Fatos da semana mostram que família Bolsonaro vai além dos estereótipos

Bolsonaro e filhos políticos se envolvem em constantes polêmicas nas redes sociais
Bolsonaro e filhos políticos se envolvem em constantes polêmicas nas redes sociais

O que caracteriza a extrema direita? Dentre outras está o empenho no isolamento de minorias como negros e gays, mas também no preconceito escrachado contra as mulheres.

Nos últimos anos, por meio de programas sensacionalistas da Rede TV e memes nas redes sociais, o bolsonarismo expressado pelo deputado federal Jair Bolsonaro ganhou tanta força que fez de seu maior ícone um candidato competitivo a ponto de ser líder nas pesquisas que excluem o nome do ex-presidente Lula.

Bolsonaro e seus meninos (o deputado estadual fluminense Flávio, o vereador carioca Carlos e deputado federal por São Paulo Eduardo) formam uma dinastia extremista cuja pregação nas redes sociais e em entrevistas repete chavões tão simplórios quanto nocivos à quem preza pela liberdade.

Quando a polêmica explode sempre fazem questão de negar que sejam homofóbicos, racistas e machistas. O recurso retórico da “brincadeira” é sempre a ferramenta verbal para justificar aberrações que se repetem.

Nesta semana, Jair Bolsonaro foi denunciado por racismo por se referir de forma jocosa a comunidades quilombolas. O filho dele, Eduardo, está enrolado em outra denúncia por crime de ameaça registrada por prints do aplicativo Telegram. O alvo era a jornalista Patrícia Lélis.

Os dois agora são alvos de ação da Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal (STF). Certamente seus apoiadores irão minimizar dizendo que ele não responde a escândalos de corrupção. Mas não custa nada lembrar que Bolsonaro admitiu desvio de finalidade do auxílio moradia para fins sexuais. Não deixa de ser corrupção.

No meio da discussão que se converteu em ação no STF, Eduardo Bolsonaro expôs toda a educação recebida do pai e respeito as instituições ao mandar Patrícia Lélis enfiar a “Justiça no c…”.

As falas e ações dos Bolsonaros tem ajudado na propaganda negativa e aos poucos a sociedade brasileira vai vendo que esse papo de “mimimi” e “vitimismo” não pode servir de justificativa para o preconceito nosso de cada dia.

Todo mundo pode dizer uma besteira ou se exceder em algum momento da vida, mas a família Bolsonaro já extrapolou todos os limites e isso ganha contornos ainda maiores quando se trata de uma extremista dinastia política.

Agora, os Bolsonaros irão entender que a Justiça (por mais desacreditada que esteja atualmente) não serve para ser enfiada em nenhum orifício corrugado.

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Bolsonaro recebe convite para cumprir agenda em Mossoró em abril

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O deputado federal fluminense Jair Bolsonato (PSL), pré-candidato a presidente da república, foi convidado para ser paraninfo da turma do núcleo de Mossoró do Centro de Formação de Aperfeiçoamento de Praças, prevista para o próximo mês.

Os contatos estão sendo feitos junto ao filho do presidenciável, Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), filho de Jair.

Jair Bolsonaro lidera as intenções de votos para presidente nos cenários em que o ex-presidente Lula não está incluso.

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Ação de Temer no RJ golpeia discurso de Bolsonaro

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Temer toma posse como secretário de segurança para abafar a crise após o massacre de Carandiru em 1992. A história se repetirá?

Impopular, desgastado e sonhando com uma inviável reeleição, Michel Temer tem uma muralha da China que o separa das demandas populares. Faz um governo capacho do mercado financeiro.

O “deus mercado” pode até ditar as cartas na gestão do “Vampirão”, mas não dita os anseios populares que seguem num sentido oposto aos interesses dos engravatados da Bovespa.

O maior problema do povo é a segurança e é este o fator primordial para Jair Bolsonaro ter se tornado um político popular deixando a condição de parlamentar obscuro para a de presidenciável competitivo.

Sem condições de ir além do que já foi feito pelo PT em programas sociais nem vocação política para assumir um projeto que melhore a vida do povão, resta a Michel Temer apelar para o combate à violência.

Ex-secretário de Segurança Pública do Governo de São Paulo (gestão de Luiz Antônio Fleury Filho), nomeado cinco dias após o massacre do Carandiru em 1992, Temer tenta na contenção da violência no Rio de Janeiro encontrar um fato que melhore sua popularidade e esconda aos olhos do mercado o fracasso na tentativa de reforma da previdência.

Se tudo der certo no principal cartão postal do país, Temer pode levar a iniciativa a outros Estados e quem sabe entrar no eleitorado bolsonarizado mostrando na prática que violência se resolve com violência como apregoa o histriônico discurso do capitão do exército. Ser o tiro sair pela culatra o bolsarismo sem Bolsonaro será um prato cheio para os opositores do capitão reformado.

