seu sintoma quanto aproveitador. A descida do Brasil é a sua ascensão. Vamos ficar com esse homem muito comum, mesquinho e tacanho, que conseguiu enfeitiçar os brasileiros.

Jair Messias Bolsonaro tem 63 anos e passou 27 deles como backbencher no Parlamento brasileiro. Ele passou duas leis menores durante este tempo e, no entanto, tornou-se um dos políticos mais famosos do país. Ele ganhou seu distrito eleitoral no Rio de Janeiro em 2014 com 464 mil votos, apenas dois deputados no Brasil receberam mais.

Bolsonaro alcançou sua grande fama com uma tática que tem sido usada com sucesso pelos direitistas radicais em todo o mundo: provocação, violência verbal, anti-calamidade. Por exemplo, Bolsonaro, o próprio coronel da reserva, defendeu a ditadura militar brasileira em todas as ocasiões, que durou de 1964 a 1985. Ele ressaltou que foi “um período glorioso da história brasileira”. A ditadura só cometera o erro de torturar e não matar.

Esta afirmação é tão ruim quanto errada. Os militares assassinaram opositores políticos, a comissão da verdade do Brasil identificou 434 vítimas, incluindo 210 desaparecidos. Além disso, há 1.200 camponeses mortos ou desaparecidos e 8.350 indígenas que foram mortos ou não receberam ajuda médica urgente do governo.

Em seu gabinete em Brasília, Bolsonaro pendurou os retratos dos presidentes da ditadura. Ele a chama de “meus gurus”. A democracia, por sua vez, considera uma “bagunça”. No dia em que ele chegou ao poder, ele iria fechar o Congresso, disse ele em 1999. O conservador ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ele prefere “com 30.000 outro corrupto” contra a parede.

Em outros países, tais monstruosidades levariam ao aprisionamento. No Brasil, eles chamaram atenção para Bolsonaro e fãs. Bolsonaro é cortejado pela figura militar influente, que nunca pagou por seus crimes graças a uma anistia. Sempre que ele aparece no quartel, os soldados o animam.

Bolsonaro também está entusiasmado com a condução nas ruas. As pessoas estão se formando, todo mundo quer tirar uma selfie com ele. Bolsonaro gosta disso, ele se entrega perto do povo. “Ele fala nossa língua”, dizem seus seguidores. T-shirts que o mostram como vingador do Brasil com jaqueta de couro e fuzil de assalto encontram rasgando o calcanhar.

Não é novidade que grandes partes do Brasil conservador compartilham as idéias de Bolsonaro. Advogados no Rio dizem a um e a grandes proprietários de terras do interior de São Paulo que o golpe militar foi uma “revolução necessária para impedir o comunismo”.

O que é novo é que Bolsonaro recebeu o status de pop star com tais visões. Ele é citado por alunos em sala de aula que querem provocar seus professores. Alguém então filma como o professor enlouquece, o que por sua vez é compartilhado nas redes sociais como prova da histeria da esquerda. Se a provocação foi deixada e anti-autoritária em 1968, então cinquenta anos depois está certa, preposicionada e reacionária.

No modelo social de Bolsonaro, os homens brancos heterossexuais estão no comando. Ele repreende todos os outros regularmente, quase se pode falar de uma síndrome de Tourette política. É claro que seus fãs veem assim: ele não se importa com o politicamente correto e diz o que pensa. Por exemplo:

Em homossexuais, 2011, em uma entrevista com «Playboy»: «Eu não podia amar um filho gay. Eu prefiro morrer em um acidente “.

Sobre Preto, de 2017, o Clube judaica do Rio de Janeiro um Quilombo (assim chamados os assentamentos de descendentes de escravos negros): ” A descida Africano leve lá pesava sete quilos (uma vez que a unidade de peso para pesar escravos, nota do editor …) , Eles não fazem nada! Ele nem é bom para a reprodução.

Sobre as mulheres, em 2014, no Parlamento, ele disse à deputada da esquerda Maria do Rosário: “Eu não iria te estuprar porque você não merecia isso”.

Sobre Povos Indígenas, 2017 no Clube Judaico do Rio de Janeiro: “Não é mais uma polegada para reservas.”

