Bolsonaro e seu estranho Deus das armas

Juan Arias

O ex-paraquedista Jair Bolsonaro, de extrema direita, candidato a presidente, considera como “uma missão de Deus” que o Brasil tenha um Governo formado por militares. Assim manifestou dias atrás no Fórum da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), em São Paulo. “No meu ministério terei, sim, muitos militares”, afirmou. E seriam de primeira divisão, “atacantes como Neymar”. Pensa portanto, se ganhar as eleições, em colocar nas mãos desses generais do Exército os ministérios-chaves do seu Governo. E tudo isso por fidelidade a Deus.

Bolsonaro justifica um possível Executivo composto por militares argumentando que, se os presidentes anteriores escolheram como ministros “guerrilheiros, terroristas e corruptos”, como diz polemicamente, por que não poderia ele convocar generais do Exército? O ex-paraquedista quis unir em um só abraço, hábil e eleitoreiramente, as duas instituições que aparecem nas pesquisas como as mais bem avaliadas pelos brasileiros: o Exército e a Igreja. Pretende fazer um governo de militares como algo que Deus lhe pede. Desse modo, conseguiria o milagre, ou a aberração, de que o Exército pudesse governar o país sem ter que dar um golpe militar.

Ascanio Seleme retratou em uma de suas colunas no O Globo essa conjunção de Bolsonaro entre a Igreja e os militares durante a convenção que sacralizou sua candidatura à presidência: “Em alguns momentos, a convenção parecia um culto de uma grande igreja evangélica (…). Em outros momentos, a sensação era de que se estava dentro de um quartel”.

Bolsonaro é um personagem que sabe, além do mais, usar a falácia de querer resolver problemas complexos com receitas simplistas. Uma delas é a de querer tirar o país da crise política, econômica e moral que o castiga com uma equipe de governo formado por membros do Exército. Demonstrou que leva a sério esse projeto ao escolher como vice o general Mourão, que já tinha insinuado, meses atrás, a necessidade de uma intervenção militar frente à crise política e institucional que agita o Brasil.

Trata-se de um militar defensor da ditadura e da tortura, que se permitiu em seguida arriscar palpites culturais ao afirmar, com tons racistas, que os brasileiros sofrem da “indolência dos indígenas” e da “malandragem dos africanos”. Sua função de vice-presidente o coloca constitucionalmente, além disso, na possibilidade de chegar à presidência se, por algum motivo, o titular tiver que abandonar o cargo, algo quase já normal neste país.

Desde antes de Lula chegar ao poder foi criado o ministério da Defesa ocupado por civis, mas agora teríamos com Bolsonaro a anomalia de um Governo em democracia formado por generais. O Brasil apresentaria, nesse caso, uma série de problemas que poderiam comprometer gravemente a democracia. Os militares, cuja função é a de defesa do Estado, estariam governando, e isso poderia arrastar as demais instituições à confusão. É como se alguém quisesse criar um governo de juízes. Seria a morte do Estado de direito, que se funda na divisão de poderes. E tudo isso amalgamado na ambiguidade religiosa de Bolsonaro e seus acólitos, que já revelaram mais de uma vez querer governar com a Bíblia mais do que com a Constituição.

Não sei que estranho Deus das armas inspirou Bolsonaro a formar um Governo com o Exército para resolver os problemas do país. Não pode ter sido o Deus cristão, o dos evangelhos, cuja fé o militar professa, já que esse é um Deus de paz – “Todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão” (Mateus, 26,52) –, de perdão e não de vingança, de respeito pelos diferentes, e defensor de todas as liberdades – “A verdade vos livrará” (João, 8,31) –, o Deus que condena a ambiguidade, que pediu a seus discípulos que respeitassem as instituições sem as confundir: “Deem a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César” (Mateus, 17,24ss), respondeu Jesus aos fariseus que buscavam tentá-lo, confundindo Deus com o Estado.

Misturar o divino com o profano, a Igreja com o Exército e a fé com as urnas é preparar o terreno para novas guerras como as que a humanidade já sofreu no passado, muitas delas realizadas em nome desse Deus militar que hoje parece inspirar Bolsonaro. Pastores evangélicos e cristãos em geral começam a questionar se podem, sem trair sua consciência, votar num candidato cujo Deus é mais o das metralhadoras e da morte que o dos ramos de oliveira da paz, que são o coração do cristianismo ainda não poluído pelo poder profano.

