A denúncia tardia de Robinson contra as oligarquias

O governador Robinson Faria (PSD) soltou o verbo numa entrevista a 96 FM de Natal. Revelou ter sido boicotado pelas oligarquias quando lutava pelo aporte de R$ 600 milhões do Governo Federal para pôr a folha de pagamento em dia.

Abre aspas para o governador:

“Os ex-governadores que quebraram o Rio Grande do Norte, e que agora estão unidos em torno de mais um Alves, estão com saudade de quebrar mais o Estado. Quando fui a Brasília tentar regularizar a folha, fiquei só. Consegui até uma medida provisória de R$ 600 milhões, mas era eu saindo de uma porta e eles entrando na outra para falar com os ministros do TCU para não liberar o dinheiro. Eu posso provar e vou mostrar quem foram eles. Eu tenho testemunha. Os próprios ministros disseram que ficaram indignados com os políticos que foram lá para não liberar o dinheiro para pagar o servidor. Era para a folha estar em dia há muito tempo, se eu não tivesse sido boicotado pelo acordão Alves, Maia e Rosado”

Aspas (extraídas do site Agora RN) fechadas segue a nossa análise. O que Robinson diz não é novidade alguma para quem conhece os bastidores da política estadual. Esse movimento foi muito comentado e só não se converteu numa notícia tão contundente na época porque o próprio pessedista se fez de rogado optando pelo silêncio. Tudo ficou enclausurado nos bastidores da política.

Num contexto em que Robinson não consegue avançar nas intenções de voto, apresenta maior rejeição e afoga-se na impopularidade essas palavras não geram qualquer efeito.

Vieram tarde.

Na cabeça dos servidores os salários continuam atrasados por culpa de Robinson que teve uma oportunidade ímpar de dar as mãos aos trabalhadores na pressão contra as oligarquias que atuavam como “forças ocultas”. O governador preferiu o silêncio conivente para ver se atraia algum apoio nestas eleições.

Ele até tentou (e muito) o apoio da prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP). Não conseguiu e agora não pode mais reclamar.

Robinson chama de acordão a aliança oligárquica, mas já foi aliado de Alves, Rosados e Maias. Contribuiu com todas essas gestões que ele responsabiliza pelo atraso do Estado. Se ele estivesse preocupado com o que essa turma fez não estaria parceiro político de Geraldo Melo, ex-governador que todos os dias agradece a ele e Rosalba por fazerem a história absolve-lo da condição de pior governador que o RN já teve.

Robinson duela com os fatos mesmo quando tardiamente revela algo que deu náuseas de ouvir nos bastidores. A nossa classe política é mesquinha mesmo, mas é você quem os coloca lá.

Compartilhe:

Simulação de segundo turno indica embate equilibrado entre Fátima e Carlos Eduardo. Propaganda negativa terá peso decisivo

Carlos-e-Fatima

Um dado que vem passando despercebido nas análises sobre a pesquisa Certus encomendada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) são as várias simulações de segundo turno realizadas.

Em todas a senadora Fátima Bezerra (PT) vence com folga, exceção para o duelo com Carlos Eduardo (PDT) que por sua vez vence todas as simulações excetuando o confronto com a petista.

O mais provável hoje é um segundo turno entre Fátima e Carlos. Segundo a pesquisa Certus o confronto está 33,76% x 24,18%. A decisão ficaria quanto aos indecisos que somam 6,95% e a parcela que vai “amolecer o coração” entre os 35,11% dos eleitores que afirmam não votar em nenhum dos candidatos.

Aí teríamos dois cenários: 1) a rejeição aos políticos das oligarquias familiares. Cenário que favorece Fátima; 2) sentimento antipetista. Cenário que favorece Carlos Eduardo. A conquista desse eleitorado passará pela propaganda negativa.

Será a desconstrução do rival quem vai nortear o pleito nos próximos meses. Há muito a ser discutido nos bastidores e no planejamento das campanhas.

A política de aliança não pode ser descartada, mas a eleição de 2014 já informou a classe política do Estado que um palanque pesado demais pode desmoronar nas urnas.

 

Compartilhe:

Um Estado sem norte num Rio Grande de acordões

FB_IMG_1470090155761

“Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados”, já dizia o célebre Barão de Itararé. Adaptando a frase ao Rio Grande do Norte eu diria que acordão é o acordo político cujo o nome de quem reclama ficou de fora.

Temos um Estado atrasado, que perdeu várias oportunidades para se desenvolver por causa de uma classe política mesquinha que gasta 100 para que o outro não ganhe 50 e que parou no tempo. O Rio Grande não tem um norte, mas tem acordões de sobra para compensar a falta de planejamento.