Sobre os imigrantes, 2015 em uma entrevista de jornal: “Haitianos, senegaleses, bolivianos e todos os outros escândalos chegam até nós, e agora até os sírios”.

Dilma Rousseff winkt ihren Anhängern zu. Sie und ihre Parteikollegin tragen rote Kleider.

Adversários políticos

Quando a presidente Dilma Rousseff foi eliminada do cargo em 2016, Bolsonaro dedicou sua voz ao chefe de uma notória unidade de tortura. Dilma foi torturada durante a ditadura.

Evidentemente, a resistência a essa adversidade também é provocada. O escritor Luiz Ruffato atesta o “discurso do ódio” de Bolsonaro. O rival liberal da presidência, Ciro Gomes, descreve Bolsonaro como um “Hitler tropical”. E a revista conservadora «IstoÉ» alerta para uma «ameaça totalitária».

Bolsonaro reage com calma. “Eu vou fazer como Trump”, diz ele. “Você vai me bater tanto que eu não preciso mais de uma campanha.” Como Donald Trump, Bolsonaro despreza a mídia tradicional e usa a mídia social para espalhar suas “verdades”. Tem mais de 6 milhões de assinantes no Facebook, 2,7 milhões no Instagram e 1,4 milhões no Twitter. O mais notável: em 2015, ele tinha apenas 44.000 seguidores.

Claro que isso dá autoconfiança e parece não haver nada que possa perturbar Bolsonaro. Nem mesmo sua própria ignorância. “Eu não entendo de negócios”, afirmou repetidamente. Não o machucou. Porque não são considerações racionais que são cruciais para tantos brasileiros fazerem um presidente homem odioso e incompetente. Eles são emoções.

O jogo com o medo

Dois sentimentos são cruciais nas próximas eleições: medo e raiva.

Primeiro, temer: no ano passado, no Brasil, 63.880 pessoas foram assassinadas. Um novo recorde – em nenhum lugar do mundo há mais assassinatos cometidos. A taxa de homicídios no Brasil agora é de mais de 30 assassinatos por 100.000 habitantes (na Suíça é de 0,5). Acrescente a isso todos os dias: roubos, arrombamentos, roubos de carros, sequestros de caminhões, tiroteios e mortos nas favelas.

A taxa de detecção do crime é baixa: apenas em dez por cento dos assassinatos, há uma prisão. Apenas quatro por cento das cobranças são cobradas. As ofensas menores são ainda mais dramáticas. Exemplo Rio de Janeiro: Aqui são roubados de acordo com a polícia, em média, dois telefones celulares por hora. O número de casos não relatados deve ser muito maior, porque quase ninguém vai à polícia. A visão é comum: a polícia não faria nada de qualquer maneira.

Jair Bolsonaro conseguiu canalizar o sentimento geral de insegurança. Sua promessa de campanha eleitoral central é: todo brasileiro pode usar uma arma para se defender. Bolsonaro apóia a pena de morte e a tortura. E ele quer dar à polícia uma licença para matar. Em entrevista à maior emissora de TV do Brasil, a TV Globo, ele disse: “Se um policial mata vinte criminosos, ele é excelente e não examinado”.

Na verdade, a polícia do Brasil já está matando a uma taxa acima da média hoje. Em 2017, 14 pessoas morreram a cada dia de balas da polícia. Esses casos quase nunca são esclarecidos. As vítimas são, em sua maioria, negros e pobres moradores da favela, cujas vidas – digamos assim – dificilmente contam no Brasil.

Qualquer um que tenha sido brutalmente atacado tem pouco senso de direitos humanos de qualquer maneira. Ele quer que os criminosos sejam retirados de circulação – não importa como. Acontece que o taxista negro do Rio de Janeiro lhe diz que ele escolhe Bolsonaro. “Então o clube balança os vagabundos”, diz ele. “Então é engraçado.”

Raiva como uma unidade

Pare de se divertir! A sentença descreve bem o humor no Brasil. E esse é o segundo sentimento importante no Brasil: raiva. Muitos brasileiros estão fartos de um país que os promete tanto e os oferece tão pouco.

Isso é literalmente. O Brasil tem mais impostos e taxas do mundo. Mas não sobre os rendimentos são fortemente tributados (taxa de imposto superior a 27,5 por cento), mas o consumo. Isso afeta desproporcionalmente as famílias de baixa e média dimensão. Se você bebe um café, paga 16,5% de imposto sobre o pó de café, 30,6% sobre o açúcar e 37,8% sobre a água.