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“As pessoas estão procurando um terceiro campo e não é Bolsonaro e o fascismo”, diz Robério Paulino

Cumprindo agenda em Mossoró, o professor Robério Paulino (PSOL) foi entrevistado pelo Blog do Barreto. Surpresa das eleições de 2014 quando ficou em terceiro lugar, ele agora é candidato a deputado estadual utilizando o discurso de combate ao fascismo e aos grupos tradicionais da política potiguar.

Confira o bate-papo.

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Bolsonaro nunca chamará alguém de capitão do mato

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Na polêmica que marcou a semana, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) foi acusado de injúria racial por setores da direita por comparar o vereador paulistano Fernando Holiday (DEM) a um capitão mato (para saber mais sobre o contexto histórico do termo leia AQUI).

Deixando de lado a imprudência da verborragia de Ciro Gomes, a pergunta levantada por setores da direita nas redes sociais foi: “e se fosse Bolsonaro?”.

A pergunta, creio eu, é apenas uma mera provocação militante. Afinal de contas Bolsonaro é tão capitão do mato quanto Holiday e isso vale para o contexto histórico. Sim, brancos também faziam o trabalho de recaptura de escravos que fugiam. Mas esse é outro debate.

O capitão do mato “moderno” cumpre o papel de estabelecer como “vitimismo” qualquer argumento que justifiquem ações afirmativas em favor dos negros no Brasil.

Bolsonaro nunca vai considerar Holiday como um capitão do mato. Ambos estão do mesmo lado por reproduzirem o discurso opressor que finge que termos apenas 13% de negros nas universidades não tem nada a ver com a herança histórica da escravidão. Para eles, basta que um negro ou pobre se esforce para chegar ao ensino superior como se os caminhos fossem exatamente os mesmo de um branco de classe média.

O tal do “vitimismo” é uma muleta retórica que é usada para dizer que o Estado não tem nenhum compromisso em evitar que 71% dos homicídios no Brasil sejam praticados contra jovens negros. Temos em nosso país um verdadeiro genocídio de negros pobres e esse realmente é o assunto que deveria importar nos debates sobre política. Não vai ser com o esforço individual das raríssimas exceções que vamos acabar com esse problema. É com intervenção do Estado. Os EUA, berço do liberalismo de verdade, fez isso no Século XX. Mas parece que tem gente querendo copiar a parte ruim da questão racial estadunidense.

Bolsonaro já deu mostras do que é capaz de dizer quando o assunto envolve a inclusão e o respeito aos negros. Abaixo um vídeo do programa CQC da Band exibido em 2011.

Vejam, não vou nem entrar na mensagem subliminar que aborda a primeira resposta. Mas veja a segunda onde ele deixa claro que se um filho dele casasse com uma negra seria “promiscuidade” e que eles foram “bem-educados” para evitar que isso aconteça.

Uma das justificativas usadas para escravizar negros era de que eles não possuíam “alma” e a comparação deles com animais. Veja abaixo a comparação tosca que Bolsonaro faz entre quilombolas a animais medindo peso deles por arroubas. Ele reproduz o discurso do “negro preguiçoso” que foi usado lá atrás para justificar a substituir a mão-de-obra escrava pela do imigrante europeu logo após a abolição. Se o negro fosse incluído no mercado de trabalho após a assinatura da lei áurea teríamos hoje um país muito menos desigual. Mas os ex-escravos foram marginalizados e os seus postos ocupados por italianos e alemães. Isso matou uma classe média insipiente que estava sendo formada nos centros urbanos mesmo na época da escravidão pelos alforriados que ocupavam postos importantes na administração pública. Não por acaso, 20 anos após a o fim da escravidão tivemos nosso primeiro e único presidente negro, Nilo Peçanha.

Abaixo o vídeo

Não. Realmente Bolsonaro nunca vai chamar alguém de capitão do mato porque, repito, ele personifica a imagem de um dos nossos vilões históricos ao reproduzir o discurso que desqualifica a luta por igualdade racial no Brasil. Capitão do mato é um termo usado para enquadrar negros que lutam contra a própria causa, mas também serve para brancos que reproduzem o tal do argumento do “vitimismo”.

