Rosalbismo precisa de fisioterapia política após fratura do desgaste ser exposta nas urnas

A necessidade de esconder Rosalba chegou ao ponto de o anúncio de evento no Sítio Cantópolis esconder o nome dela. Sintomas de um desgaste profundo 

As duas pernas que sustentam o rosalbismo na política estão fincadas em Mossoró, seu berço político. Os membros foram quebrados no primeiro e no segundo turno. A fratura exposta escancara um desgaste perceptível a olho nu para quem vive em Mossoró e escondido atrás de ausência de pesquisas para quem vive fora.

Agora não tem mais como esconder para o Rio Grande do Norte que a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) está profundamente desgastada em Mossoró e que isso tem reflexo eleitoral.

Quem tinha de cair no conto da invencibilidade do rosalbismo caiu no primeiro turno. Carlos Eduardo Alves (PDT) apostou tudo na surrada tese de que Rosalba tinha licença para governar ruim e mesmo assim contar com a paciência dos mossoroenses.

Não foi por falta de aviso. Em 7 de junho o Blog do Barreto avisava que existia (e existe) um nicho eleitoral a ser conquistado que não depende das bênçãos da “Rosa” (ver AQUI).

O resultado do primeiro turno trouxe uma derrota humilhante com a vitória de Fátima Bezerra (PT) com 46.634 (43,02%) contra 37.243 (34,36%) de Carlos Eduardo. A petista mal fez campanha em Mossoró e de quebra o PT estava completamente dividido por problemas internos.

No segundo turno, Carlos Eduardo Alves decidiu deixar Rosalba mais escondida. Apostou todas as fichas na parceria com Jair Bolsonaro (PSL), presidenciável mais votado em Mossoró no primeiro turno com 44.402 (34,17%) contra 39.212 (30,17%) de Fernando Haddad (PT) que ficou em terceiro lugar. O próprio rosalbismo colou no candidato do PSL.

O general Eliezer Girão (PSL), deputado federal eleito, se tornou seu companheiro de fotos nas movimentações em Mossoró.

Carlos Eduardo discursa em Mossoró sem presença de Rosalba no segundo turno

Mesmo assim o segundo turno trouxe um resultado ainda mais desastroso para o rosalbismo, principal avalista da candidatura de Carlos Eduardo e, na nova etapa eleitoral, de Bolsonaro em Mossoró. Primeiro, Fátima ampliou a margem sobre Carlos Eduardo vencendo por 68.713 (54,17%) x 58.145 (45,83%). A vantagem cresceu de 9.391 para 10.568. Depois Jair Bolsonaro em vez de ser impulsionado foi puxado para baixo levando uma virada de Haddad que teve 77.547 (59,22%) contra 53.391 (40,78%). Maioria de 24.156 votos para o petista.

A prefeita de Mossoró saiu menor das eleições 2018 e muitos já fazem contagem regressiva para tirá-la do poder nas eleições de 2020. Para evitar um desastre maior, o rosalbismo terá que fazer fisioterapia política para sobreviver ao desejo pelo novo que pode ganhar corpo nos próximos dois anos.

Por dois anos a “Rosa” terá que conviver com as digitais colocadas num jardim de derrotas políticas na capital do Oeste potiguar.

A fisioterapeuta do rosalbismo é a Prefeitura de Mossoró. Se o desempenho administrativo melhorar ela certamente vai recuperar a capacidade eleitoral para 2020. Caso contrário o tratamento sugerido pelo eleitor será o da mudança.

Saiba mais sobre a decadência eleitoral do rosalbismo clicando em:

Números mostram capital eleitoral de Rosalba em corrosão

Bolsonaro vira tábua de salvação para o rosalbismo

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O presidente improvável venceu

Há quatro anos ao ser o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro Jair Bolsonaro deixava a condição de obscuro parlamentar do baixo clero da Câmara dos Deputado e celebridade de programas apelativos da TV aberta para a de um presidenciável de uma bolha conservadora das redes sociais.

Desprezado pela classe política, subestimado pelos analistas políticos e visto com desconfiança por parcela dos eleitores, ele foi ganhando popularidade nas redes sociais com memes, vídeos e frases feitas que cativaram primeiro um eleitorado conservador e depois a parcela insatisfeita com a política que desejava uma mudança radical.

Acusado de ser racista, homofóbico, misógino, apologista da tortura e outras posturas abomináveis, ele recebia a avaliação dos analistas de que ele seria desconstruído ao longo da campanha. Este operário da informação via o quadro em relação a ele um pouco diferente ao perceber que ele construía aos poucos uma base social de perfil conservador capaz de fazer frente ao lulopetismo. Esperava Bolsonaro competitivo para ir ao segundo turno, mas que não teria votos suficientes para vencer.