Mas quando se trata do uso da receita para o benefício da população, o Brasil ocupa o último lugar entre os trinta países do mundo com a maior receita tributária. E é isso que os brasileiros sentem: nas escolas públicas, onde falta papel; em ônibus superlotados; nos hospitais onde as mulheres grávidas dão à luz na sala de espera porque faltam leitos; em trens suburbanos que param a cada dez minutos porque há um tiroteio em algum lugar ao longo do caminho.

Ao mesmo tempo, eles estão experimentando que os políticos estão aumentando seus salários. O salário médio no Brasil é o equivalente a 600 francos. Mas um deputado em Brasília ganha 8100 francos e arrecada em cima do que ainda vive e viaja dinheiro. Aquele deve lançar uma bomba no congresso, ouve-se em conversas de novo e de novo.

Para entender a raiva e o medo dos brasileiros, é preciso olhar para os noughties. Foi a década de partida e esperança.

Na noughties: o aumento

Em 2002, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil. Lula era chefe do Partido Trabalhista de Esquerda (PT) e convenceu as pessoas com a promessa de que ele criaria uma nação mais justa. A imensa riqueza do Brasil deve finalmente beneficiar a todos, e não apenas a pequena elite de proprietários de terras, industriais e banqueiros.

Seu governo logo lançou programas sociais de larga escala, como o Bolsa Família. A ideia: os pais que mandam seus filhos para a escola recebem apoio mensal. Ao mesmo tempo, a economia cresceu em média 4% ao ano. O Brasil eliminou suas dívidas do FMI e o salário mínimo foi aumentado de forma constante. 40 milhões de pessoas aumentou durante este período, de acordo com estatísticas oficiais, na classe média, a chamada classe C. Este foi, no entanto, definido generosamente: uma renda equivalente a 550 francos.

Naquela época, Lula era o chefe de estado mais popular do mundo. Barack Obama disse: “Eu o admiro”.

Quando Lula deixou o cargo em 2011, milhões de empregos assegurados foram criados. Seu governo quase erradicara a fome e tornou o Brasil o segundo maior exportador de alimentos do mundo. O país inundou o mundo com soja, açúcar, café e laranja. Ela fornecia minério de ferro, do qual os chineses despejavam aço para suas cidades. E queria começar a explorar os enormes campos de petróleo de suas costas. O consumo interno também cresceu. Os brasileiros compraram máquinas de lavar, computadores, carros e televisores estúpidos. Eles estavam em dívida, mas eles queriam pertencer. Em 2011, o Brasil superou a Inglaterra e se tornou a sexta maior economia do mundo.

A “Terra do Futuro”, da qual Stefan Zweig delira em 1942, finalmente parece ter encontrado seu papel: multiétnico, tolerante, democrático – e economicamente bem-sucedido. Com um potencial inesgotável de matérias-primas e mão de obra. Por último, mas não menos importante, o Brasil recebeu a Copa do Mundo da FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O “economista” britânico encabeçou em 2009 a imagem de uma estátua voadora de Cristo: “o Brasil está decolando”.

Boom econômico sem a grande multidão

Só poderia seguir o declínio. Em 2010, os brasileiros elegeram a amiga do partido de Lula, Dilma Rousseff, como presidente. Ela continuou seu curso: exportações e programas sociais. Ainda mais surpreendente foram os protestos em massa no verão de 2013, quando milhões de jovens brasileiras saíram às ruas em busca de outro país. Eles exigiam melhores escolas, melhores hospitais, melhores sistemas de transporte, mais segurança e, acima de tudo, o fim da corrupção. “Desculpe a perturbação”, as pessoas leram em cartazes na época, “estamos mudando o Brasil”.

De fato, a euforia dos anos noventa desvaneceu-se por muito tempo nos déficits estruturais do Brasil. Embora o avanço econômico significasse avanço pessoal para muitos, não se traduziu em melhoria da infraestrutura pública. Por que, muitas pessoas se perguntam, o ônibus a 37 graus Celsius não tem ar condicionado, embora o bilhete já tenha 20 centavos mais caro?