O primeiro grande acordão político do Estado completa 40 anos em 2018. Juntou pela primeira vez Alves e Maia em torno da candidatura de Jessé Freire ao Senado (ver AQUI) nos tempos da ditadura militar.

Em 1982, os excluídos do acordo, Carlos Alberto (eleito senador) e Radir Pereira (eleito vice-governador), eram companheiros de chapa de José Agripino dando o troco em Aluízio Alves que os excluiu para ficar com Tarcísio Maia quatro anos antes.

Em 1990 Lavosier Maia largou os primos Tarcísio e Agripino para ser candidato ao Governo do Estado com o apoio dos outrora rivais de sobrenome Alves. Quatro anos depois ele estava junto com os primos vencedores de 1990 contra Garibaldi Alves Filho. Foi derrotado novamente e rebaixado de status na política potiguar.

Em 1998, foi a vez do acordão entre Agripino e Geraldo Melo, que tinha rompido com os Alves após anos de parceria política. Em 2002, Geraldo já estava de volta ao ninho bacurau para tentar a reeleição. Foi derrotado. Naquele mesmo ano, Fernando Bezerra também estava dentro de um acordão com José Agripino contra os Alves que lhe deram apoio para ser senador.

Antes, Wilma de Faria, em 2000, rompeu com Agripino e se juntou aos Alves sendo reeleita no primeiro turno para a Prefeitura de Natal. Dois anos depois ela mandou os acordões para os ares e fez o dela com Carlos Eduardo Alves (era vice que se tornou prefeito) e Agnelo Alves (prefeito de Parnamirim). Wilma ainda se juntou com Agripino no segundo turno e venceu o pleito se tornando a primeira mulher governadora do Rio Grande do Norte.

Em 2004, Alves e Maia voltaram a se juntar num palanque no segundo turno em Natal apoiando a eleição de Luiz Almir contra Carlos Eduardo, que embora Alves estava com Wilma. Dois anos depois ela estava junta com Fernando Bezerra contra Alves e Maias derrotando Garibaldi, mas assistindo Rosalba Ciarlini bater Fernando.

Quatro anos depois o acordão ganhou uma nova roupagem: o “voto casado”. Garibaldi, Agripino e Rosalba levaram a majoritária atropelando uma Wilma de Faria enfraquecida ao lado de Iberê Ferreira de Souza (candidato ao Governo) e PT.

Em 2014, Henrique Alves fez um “acordaço” juntando Alves, Maias e Wilma de Faria. A esquerda foi excluída. Dos grupos tradicionais só quem não se encaixou no projeto foi a então governadora Rosalba Ciarlini e o vice-governador Robinson Faria que terminou sendo eleito para o comando do executivo estadual denunciando o “acordão” como se ele mesmo não tivesse participado de outros tantos.

Em 2016, os Rosados se juntaram em Mossoró, mas por aqui o discurso não pegou.

Resumindo: toda eleição tem acordão e quem fica de fora esperneia. Às vezes o discurso cola, às vezes não. Depende da conjuntura e dos nomes envolvidos. O ano de 2018 já tem o seu acordão sendo costurado (ver AQUI) pelos grupos tradicionais. Quem ficar de fora vai choramingar na mídia.

De acordão em acordão o Rio Grande do Norte não vai sendo debatido, não surgem projetos de desenvolvimento e a nossa gente fica refém de uma elite política ultrapassada e mesquinha.

Os interesses deles em primeiro lugar. Se sobrar algo (coisa rara) o povo de beneficia.

Compartilhe:

Primeiro “acordão” entre as famílias Alves e Maia completa 40 anos em 2018

Aluízio, Tarcísio Maia, Dinarte Mariz e Lavoisier Maia são os personagens da "Paz Pública"
Aluízio, Tarcísio Maia, Dinarte Mariz e Lavoisier Maia são os personagens da “Paz Pública”

Por Tiago Rebolo

Agora RN

As duas famílias políticas mais tradicionais do Rio Grande do Norte deverão repetir nas eleições deste ano uma aliança nada original. Juntos mais uma vez, os Alves e os Maia – desta vez, representados pelos senadores Garibaldi Filho e José Agripino, além do prefeito Carlos Eduardo, que pretendem ser candidatos – planejam reeditar no pleito de outubro  uma prática que tem origem em quatro décadas atrás.

Há exatos 40 anos, as duas famílias decidiam convergir pela primeira vez os interesses, mudando a configuração política do estado dali em diante.

Conhecido como “Paz Pública”, o fenômeno chama a atenção de cientistas políticos e historiadores. É o caso do professor Sérgio Trindade, que se debruça sobre o tema há vinte anos. O pesquisador conta que a união entre as famílias Alves e Maia em 1978 provocou alterações significativas no quadro político.

