“Menos uma defendendo bandido”

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Por Talvacy Chaves*

Há mais de dois mil anos, o paganismo do império romano e o paganismo infiltrado numa parcela do judaísmo aplaudiram, riram e torceram para que Jesus – o impuro, o defensor dos direitos das minorias (viúvas, prostitutas, leprosos, imigrantes), o que pregava e vivia a misericórdia e a compaixão pela miséria humana – fosse crucificado e morto, sem nunca ter cometido crime algum.

Nada mudou de lá pra cá. Hoje, o paganismo infiltrado numa boa parcela do cristianismo debocha, ri e festeja a morte de #Marielle – uma “maldita geni”, negra, defensora dos direitos humanos, sobretudo, do direito das minorias marginalizadas. “Menos uma defendendo bandido”, como li há pouco na timeline de um dos meus seguidores aqui no face.

Parece irônico, pra não dizer perverso, perceber que a grande maioria dos que estão comemorando a morte de Marielle pertence a algum segmento religioso e vive no Brasil, pátria de Marielle.

Enquanto o mundo todo aqui fora revela manifestações de repúdio e tristeza, uma legião de cristãos pagãos no Brasil festeja a morte de mais uma pessoa negra, entre dezenas de outras que morrem diariamente.

E um detalhe prababilístico. Talvez, aqui, fora do Brasil, a maioria do povo que chora e repudia o assassino de Marielle não seja cristã e não professe crença em nenhum deus. Provavelmente sejam ateus, agnósticos com um profundo sentimento de humanidade e compaixão pela dor do outro, mil vezes mais humanos do que muitos cristãos por aí.

Quando vejo essa guerra do racismo, do preconceito e da indiferença pela dor do próximo entre cristãos, fico cada vez mais convicto que o grande desafio do cristianismo em nossos dias é humanizar/cristianizar os cristãos. Mais do que doutriná-los, dogmatizá-los, é buscar colocar um pouquinho da humanidade de Jesus em nossos corações.

*Talvacy Chaves é padre e atualmente cursa doutorado em cultura digital na Universidade Pontificia Salesiana em Roma.

Texto extraído do Facebook do autor.

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Quando uma escola dá aula de preconceito

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A semana tem sido marcada em Mossoró pelo impedimento de um aluno entrar com um vestido na Escola Estadual Ainda Ramalho. O caso logo ganhou repercussão como gesto de homofobia.

A escola até deu uma justificativa razoável. A de que a saia era curta demais. Mas será que realmente foi isso? Não seria uma homofobia enrustida. Afinal de contas vivemos numa sociedade onde é comum as pessoas abrirem a boca para vomitar a seguinte pérola: “Não sou preconceituoso, mas não acho normal um homem dormir com outro”. Quem nunca ouviu isso?

No fundo houve sim um ato de homofobia no gesto. Nunca ouvimos falar de uma garota impedida de entrar na escola por usar saia curta. Simples assim.

Detalhe: o fardamento na Escola Aida Ramalho não é obrigatório.

Fato é que vivemos em uma sociedade que não aprendeu a respeitar os LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais).

Uma escola tem que ser um templo do conhecimento, um lugar onde se aprende o respeito à diversidade… Não é educativo impor o preconceito.

Cá desse espaço torço que o jovem em vez de ficar traumatizado com o acontecido ganhe força para se tornar um símbolo da luta contra o preconceito na sociedade mossoroense.

Rever os conceitos é um bom caminho para quem acha que um homossexual é um “anormal”. Anormal é o seu preconceito.

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