A resposta simples foi no caso do Rio de Janeiro: porque grande parte do dinheiro desaparece nos bolsos do governador, que concedeu ao chefe da empresa de ônibus o aumento, que por sua vez co-financia sua campanha eleitoral. Era a máquina habitual de corrupção do Brasil, bem lubrificada há décadas. Especialmente os jovens não queriam mais aceitar isso.

Ao mesmo tempo, as trincheiras de uma sociedade baseada em uma ordem quase feudal se aprofundaram novamente. Embora o Brasil (como o último país do continente americano) tenha abolido a escravidão em 1888, ainda existe uma elite branca na política, nos negócios, na mídia, na justiça e nas universidades. A grande massa de negros, por outro lado, é pobre, vive em favelas e serve como um reservatório barato de mão-de-obra. Um estudo da ONU publicado em 2018 concluiu que o Brasil é um dos cinco países mais injustos do mundo: 23% de sua renda concentrou-se em apenas 0,1% da população.

As diferenças são evidentes na distribuição do país, educação, saúde e segurança. Quem sabe e é rico, tem acesso. Aqueles que são negros e pobres têm pouca chance de ascender. Essa oposição nunca poderia ser revertida pelo Partido Trabalhista do PT. O que tem a ver com o fato de que cerca de trinta partidos estão representados no parlamento brasileiro. Todo governo depende de um grande número de parceiros de coalizão, que por sua vez buscam uma ampla variedade de interesses. Isso torna as reformas estruturais quase impossíveis.

“O Brasil estragou tudo?”

O ponto de cristalização para as manifestações em 2013 foi a próxima Copa do Mundo da FIFA. Um sentiu seus custos como perversos. Mas tão rapidamente quanto os protestos chegaram, eles desapareceram novamente. Isso teve muito a ver com as ações brutais da polícia militar, que lançou enormes quantidades de gás lacrimogêneo. As cenas serviram à mídia política e conservadora para classificar os manifestantes como “terroristas”. Ao mesmo tempo, a oposição conservadora tentou canalizar a insatisfação.

Ela foi ajudada pelo início de uma crise econômica. Em 2012, a economia brasileira cresceu apenas 0,9%. Os chineses compraram menos matérias-primas e os preços caíram. O maior problema do Brasil ficou claro: a dependência da exportação de matérias-primas não processadas.

Em 2013, o economista perguntou, de forma retórica : “O Brasil estragou tudo?” Além disso, uma estátua de Cristo estava caindo.

De fato, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, bagunçou bastante. Ela não fez nada ou reagiu mal, tentando manter a crise com as determinações do preço da gasolina dos brasileiros. Então o país finalmente entrou em recessão. A inflação aumentou semanalmente, assim como o desemprego. Ex-trabalhadores do setor petrolífero de repente se viram novamente como vendedores ambulantes.

No entanto, após uma campanha eleitoral acirrada em 2014, Dilma Rousseff conseguiu se tornar presidente novamente. Infelizmente, foi também o ano em que um dos maiores escândalos de corrupção do mundo começou a se desenrolar: “Investigadores chamaram sua lava de Jato”, Car Wash.

Bundesrichter Sergio Moro spricht bei einem Treffen ins Mikrofon.

Investigações unilaterais de corrupção

As empresas que receberam pedidos da Petrobras, uma gigante petroleira semi-estatal, tiveram que pagar “bônus” a mulheres políticas. Foi o que a investigação mostrou. O sistema tornou-se independente ao longo dos anos, foi bilhões de dólares.

O tamanho do ataque veio à luz quando um ex-gerente da Petrobras, que havia sido preso por suborno, concordou com um acordo: aliviar a ofensa. Ele disse, começou a chamar nomes. Os casos terminaram com o jovem e ambicioso juiz de instrução Sérgio Moro e sua equipe.

Moro em breve ensinou a classe econômica e política no Brasil temem: Ele trouxe a cabeça da Odebrecht, a maior empresa de construção na América Latina, atrás das grades. Tanto a Odebrecht quanto a Petrobras, ambos importantes pilares da economia brasileira, perderam muito valor durante esse período. Weekly cresceu a lista de suspeitos em política e negócios. Os brasileiros assistiram o desenvolvimento atordoado – e admiraram o Moro de boa aparência.

