Sandra no rumo para a atuação política limitada aos bastidores

Sandra está sendo empurrada para os bastidores (Foto: Jornal O Mossoroense)

Há dois anos Sandra Rosado (PSDB) seria candidata natural a deputada federal. Teve que recuar por força das circunstâncias. Em 2020 sua reeleição para vereadora estava comprometida e foi obrigada a retirar a postulação para abrir espaço para a filha Larissa Rosado (PSDB).

A popularidade de Sandra Rosado sempre esteve aquém da qualidade de sua atividade parlamentar. Ela acabou prejudicada pela desconstrução eficiente da máquina de destruir reputações de rosalbismo, mas algumas atitudes suas e a personalidade também contribuíram para isso.

O destino político sempre reservou a Sandra a atuação nos bastidores onde seu talento político sempre se sobrepôs. Ela poderia ser na ala da família Rosado que comanda o equivalente ao que Carlos Augusto é no rosalbismo.

Mas diferente do primo que aceitou o destino político de se limitar aos bastidores em meados dos anos 1990, Sandra sempre relutou em deixar os holofotes.

Agora o destino impõe esta condição de atuação limitada aos bastidores num momento em que seu grupo político perdeu autonomia dentro do cenário político mossoroense (tema para um outro artigo). Talvez um recomeço do sandrismo passe pela conversão do agrupamento em larissismo e ela saindo dos holofotes.

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Para Sandra, só Rosados podem representar Mossoró

Entrevistada pelo jornalista Saulo Vale no programa Enfoque Político da Super TV a vereadora Sandra Rosado (PSDB) se referiu aos deputados estaduais Isolda Dantas (PT) e Allyson Bezerra (SD) como os “deputados que dizem representar Mossoró”.

Sandra é política de longa data e sabe que a questão da representação não necessariamente passa pela naturalidade da figura pública. Mas no seu peculiar recorte analítico a questão aí nada tem a ver com local de nascimento, mas de sobrenome.

É o mito de que só os Rosados são capazes de representar Mossoró na política. São os seres iluminados que trazem o progresso à terra abençoada por santa Luzia.

Sandra ainda não entendeu que os tempos mudaram e que nas eleições de 2018 as oligarquias sofreram um duro golpe nas urnas. Outro ponto que ela não compreendeu é que ela não é mais líder, mas liderada de Carlos Augusto Rosado e isso abriu espaço para que novas lideranças surgissem na cidade.

Num ponto ela tem razão: Larissa Rosado (PSDB) foi a estadual mais votada em 2018. Faltou ela lembrar que em 2014 a “Guerrerinha” teve 24 mil votos sem apoio de Governo e Prefeitura de Mossoró e quatro anos depois, com apoio de Rosalba Ciarlini (PP), com caneta na mão e tudo, a votação reduziu 7 mil votos.

A adesão ao rosalbismo diminuiu o capital político do sandrismo. A objetividade dos números é insofismável.

Sandra duela com os fatos e a ausência de um legítimo Rosado na Assembleia Legislativa ainda lhe rende uma dor de cotovelo politica.

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Confronto do Antipetismo x antioligarquia transforma segundo turno no RN em campanha de exclusão

Fátima e Carlos Eduardo representam projetos desgastados

Dois candidatos que representam as espécies políticas mais desgastadas da política atualmente: o petista e o oligarca estão na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte neste segundo turno. Será uma campanha de exclusão.

Fátima Bezerra (PT) flertou com a vitória no primeiro turno, mas terminou tendo 46,17% dos votos válidos e terá que enfrentar Carlos Eduardo Alves (PDT) no próximo dia 28.

Fátima montou um palanque pequeno com PHS e PC do B, colocando em risco seu êxito eleitoral para garantir espaços importantes na disputa proporcional. De uma forma ou de outra deu certo. A chapa dela elegeu Zenaide Maia (PHS) para o Senado e conquistou três vagas (sendo duas do PT) para a Assembleia e duas para a Câmara Federal.

Mas contra Fátima pesa a filiação partidária. O PT se lambuzou na lama da corrupção nos últimos anos despertando a ira popular. No entanto, é um partido em processo de recuperação política impulsionado pelos eleitores nordestinos, mas sempre sob desconfiança pelo passado recente muito embora Fátima Bezerra tenha passado ilesa no mensalão e petrolão.