Um negro tem direito de não concordar com as pautas do movimento negro, mas causa estranheza quando ele adota o discurso do opressor. Logo um racista dirá “veja ele é negro e concorda comigo”. Isso vira argumento de autoridade para essa gente abjeta (os racistas). É a mesma coisa no sentido inverso, quando um branco se solidariza com a causa negra no Brasil e se irmana no combate ao preconceito racial ele dá mais força simbólica a uma causa justa.

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Bolsonaro ridiculariza Flávio Rocha em Natal

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Agora RN

O deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, ironizou, em entrevista concedida a imprensa potiguar na noite desta quinta-feira, 17, a pré-candidatura do norte-rio-grandense Flávio Rocha (PRB) ao Governo Federal. “Flávio Rocha? Quem é esse?”, questionou Bolsonaro, devolvendo a pergunta feita por um dos jornalistas presentes a Federação da Indústria do RN (Fiern), onde foi realizada a coletiva.

A declaração foi dada após Bolsonaro comentar rapidamente a situação dos principais concorrentes na disputa pela Presidência. Até do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, Bolsonaro dedicou uma frase maior, para explicar que preferia não falar sobre ele, uma vez que, preso, não será candidato. Sobre Geraldo Alckimin, do PSDB, a quem mais cedo, já em Natal, chamou de “chuchu”, Bolsonaro insinuou que o tucano estava tentando copiar o discurso dele sobre armamento.

Curiosamente, enquanto Lula e Geraldo Alckimin sempre foram adversários, Flávio Rocha teve, por um momento, certa proximidade da pré-candidatura do PSL. O site “O Antagonista”, inclusive, publicou em fevereiro deste ano a seguinte declaração de Bolsonaro: “Gosto muito do Flávio Rocha. Ele é liberal na economia, é a minha posição também, mas não tocamos no assunto da candidatura. Se ele tem interesse eu desconheço”, disse o presidenciável, que acrescentou ter conversado com o empresário há um mês. “A gente vai começar a trazer pessoas e, se o Flávio Rocha quiser se agregar à equipe, será muito bem-vindo”, afirmou Bolsonaro.

Em março, porém, Flávio Rocha, CEO do Grupo Riachuelo, descartou a possibilidade de ser vice, se filiou ao PRB e lançou, também, a sua pré-candidatura à Presidência da República, descartando qualquer chance de ser vice de Bolsonaro.

Foto: José Aldenir / Agora Imagens

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Bolsonaro adia agenda em Mossoró

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Blog Carol Ribeiro

O pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro, cancela visita a Mossoró. Veja a nota enviada pela organização do evento:
A agenda do pré-candidato à presidência da República Jair Messias Bolsonaro (PSL-RJ), em Mossoró, que estava marcada para acontecer na sexta-feira, 18 de maio, teve que ser adiada em virtude de compromissos urgentes do deputado. Contudo, toda a programação em Natal na quinta-feira, 17, está mantida. A coordenação do evento em Mossoró informa que uma nova data está sendo discutida pelo diretório estadual do PSL e será divulgada em breve. Contamos com a compreensão de todos e estamos à disposição de toda a militância no Rio Grande do Norte para quaisquer esclarecimentos.
 
A organização
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Ação para expulsar Bolsonaro de Mossoró é flertar com fascismo

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A esquerda faz questão de registrar que combate o fascismo. Hoje o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ) por tudo que representa é quem encarna melhor o espírito fascista na política nacional por toda intolerância que expõe em suas falas.

Mas qual a melhor maneira de combater a intolerância? No meu entendimento é um conjunto de ações que reúnem confronto de ideias, ações judiciais quando necessário, censura moral, etc…

Mas um grupo de esquerda ligado ao PSTU em Mossoró estuda fazer uma movimentação para expulsar o polêmico pré-candidato a presidente da República. Isso é combater a intolerância com mais intolerância gerando ainda mais ressentimentos e menos sensação de democracia.

Mais confronto não agrega para a própria esquerda que flerta com o fascismo que se gaba de combater.

Nota do Blog: do mesmo jeito que critiquei os bolsonaristas que foram fazer zoada no comício de Lula em Mossoró critico a iniciativa no sentido inverso.

 

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O Bolsominion

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Os Minions são personagens do Desenho Meu Malvado Favorito. O termo Bolsominion é a junção dos Minions com o sobrenome do malvado favorito deles, o pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL/RJ).