Mas o magistrado examinador logo teve que aceitar a acusação de investigar membros do Partido Trabalhista de esquerda da presidente Dilma Rousseff. A observação não estava errada. Político do partido de oposição conservador PSDB poupou Moro de maneira impressionante – mesmo em uma conversa amigável com eles.

Finalmente, ele também tentou empurrar Rousseff para o escândalo. Ele não teve sucesso, mas para a classe alta conservadora branca do Brasil foi o sinal de partida para se mobilizar contra Rousseff e seu partido dos trabalhadores, que supostamente levou o Brasil ao comunismo.

O impeachment contra o presidente

Em 2015 e 2016, o Brasil voltou a sofrer protestos em massa. Mas os manifestantes eram diferentes desta vez. agora havia milhões de brasileiros bem-off white para as ruas e cantaram Você podia ver banners no qual estava escrito “Dilma out!”: “O Brasil nunca será vermelho”! ‘O Brasil não é Cuba’ ou a camisa amarela da equipa de futebol nacional tornou-se o Identificação dos demonstradores. A polícia permitiu que ela fosse amistosa. O que começou à esquerda e se emancipou em 2013 saiu certo e autoritário em 2016.

A pressão acabou levando o Congresso a lançar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Embora nenhuma corrupção pudesse ser provada a ela, mas advogados habilidosos se depararam com alguns truques domésticos de seu governo, que teriam perturbado em qualquer circunstância, ninguém. O vaidoso vice-presidente Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático, PMDB, começou a intrigar as costas de Rousseff.

Como você sabe hoje, havia um motivo crucial para o processo de impeachment: o medo de muitos políticos antes da investigação Lava Jato. Porque a presidente Dilma Rousseff deixou os investigadores concederem, e eles estavam perigosamente próximos de algumas figuras-chave no PMDB de Temers. A gravação de uma conversa em que um político sênior do PMDB diz: “Temos que parar o sangramento!” Era infame, ele estava se referindo à investigação da Operação Lava Jato.

Vice-Presidente Temer assume

No final de agosto de 2016, Dilma Rousseff foi demitida do Congresso e o vice-presidente Michel Temer assumiu a faixa presidencial. Sua primeira promessa: impulsionar a economia. Temer nomeou um gabinete de homens exclusivamente brancos e começou a implementar reformas: a liberalização do mercado de trabalho, a reforma previdenciária, a redução do Bolsa Família e a abolição das bolsas de estudo para os brasileiros mais pobres.

Nas eleições Temer por seu programa nunca iria conseguir uma maioria, de modo que o Partido Trabalhista agora, “golpe” de uma língua, um golpe de Estado. Até o momento, o termo divide o Brasil. Quem usa é identificado como um linker; que insiste em «impeachment», como direitos.

A economia recebeu bem primeiro a política de Temer. Isso levou a um declínio na inflação e um renascimento dos mercados. Em última análise, Temer não conseguiu tirar o país da profunda crise econômica. Em termos de crescimento, o Brasil ficou em último lugar em 47 países em agosto de 2018. No ranking do Banco Mundial para os investidores uso, o Brasil ocupa o desemprego 125 foi de 12,3 por cento no último e afetou 13 milhões de brasileiros. Além disso, de acordo com a FAO é a fome que havia sido erradicado de volta.

Sistema eleitoral não democrático

Portanto, não é surpreendente que o índice de aprovação de Temer esteja abaixo de 5% hoje. Há também sérias alegações de corrupção contra ele. O ex-promotor federal Rodrigo Janot chegou a descrevê-lo como o “chefe de uma organização criminosa”. Mas o parlamento protege Temer. Isso não é surpreendente. Cerca de 300 dos 513 deputados são, eles próprios, suspeitos de corrupção ou outros crimes, incluindo homicídio. No Senado, segundo a Transparency Brasil, 49 dos 81 senadores são suspeitos. Por isso, não precisam responder ao tribunal porque, como representantes eleitos, desfrutam do chamado “foro privilegiado”, um regulamento especial que praticamente lhes dá imunidade.