Na outra ponta Carlos Eduardo, um legítimo representante da política tradicional. Membro da oligarquia Alves ele carrega consigo o peso de uma chapa distópica que reuniu as famílias Alves, Maia e Rosado desgastadas demais junto aos eleitores do Rio Grande do Norte.

Apesar dos 32,45 % de votos válidos, ele chega ao segundo turno cercado de aliados derrotados como José Agripino Maia (DEM), Garibaldi Alves Filho (MDB), Beto Rosado (PP) e Larissa Rosado (PSDB). Só um deputado federal foi eleito e a bancada da Assembleia Legislativa ficou aquém do esperado.

Carlos não é propriamente um político imune a escândalos nem sua família. Ele carrega um peso escondido representado na figura do ex-ministro Henrique Alves, seu primo.

A eleição do dia 28 será um plebiscito para saber quem é mais rejeitado no Rio Grande do Norte o petismo ou as oligarquias.

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O colapso oligárquico no RN

As eleições 2018 foram históricas no Rio Grande do Norte e uma continuidade do recado das urnas dado em 2014: o eleitor potiguar escolheu trocar a pele da política tradicional pela renovação de fato.

Pela primeira vez desde a redemocratização, nenhuma das três cadeiras do Estado no Senado terá representantes da família Alves, agripinismo ou Rosados. Na década passada, os três grupos familiares ocupavam os três espaços e há quatro anos dois Alves estavam lá na Alta Câmara junto com José Agripino Maia (DEM).

Agora os três senadores do Rio Grande do Norte terão mandatos fora da órbita oligárquica. Duas teses ruíram nestas eleições: 1) a força das estruturas; 2) a necessidade de grandes alianças.

O colapso oligárquico em 2018 passa pela comunicação. Eles apostaram tudo em velhas táticas de conquista de voto como a cooptação de lideranças fazendo a terceirização do pedido de votos por meio de cabos eleitorais.

A política moderna indica um trabalho intenso nas redes sociais e investimentos em boa comunicação. Duas estratégias que as oligarquias sempre desprezaram. Na ótica delas se comunicar bem é coagir jornalistas a defender o indefensável por meio de intimidação ou abuso de poder econômico.

As oligarquias ainda respiram por aparelhos e podem se reerguer mais à frente caso as novidades decepcionem. Ainda preservaram o mandato de Walter Alves (MDB) na Câmara Federal (à duras penas) e podem conquistar o Governo do Estado com Carlos Eduardo Alves (PDT) no segundo turno.

Nem tudo está perdido, mas temos um colapso oligárquico.

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Estrutura do trator oligárquico está azeitada para esta semana

Na semana decisiva das eleições as pesquisas mostram os grupos tradicionais em situação desfavorável, mas nada que possa se considerar perdido. Estão na briga como sempre estiveram.

Quando se conversa com aliados de políticos das famílias Alves, Maia e Rosado sobre as eleições de domingo a solução está em uma palavra: estrutura. As oligarquias apostarão pesado nas máquinas municipais nesta reta final.

Será um trator passando por cima dos adversários até o domingo.

Só o senador Garibaldi Alves Filho (MDB) conta com um exército de 131 prefeitos.

A tática de sempre será usada para reverter os cenários desfavoráveis. Se terá efeito é outra história, mas que a máquina pública será um trator oligárquico será.

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Grupo de Sandra está próximo de definir segundo voto para o Senado

Como em 2010, grupo de Sandra dará segundo voto a Garibaldi

As mágoas aos poucos vão sendo deixadas de lado e as inimizades ponderadas em nome dos interesses em comum. Assim o grupo da vereadora Sandra Rosado (PSDB) não se perdeu no caminho da volta e deve anunciar apoio ao senador Garibaldi Alves Filho (MDB) que tenta a reeleição.

Segundo voto como em 2010.

As negociações estavam emperradas desde as convenções por conta de mágoas passadas e pela parceria política da família Alves com a presidente da Câmara Municipal Izabel Montenegro (MDB), que ora é “amiga de infância” ora “inimiga mortal” do sandrismo.

Mas tudo aos poucos foi sendo deixado de lado. É questão de tempo o anúncio do apoio a Garibaldi que levaria o segundo voto do grupo.

O primeiro voto sempre foi de Geraldo Melo (PSDB).

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A denúncia tardia de Robinson contra as oligarquias

O governador Robinson Faria (PSD) soltou o verbo numa entrevista a 96 FM de Natal. Revelou ter sido boicotado pelas oligarquias quando lutava pelo aporte de R$ 600 milhões do Governo Federal para pôr a folha de pagamento em dia.

Abre aspas para o governador:

“Os ex-governadores que quebraram o Rio Grande do Norte, e que agora estão unidos em torno de mais um Alves, estão com saudade de quebrar mais o Estado. Quando fui a Brasília tentar regularizar a folha, fiquei só. Consegui até uma medida provisória de R$ 600 milhões, mas era eu saindo de uma porta e eles entrando na outra para falar com os ministros do TCU para não liberar o dinheiro. Eu posso provar e vou mostrar quem foram eles. Eu tenho testemunha. Os próprios ministros disseram que ficaram indignados com os políticos que foram lá para não liberar o dinheiro para pagar o servidor. Era para a folha estar em dia há muito tempo, se eu não tivesse sido boicotado pelo acordão Alves, Maia e Rosado”

Aspas (extraídas do site Agora RN) fechadas segue a nossa análise. O que Robinson diz não é novidade alguma para quem conhece os bastidores da política estadual. Esse movimento foi muito comentado e só não se converteu numa notícia tão contundente na época porque o próprio pessedista se fez de rogado optando pelo silêncio. Tudo ficou enclausurado nos bastidores da política.

Num contexto em que Robinson não consegue avançar nas intenções de voto, apresenta maior rejeição e afoga-se na impopularidade essas palavras não geram qualquer efeito.

Vieram tarde.

Na cabeça dos servidores os salários continuam atrasados por culpa de Robinson que teve uma oportunidade ímpar de dar as mãos aos trabalhadores na pressão contra as oligarquias que atuavam como “forças ocultas”. O governador preferiu o silêncio conivente para ver se atraia algum apoio nestas eleições.

Ele até tentou (e muito) o apoio da prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP). Não conseguiu e agora não pode mais reclamar.

Robinson chama de acordão a aliança oligárquica, mas já foi aliado de Alves, Rosados e Maias. Contribuiu com todas essas gestões que ele responsabiliza pelo atraso do Estado. Se ele estivesse preocupado com o que essa turma fez não estaria parceiro político de Geraldo Melo, ex-governador que todos os dias agradece a ele e Rosalba por fazerem a história absolve-lo da condição de pior governador que o RN já teve.

Robinson duela com os fatos mesmo quando tardiamente revela algo que deu náuseas de ouvir nos bastidores. A nossa classe política é mesquinha mesmo, mas é você quem os coloca lá.

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Simulação de segundo turno indica embate equilibrado entre Fátima e Carlos Eduardo. Propaganda negativa terá peso decisivo

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Um dado que vem passando despercebido nas análises sobre a pesquisa Certus encomendada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) são as várias simulações de segundo turno realizadas.

Em todas a senadora Fátima Bezerra (PT) vence com folga, exceção para o duelo com Carlos Eduardo (PDT) que por sua vez vence todas as simulações excetuando o confronto com a petista.

O mais provável hoje é um segundo turno entre Fátima e Carlos. Segundo a pesquisa Certus o confronto está 33,76% x 24,18%. A decisão ficaria quanto aos indecisos que somam 6,95% e a parcela que vai “amolecer o coração” entre os 35,11% dos eleitores que afirmam não votar em nenhum dos candidatos.

Aí teríamos dois cenários: 1) a rejeição aos políticos das oligarquias familiares. Cenário que favorece Fátima; 2) sentimento antipetista. Cenário que favorece Carlos Eduardo. A conquista desse eleitorado passará pela propaganda negativa.

Será a desconstrução do rival quem vai nortear o pleito nos próximos meses. Há muito a ser discutido nos bastidores e no planejamento das campanhas.

