Bolsonaro ridiculariza Flávio Rocha em Natal

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Agora RN

O deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, ironizou, em entrevista concedida a imprensa potiguar na noite desta quinta-feira, 17, a pré-candidatura do norte-rio-grandense Flávio Rocha (PRB) ao Governo Federal. “Flávio Rocha? Quem é esse?”, questionou Bolsonaro, devolvendo a pergunta feita por um dos jornalistas presentes a Federação da Indústria do RN (Fiern), onde foi realizada a coletiva.

A declaração foi dada após Bolsonaro comentar rapidamente a situação dos principais concorrentes na disputa pela Presidência. Até do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, Bolsonaro dedicou uma frase maior, para explicar que preferia não falar sobre ele, uma vez que, preso, não será candidato. Sobre Geraldo Alckimin, do PSDB, a quem mais cedo, já em Natal, chamou de “chuchu”, Bolsonaro insinuou que o tucano estava tentando copiar o discurso dele sobre armamento.

Curiosamente, enquanto Lula e Geraldo Alckimin sempre foram adversários, Flávio Rocha teve, por um momento, certa proximidade da pré-candidatura do PSL. O site “O Antagonista”, inclusive, publicou em fevereiro deste ano a seguinte declaração de Bolsonaro: “Gosto muito do Flávio Rocha. Ele é liberal na economia, é a minha posição também, mas não tocamos no assunto da candidatura. Se ele tem interesse eu desconheço”, disse o presidenciável, que acrescentou ter conversado com o empresário há um mês. “A gente vai começar a trazer pessoas e, se o Flávio Rocha quiser se agregar à equipe, será muito bem-vindo”, afirmou Bolsonaro.

Em março, porém, Flávio Rocha, CEO do Grupo Riachuelo, descartou a possibilidade de ser vice, se filiou ao PRB e lançou, também, a sua pré-candidatura à Presidência da República, descartando qualquer chance de ser vice de Bolsonaro.

Foto: José Aldenir / Agora Imagens

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Indústria da raiva ainda vai produzir um cadáver

Por Josias de Souza

Há um cheiro de enxofre no ar. É a emanação da morte. O odor cresce na proporção direta da diminuição da sensatez. Até outro dia, o ódio vadiava pelas redes sociais. Agora, circula pelas ruas à procura de encrenca. A raiva tornou-se um banal instrumento político. Há no seu caminho um defunto. Ele flutua sobre a conjuntura como um fantasma prestes a existir. A morte do primeiro morto ainda pode ser evitada. Mas é preciso que alguém ajude a sorte.

Concebida como alternativa civilizatória às guerras, a política subverteu-se no Brasil. Em vez de oferecer esperança, dedica-se a industrializar a raiva. Produz choques e enfrentamentos —uma brigalhada entre partidos enlameados, políticos desmoralizados, grupos e grupelhos ensandecidos. É nesse contexto que a notícia sobre a primeira morte bate à porta das redações como um fato que deseja ardorosamente acontecer.

O primeiro morto vagueia como uma suposição irrefreável. Por ora, ele vai escapando por pouco. Livrou-se da fatalidade quando sindicalistas enfurecidos reagirem mal às suas palavras, empurrando-o da calçada defronte do Instituto Lula em direção à rua, até cair e bater a cabeça no parachoque de um caminhão. Desviou dos tiros disparados contra os ônibus da caravana de Lula nos fundões do Paraná. Foi parar no hospital após ser baleado por atiradores filmados nas imediações do acampamento petista de Curitiba (assista no vídeo lá do alto).

Construir uma democracia supõe saber distinguir diferenças. Mas os políticos não ajudam. Estão cada vez mais a cara esculpida e escarrada uns dos outros. Todos os gatunos ficaram ainda mais pardos depois que a Lava Jato transformou a política em mais um ramo do crime organizado. Exacerbaram-se os extremos. Assanhou-se sobretudo a extrema insensatez.