Muitos brasileiros querem agora um expurgo do congresso. No entanto, muitos dos suspeitos habituais vão se mudar depois das eleições. É por causa do sistema eleitoral brasileiro, que é complicado e antidemocrático. Apenas cinco por cento dos atuais membros foram eleitos diretamente, os outros foram redigidos com votos de empréstimo. Além disso, algumas famílias dominam a política do Brasil. O cientista político Ricardo Costa Oliveira determinou que 62% dos deputados e 70% dos senadores pertencem a clãs políticos. É um sistema que impede a participação política e cimenta o status quo. O número de brasileiros que não podem votar por causa disso provavelmente chegará a um novo recorde neste outono.

Demonstranten mit roten Lula-Shirts und Fahnen in den Strassen von Curitiba.

Lula na prisão

Um inelegível provavelmente impediria esse registro negativo: o ex-presidente Lula da Silva ainda é adorado por muitos pobres, artistas e intelectuais – e odiado pela classe alta. Ela gosta de tirar sarro do seu português com defeito; ou que ele só tem quatro dedos na mão esquerda por causa de um acidente no trabalho. Por isso, ficou entusiasmada ao examinar o magistrado Sérgio Moro como alvo do ex-presidente de esquerda durante suas investigações de corrupção. Moro estava convencido de que Lula recebera um apartamento da construtora OAS porque havia dado ordens à empresa. Mas Lula negou que o apartamento já pertencesse a ele. Embora Moro nunca pudesse provar sua tese cem por cento, ele condenou Lula em julho de 2017. (No Brasil, investigar magistrados conduz uma investigação de caso, que eles julgam.) Um tribunal confirmou o veredicto de Moros em janeiro e aumentou a sentença para doze anos. Desde abril, Lula está agora na prisão.

O caso de Lula é ao lado da ascensão de Bolsonaro o segundo grande drama se desdobrando diante dos brasileiros. Tem qualidades shakespearianas. Porque Lula não é apenas um político. Para alguns ele é o presidente do povo, para outros ele é o maior ladrão da história. O primeiro afirma que ele é um prisioneiro político, o segundo o considera um criminoso comum. Lula não deixa ninguém com frio, então ele ainda é onipresente nas eleições, mesmo estando preso.

A coisa mais surpreendente sobre isso: apesar de sua convicção, Lula lidera o campo em todas as pesquisas. Se ele pudesse competir, ele se tornaria o novo e velho presidente do Brasil. Mas ele não pode.

O que agora?

O Partido Trabalhista está enviando o ex-prefeito de São Paulo para a corrida, Fernando Haddad. Se ele conseguir ficar atrás de Bolsonaro no segundo turno estará completamente aberto. Ao contrário de Lula, ele é um candidato pálido. Há também uma chance para a ambientalista evangélica Marina Silva, que já está concorrendo pela terceira vez. Ela é atestada falta de vontade de poder. O esquerdista Ciro Gomes, por outro lado, é intelectual e irônico demais para muitos brasileiros comuns. Finalmente, o ex-governador de São Paulo leva Geraldo Alckmin do PSDB é o candidato favorito da economia e do grupo de mídia poderosa Globo. Mas ele é extremamente rígido e impopular. E até contra ele existem alegações de corrupção.

Quem dos candidatos na segunda e decisiva rodada de eleições no final de outubro é hoje completamente incerto. Apenas Jair Bolsonaro certamente conseguirá – uma perspectiva sombria.

“Deus é brasileiro” é um lindo lema no Brasil: “Deus é brasileiro”. Parece que ele está atualmente em uma fase razoavelmente do Antigo Testamento.

* é jornalista no Rio de Janeiro. Entre outras coisas, ele escreve sobre o “Tagesspiegel”, o “Zeit”, o NZZ e o WOZ sobre a América Latina

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Pai, não os perdoe, pois eles sabem o que fazem

ORIVALDO LOPES JR

Saiba Mais

 

“Os monstros existem, mas são muito pouco numerosos para ser realmente perigosos; mais perigosos são os homens comuns, os funcionários dispostos a acreditar e obedecer sem discutir’.

 

Primo Levi

 

Do alto da cruz, Jesus olhou os policiais que o tinham torturado, humilhado e pregado na cruz. Viu mais adiante o povo que havia gritado “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Olhou os moradores de Jerusalém assistindo o “espetáculo” e que apoiavam seus líderes. Viu atrás desses os que se omitiram e nada fizeram. Então ele ergueu seus olhos para o céu e disse: “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem” (Lucas 23.34).