No desenho, os Minions são manipulados pelo “Meu Malvado Favorito”, Gru.

A alusão não é apenas mera coincidência.

O Bolsominion é um personagem curioso das arengas diárias do Facebook. Ele odeia a corrupção, mas desde que ela se limite ao PT. Para ele todas as mazelas do país são culpa de um único partido.

Bolsonaro dizer que usa dinheiro do auxílio-moradia para “comer gente” não tem nada demais. É coisa da mídia “petralha”. Bolsonaro pode atacar as feministas, os negros e qualquer pessoa que tenha se beneficiado com programas sociais.

Os bolsominions vibram!

O Bolsominion odeia tudo que não gire em torno de Bolsonaro. Quem clama por empatia está de “mimimi”.

Aliás, para o Bolsominion tudo é “mimimi”. Feminismo é coisa de mulher feia, “mal-comida”. Lutar por justiça social é coisa de “vagabundo”. A causa dos negros é “vitimismo”. O LGBTQ+ que reclamar também é “vitimista” com um agravante: será acusado de querer impor a própria orientação sexual fazendo do Brasil uma “ditadura Gay”.

Há ainda alguns bolsominions que possuem Síndrome de Estocolmo: o negro, o pobre, homossexual e a mulher bolsominion. Eles simplesmente não se sentem atingidos pelas frases feitas do “Mito”.

Para o Bolsominion, o que aconteceu na madrugada do dia 31 de março para 1º abril de 1964 foi uma revolução e não um golpe de estado.

Como podemos ver, além da empatia os livros de história não são o “forte” dos Bolsominions. Afinal de contas, para que se importar com os outros ou perder tempo com leitura se existem frases feitas que “vencem” qualquer debate. Todo argumento sempre será rebatido por um Bolsominion com “é mimimi” ou “isso é vitimismo”. Postar memes com informações deturpadas é uma estratégia “fatal” do Bolsominion.

Claro, não pode faltar slogans como “Bolsonaro 2018” ou “É melhor Jair se acostumando”. Esse último sempre em tom ameaçador.

Não subestime um Bolsominion, ele sonha com uma intervenção militar. Na cabeça dele, não teve corrupção nem violência na época dos generais. Já disse: livro de história não é o “forte” deles.

Por falar em livro de história, o Bolsominion acha que existe conspiração comunista em tudo. Para ele tudo que é escrito é “doutrinação petralha”.

Outra teoria da conspiração muito apreciada pelo Bolsominion é a de que todo gay é pedófilo e quer, com a ajuda dos esquerdistas, fazer das escolas um antro de “doutrinação” para fazer as crianças serem gays. O Bolsominion tem uma verdadeira tara pelo tema. Mas é aí que a preocupação dele com as crianças se encerra. Se o pimpolho for pobre que se vire para vencer na vida. O importante é que a criança não seja homossexual.

O argumento mais “complexo” de um Bolsominion é dizer que o fascismo e o nazismo são ideologias de esquerda.

O Bolsominion é um cristão que prega a pena de morte. Para ele vingança está acima do perdão. Não por acaso uma das frases feitas preferidas dessa categoria facebookeana é “bandido bom é bandido morto”.

Para o Bolsominion a chegada de Jair Bolsonaro ao poder vai acabar com a violência num passe de mágica. Para ele basta sair matando todos os bandidos que tudo vai acabar.

O Bolsominion pode ser um cara legal, mas também pode ser o sujeito de caráter duvidoso. Eu me esforço para encontrar bons propósitos em alguns bolsominions, principalmente naqueles que estão entrando na onda por estarem revoltados com a política tradicional. O problema é que Bolsonaro é um político tradicional com 30 anos de atuação. Tem três filhos exercendo mandatos e já colocou uma ex-esposa no ramo.

Quer coisa mais típica de político tradicional do que infestar seu sobrenome nos parlamentos da vida?

O Bolsominion idolatra Jair como um “deus” tanto quanto seus inimigos mortais, os petistas, fazem com Lula. Eles carregam seu Messias nos braços nos aeroportos e fazem inaugurações de outdoors com fotos e slogans do “mito”, deles.

Logicamente o Bolsominion que estiver lendo este texto e se sentir magoadinho vai me dar block nas redes sociais. Outros ao vestirem a carapuça vão dar aquele xingamento básico me chamando de “parcial”, “petista”, “comunista safado”, etc…

Mas meu bom bolsominion, eu também gosto de você.

Confira outros textos da série “Os Personagens do Facebook”

O “Isentão”

O esquerdista arrogante

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Indústria da raiva ainda vai produzir um cadáver

Por Josias de Souza

Há um cheiro de enxofre no ar. É a emanação da morte. O odor cresce na proporção direta da diminuição da sensatez. Até outro dia, o ódio vadiava pelas redes sociais. Agora, circula pelas ruas à procura de encrenca. A raiva tornou-se um banal instrumento político. Há no seu caminho um defunto. Ele flutua sobre a conjuntura como um fantasma prestes a existir. A morte do primeiro morto ainda pode ser evitada. Mas é preciso que alguém ajude a sorte.

Concebida como alternativa civilizatória às guerras, a política subverteu-se no Brasil. Em vez de oferecer esperança, dedica-se a industrializar a raiva. Produz choques e enfrentamentos —uma brigalhada entre partidos enlameados, políticos desmoralizados, grupos e grupelhos ensandecidos. É nesse contexto que a notícia sobre a primeira morte bate à porta das redações como um fato que deseja ardorosamente acontecer.

O primeiro morto vagueia como uma suposição irrefreável. Por ora, ele vai escapando por pouco. Livrou-se da fatalidade quando sindicalistas enfurecidos reagirem mal às suas palavras, empurrando-o da calçada defronte do Instituto Lula em direção à rua, até cair e bater a cabeça no parachoque de um caminhão. Desviou dos tiros disparados contra os ônibus da caravana de Lula nos fundões do Paraná. Foi parar no hospital após ser baleado por atiradores filmados nas imediações do acampamento petista de Curitiba (assista no vídeo lá do alto).

Construir uma democracia supõe saber distinguir diferenças. Mas os políticos não ajudam. Estão cada vez mais a cara esculpida e escarrada uns dos outros. Todos os gatunos ficaram ainda mais pardos depois que a Lava Jato transformou a política em mais um ramo do crime organizado. Exacerbaram-se os extremos. Assanhou-se sobretudo a extrema insensatez.

Depois de sentar-se à mesa com Renans, Valdemares, Sarneys e outros azares, o PT tenta virar a mesa para fugir da cadeia pela esquerda. Por enquanto, conseguiu apenas transformar Gilmar Mendes em herói da resistência. De resto, o petismo virou cabo eleitoral da direita paleolítica personificada em Bolsonaro.

Esquerdistas, direitistas e seus devotos ainda não notaram. Mas para a maioria dos brasileiros o problema não é de esquerda ou de direita. O problema é que, em qualquer governo, tem sempre meia dúzia roubando em cima os recursos que fazem falta para milhões condenados a sofrer por baixo com serviços públicos de quinta categoria.

Bons tempos aqueles em que o Faroeste era apenas no cinema. A longo prazo, estaremos todos mortos. Mas o ideal é esquecer que a morte existe. E torcer para que ela também esqueça da nossa existência. Essa mania de provocar a morte, de desejar a morte, de planejar a morte em reuniões de executivas partidárias… Isso é coisa que só existe em países doentes como o Brasil.

A indústria da raiva se equipa para produzir um cadáver. Ainda dá tempo de salvar o primeiro morto. Mas as lideranças políticas brasileiras precisariam abandonar sua vocação para o velório. Dissemina-se como nunca a tese de que os políticos são farinha do mesmo pacote. Porém…

A igualdade absoluta, como se sabe, é uma impossibilidade genética. Deve existir na política alguém capaz de esboçar uma reação. Mas são sobreviventes tão pouco militantes que a plateia tem vontade de enviar-lhes coroas de flores e atirar-lhes na cara a última pá de cal.

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Grupo programa agenda de Bolsonaro em Mossoró e Natal no próximo mês

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Está sendo planejada por um grupo de apoiadores do deputado federal fluminense Jair Bolsonaro (PSL), pré-candidato a presidente da república, duas agendas no Rio Grande do Norte.

A vinda dele ao Estado já está confirmada. Faltam os detalhes que devem ser definidos nos próximos dias pelo diretório estadual do PSL.

A previsão é de que ele esteja em Natal no dia 17 de maio e em Mossoró no dia seguinte.

Foi tentada uma vinda, sem sucesso, de Bolsonaro a Mossoró em abril.

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