Depois de sentar-se à mesa com Renans, Valdemares, Sarneys e outros azares, o PT tenta virar a mesa para fugir da cadeia pela esquerda. Por enquanto, conseguiu apenas transformar Gilmar Mendes em herói da resistência. De resto, o petismo virou cabo eleitoral da direita paleolítica personificada em Bolsonaro.

Esquerdistas, direitistas e seus devotos ainda não notaram. Mas para a maioria dos brasileiros o problema não é de esquerda ou de direita. O problema é que, em qualquer governo, tem sempre meia dúzia roubando em cima os recursos que fazem falta para milhões condenados a sofrer por baixo com serviços públicos de quinta categoria.

Bons tempos aqueles em que o Faroeste era apenas no cinema. A longo prazo, estaremos todos mortos. Mas o ideal é esquecer que a morte existe. E torcer para que ela também esqueça da nossa existência. Essa mania de provocar a morte, de desejar a morte, de planejar a morte em reuniões de executivas partidárias… Isso é coisa que só existe em países doentes como o Brasil.

A indústria da raiva se equipa para produzir um cadáver. Ainda dá tempo de salvar o primeiro morto. Mas as lideranças políticas brasileiras precisariam abandonar sua vocação para o velório. Dissemina-se como nunca a tese de que os políticos são farinha do mesmo pacote. Porém…

A igualdade absoluta, como se sabe, é uma impossibilidade genética. Deve existir na política alguém capaz de esboçar uma reação. Mas são sobreviventes tão pouco militantes que a plateia tem vontade de enviar-lhes coroas de flores e atirar-lhes na cara a última pá de cal.

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O “isentão”

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Por Bruno Barreto

O “isentão” é um espécime curioso na fauna políticas das redes sociais. É acima aquele chato que se coloca acima dos demais e está sempre com o dedo apontado para os outros com a intenção de desacreditá-los e encher o peito que venceu o debate.

O “insentão” é o chamado moralista de goela. Todos os outros são corruptos, menos ele. É a figura que se coloca sem qualquer contradição. Ele é liberal na economia, mas é um concurseiro de plantão. É o cara que manda o esquerdista abrir um negócio para ver como é difícil ser empresário, mas ele mesmo não bota não tem nenhuma bodega. Pode reparar, o “isentão” sempre foca seus ataques aos esquerdistas.

O “isentão” se diz honesto e “cidadão de bem”. Mas estaciona o carro na vaga de deficientes e idosos, faz fila dupla na frente da escola, dá “bola” ao guarda de trânsito para se livrar da multa ou é próprio guarda corrupto.

O “isentão” não diz não ter ideologias e sempre tenta encerrar as discussões com o argumento de que “esse negócio de esquerda e direita não existe”. O problema é que o “isentão” diz não ter posição, mas se posiciona. Geralmente ele é de direita, mas não admite. Ele procura desesperadamente um muro para subir. Geralmente encontra isso dizendo que vota em Marina Silva para presidente.

O “isentão” diz querer todos os corruptos presos, mas na TL dele só existem memes tratando da corrupção petista. Ele só compartilha notícias negativas contra a esquerda nos grupos de Whatsapp. Quando é pressionado pelo interlocutor, ele geralmente ataca a esquerda para justificar sua própria incoerência.

“Por que a esquerda não vai para as ruas pedir a prisão do Aécio?”. É a muleta padrão para justificar-se.

O “isentão” brada “fora todos”, mas a prisão de Lula ele já está de bom tamanho para ele.

O “isentão” defende votar no “novo” e não reeleger os que estão aí, numa ingênua e estreita visão de como funciona a política. Ele não consegue entender que não adianta mudar os nomes sem mudar o sistema e fazer o controle social sobre a atuação política. É um acomodado político que aparece de quatro em quatro anos nas urnas para votar nos mesmos de sempre mesmo pregando o extermínio deles da política.

