Eleição de 2020 dá continuidade à desoligarquização do RN

Agripino e Rosalba encerram uma aliança de três décadas
Oligarcas perdem força no RN (Foto: Web/autor não identificado)

A eleição de 2018 foi emblemática pelo colapso oligárquico. O agripinismo, os Alves e os Rosados saíram absurdamente enfraquecidos.

Hoje a tríade oligárquica não tem as principais vagas políticas. Não tem o Governo do Estado, não empresta seus sobrenomes pomposos ao vice-governador e os três senadores não integram o seu sistema.

Nas eleições de 2020 os Rosados perderam a Prefeitura de Mossoró, sofrendo a primeira derrota em 52 anos. Mas não para por aí.

Em Pau dos Ferros a hegemonia da família de Getúlio Rego foi interrompida com Marianna Almeida (PSD) batendo Leonardo Rego (DEM), algo inimaginável meses antes da eleição.

Em Assú, a tradicional família Soares só manteve o poder municipal por míseros cinco votos.

Na capital, Álvaro Dias (PSDB) venceu no primeiro turno mantendo a capital como o principal bastião oligárquico do Rio Grande do Norte. Mas para isso ele precisou esconder políticos da estirpe de Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM), principais líderes políticos do Estado na virada do Século.

A estrutura de poder de Rosados, Maias e Alves é fortemente arraigada no Rio Grande do Norte, mas aos poucos vai se desmantelar.

O ano de 2022 dirá se o processo continuará ou se teremos uma interrupção.

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Eleição 2018 pode concluir “desoligarquização” do RN

Wilma iniciou o processo de “desoligarquização” de dentro para fora

O processo de “desoligarquização” do Rio Grande do Norte começou em 2002 com a vitória de Wilma de Faria (PSB) para o Governo do Estado. Não que ela não tivesse uma origem oligárquica, mas ela iniciou de dentro para fora a derrocada da dominação familiar na política potiguar.

Wilma foi reeleita em 2006, mas não conseguiu reeleger Fernando Bezerra (PTB) senador. Alves, Maias e Rosados estavam com as três vagas no Senado. Mesmo assim a política do Rio Grande do Norte nunca mais seria a mesma. As oligarquias que antes se enfrentava precisavam se manter unidas para sobreviver.

Em 2010 foi a eleição que deu fôlego aos oligarcas potiguares com o “voto casado” elegendo Rosalba Ciarlini (DEM) governadora e reelegendo os senadores Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM).

Mas em 2014 viria o recado do eleitorado com as vitórias de Fátima Bezerra (PT) para o Senado e Robinson Faria (PSD) para o Governo numa aliança pequena, mas que se mostrou capaz de fazer frente ao poderio oligárquico que mesmo unido acabou derrotado.

Em 2018, até aqui, o cenário é preocupante para o trio de sobrenomes que sempre dominou a política do Rio Grande do Norte. Para o Governo do Estado Fátima lidera com alguma gordura a ponto de ter chances de vitória no primeiro turno. Para o Senado o capitão da PM Styvenson Valentim (REDE) lidera. Garibaldi Alves Filho resiste, mas está em empate técnico com Zenaide Maia (PHS), que a despeito do sobrenome não é uma integrante da oligarquia Maia de Agripino.

Há um risco de pela primeira vez desde a redemocratização nenhuma oligarquia ocupar as três vagas no Senado nem o comando do Governo do Estado. Seria a conclusão do processo iniciado há 16 anos com Wilma de Faria de dentro para fora das oligarquias, mas agora no sentido inverso, de fora para dentro.

Mas por enquanto não tem nada definido, repito.

Oligarquia é o regime político em que o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas, pertencentes ao mesmo partido, classe ou família.

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