“Com o resultado das eleições, houve uma reformulação na política estadual, tendo em vista que ‘novas’ lideranças políticas surgiram, outras decaíram e outras, ainda, ‘ressurgiram’ após anos de ostracismo”, conta o historiador, lembrando ainda que a “Paz Pública” coincidiu com a abertura democrática do país.

ENTENDA A HISTÓRIA

Em 1978, conta Trindade, com o sistema bipartidário, as principais lideranças políticas do estado estavam na Arena (Aliança Renovadora Nacional) e no MDB (Movimento Democrático Brasileiro). O MDB, que fazia oposição ao governo militar, era o reduto da família Alves; enquanto que a Arena tinha o senador Dinarte Mariz, que dominava a política potiguar até então, e a emergente família Maia.

Naquele ano, percebendo o avanço do MDB principalmente em Natal, o governador arenista Tarcísio Maia decidiu arquitetar uma manobra para evitar surpresas na eleição para o Senado, já que quatro anos antes o feirante Agenor Maria havia derrotado o candidato da Arena, Djalma Marinho, refletindo uma tendência nacional, que era de perda de capital político dos adeptos ao regime militar.

Apenas uma vaga para o Senado estava em disputa em 1978, já que Dinarte Mariz, mais alinhado com o governo central, seria nomeado “senador biônico” (eleito indiretamente) e Agenor Maria tinha mandato até 1983.

A Arena, que vinha de uma cisão interna gerada nas eleições indiretas de 1974 (que resultou na nomeação de Tarcísio Maia para o Governo do Estado, para a insatisfação de Dinarte Mariz), não tinha consenso em torno de um nome. O empresário Jessé Freire era a preferência do governador Tarcísio, mas Dinarte não o apoiava. Foi então que o governador foi buscar o apoio da família Alves, rival de Mariz, para vencer a disputa.

“Tarcísio se aproximou de Aluízio e conseguiu fazer com que a família Alves apoiasse Jessé. Isso é a Paz Pública”, registra o professor.

O historiador lembra que Aluízio Alves (que foi governador até 1969, quando foi cassado pelo regime militar) decidiu aderir à candidatura de Jessé Freire em detrimento do candidato do seu próprio partido (MDB), o também empresário Radir Pereira. Em troca, os Alves puderam indicar o vice do futuro governador Lavoisier Maia: o empresário Geraldo Melo.

O curioso na história é que Radir Pereira também recebeu apoio dos “adversários”. Setores da Arena ligados a Dinarte Mariz descontentes com a candidatura de Jessé Freire decidiram apoiar o nome do MDB. Além de Jessé, esses arenistas não engoliam a vitória de Tarcísio Maia na indicação do sucessor para o Governo, que acabou sendo Lavoisier Maia, em detrimento de Dix-Huit Rosado, apoiado por Mariz.

A estratégia de Tarcísio, no final das contas, após uma campanha agressiva, foi vitoriosa. No dia 15 de novembro de 1978, aproximadamente 710 mil eleitores foram às urnas no Rio Grande do Norte, e Jessé Freire venceu Radir Pereira com 76 mil votos de maioria. O professor Sérgio Trindade frisa que, após isso, Tarcísio ganhou mais protagonismo, e Dinarte Mariz (que viria a morrer em 1984, durante mandato de senador) começou a declinar.

“Quem emerge como força política após a eleição de Jessé Freire é Tarcísio Maia, já que a estratégia eleitoral foi dele. E, além disso, temos a volta de Aluízio Alves à vida pública, dez anos após sua cassação pelo regime militar. Foi a maior aliança política feita no RN desde 1954, quando a UDN e o PSD se uniram para eleger Dinarte Mariz e Georgino Avelino. Combinou as forças da Arena no interior e a liderança de Aluízio na capital”, completa o professor.

União política entre Aluízio e Tarcísio foi desfeita em 1982, na eleição de Agripino

Pesquisador do assunto, o professor Sérgio Trindade registra que a “Paz Pública” articulada por Tarcísio Maia tinha, além da eleição de Jessé Freire em 1978, outro objetivo que acabou prejudicando a aliança com os Alves nos anos seguintes. Tarcísio queria, na verdade, diminuir a influência da família “aliada” em Natal e se tornar a grande força política do estado, ocupando o espaço deixado por Dinarte Mariz.

O historiador relata que Tarcísio havia indicado Lavoisier para sua sucessão desde que o novo governante nomeasse o engenheiro José Agripino Maia para o cargo de prefeito de Natal. “Por que Natal? Porque, para os Maia, era necessário obter um determinado número de votos na capital para cobrir a diferença que existia em relação à liderança dos Alves. Daí, José Agripino acaba sendo nomeado, faz uma gestão na Prefeitura com apoio do Governo do Estado e se fortalece para ser candidato a governador em 1982”.