O “isentão” prometeu dar sequência a limpeza política pedindo pela saída de Temer, mas teve duas grandes chances e ficou calado. Ele culpa o PT por ter escolhido Temer como vice nas eleições de 2014 para tentar justificar a sua incoerência.

Veja: para o “isentão” a culpa é sempre do PT!

O “isentão” possui um sentimento de superioridade moral em relação a quem assume posições claras seja pela esquerda ou direita.

O “isentão” diz odiar política e que todos os políticos são ladrões. Ele generaliza o debate e adora classificar como fanáticos quem discorda dele.

Autoproclamar-se “neutro” é o maior orgulho do “isentão”.

O “isentão” é um chato acima de tudo, mas também é um hipócrita. Ele pode ser eu ou você!

O “isentão” vai reclamar desse texto!

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Chave de 2018 está na cadeia, indica Datafolha

Por Josias de Souza

A nova pesquisa do Datafolha sinaliza que a definição do primeiro turno da sucessão de 2018 passará pela cadeia. Os dados indicam que, se abandonar suas crendices e começar a falar sério, o PT ainda pode influir no jogo. Quase metade do eleitorado (46%) revela alguma propensão para votar num nome indicado por Lula —30% afirmam que farão isso com certeza. Outros 16% declaram que talvez sigam o caminho apontado pelo pajé petista.

Para ter o que comemorar em meio à desgraça, o PT precisaria virar o seu discurso do avesso. De saída, teria de aposentar a mistificação segundo a qual a Justiça brasileira é feita de tribunais de exceção, pois a maioria dos eleitores (54%) acha que o encarceramento de Lula foi justo. De resto, o petismo teria de desembarcar o quanto antes do trem-fantasma em que se converteu a candidatura Lula, pois 62% do eleitorado já se deu conta de que a fantasia descarrilou.

Enquanto o petismo nega a realidade, o eleitorado de Lula começa a migrar por conta própria. Num cenário em que aparece como Plano B do PT, Fernando Haddad herda apenas 3% das intenções de voto atribuídas a Lula. É coisa mixuruca se comparada com as fatias herdadas por Marina Silva (20%) e Ciro Gomes (15%). Até Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Joaquim Barbosa beliscam mais votos do legado de Lula (5% cada um) do que o petista Haddad.

Outro dado notável é que um pedaço expressivo do eleitorado do preso mais ilustre da Lava Jato (32%) decidiu fazer um pit-stop. Sem rumo, esse um terço informa que, se tivesse de comparecer às urnas hoje, anularia o voto ou votaria em branco. É gente que parece aguardar por uma sinalização qualquer de Lula.

O Datafolha apresenta o universo total do eleitorado como um bololô dividido em três grandes fatias. A fatia anti-Lula (31% dos brasileiros com direito a voto) continua detestando o PT e ruminando sua aversão a Lula. Nesse nicho, 32% votam na direita paleolítica representada por Jair Bolsonaro.

O pedaço do eleitorado pró-Lula, 100% feito de devotos, não se aborreceria se a divindidade presa em Curitiba pedisse votos para um poste. Como Lula ainda não pediu, pedaços da procissão começam a seguir outros andores, especialmente os de Marina e Ciro. Mas a maioria continua fazendo suas preces diante de um altar vazio.

De resto, existe a fatia da geleia geral (37% do eleitorado), que balança na direção de várias candidaturas. Destacam-se nesse grupo, por ora, os partidários de Bolsonaro e Marina. Mas ambos têm menos votos do que o bloco dos brancos e nulos. Ninguém se anima a votar numa hipotética candidatura de Lula no primeiro turno. Mas muitos não descartariam a hipótese de votar nele num eventual segundo round.

Para efeito de sondagem, o Datafolha incluiu o ficha-suja Lula em alguns cenários pesquisados. No principal, o candidato inelegível do PT amealhou 31% dos votos, seis pontos percentuais a menos do ele colecionava em janeiro. Sem Lula, Marina (entre 15% e 16%) encostou em Bolsonaro (17%). A dupla está tecnicamente empatada. Segue-se um amontado de concorrentes.

Desde 1994, quando Copa e eleições passaram a ocorrer no mesmo ano, os candidatos sabem que, enquanto não for decidido o torneio de futebol, a campanha política é um pesadelo que atrapalha o sonho de erguer a taça. Mas a prisão de Lula obriga o PT a adiantar o relógio.

Numa disputa com muitos candidatos, em que um cesto com menos de 20% dos votos pode levar para o segundo turno um pretendente ao trono, parece claro como água de bica que a herança eleitoral de Lula pode influir nos rumos da disputa. Resta saber se o petismo deseja jogar o jogo ou se vai continuar tentando cavar faltas.

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“Nós vamos enfrentar este desafio com humildade”, diz Fátima ao admitir candidatura ao governo

Fátima admite candidatura ao Governo (Foto: Tribuna do Norte)
Fátima admite candidatura ao Governo (Foto: Tribuna do Norte)

Dando sequência à série de entrevistas com os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte hoje trazemos uma conversa com a senadora Fátima Bezerra (PT). Líder nas pesquisas ela pela primeira vez admite de forma clara que aceita a candidatura. Não era para menos: ela foi lançada pelo ex-presidente Lula, seu líder político. Fátima também responde aos questionamentos a respeito das acusações de que ela deixa o Estado em segundo plano se preocupando mais com temas nacionais.

Blog do Barreto: O ex-presidente Lula lançou seu nome para o Governo do Estado. A senhora vai mesmo colocar o nome na disputa?

Fátima Bezerra: O PT decidiu que terá candidatura própria e me convoca para esta luta. Nós vamos enfrentar este desafio com humildade, gratos e motivados pela confiança do povo do Rio Grande do Norte, mas também com muita responsabilidade. O Brasil e o nosso estado atravessam momentos difíceis e é preciso muito espírito público e seriedade neste processo porque vamos lidar com a vida das pessoas, com as angústias, a esperança de que as coisas melhorem. Num momento de descrença com a política é motivador receber o carinho das pessoas, as palavras de incentivo, a preferência dos potiguares em cada pesquisa divulgada. Recebemos tudo isso acima de tudo com os pés no chão. Sabemos do tamanho do desafio que temos pela frente. As palavras do presidente Lula endereçadas a nós, naquele momento de uma injustiça profunda, nos incentiva ainda mais e nos encoraja a defender o legado que ele plantou: de justiça social, de um país mais igual, para todos e para todas.

Blog do Barreto: Como a senhora analisa tudo isso que vem acontecendo com o ex-presidente?

Fátima Bezerra: Um absurdo. Uma injustiça sem tamanho, sem precedentes. Como é que se prende um ex-presidente, o melhor da história do país, sem provas, puramente por convicção? Não se trata aqui de defender por defender ou de achar que o presidente Lula está acima da lei. É exatamente o contrário: a lei deve ser igual para todos. A Justiça, tão criticada pela morosidade, resolveu ser célere para condenar, prender – sem considerar a presunção de inocência até o trânsito em julgado em última instância, conforme prevê a Constituição – após negar vários recursos da defesa. A campanha de solidariedade ao presidente Lula se intensifica tanto pelo Brasil como pelo mundo afora e esperamos que essa mobilização social crescente chegue ao STF e que essa injustiça seja reparada. Lula é um preso político. 33 anos após o fim da ditadura vivemos esta triste realidade. Lula está preso porque os que golpearam de morte nossa democracia querem impedi-lo de disputar e vencer as eleições. Não podemos aceitar esse absurdo. Nossa luta não cessará enquanto a Justiça não for feita e ele libertado.

Fátima Bezerra e Lula

Blog do Barreto: Alguns analistas políticos entendem que a senhora tem uma candidatura ao Governo muito dependente de uma “dobradinha” com o ex-presidente Lula, mas ele hoje está preso e praticamente fora da disputa presidencial. Como a senhora atuaria numa campanha sem Lula?