A política de aliança não pode ser descartada, mas a eleição de 2014 já informou a classe política do Estado que um palanque pesado demais pode desmoronar nas urnas.

 

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Um Estado sem norte num Rio Grande de acordões

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“Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados”, já dizia o célebre Barão de Itararé. Adaptando a frase ao Rio Grande do Norte eu diria que acordão é o acordo político cujo o nome de quem reclama ficou de fora.

Temos um Estado atrasado, que perdeu várias oportunidades para se desenvolver por causa de uma classe política mesquinha que gasta 100 para que o outro não ganhe 50 e que parou no tempo. O Rio Grande não tem um norte, mas tem acordões de sobra para compensar a falta de planejamento.

O primeiro grande acordão político do Estado completa 40 anos em 2018. Juntou pela primeira vez Alves e Maia em torno da candidatura de Jessé Freire ao Senado (ver AQUI) nos tempos da ditadura militar.

Em 1982, os excluídos do acordo, Carlos Alberto (eleito senador) e Radir Pereira (eleito vice-governador), eram companheiros de chapa de José Agripino dando o troco em Aluízio Alves que os excluiu para ficar com Tarcísio Maia quatro anos antes.

Em 1990 Lavosier Maia largou os primos Tarcísio e Agripino para ser candidato ao Governo do Estado com o apoio dos outrora rivais de sobrenome Alves. Quatro anos depois ele estava junto com os primos vencedores de 1990 contra Garibaldi Alves Filho. Foi derrotado novamente e rebaixado de status na política potiguar.

Em 1998, foi a vez do acordão entre Agripino e Geraldo Melo, que tinha rompido com os Alves após anos de parceria política. Em 2002, Geraldo já estava de volta ao ninho bacurau para tentar a reeleição. Foi derrotado. Naquele mesmo ano, Fernando Bezerra também estava dentro de um acordão com José Agripino contra os Alves que lhe deram apoio para ser senador.

Antes, Wilma de Faria, em 2000, rompeu com Agripino e se juntou aos Alves sendo reeleita no primeiro turno para a Prefeitura de Natal. Dois anos depois ela mandou os acordões para os ares e fez o dela com Carlos Eduardo Alves (era vice que se tornou prefeito) e Agnelo Alves (prefeito de Parnamirim). Wilma ainda se juntou com Agripino no segundo turno e venceu o pleito se tornando a primeira mulher governadora do Rio Grande do Norte.

Em 2004, Alves e Maia voltaram a se juntar num palanque no segundo turno em Natal apoiando a eleição de Luiz Almir contra Carlos Eduardo, que embora Alves estava com Wilma. Dois anos depois ela estava junta com Fernando Bezerra contra Alves e Maias derrotando Garibaldi, mas assistindo Rosalba Ciarlini bater Fernando.

Quatro anos depois o acordão ganhou uma nova roupagem: o “voto casado”. Garibaldi, Agripino e Rosalba levaram a majoritária atropelando uma Wilma de Faria enfraquecida ao lado de Iberê Ferreira de Souza (candidato ao Governo) e PT.

Em 2014, Henrique Alves fez um “acordaço” juntando Alves, Maias e Wilma de Faria. A esquerda foi excluída. Dos grupos tradicionais só quem não se encaixou no projeto foi a então governadora Rosalba Ciarlini e o vice-governador Robinson Faria que terminou sendo eleito para o comando do executivo estadual denunciando o “acordão” como se ele mesmo não tivesse participado de outros tantos.

Em 2016, os Rosados se juntaram em Mossoró, mas por aqui o discurso não pegou.

Resumindo: toda eleição tem acordão e quem fica de fora esperneia. Às vezes o discurso cola, às vezes não. Depende da conjuntura e dos nomes envolvidos. O ano de 2018 já tem o seu acordão sendo costurado (ver AQUI) pelos grupos tradicionais. Quem ficar de fora vai choramingar na mídia.

De acordão em acordão o Rio Grande do Norte não vai sendo debatido, não surgem projetos de desenvolvimento e a nossa gente fica refém de uma elite política ultrapassada e mesquinha.

Os interesses deles em primeiro lugar. Se sobrar algo (coisa rara) o povo de beneficia.

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