Errei também.

Bolsonaro superou todos os clichês sobre o perfil do brasileiro. O clichê do povo pacífico e tolerante (que a análise aprofundada da história nacional desmente) foi desmentida com a vitória de um candidato de discurso violento. O caminho ao centro pode ser importante para um candidato de esquerda vencer como fez Lula em 2002, mas não é necessário para o outro lado do espectro político. Ainda mais em um cenário em que o Brasil afunda com altos índices de violência e corrupção na política.

Foi nessa onda que Bolsonaro surfou sem precisar fazer a versão à direita da “Carta aos Brasileiros” como Lula fez para vencer há 16 anos. Não mudou o discurso polêmico. No máximo amenizou algumas palavras.

A essência foi mantida. Continuou falando em armas, inclusive ensinando crianças a fazer o seu gesto característico, e em pôr fim ao “vitimismo” de negros, nordestinos, mulheres e comunidade LGBT. Nenhum outro candidato a cargo majoritário teria coragem de abordar estes temas da forma como Bolsonaro fez.

Bolsonaro venceu sem precisar se comprometer com o eleitor em temas importantes como a economia. Suas expectativas residem na questão da segurança e combate à corrupção.

Avaliar a vitória de Bolsonaro sob o prisma do antipetismo, que tem um peso importante, é de grande pobreza analítica. Um resultado eleitoral não se explica por um único fator.

Os 57.797.466 votos recebidos ontem não são somente de eleitores fascistas ou apenas de antipetistas, mas de um grupo muito maior do eleitorado: o perfil antissistema.

O eleitor não queria tirar apenas o PT do poder, mas também espantar velhos políticos tradicionais. A limpeza política no primeiro turno foi de uma ponta a outra no espectro político. O povo brasileiro queria mudança e ela aconteceu.

A revolta com os escândalos de corrupção que vão da esquerda à direita fez o eleitor querer um candidato que representasse o oposto de tudo isso que está aí. Isso aconteceu em outros cargos eletivos em outros Estados. A lista de velhos caciques derrotados é longa e não se restringe a um único partido.

O presidente improvável derrubou todos os clichês da política nacional. Foi o mais votado com poucos segundos no guia eleitoral do rádio e TV. Fez campanha basicamente pela Internet e viajando muito pouco e sem palanques robustos nos Estados por estar em partido até então pequeno. Nunca foi tão barato o caminho rumo a cadeira mais confortável do Palácio do Planalto.

E a facada? A facada teve um fator que ajudou sim na eleição por tornar Bolsonaro mais humano para aquele eleitor que o via com desconfiança, mas dizer que ele venceu apenas por este fator, repito, é uma análise preguiçosa.

Bolsonaro é o presidente improvável que derrubou as velhas fórmulas dos marqueteiros para vencer uma eleição.

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Pesquisa Consult: Haddad e Bolsonaro estão tecnicamente empatados em Mossoró

Com 51,2% nos votos válidos Jair Bolsonaro (PSL) seria o candidato a presidente da República mais votado em Mossoró. É o que aponta o Instituto Consult em pesquisa encomendada pela 98 FM. Fernando Haddad (PT) ficaria em segundo com 48,8%.

Os dois estão tecnicamente empatados na margem de erro.

Nos votos totais o candidato do PSL tem 40,9% contra 38,3%. Brancos e nulos somam 18,3% e indecisos 2,5%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 22 de outubro em 57 municípios de 12 regiões com margem de erro de 2,3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram ouvidos 1.700 eleitores sendo 120 em Mossoró. O protocolo na Justiça eleitoral é o: RN 04167/2018 e BR-00123/2018.

Primeiro turno

Em Mossoró o presidenciável mais votado foi Bolsonaro com 44.402 (34,17 %) votos. Já Haddad ficou em terceiro lugar com 39.212 (30,17 %) votos.

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Pesquisa IBOPE traz folga de Haddad sobre Bolsonaro no RN

A pesquisa do Instituto IBOPE realizada no Rio Grande do Norte também averiguou os números da corrida presidencial no Estado.

Fernando Haddad (PT) lidera nos votos válidos com  61% dos votos válidos contra 39% de Jair Bolsonaro (PSL).

Nos votos totais Haddad tem 56%, Bolsonaro 35%, brancos e nulos 7% e não sabe/não respondeu 3%.