Fátima Bezerra: Primeiro que Lula é o nosso candidato e, segundo, que em qualquer circunstância nós teremos candidatura própria ao Governo do Estado do RN. Depois, como eu já mencionei, este homem tão admirado pelo que fez ao Brasil, é vítima de uma espécie de impeachment preventivo. O grande acordo nacional não está simplesmente encarcerando Lula, mas está indo de encontro à vontade popular. Essa é a razão central de tudo isso. Em contrapartida, o sentimento de indignação da maioria do povo brasileiro contra essa arbitrariedade tem sido muito forte e isso vai refletir nas urnas, em solidariedade e em apoio eleitoral aos candidatos do PT e dos aliados que defendem o imenso legado dos governos do presidente Lula. Em qualquer cenário, o presidente Lula estará no centro do processo eleitoral deste ano, na medida em que é impossível a construção de uma alternativa à crise brasileira sem ter o seu legado como referência.

Blog do Barreto: A senhora tem sido criticada por se preocupar demais com temas nacionais e esquecer as questões locais. Como a senhora avalia esse tipo de opinião?

Fátima Bezerra: Outro dia um grupo de jovens me parou em um evento e alguns deles me falaram: “senadora, a senhora nos representa porque a senhora é por nós”. Eu poderia responder sua pergunta com essa frase cheia de ternura daqueles meninos e meninas. Mas é evidente que, como sempre, continuo minha luta incansável em defesa da educação, de uma saúde de qualidade, de uma segurança pública eficiente, de água para nossa população que sofre com a seca, de tantas e tantas outras causas. A Comissão de Desenvolvimento Regional, que presido, tem sido palco de iniciativas fundamentais e de impacto para o meu estado. Dou aqui como exemplo a crise hídrica. Fizemos a caravana das águas, audiências públicas, por três vezes recebemos o ministro da Integração, a quem cobramos a retomada e celeridade da conclusão das obras da Transposição do Rio São Francisco. Continuamos vigilantes. Mas acrescentaria aqui também a agenda municipalista na defesa da implementação do auxílio financeiro aos municípios; a agenda da educação, com destaque para o Fundeb e a cobrança de recursos destinados aos institutos e universidades federais; a manutenção dos bancos postais; a luta em defesa da Chesf, contra a privatização da Eletrobrás; a defesa dos investimentos da Petrobras e a Refinaria Clara Camarão no RN; a cobrança de investimento e conclusão de obras na infraestrutura rodoviária, como a conclusão do viaduto Maria Lacerda, Reta Tabajara, entre outros. Nós também estivemos na linha de frente contra a política regressiva e cruel de Michel Temer, sempre coerente com a minha trajetória em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo brasileiro. Estranho seria se eu fosse conivente com o pacote de maldades do governo ilegítimo, que penaliza o trabalhador com uma Reforma Trabalhista perversa, que tenta impor uma Reforma da Previdência excludente que pune a população, de uma PEC que congelou por 20 anos os investimentos em políticas públicas e sucateia o país. Esses temas nacionais não dizem respeito ao nosso RN? Neste aspecto, quem tem que se explicar ao povo do RN é quem tem respaldado essa agenda brutal de retirada de direitos.

Blog do Barreto: Uma das críticas ao seu nome é que seu desempenho parlamentar caiu no Senado em comparação aos tempos como deputada. A senhora concorda?

Fátima Bezerra: Quem acompanha com seriedade o meu mandato sabe que isso não é verdade. Eu discuto, critico o descaso do governo ilegítimo com o RN, defendo o meu estado com todo o meu empenho, com o mesmo vigor. A grande diferença deste mandato para os anteriores é que o governo de Michel Temer não é republicano, discrimina o Nordeste e não atende as reivindicações de sua própria base de apoio, avalie de quem é oposição. Nós vínhamos de governos republicanos que visavam a melhoria da população, mas agora a realidade é outra. Quem mudou não fui eu, o que está acontecendo é resquício do golpe, que infelizmente ainda segue seu curso. O povo não é mais prioridade. Nosso mandato tem recebido o reconhecimento pelo papel que desempenha no parlamento: pela terceira vez consecutiva aparecemos entre os mais influentes do Congresso nos levantamentos anuais realizados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Ano passado, aparecemos entre os 10 melhores senadores em votação realizada pelo site Congresso em Foco. No mais, cumpro minha obrigação e continuo fazendo política de cabeça erguida, com honradez, seriedade e espírito público.

Blog do Barreto: Qual o principal problema do Rio Grande do Norte na sua opinião?

Fátima Bezerra: Para além da recessão econômica que trouxe impactos para estados e municípios, como queda de receita e corte de investimentos, cabe aqui uma pergunta: o que levou o RN a ter um destino tão diferente de estados de porte semelhante, como a Paraíba, e de outros estados como o Maranhão, a Bahia, o Piauí e o Ceará, onde não há atraso no pagamento dos servidores e se consegue investir? O que levou o nosso estado a essa situação de caos? O PT está debruçado junto a técnicos e especialistas de diversas áreas que realizam um levantamento minucioso da situação do Estado. Precisamos saber, por exemplo, os gargalos da arrecadação, o diagnóstico da folha de pessoal, capacidade de investimento, políticas públicas em andamento, em especial nas áreas de Segurança, Saúde, Educação, etc.

De posse dessas informações, vamos dialogar com os nossos aliados e os diversos segmentos da sociedade e, aí sim, formataremos uma proposta de Governo ao povo do Rio Grande do Norte.

Blog do Barreto: O antipetismo já esteve mais em voga, mas ainda faz muito barulho nas redes sociais. Como a senhora vai lidar com a rejeição dessas pessoas?

Fátima Bezerra: A narrativa de que foi golpe o que fizeram com Dilma se sobrepôs desde que as máscaras dos personagens centrais daquele lamentável momento para o país começaram a cair uma a uma. Os dois chefões do golpe não nos deixam mentir: Eduardo Cunha, que dispensa comentários, e o presidente ilegítimo, que hoje vive mergulhado em acusações seríssimas de corrupção, agarrado a um mandato para desespero da grande maioria do povo brasileiro. Aliás, Temer e seus amigos, com direito a apreensão de dinheiro em mala, milhões escondidos em um apartamento na Bahia, entre tantas outras coisas. O que estava realmente acontecendo no Brasil foi ficando cada dia mais claro para as pessoas. E naturalmente vimos crescer a descrença das pessoas pela política. Graças a Deus, por onde passo, tenho recebido o carinho e o incentivo das pessoas do meu estado. Uma relação de respeito e isso é muito gratificante, ainda mais nos tempos em que estamos vivendo. As manifestações de intolerância nós vamos tratar como sempre fizemos: com esclarecimento e debate político.

Blog do Barreto: Como a senhora analisa os constantes ataques a UERN?

Um grande equívoco, um desserviço à sociedade e ao estado. A Uern cumpre um papel importante e estratégico do ponto de vista econômico e social. É como eu sempre falo: A educação deve ser tratada como investimento e não como gasto.

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Maioria dos leitores do Blog consideram prisão de Lula injusta

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Na enquete da semana 66.73% dos leitores do Blog do Barreto que votaram na enquete do grupo do Facebook consideraram injusta a prisão do ex-presidente Lula.

Outros 33,27% entenderam como justa a prisão determinada pelo juiz Sérgio Moro para o ex-presidente Lula.

O petista teve a condenação confirmada em segunda instância para mais de 12 anos de cadeia. Ele cumpre pena há uma semana.

A sentença é alvo de polêmica dividindo apoiadores e críticos.

As enquetes do Blog do Barreto são lançadas sempre às terças-feiras. Para participar basta entrar no grupo do Facebook e participar.

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