A ação no Rio de Janeiro golpeia o discurso de Bolsonaro dentro da casa dele. Resta saber se será um ippon (que finaliza o adversário no judô) ou um Koka (menor pontuação).

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Eleição sem Lula fortalece Bolsonaro

Bolsonaro

O título pode soar confuso para quem está acostumado com as abstrações da política que se divide em espectros como direita, esquerda e centro. A mídia nacional também não tem enxergado por esse caminho que ouso trilhar neste artigo.

Por que? A maior parte da mídia brasileira tem alinhamento com o PSDB. Isso é um fato indiscutível. Agora o trabalho é reposicionar o partido ao centro para ocupar o vácuo deixado pelo PMDB. Daí surgem interpretações de que sem Lula o “centro político” se fortalece.

Essa é uma avaliação, inclusive, advogada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que é quase uma confissão de que toda mobilização de grupos “emebeélicos” contra Lula tem a chancela tucana.

Mas o foco desse artigo é a questão: quem ganha mais na corrida presidencial sem Lula? Na minha opinião é Jair Bolsonaro.

Está claro que a mídia nacional não deseja ver o capitão reformado do exército na crista da onda. Logo surgiram análises de que ele não estará polarizando com Lula e perde com isso. Outros afirmam que os votos dele vão para o “centro”. Que centro? Se for desses partidos que estão aí o discurso moralista (de goela) continuará existindo e polarizando com o que sobrar na disputa.

É preciso separar análise e opinião da mera manifestação de vontade. Também é preciso levar em conta o perfil do eleitorado que decide a eleição: o “povão”. E é nas camadas desprivilegiadas que Bolsonaro tem chances de herdar o espólio eleitoral lulista.

Todos são ladrões, na ótica do eleitor menos escolarizado e desligado da política. Por isso, Lula com todo contexto contrário resiste e lidera pesquisas presidenciais. Ele tem carisma, serviços prestados e fala o que os mais humildes gostam de ouvir.

Quem dos nomes repete esse perfil populista? A resposta é Jair Bolsonaro. Você pode não gostar dele, mas ele é carismático. Comparo ele a aquele dono de bodega grosso que por algum motivo inexplicável todo mundo gosta. É duro admitir isso, mas é um fato por mais que muito do que ele diz provoque repulsa.

Lembre-se: Hitler também era carismático!

Outro ponto: Bolsonaro num outro viés diz o que o “povão” gosta de ouvir apresentando soluções simples para problemas complexos na base do “bandido bom é bandido morto”. Você pode achar que não é assim, mas foi com essa estratégia discursiva que Bolsonaro tornou-se o “mito” na Internet.

Esse discurso propagado por Bolsonaro é o mesmo que converte apresentadores de programas policiais em fenômenos de audiência na TV aberta. O “povão” gosta desse discurso e é nas camadas populares onde não existem critérios ideológicos na decisão do voto que o eleitor de Lula pode migrar para Bolsonaro.

Claro que existem eleitores fieis a Lula que vão votar em quem ele orientar mesmo que seja de dentro de uma prisão. Isso tem chances de acontecer, inclusive minando Bolsonaro. Dependerá de quem se apresentar e do contexto do pleito.

É óbvio que existem pessoas que jamais votarão em Bolsonaro por considera-lo desprezível. Pelo menos esse aspecto não está em questão nas camadas populares.

O antropólogo Juliano Spyer tem se dedicado a estudar o comportamento político das classes populares. Ele constatou que a classe C, por exemplo, não usa o Facebook para ativismo político. Também percebeu que o “eu fiz” pesa muito na escolha do voto. Nesse sentido, o único presidenciável de 2018 com esse discurso é Lula. Bolsonaro pode atrair esse eleitor por passar a impressão de que vai moralizar a política, atuando como “salvador da pátria”.

Por isso, existe o paradoxo do eleitor que pode migrar de Lula para Bolsonaro sem o menor constrangimento. O grosso do eleitorado não se importa com ideologia. Esse é um assunto restrito aos setores mais ilustrados da classe média e olhe lá!

Por mais contraditório que seja o antilula-mor pode herdar os votos do inimigo político nas camadas populares. Será um erro da elite política do país subestimar essa possibilidade.

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Enfim 2018: um ano crucial para os rumos da política brasileira

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Finalmente 2018 começou, pelo menos do ponto de vista formal. Na prática esse ano já está em curso desde o dia 27 de outubro de 2014 quando as urnas do segundo turno foram abertas. Nunca um ano eleitoral foi tão aguardado e discutido.

Tudo que aconteceu entre 2015 e 2017 foi focando no ano que ora se apresenta ao povo.

São muitas perguntas que serão respondidas até o mês de outubro. Será um pleito diferente sobretudo pela presença de algo inédito: um candidato assumidamente conservador e de direita com chances reais de vitória.