Essa declaração de Jesus é extremamente séria, pois nela se esconde uma terrível condenação. Esses a quem Jesus mirava de cima da cruz agiam como meros meninos e meninas de recado. Eles apenas obedeciam às ordens governamentais e às orientações sacerdotais. É para essas pessoas que Jesus pede a misericórdia divina. Porém, ao dizer “perdoe estes que não sabem o que fazem”, ele está dizendo ao mesmo tempo: “Pai, não perdoe àqueles que sabem o que fazem”!

Hoje, quando vemos crianças e adolescentes fazendo o símbolo de uma arma e apontando para os céus, em direção ao Senhor crucificado, dentro de uma igreja da Assembleia de Deus; quando vemos livrarias evangélicas vendendo camisetas com a imagem do “mito”, aquele cujo nome é impronunciável, quando um grupo de mais de cem pastores se submetem aos seus “modelos” de sucesso e declaram, irresponsavelmente, seu apoio à violência, ao ódio, à injustiça social, à discriminação… eu escuto Jesus repetindo “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem”.

Entretanto, em outro lugar Jesus diz: “Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço” (Lucas 17.2). É por isso que nesta palavra da cruz podemos escutar: “Pai, não perdoe a estes que levam meus filhos e filhas a pecar, que põem pedras nos caminhos das crianças e adolescentes para que tropecem. Que esses sacerdotes formadores de opinião sejam tidos por indesculpáveis diante dos céus, pois eles sabem o que estão fazendo. Que repousem no fundo dos oceanos com os moinhos amarrados em seus pescoços, pois estão desvirtuando minha mensagem, estão se beneficiando de minhas ovelhas, e as dispersando pelo mundo onde serão feridas e mortas pelos que se alimentam do ódio e da mentira”.

Cada evangélico e cada evangélica que está se espelhando em seus líderes e apoia essa candidatura das armas e da violência insulta, agride, açoita, e crava na cruz mais uma vez o Senhor Jesus. Como isso é triste, humilhante, terrível… e no entanto, do alto de sua misericórdia Jesus pede o perdão de Deus para eles, pois não sabem que estão abrindo as portas do inferno para a nação brasileira. Quanto aos seus líderes, que deveriam pelo menos ter se calado e evitado a difusão do ódio, ao apontarem um anticristo à presidência do Brasil, esses que caíram em sedução diante de prováveis propostas de retorno aos seus bolsos e à sua posição de prestígio, Jesus simplesmente se cala. Para esses não há perdão, nem dos céus, nem da história.

Como os juízes e legisladores brasileiros, eles estão cometendo um suicídio histórico. As gerações futuras citarão seus nomes com tristeza, desdém, vergonha e escárnio. Ganham um pouquinho agora, mas perdem tudo depois. Seus netos terão vergonha de dizer quem eram seus avós. O perdão, portanto, não é só divino. A humanidade como um todo vai olhar no futuro para o Brasil desses dias e seu veredito será brutal.

Mas ainda há tempo: reneguem toda associação com o mal representada por esse candidato. Digam não à violência de todos contra todos, à discriminação, ao racismo, à acumulação, ao militarismo, à intolerância, à tortura, à mentira, à destruição dos benefícios sociais que chegam aos membros mais pobres de suas igrejas… Este é seu dever moral, espiritual e histórico. Existem muitas alternativas, mas a abominação da desolação das armas e da violência não é, em absoluto, uma delas. Por isso, “ergam sua voz contra a injustiça e a favor dos pobres”.

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É o liberalismo de Bolsonaro que seduz parte dos ricos e universitários? Não! É o ódio a pobre e à diferença. Existem candidatos liberais!

Por Reinaldo Azevedo

O Jair Bolsonaro “liberal”, no qual acreditam setores do mercado, é só uma invenção eleitoral oportunista em que o medo de pobre e de preto, compartilhado por setores da classe média e dos ricos, finge acreditar.

“Ah, só classe média e rico vota em Bolsonaro?”

Quem leu isso no que escrevi pode parar por aqui porque é analfabeto funcional e não vai entender o resto. Vá votar no “capitão” e seja feliz em sua vida ágrafa.