Ficha técnica

Margem de erro: 3 pontos percentuais para mais ou para menos

Entrevistados: 812 pessoas em 38 cidades

Quando a pesquisa foi feita: 24 a 26 de outubro

Registro TSE: BR-05542/2018

Registro no TRE/RN: RN‐04531/2018

Nível de confiança: 95%

Contratantes da pesquisa: Inter TV Costa Branca

Informações extraídas do http://www.ibopeinteligencia.com/noticias-e-pesquisas/a-poucos-dias-da-eleicao-fatima-bezerra-lidera-com-10-pontos-de-vantagem-nos-votos-validos-no-rn/

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TRE proíbe que campanha Carlos Eduardo distribua panfleto com informações falsas

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE) proibiu ontem, sob pena de multa de R$ 50 mil reais, a distribuição de um folheto produzido pelo PSL-RN que trazia uma série de mentiras sobre a Fátima Bezerra, candidata ao governo do Rio Grande do Norte pela Coligação Do Lado Certo, e Fernando Haddad, candidato a presidente pelo PT.

O partido de Jair Bolsonaro no estado mandou imprimir 500 mil panfletos recheado de fake news para apoiar Carlos Eduardo Alves.

Ontem correligionários do candidato da família Alves foram flagrados distribuindo o material em Parnamirim, em ato com a presença da esposa do candidato, Andrea Ramalho.

O candidato Carlos Eduardo Alves já cedeu três direitos de resposta para a candidata Fátima Bezerra.

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Presidente do PSL/RN confirma que Carlos Eduardo é o candidato de Bolsonaro

Carlos Eduardo aposta tudo na parceria com Bolsonaro (Foto: Assessoria)

O presidente estadual do PSL, Brigadeiro Carlos Eduardo da Costa defendeu o voto casado em Jair Bolsonaro para Presidente e o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT) para governador. “Quem vota em Bolsonaro, vota Carlos Eduardo”, pontuou o presidente do PSL.

O Brigadeiro participou da tradicional descida do Alto de São Manoel e defendeu a aliança no segundo turno “para mudar o Brasil e o Rio Grande do Norte afastando os males do PT da vida dos cidadãos e cidadãs”.

O Brigadeiro Carlos Eduardo declarou que conversou com Jair Bolsonaro e este assegurou apoio à parceria no Rio Grande do Norte na campanha e durante seu governo “com a vitória de Carlos Eduardo sobre o PT”.

Acompanhado pelo vice Kadu Ciarlini (PP), o candidato a governador pelo PDT disse que está convicto da vitória da dobradinha que vai resgatar “nosso país e nosso Estado”.

Com informações da Assessoria do PDT

Nota do Blog: curiosamente a Assessoria de Imprensa do PDT omitiu a presença da prefeita Rosalba Ciarlini (PP) no evento.

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Bolsonaro enterra principal discurso de Carlos Eduardo no segundo turno

O candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) declarou em entrevista à TV Cidade Verdade de Teresina que não vai discriminar governadores de partidos adversários. A declaração joga por terra o principal argumento do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) na disputa pelo Governo.

O candidato cita o governador reeleito do Piauí Wellington Dias (PT) como exemplo, mas expande o compromisso com os demais eleitos por partidos adversários. “Não podemos prejudicar o povo do Piauí (se referindo ao governador reeleito Wellington Dias, do PT), qualquer estado que seja, porque tem um governador que não se alinhe ideologicamente conosco. Vamos tratar todos os estados de forma republicana”, frisou.

A declaração contradiz o argumento de Alves de que é preciso alinhar o governador do Rio Grande do Norte com o Governo Federal. No horário eleitoral ele fala “em novos tempos que estão por vir”.

Na mesma entrevista, Bolsonaro também falou que é preciso acabar com o “coitadismo” de negros, nordestinos, mulheres e gays ao criticar políticas afirmativas que segundo ele aumentam o preconceito.

Veja a matéria completa publicada ontem pela Folha de S. Paulo AQUI.

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Bolsonaro lidera rejeição, mas chega a empate técnico com Haddad no RN

Nos votos válidos o candidato Fernando Haddad (PT) caiu de 56% para 52% nas intenções de votos entre os potiguares. É o que aponta a pesquisa Seta encomendada pelo Blog do BG. Na contramão disso, o candidato do PSL Jair Bolsonaro subiu de 44% para 48%.

A rejeição é liderada por Bolsonaro com 34% contra 30% de Haddad.

A pesquisa foi realizada entre 19 e 21 de outubro em todas as regiões do Estado e ouviu 1.300 eleitores. O índice de confiança é de 95% e a margem de erro, de 3%. O levantamento foi registrado sob o protocolo RN-0533/2018 e BR-04314/2018.

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Um cheque em branco para o capitão Bolsonaro

Por Luís Humberto Carrijo*

 

No Brasil, a eleição de um representante ultradireitista ganha contornos dramáticos, porque ainda não consolidamos direitos e garantias nem justiça social, como em países desenvolvidos

Mal sentimos o gosto doce da democracia e já corremos o risco de perdê-la. Mas ao contrário de 1964 – ano em que os tanques e as baionetas, sustentando um golpe militar, violentaram com ferocidade o Estado de Direito e a liberdade – em 2018, o autoritarismo pode retornar ao Brasil carregado nos braços do povo com a eleição à presidência da República do capitão reformado do Exército, Jair Bolsonaro.

A exemplo do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, do presidente da Turquia, Recep Erdogan, e do presidente americano Donald Trump, Bolsonaro é produto de uma corrente política reacionária que encontrou ambiente fértil para prosperar em sociedades fortemente conservadoras, fartas com a corrupção e desencantadas com establishment, como a brasileira.

Mas no Brasil, a eleição de um representante ultradireitista ganha contornos dramáticos, porque ainda não consolidamos direitos e garantias nem justiça social, como em países desenvolvidos. Somos uma jovem democracia, com leis penais e tributárias cheias de buracos e brechas que fomentam privilégios, a impunidade e a corrupção, um país com profunda desigualdade social, em que os mais pobres ainda não dispõem de proteção social e cujos órgãos de polícia, de fiscalização e controle são deficientes. Ao contrário dos países europeus, em que o welfare state é um valor inquestionável e inegociável mesmo por lideranças conservadoras, no Brasil, eleger Bolsonaro é sepultar o pouco que avançamos nos campos social, político e ambiental.

E tem mais: como Bolsonaro não firmou qualquer compromisso de campanha com a Nação, o eleitorado estará passando um cheque em branco para que governe do jeito que bem entender. Nada será surpresa. De nada poderá ser cobrado, porque os eleitores de Bolsonaro não conhecem suas propostas. Não conhecem sua plataforma de governo nem suas ideias para a segurança pública, para a educação, para a saúde, para o meio ambiente, para a política externa nem para a economia, porque simplesmente ele não as tem. Sua campanha está fincada em quatro retóricas: na religião, numa agenda moralista, em armar a população e em dar carta branca para a polícia passar o fogo em bandido. Não por acaso, recusa-se a enfrentar seu oponente, Fernando Haddad, do PT, em debate público. Quer mascarar seu conteúdo vazio, o seu despreparo.

Mas pelos arroubos e bravatas desferidos ao longo de sua vida de militar e como deputado federal, é de se esperar um governo revisionista, ressentido, revanchista, de retrocesso político-social, de violência do Estado, de intolerância, de corrupção e de impunidade. É fácil prever os danos de um eventual governo de Bolsonaro.

A começar por nossas reservas ambientais, que serão extintas. Bolsonaro, por coerência, seguirá o modelo adotado pelos governos militares, aos quais tece elogios, que em seus 21 anos promoveram inúmeros projetos de infraestrutura, ignorando estudos de impacto ambiental com a perda irreversível de ecossistemas inteiros. O capitão governará com a ala mais retrógrada do agronegócio no Congresso Nacional. Já flerta com a UDR (União Democrática Ruralista), a truculenta organização de fazendeiros que defende o desmate legal da Amazônia, a extinção de leis ambientais e do armamento de proprietários de terra.

Não se pode falar em desmatamento predatório como política de governo, sem pensar nos parques indígenas. Bolsonaro defende a exploração econômica em terras demarcadas e protegidas pela Constituição, o que colocaria em risco a preservação de centenas desses povos étnicos. Na mira do capitão, estão também os quilombolas – habitantes de comunidades negras rurais formadas por descendentes de africanos escravizados –, contra quem o candidato do PSL já manifestou seu ódio e desprezo gratuito ao acreditar que eles não servem nem para procriar.

Os jornalistas serão perseguidos violentamente pela milícia digital de Bolsonaro. Na campanha eleitoral deste ano, há mais de uma centena de registros de intimidações e assédios digitais nas redes sociais contra repórteres que assinaram matérias negativas sobre o capitão reformado. É uma amostra do que será o patrulhamento contra a liberdade de imprensa. Em seu governo, esses ataques recrudescerão sob a estrutura e a proteção do Estado.

