Carlos Eduardo e o trabalho para “amolecer” corações em Natal

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O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) tem um grande desafio pela frente nos próximos meses: superar a imagem negativa do político que prometeu cumprir o mandato até o fim em 2016 e cedeu aos encantos da política um ano e meio depois.

A pesquisa Consult divulgada pelo Blog do BG e 98 FM de Natal colocou Carlos Eduardo liderando as pesquisas na Grande Natal. São 24,88% de intenção de voto contra 21.88% da senadora Fátima Bezerra (PT). O maior crítico do pedetista, Kelps Lima (SD), tem apenas 4,88%.

A renúncia de Carlos Eduardo Alves pegou mal e a pesquisa do Instituto Seta divulgada mês passado mostrou que a maioria dos eleitores natalenses desaprova a renúncia do agora ex-prefeito.

Mas há uma margem para ele “amolecer” os corações dos natalenses ao longo da eleição. Tudo vai depender de alguns fatores preponderantes:

  • Superar o problema do palanque dos grupos tradicionais que estão muito rejeitados pelos eleitores;
  • O desempenho do agora prefeito de Natal Álvaro Dias (MDB).

São essas adversidades que Carlos Eduardo terá que superar para tornar a Grande Natal um impulso para a vitória em todo o Estado. Vale lembrar que o pedetista deixou o poder desaprovado pela maioria dos natalenses e os quase 25% que recebeu de intenção de voto do Instituto Consult (em Natal e Grande Natal) estão abaixo do patamar mínimo (25%) para nomes com o perfil dele. Tudo muito próximo ao teto, da capital, onde ele recebeu no mês passado 33,7% de aprovação e 57,3% de desaprovação.

A candidatura de Carlos está viabilizada politicamente e caminha a passos largos para o mesmo no ponto de vista eleitoral. Ele pode crescer como pode afundar junto com os apoiadores rejeitados que giram em torno de si.

Os próximos meses serão decisivos.

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A tradição do “Partido do Presidente da Assembleia”

PSDB é a bola da vez com a força do presidente da Assembleia Legislativa
PSDB é a bola da vez com a força do presidente da Assembleia Legislativa

Na Assembleia Legislativa existe uma tradição que vem se mantendo desde a redemocratização dos anos 1980: a força do “Partido do Presidente da Assembleia”.

É sempre assim: os deputados escolhem um nome para comandar a mesa diretora e ele monta um grupo político capaz de um influenciar nos pleitos estaduais.

A primeira experiência foi com o antigo PL (atual PR), partido do então presidente Vivaldo Costa (1989/91). A legenda deu muito trabalho ao então governador Geraldo Melo em votações na casa. Vivaldo acabou sendo o vice-governador da chapa vitoriosa de José Agripino em 1990.

O PL seguiu forte nos quatro anos da gestão de José Agripino assim o então presidente da Assembleia Legislativa Raimundo Fernandes foi candidato ao Senado em 1994, amargando o quarto lugar.

Já em 2001, Álvaro Dias deixou o PMDB e assumiu o PDT sem reforçar a agremiação como outros presidentes da Assembleia Legislativa. Nos oitos do Governo Garibaldi Filho o partido mais forte na casa era o PPB (atual PP) do vice-governador Fernando Freire que hoje cumpre pena por corrupção.

Mas a força da cadeira de presidente da Assembleia Legislativa alçou Álvaro Dias a condição de deputado federal e hoje ele acaba de assumir a Prefeitura de Natal.

Entre 2003 e 2010, o atual governador Robinson Faria comandou a casa. Fez do minúsculo PMN o maior partido do parlamento independente do resultado das eleições. Quando não elegia membros, cooptava os que foram aprovados nas urnas. Com a força do cargo ele fez de Fábio Faria deputado federal pela primeira vez em 2006 e foi eleito vice-governador em 2010.

Na era Ricardo Motta (2011/2015), o PROS foi a bola da vez. A legenda cresceu na mesma velocidade que se esvaziou após as eleições de 2014. Ricardo foi reeleito com 80.249 votos, a maior votação da história de um deputado estadual potiguar. Ele ainda elegeu o filho, Rafael Motta, vereador em 2012 e deputado federal dois anos depois.

Agora é a vez do PSDB de Ezequiel Ferreira de Souza fazer força via presidência da Assembleia. Hoje são oito deputados estaduais. A legenda se arvora de ser a segunda maior do Rio Grande do Norte e quer indicar um nome para o Senado em uma das chapas do campo conservador.

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Carlos Eduardo renuncia ao cargo de prefeito no dia em que delação revela suposta de propina de R$ 280 mil

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Carlos Eduardo Alves (PDT) é um homem audacioso. Mesmo com as pesquisas mostrando o tamanho da dificuldade que lhe separa do Governo do Estado, decidiu fazer o mesmo trajeto político que Wilma de Faria fez há 16 anos.

Agora é um ex-prefeito sem foro privilegiado e alvo de uma delação que o coloca em situação embaraçosa. Os documentos da Operação Cidade Luz vazados pelo Agora RN revelam que Carlos Eduardo Alves teria acertado propina de R$ 300 mil para receber via caixa dois de campanha em troca de obras de iluminação na capital do Estado. No fim das contas, segundo a delação, recebeu R$ 280.

Quem conta a história é o autor dos pagamentos: os empresários Allan Emmanuel Ferreira da Rocha e Felipe Gonçalves de Castro.

Carlos Eduardo obviamente nega, mas sabe que agora está vulnerável juridicamente e em ano eleitoral.

Logicamente a delação da Operação Cidade Luz não vazou por acaso, mas dará o tom do que vem pela frente até o outubro.

O negócio vai feder!

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Conheça o trio de suplentes que estão fechando parceria política com deputado Galeno em Mossoró

Galeno x Sandra
Passagem mais marcante de Galeno por Mossoró foi um “bate-boca” com a vereadora Sandra Rosado

O deputado estadual Galeno Torquato está montando um staff político para sustentar a candidatura dele à reeleição este ano.

O trio de suplentes é formado pelo ex-presidente da Câmara Municipal Jório Nogueira (PSD), Cícera Nogueira (PSD) e o polêmico Tomaz Neto (PDT). O grupo somou 5.098 votos nas eleições de 2016, menos da metade dos 12.306 sufrágios recebidos há quatro anos por Galeno em Mossoró.

Neste ano, Galeno não terá o apoio importante da Prefeitura de Mossoró nem de um expressivo grupo de vereadores. Ainda pesa contra ele o desgaste por ter decepcionado os eleitores locais como “deputado de Mossoró”.

Em recente enquete do Blog do Barreto no grupo desta página no Facebook, ele foi escolhido o político com mandato mais “ingrato” com os eleitores da cidade (ver AQUI).

Apesar disso, ele sabe do peso de Mossoró nas eleições. Na segunda cidade do Rio Grande do Norte ele recebeu 19,44% dos 63.286 votos que conquistou no Estado.

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Fábio Dantas mira candidatura ao Governo do Estado, mas pode acertar no Tribunal de Contas do Estado

 

Fábio Dantas tem sonho antigo de chegar ao TCE (Foto: José Aldenir / Agora Imagens)
Fábio Dantas tem sonho antigo de chegar ao TCE (Foto: José Aldenir / Agora Imagens)

De político discreto e dos bastidores a badaladíssimo pré-candidato ao Governo do Estado liderando um grupo de coadjuvantes da elite política potiguar, Fábio Dantas rompeu de boas com o governador Robinson Faria (PSD) e vai trocar o PC do B pelo PSB.

Ele nunca foi comunista nem socialista, seguirá onde sempre esteve articulando com os setores conservadores da política potiguar. Por esse perfil, a candidatura dele cabe em todo tipo de especulação.

Numa delas ele seria candidato de Robinson “por debaixo dos panos” como o próprio governador de hoje foi há quatro anos com o apoio da então chefe do executivo estadual Rosalba Ciarlini.

Em outra ele seria candidato para valer pintando como o “novo” no meio do mausoléu político do Rio Grande do Norte.

Mas uma possibilidade que ninguém fala é a de Fábio acertar em outro alvo: o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ser conselheiro desse órgão é um sonho antigo do atual vice-governador. Em 5 de dezembro de 2012 numa eleição apertada (12×11) ele foi derrotado pelo então colega de Assembleia Legislativa Poti Junior.

Agora, Fábio Dantas que mira no Governo, pode acertar no TCE. Explico: o conselheiro Renato Costa Dias enfrenta problemas de saúde e é irmão do vice-prefeito de Natal Álvaro Dias (MDB), que lambe a rapadura para sentar na cadeira mais confortável do Palácio Felipe Camarão (sede da administração municipal da capital). Renato é um dos quatro conselheiros indicados pela Assembleia Legislativa e ao se aposentar abriria uma eleição no parlamento onde Fábio é bem relacionado e contaria com o apoio do presidente Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB).

Em troca, o grupo de Fábio e Ezequiel estaria no palanque do prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) carregando consigo vários deputados estaduais e Álvaro Dias se tornaria prefeito de Natal com a renúncia do titular para disputar o Governo do Estado.

É uma articulação sofisticada que pode muito bem sair do papel. Na política potiguar até um tiro que sai pela culatra pode ser certeiro.

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