Há tempos alerto que Jair Bolsonaro não deveria ser tratado como piada. Hoje ele encontra-se consolidado no segundo lugar e pode, por incrível que pareça, ser o maior beneficiário de uma eventual (e provável) exclusão de Lula do pleito.

Como assim? Perguntaria o leitor que não consegue enxergar a política além do nariz que respira pelo viés da ideologia. Lógico que uma pessoa de esquerda não votaria num candidato como Bolsonaro. Mas o povão não segue essa lógica. O grosso do eleitorado do PT tem gratidão a Lula pelos programas de inclusão social. Sem o líder petista, eles vão migrar para outro tipo de populismo: o de Bolsonaro bem ao estilo “bandido bom é bandido morto”.

E Lula? Seu futuro político está nas mãos do judiciário. A candidatura é mais que viável mesmo com todo o desgaste que sofre. Mas a ficha limpa pode tirá-lo do pleito.

O PSDB segue minguando principalmente pelo efeito Bolsonaro que lhe tirou boa parte do voto antipetista. O partido entra 2018 tentando se reinventar como alternativa de centro, mas manchado pelos escândalos de corrupção e imagem atrelada ao governo de Michel Temer.

Outros nomes brigam para não serem coadjuvantes em 2018. Destaque para Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (PODE) e Marina Silva (REDE).

A surpresa pela esquerda pode ser Guilherme Boulos, Coordenador Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Ele pode ser o candidato do PSOL.

O ano de 2018 já começou e pode ser de uma virada de rumos na política brasileira.

Ainda hoje

Análise sobre o ano de Rosalba

Análise sobre o ano de Robinson

Prognósticos para as eleições de 2018 no RN

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O populismo de extrema direita travestido em antipolítica

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Do “liso” em Jucurutu ao fenômeno Donald Trump nos Estados Unidos. Há um fenômeno em curso na política mundial: a antipolítica que alguns casos se confunde com o populismo de extrema direita que vai agradando a chamada “maioria silenciosa” que está de saco cheio dos políticos e das promessas de sempre.

O populismo de direita rima com o politicamente incorreto, que se por um lado bate de frente com algumas chatices, por outro traz à tona sentimentos nada positivos como o machismo, a homofobia, o racismo, a xenofobia… enfim todo um arcabouço de intolerância que muitos escondem por motivos diversos.

Tudo isso se traveste de antopolítica que agrada aos ouvidos de quem está de saco cheio. Se nos Estados Unidos o branco de classe média baixa e sem muita instrução embarcou nos berros de Trump fazendo-lhe sair da condição de piada ao comando da maior potência mundial, no Brasil, o populismo de direita tem um foco: o embarque no desgaste do PT somado à insegurança aliando-se ao discurso da moralidade.

E quem encarna isso no Brasil: Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Ele vai contra tudo que está aí. Passou anos no PP (legenda que junto com o DEM carrega o espólio da ditadura militar) como uma figura à parte. Com um discurso moralista num partido notoriamente famoso por ser o mais corrupto do país (mesmo que hoje quem carregue essa fama seja o PT, mas basta dar uma olhadinha no ranking de políticos envolvidos na Lava Jato) era tolerado por ser um campeão de votos graças ao apoio maciço dos militares. Hoje ele vai além dos quartéis. Tem seguidores de vários segmentos sociais.

Enquanto DEM e PP e outros políticos (como o nosso senador José Agripino) nascidos da costela da ditadura militar fingem cinicamente terem lutado contra o autoritarismo, Bolsonaro exalta até mesmo alguns torturadores.

A maioria silenciosa gostou, se empolgou.

Mesmo sem muito espaço na mídia ele se tornou um fenômeno nas redes sociais. Muita gente boa tem embarcado na onda do “Bolsomito” que agora está PSC para ser o candidato do partido a presidente. Ele será uma voz nunca vista desde a redemocratização. Talvez o último político brasileiro a expor ideias tão politicamente incorretas tenha sido Plínio Salgado na longínqua década de 1930 quando comandava a Ação Integralista Brasileira (AIB), espécie de partido fascista no país.

Bolsonaro pode ser o nosso Trump? Sim, pode. Como Trump ele tem sido subestimado pela mídia. Mas pode surpreender. Exemplos de antipolítica com populismo ou não estão aí aos borbotões. Os prefeitos eleitos de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro são gestores fora dos padrões da política, só para citar um exemplo de cidades importantes.

Há uma onda conservadora/antipolítica mundial a ponto da politizada França ter o favoritismo de Marine Le Pen, que lidera as pesquisas. O Brasil está embarcando na onde e Bolsonaro pode tocar terror em 2018.

Nota do Blog: não confunda antipolítica com extrema direita. São duas coisas distintas que no contexto atual estão misturadas. Mas antipolítica também em outros campos ideológicos.

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