A única saída que o Brasil tem para a crise — ÚNICA — é diminuir os gastos do Estado e a interferência do dito-cujo na economia. Teria de haver uma redução de desembolsos propriamente, com a revisão de determinados programas e da brutal renúncia fiscal sob o pretexto de proteger alguns setores — ou “os empregos”, na versão estúpida adotada pelo governo Dilma.

Ocorre que isso não se faz sem uma pactuação política e sem negociar a redução do tamanho do gigante com os setores diretamente beneficiados. É trabalho para candidato a estadista, não para economista em fase de mania. Nesse caso, só remédio resolve; não o poder.

A estratégia de Bolsonaro, em havendo uma, é o “choque”. A turma é tão fascinada pelos movimentos circenses de Donald Trump que tentará reproduzir por aqui o que o malucaço faz por lá. “Ah, mas está dando certo…” Peguem a interferência que tem o Estado americano na vida dos cidadãos e a que tem o Estado brasileiro. O sistema americano até pode abrigar um “clown”, se é que ele termina o mandato; o do Brasil, não. Mas isso fica para outra hora.

O fato e que inexiste um “Bolsonaro liberal”. Existe é um Paulo Guedes que pode ser identificado com esse pensamento em economia, mas que dá mostras de não entender como funciona a democracia. A sua proposta mais clara sobre impostos, tanto quanto aquilo é claro, foi exposta em encontro privado de investidores, misturando unificação de impostos com volta da CPMF. As tentativas de desmentido soaram patéticas. Quando menos porque os impostos unificados não são universais — pagos por todos —, e a CPMF sim. Aritmética elementar: está sobretaxando o pobre, que já é, relativamente, quem mais paga impostos no Brasil.

Então por que esse encanto com Bolsonaro? Ah, porque, como é mesmo?, é um homem “sem medo de dizer verdades”.

E, ora vejam, suas “verdades” nada têm a ver com economia ou política. Bolsonaro faz com que os preconceitos mais primitivos, mais incivilizados e potencialmente mais brutais se manifestem como coisa normal, corriqueira, como parte da vida. Afinal, “tem preto folgado mesmo”; “esses índios são uns preguiçosos”; “Maria do Rosário é mesmo feia” (nego-me a reproduzir o resto do raciocínio até como caricatura); “bandido bom é bandido morto”; “brasileiro gosta é de mamata”; “essas pessoas penduradas no Bolsa Família são umas preguiçosas ou estariam trabalhando…”

Não é o liberalismo de Bolsonaro que seduz porque este, a rigor, não existe. A sua trajetória o prova. É a mobilização da besta do preconceito e do rancor instalada no fundo de algumas consciências.

Para essas almas encantadoras, um Geraldo Alckmin, por exemplo, ou um Henrique Meirelles não bastam. E não! A recusa nada tem a ver com o fato de que seriam “políticos tradicionais” — Meirelles disputou apenas uma eleição e, com efeito, teve papel fundamental duas vezes no equilíbrio das contas; contribuiu para tirar o país do abismo em ambas as circunstâncias…

Se é “liberalismo” que querem esses valentes, as opções estão dadas. Até João Amoêdo, novo, mas inequivocamente liberal, atenderia a esse pressuposto.

O Bolsonaro que atrai essas camadas de que falo é justamente o ILIBERAL, o reacionário, o do discurso fascistoide, o que alimenta a impressionante rede de ódio montada da Internet para xingar, intimidar, desmoralizar, enquadrar e demonizar pessoas que discordam dessa adorável visão de mundo.

A Folha publica nesta sexta um exaustivo levantamento sobre os votos do “capitão”. Resumo: antiliberal, corporativista, favorável ao aumento de gastos do Estado.

“Ah, mas o Guedes vai dar um jeito nele!”

O Guedes, neste momento, foi submetido ao silêncio obsequioso. Levou um cala-boca!

Fica mais fácil assumir que o voto em Bolsonaro está ligado ao que essa gente pensa sobre pretos, índios, mulheres, os “brasileiros” (que são sempre os outros), o Bolsa Família…

A reportagem sobre a trajetória do corporativista, estatista e antiliberal de Bolsonaro está aqui.

Ah, sim: sem querer chatear ninguém, lembro que os pobres não vão desaparecer por mágica. Nem que se meta a polícia para dar um jeito “nessa gente”…

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