É neste momento em que a aliança entre os Alves e Maia feita quatro anos antes se enfraquece. “Agripino disputa contra Aluízio em 1982 e é eleito. Os Alves, então, foram traídos ao firmarem a aliança lá atrás. Agnelo Alves (ex-prefeito de Natal e Parnamirim) dizia que, não fosse Tancredo Neves, a família Alves tinha se acabado politicamente. Isso porque Tancredo, quando eleito governador de Minas Gerais, chamou Aluízio para trabalhar como secretário. Depois, quando Tancredo se elegeu presidente, Aluízio se tornou ministro”, diz o professor, acrescentando que, a partir disso, outros membros da família Alves conseguiram ter êxito na política.

Compartilhe:

Candidatura de Carlos Eduardo ao Governo é uma distopia política

Alves e Mais
Carlos Eduardo pode formar chapa com Garibaldi e Agripino abrindo espaço para Álvaro Dias ser candidato a prefeito de Natal

O Brasil vive um momento de desejo profundo por mudanças. As manifestações nas redes sociais são invariavelmente no sentido de rejeitar os políticos tradicionais e seus parentes.

Trocando em miúdos: o povo cansou. É um cansaço que em vez de gerar revolta e manifestações de rua é expressado numa apatia política típica de nossa sociedade, mas ainda assim o ambiente não é bom para os grupos tradicionais.

O Rio Grande do Norte é um dos Estados mais presos ao sistema oligárquico no Brasil. Aqui Alves, Maias e Rosados (divididos ou juntos) ditam as cartas há mais de 60 anos.

Pouca gente percebeu, mas vivemos um período de hiato no poder desses grupos. Robinson Faria (PSD), com o apoio velado (e não velado) do rosalbismo, derrotou Alves e Maia e hoje é adversário das três oligarquias. O modelo de gestão dele foi tão igual ao dos seus antecessores tanto que ninguém nem notou que esse pessoal está longe do erário estadual.

A decadência do governo Robinson não favoreceu a ascensão dos grupos tradicionais, pelo menos por enquanto eles seguem merecidamente ignorados.

Os grupos tradicionais foram parcialmente rejeitados em 2014. Juntos perderam Governo e Senado, mas dominaram vagas na Assembleia Legislativa e Câmara Federal.

Mesmo com a fragorosa derrota na eleição majoritária em 2014, os grupos tradicionais ignoram o sentimento do eleitor e trabalham para fazer uma chapa misturando Alves, Rosados e Maias, juntando a fina flor da velha política potiguar.

Carlos Eduardo Alves, o prefeito de Natal que andou atrasando salários, quer pintar como solução para substituir um governador que também atrasa salários. É um paradoxo difícil de entender e explicar ao (e)leitor. Filiado ao PDT e posando de diferenciado, ele começa a pôr a cabeça para fora para formar chapa ao lado dos senadores Garibaldi Alves Filho (MDB) e José Agripino Maia (DEM), que tentam a reeleição ao Senado. O trio sonha com um vice made in Mossoró com sobrenome Rosado.

É como se a política do Rio Grande do Norte ainda estivesse nos anos 1990 quando estes sobrenomes não sofriam resistência eleitoral de hoje.

Garibaldi e Agripino nunca tiveram intenções de voto tão baixas nas pesquisas como em 2018, mas seguem competitivos. Suas derrotas dependem de quem serão os oponentes. Em entrevista ao Conversa de Alpendre da TCM, o emedebista admitiu que essa será a eleição mais difícil da vida dele.

Na pesquisa do Instituto Consult, contratada pela FIERN, o eleitor mostrou-se disposto a mudar a nossa elite política e ignorar as orientações de prefeitos e cabos eleitorais. O problema é, repito, qual a alternativa a tudo isso que está aí?

A utopia do eleitor potiguar médio é mudar a classe política e seu modelo de gestão cansado, mas há um movimento remando no sentido contrário que sabe o caminho das pedras que levam aos votos e vitórias e isso pode levar o eleitor apático a sufragar votos em quem não quer por falta de alternativas.

A postulação de Carlos Eduardo Alves ao Governo do Estado é uma distopia política por representar o sentido inverso dos desejos dos eleitores potiguares, mas não pode ser subestimada.

Entenda: Utopia e distopia são dois conceitos que fomentam a discussão acerca da realidade. A utopia pode ser compreendida como a ideia de uma civilização ideal, imaginária, perfeita e, por isso, inalcançável.

A distopia ou antiutopia, por sua vez, é a antítese da utopia, apresentando uma visão negativa do futuro, sendo geralmente caracterizada pelo totalitarismo, autoritarismo e pelo opressivo controle da sociedade.

Fonte: www.estudopratico.com.br

Compartilhe: