Pandemia e isolamento social: para além da dualidade neoliberal

Antes de jantar, Trump elogia Bolsonaro mas não se compromete ...
Trump recuou no desdém ao coronavírus. Bolsonaro não (Foto: JIM WATSON / AFP)

Por Rosivaldo Toscano Jr.*

Para quem pensa preso ao paradigma neoliberal, só existem dois caminhos no momento: a) ficar em quarentena e sem dinheiro; b) abrir as lojas e ir trabalhar. Resta muito claro que a “mão invisível” do mercado não vai reverter os efeitos – que são globais – dessa pandemia. Mas poderá muito bem agravá-los porque sem o isolamento social teremos aqui uma Itália múltiplas vezes aumentada. Vai morrer gente de todas as idades e não só de coronavírus, como na Itália e na Espanha. Basta ter uma apendicite, uma fratura que exija cirurgia ou qualquer procedimento que necessite de respiração mecânica.
Talvez devêssemos olhar o exemplo dos Estados Unidos, meca do discurso neoliberal: pacote de injeção na economia da ordem de dois trilhões de dólares! O governo dos EUA pagará renda mensal às pessoas para que não passem fome e/ou se desesperem e para que consumam, e empréstimos a fundo perdido para as empresas não falirem. No mais, determinação de isolamento social enquanto necessário. Donald Trump é pragmático: rasgou sem cerimônia os postulados neoliberais nesse momento porque não lhe são convenientes. Milton Friedman, descanse em paz.
Espero estar muito errado na minha avaliação, mas acho que o problema aqui é mais grave porque o atual ministro da economia parece ser monocular. Para usar um linguajar de economia política, é um Chicago Boy. Ele repete o mantra neoliberal há décadas e acho que dificilmente terá um novo olhar – um que contrarie frontalmente tudo que apreendeu e repetiu. As medidas paliativas apresentadas até o momento são sintomáticas disso. Mas ainda torço que mude de opinião, que apresente um pacote de intervenção direta na renda das pessoas e na solidez das empresas. Meta fiscal? Trump já chutou o pau da barraca. Merkel fará o mesmo. Macron etc., todos irão a reboque.
O discurso de superávit fiscal vai cair por todo o mundo porque será impossível qualquer país, após essa pandemia, não ter gastos exorbitantes para evitar uma catástrofe interna. Essa pandemia vai mudar o paradigma econômico. Aliás, como como falei acima, já está mudando.
Se pensarmos somente dentro da ótica neoliberal, teremos uma convulsão social de todo jeito. É hora de (re)abrir os livros de John Maynard Keynes. Foi assim que se superou a grande depressão dos anos 1930. Trump, que não é bobo, já o fez.

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Resultado da enquete: 83% dos leitores discordam de Bolsonaro

Ao vivo: Governo fala sobre decreto de calamidade pública | Poder360
Bolsonaro fez fala polêmica (Foto: reprodução/TV Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento na última terça-feira conclamando os brasileiros a voltarem à vida normal e defendendo a economia. A fala pegou mal para a maioria das pessoas e isso refletiu na opinião dos leitores do Blog do Barreto.

Na enquete desta semana 83% deles disseram discordar do presidente. O exemplo do que aconteceu na Itália onde se pensou primeiro na economia e o desdém em relação ao novo coronavírus terminou em tragédia é o exemplo principal.

“Amigos a Itália no princípio da pandemia também fez pouco caso do Covid-19, sendo que o governo também preferiu proteger a economia, veja no que deu. Ou seja, mesmo vendo exemplos que deram errado, não aprendem”, diz o leitor Ronyberg Oliveira.

Já 16% dos leitores a falta do presidente foi correta. É o caso do leitor José Gilneran. “Claro que concordei. Pois vcs bando de idiotas inconformados com a derrota e não verem mais a quadrilha de Ptralhas no comando do país nunca irão concordar com nada q venha do nosso presidente. Pois aconselho vcs, fiquem em casa quando a fome apertar e vcs olharem e ver suas geladeiras vazias sem nada pra comer, ai sim, vcs vão enternder de fator, o que está propondo o nosso presidente. Tenham muito cuidado com o vírus chamado COVID-FOME”, desabafou.

Por fim 1% afirmou não ter opinião formada.

Nota: reproduzimos o que os leitores escreveram na íntegra, inclusive com os erros gramaticais.

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Bolsonaro contradiz seus apoiadores no RN

Bolsonaro coloque em xeque a tese de seus apoiadores no RN (Foto: Joedson Alves/gência EFE Brasil)

Na última quarta-feira um grupo de bolsonaristas fez zoada nas redes sociais denunciando que a governadora Fátima Bezerra (PT) estaria gastando R$ 3 milhões em propaganda em plena crise do coronavírus.

A mensagem distorcida ignorava (ou ao menos fingia ignorar) que o Governo do Rio Grande do Norte está sem contratos com agências de publicidade desde 28 de fevereiro e que a ação de caráter educativo duraria seis meses custando um terço do orçamento estadual para comunicação.

Pois bem!

O presidente Jair Bolsonaro pregou uma peça com seus apoiadores no Estado. Ontem ele lançou, com a mesma dispensa de licitação, a campanha o “Brasil Não Pode Parar”.

O custo: R$ 4,8 milhões.

O valor é logicamente baixo em relação ao orçamento federal. A questão aqui não é discutir o custo nem se pode ou não se fazer propaganda nestes tempos. O trato aí é de coerência. Os bolsonaristas locais se calaram.

Em outro ponto o presidente derruba o argumento dos seus apoiadores no Estado. Em decreto ele colocou a comunicação como serviço essencial nestes tempos de pandemia.

Está certo, diga-se!

Bolsonaro sabe tanto que a comunicação é fundamental que usa verba pública para defender suas teses políticas contra a orientação dos cientistas.

A governadora Fátima Bezerra errou com o recuo e os bolsonaristas tiveram uma vitória de pirro no seu moralismo de goela.

Leia também: Fátima errou!

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Zenaide classifica como vitória nova lei do BPC

Zenaide Maia esteve na linha de frente para derrubar veto (Jefferson Rudy/Agência Senado)

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) comemorou a publicação, nesta terça-feira (24/03), da Lei 13.981/2020, que amplia o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência que não têm condições de sustento. A nova lei aumenta de 1/4 de salário mínimo (R$ 261,25) para metade do mínimo (R$ 522,50), a renda familiar mensal per capita considerada para a concessão do benefício a pessoas com deficiência e idosos carentes. “É uma vitória porque mais famílias poderão receber o BPC, no valor de um salário, uma ajuda muito importante, ainda mais nesses tempos de pandemia, de crise social e econômica”, disse Zenaide.

Zenaide Maia foi uma das parlamentares que articulou, na sessão do Congresso Nacional do último dia 11/03, a votação que acabou por derrubar o veto dado pelo presidente, Jair Bolsonaro, ao projeto de ampliação do BPC (PL 55/1996). O ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda tentou, sem sucesso, barrar a transformação do projeto em lei, ao recorrer da decisão do Congresso junto ao Tribunal de Contas da União, mas o plenário do TCU confirmou a validade da decisão do Congresso.

Sobre o BPC

O Benefício de Prestação Continuada é o único benefício da Assistência Social garantido pela Constituição Federal de 1988. A Constituição mandou que uma lei regulamentasse esse direito, o que foi feito em 1993, com a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas, que é a Lei 8742/93). O BPC substituiu a Renda Mínima Vitalícia (RMV), que havia sido instituída pela Lei 6.179/1974.

O que o Congresso aprovou e agora é lei, foi a ampliação da renda para acesso ao benefício, proposta no PLS 55, apresentado em 1996 pelo então senador Cassildo Maldaner (SC). Em 1997, esse projeto havia sido aprovado pelo Senado, mas ficou parado na Câmara dos Deputados até 2018, quando os deputados aprovaram um texto novo, chamado de “substitutivo”, o SCD 6/2018.

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Enquete: você concordou com o pronunciamento do presidente Bolsonaro feito na TV nesta terça-feira a respeito do Coronavírus?

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Bolsonaro fez pronunciamento polêmico na terça-feira (Foto: reprodução)

Na enquete da semana o Blog do Barreto quer saber se você concordou com o pronunciamento do presidente Bolsonaro feito na TV nesta terça-feira a respeito do Coronavírus.

Acesse AQUI e vote.

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