As células raivosas de fake news de Bolsonaro se agruparão numa força indestrutível, infiltrando-se nos órgãos de governo, configurando-se num Estado paralelo. As notícias jornalísticas, os fatos e a verdade serão corrompidos e varridos da sociedade. O juízo de valor das pessoas será construído a partir de mentiras produzidas industrialmente por máquinas de propaganda fascista, como vem sendo feito na campanha do candidato do PSL.

A liberdade de expressão estará acuada pelo medo e a verdade será pervertida pelo aparato estatal, uma vez que os órgãos de imprensa também serão coagidos a se silenciar, sufocados por normas regulatórias ou desqualificados por tropas digitais e sites de notícia financiados pelo Estado. Assim como Donald Trump, que se comunica diretamente com seus eleitores pelo Twitter, Bolsonaro também irá ignorar o jornalismo profissional para falar com a sociedade por meio das redes sociais, principalmente o Whatsapp. No máximo, cooptará alguns veículos tradicionais – versões brasileiras da Fox News de Trump – para conferir certa credibilidade a suas ações.

As manifestações artísticas consideradas ofensivas, conforme a moral e os costumes, serão igualmente perseguidas. Exposições e apresentações sobre a diversidade ou que questionem crenças serão criminalizadas por grupos radicais, como o Movimento Brasil Livre, uma gangue reacionária de apoio a Bolsonaro com grande poder de mobilização.

Assim como aconteceu na ditadura militar, a corrupção chegará a níveis inimagináveis, porque a imprensa enfraquecida e desprestigiada, como canal de denúncia, não terá forças e tranquilidade para noticiar os roubos e os crimes dos capangas de Bolsonaro. Assim também, os órgãos judiciais e de controle, como Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e Receita Federal, não estarão livres do assédio do governo, que jogará a população contra instituições que ousarem agir com independência e de maneira republicana, além de adotar medidas administrativas e constitucionais para retirar recursos e prerrogativas funcionais.

A Polícia Federal perderá sua independência de investigação. Em vez de combater o narcotráfico e a corrupção, vai voltar às suas origens de polícia política do regime militar, para perseguir, investigar e chantagear adversários.

O funcionalismo perderá seus direitos, como a estabilidade no emprego, e terá seus salários aviltados. Assim como o servidor público, os trabalhadores da iniciativa privada perderão toda proteção legal. Os poucos direitos que lhes restaram da reforma trabalhista do presidente Michel Temer poderão ser extintos pelo Legislativo, de perfil altamente conservador. Parlamentares, eleitos com o dinheiro dos setores mais atrasados do empresariado brasileiro, farão parte de sua base de governo e não terão dificuldades em aprovar novas mudanças nas leis trabalhistas, de maneira que as empresas estejam livres para explorar a força de trabalho de maneira vil e desumana.

A educação e a saúde receberão tratamento raso. Na cabeça de Bolsonaro,  basta ter emprego para se ter saúde. Pensa também em acabar com o ministério da Educação, apesar de o Brasil estar entre os países com pior desempenho na área no mundo. O currículo escolar em seu governo vai priorizar a moral cívica e a religião, além de retirar disciplinas que ensinem os alunos a pensar de maneira crítica, como filosofia, história e sociologia.

Já o programa do capitão reformado para acabar com a violência no Brasil se restringe a dar aos operadores de segurança licença para matar em qualquer circunstância, logo no Brasil, onde a polícia é a que mais mata no mundo. Vai também revogar o Estatuto do Desarmamento para armar uma população violenta e deseducada, que mal sabe usar com civilidade uma lixeira. Para ele, o cidadão armado é a primeira linha de defesa de um país.

Viver e viajar para o Brasil será perigoso, porque a violência não virá somente da bandidagem, mas de seu vizinho e de gangues supremacistas, misóginas, racistas instigadas e inspiradas no discurso de ódio e de intolerância de Jair Bolsonaro, que naturaliza esse comportamento social doentio ao falar abertamente em exterminar fisicamente seus opositores. O assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê por um eleitor do capitão e a agressão de nazistas que riscaram a suástica na pele de uma mulher na região sul do país são pequenas demonstrações do que virá por aí, caso Bolsonaro seja eleito. O Brasil caminha rápido para ser um país distópico. Definitivamente, Deus não é brasileiro.

 

*é jornalista, escritor, comunicador, professor de comunicação e CEO da agência Rapport Comunica. É autor do livro O Carcereiro – O Japonês da Federal e os presos da Lava Jato

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