Equipe de afiliada da Globo é intimidada por caminhoneiros em Mossoró

Repórteres de afiliada da globo agredidos

A jornalista Sarah Cardoso e o repórter cinematográfico Almir Morais estavam se preparando para entrar em um link ao vivo no RNTV primeira edição quando foram abordados por integrantes do movimento grevista dos caminhoneiros.

O Blog do Barreto apurou que a equipe estava numa distância de mais ou menos 1 Km de onde se encontra bloqueio na BR 304. Antes de Sarah Cardoso entrar no link um homem chegou e começou a filmar e mandar para alguém como se estivesse informando que a equipe estava estava ali. Depois chegou outro homem numa Ranger preta e acompanhou lá do lado a entrada ao vivo da equipe. Depois chegaram mais dois em uma moto com os celulares apontados como uma arma.

Sarah chegou a pedir licença para trabalhar alegando ser trabalhadora igual ao homem e explicou que não tinha impedindo ele de protestar ou trabalhar, mas eles não deixaram mais ela entrar ao vivo. Quando a equipe estava se retirando chegaram dois homens na mesma ranger preta que já havia estacionado lá em um primeiro momento com outro indivíduo. Os dois agiram com ainda mais truculência. Ameaçaram quebrar os equipamentos se a equipe não fosse embora.

A equipe da Intertv Cabugi deixou o local sem concluir o trabalho.

No vídeo abaixo é possível ver como a situação foi conduzida pelos manifestantes que chegaram muito perto de agredir Almir Morais.

Nota do Blog: com certeza a maioria dos caminhoneiros que estão defendendo uma causa justa não compactuam com esse tipo de atitude, mas como jornalista não posso me silenciar diante de tamanha falta de respeito a liberdade de imprensa. Podemos não concordar com a linha editorial da Rede Globo, mas temos o dever de defender o direito de os jornalistas exercerem sua profissão. Lamentavelmente esse tipo de prática existe entre os caminhoneiros, mas também em outros protestos de esquerda e de direita. Precisamos de mais respeito a diversidade de pensamento.

Nota do Blog II: o Sindicato dos Jornalistas precisa urgentemente se posicionar sobre essa situação. Hoje foi Sarah Cardoso e Almir Morais. Ontem foram tantos outros colegas. Amanhã pode ser qualquer um outro colega. Minha solidariedade aos colegas.

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Carlos Eduardo xinga jornal no Twitter e expõe “respeito” da elite política do RN pela mídia

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O prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), cotado para disputar o Governo do Estado esse ano, perdeu as estribeiras nas redes sociais neste domingo ao detonar o Jornal Agora RN.

Prestes a deixar a Prefeitura de Natal e abrir espaço para Álvaro Dias (MDB) se tornar prefeito, o Agora RN lembrou as peripécias do substituto de Carlos Eduardo quando presidente da Assembleia Legislativa. Para quem não lembra, foi ele quem botou nos trilhos o “trem da alegria” que encheu o parlamento estadual de fantasminhas nenhum pouco camaradas com o erário (ver AQUI) e ele mesmo é um dos campeões em número de parentes efetivados sem concurso (ver AQUI).

O prefeito disparou: “Jornaleco, sem anunciante, sem assinatura, gratuito, com estrutura física e de destribuição de grande jornal….. quem financia, que dinheiro é este…. o povo quer saber. Ah… vai saber sim! Jornaleco, gratuito, sem anunciante….. nem O Globo e Folha de São Paulo sobreviveria. Orientação do jornaleco: não pode ser distribuído na av. Jaguarari. Ali, é corredor de promotoras e promotores para o MP”.

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Em resposta, o perfil do Agora RN chamou o prefeito de Natal de “mau caráter”. A postagem foi apagada, mas os prints circularam nas redes sociais.

Não é de hoje que o pretenso candidato ao Governo do Estado agride jornalistas e veículos de comunicação. O pavio curto de Carlos Eduardo Alves é apenas o fator que o diferencia de seus pares da política tradicional. A regra entre essa turma é atribuir a “encomendas” qualquer crítica ou denúncia que venham a sofrer. Nunca nada é motivado pelo faro jornalístico e espírito crítico do profissional.  Sempre é à mando de alguém como se todos fossem iguais aos que o servem.

Se bem que tem muito veículo de comunicação e jornalista que faz por merecer certas alcunhas, mas essa não é o padrão da maioria dos jornalistas. Mas quando se está acuado jogar todos em uma vala comum é saída.

Nota do Blog: trata-se de mais um episódio lamentável, herança de nosso passado autoritário e de uma elite política incapaz de lidar com o contraditório. Essa turma adora “pedir cabeça” de jornalistas quando é contrariada.

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O pai dos golpes brasileiros

 

Pedro II era satirizado pelos jornais em nossa primeira experiência com imprensa livre
Pedro II era satirizado pelos jornais em nossa primeira experiência com imprensa livre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje se comemora mais um aniversário da proclamação da república. Proclamação é um pomposo substantivo feminino que significa “declarar solenemente algo”, mas em relação a data de hoje seu uso serve para esconder o que de fato aconteceu em 15 de novembro de 1889: um golpe militar de muitos que aconteceriam nas 12, quase 13, décadas seguintes.

No Brasil as decisões sempre foram tomadas de cima para baixo sem participação popular como vemos, por exemplo, na tentativa de independência da Catalunha. O povo assistiu bestializado como bem atestou o republicano Aristides Lobo que viria a ser ministro do Governo Provisório (1889/91) de Deodoro da Fonseca, um monarquista convicto que foi forçado na última hora a derrubar o imperador D. Pedro II e se tornar primeiro presidente do Brasil.

Venderam para nós mais uma história distorcida. Com nosso último imperador vivemos nossa primeira experiência de liberdade de imprensa. Os jornais tinham tanta independência que o monarca era apelidado de “Pedro Banana”.

A monarquia brasileira que foi implantada pelo herdeiro da coroa portuguesa, se sustentava graças a um acordo com os escravocratas, mas o imperador gozava de popularidade. No livro 1889 de Laurentino Gomes mostra que o Partido Republicano teve um desempenho pífio na última eleição parlamentar do império. E olhe que eram pleitos em que apenas a elite participava.

Dom Pedro II caiu por diversos fatores, não apenas pela abolição da escravidão, mas também porque a elite econômica e os militares entenderam que a monarquia não servia mais.

O povo ficou de fora nesse e em outros golpes.

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