Fátima necessita ajustar crítica aos oligarcas do RN

Em um outro contexto o final do primeiro turno em 7 de outubro tornaria o pleito do dia 28 uma mera formalidade no Rio Grande do Norte. Foram mais de 220 mil votos de maioria para a senadora Fátima Bezerra (PT) deixando ela a poucos sufrágios de se tornar governadora.

Ainda mais em um quadro em que o adversário dela, Carlos Eduardo Alves (PDT), estava com a campanha em depressão por estar arrodeado de políticos derrotados. Sem contar que o prometido em Mossoró não foi entregue e ele só foi ao segundo turno graças ao desempenho em Natal, onde foi prefeito por quatro vezes.

Mas como se trata de uma candidata do PT a favorita ao Governo e em um contexto de antipetismo exacerbado o oponente Carlos Eduardo pode nutrir esperanças colando no bolsonaristas.

Enquanto Carlos Eduardo bate forte no PT, Fátima explora de forma cautelosa a questão das oligarquias. Somente nos dois últimos programas eleitorais que estão tocando no assunto. A falha, em minha opinião, reside na carência do discurso de causa e efeito. Tratam Carlos como Alves por ser Alves sem associar o atraso econômico do Rio Grande do Norte ao sistema oligárquico de mais de 40 anos.

O eleitor reage melhor quando enxerga base fática no discurso. Tem que mostrar que as famílias priorizaram o compadrio em vez de investir na modernização da máquina pública, mas isso não é feito. Tem que mostrar cada ex-governador de sobrenome Alves, Maia e Rosado tem responsabilidade na crise de hoje.

Também é preciso mostrar, hoje isso já apareceu, que nos nossos vizinhos o desenvolvimento veio, coincidência ou não, após a aposentadoria das famílias tradicionais.

Até aqui o que se faz vitimiza Carlos e leva o eleitor antipático ao PT a pensar: “não podemos julgar o candidato pelo sobrenome”. Isso tem sentido se não associar o atraso do Rio Grande do Norte ao modelo de gestão das últimas décadas, repito.

Carlos surfa no antipetismo sem que Fátima faça os ataques aos oligarcas pegar na veia.

Nota do Blog: Fátima já foi aliada dos Alves e Rosados em situações pontuais assim como Carlos Eduardo Alves apoiou e recebeu apoio do PT em diversas oportunidades. Mas esse é o tema colocado para as duas candidaturas no segundo turno. Carlos explora sem pudor com o passado. Fátima se contém.

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Cid falou verdades inconvenientes na hora errada e antecipa reflexão pós-eleitoral

Cid fala verdades na hora errada

Ganhou o mundo o vídeo em que o senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT) desafiou a militância petista a fazer um mea culpa e cobrou autocrítica pelos erros do PT no poder.

As verdades inconvenientes proferidas por Cid foram antecipadas, por coincidência, por este operário da informação durante a live do diário das eleições no Facebook de ontem.

O problema é que Cid não escolheu o momento adequado fazendo um discurso de adversário que faz o favorito nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL) vibrar. Dá até para desconfiar que foi proposital.

Mas o que importa é que o petismo tem muito a aprender com a derrota que virá no dia 28. Vai ter que fazer autocrítica sim.

Aqui pondero que não é só o PT que deve se autocriticar, mas os demais partidos. O PSDB afundou numa derrota humilhante no dia 7 de outubro. O MDB diminuiu de tamanho. O PP se esconde no ranço contra o PT, mas é o partido campeão no ranking da corrupção. O DEM deixou de ser partido grande faz tempo.

Poderia ficar o dia inteiro escrevendo sobre quem precisa fazer autocrítica, mas o foco é o PT. O partido é o mais cobrado pelo tamanho e representatividade que tem. Só os fanáticos bolsonaristas e antipetistas não conseguem enxergar avanços civilizatórios na era petista. Pegam 18 meses do governo Dilma cravam como se fosse o conjunto de uma obra de 13 anos.

É injusto.

O PT vai precisar rever a forma como se comunica para não repetir o erro tucano que não soube defender o legado de FHC. A vitória de Bolsonaro terá ele ocupando a mídia dia sim dia sim satanizando o PT como Lula fez com FHC.

Será um grande desafio encarar isso do outro lado balcão.

O PT terá que reorientar sua militância para que respeite quem pensa diferente no processo de reconquista da simpatia popular. A empáfia do esquerdista que se sente intelectualmente superior ao “jumentalizado” terá que ser revista.

É essa mágoa das discussões passadas que faz com que muitos topem arriscar conquistas trabalhistas, sociais e até mesmo pessoais votando em um candidato de perfil autoritário e imprevisível apenas pela satisfação de ver o PT derrotado.

Tem muita coisa a se refletir sobre o comportamento da esquerda nos próximos anos. Agora ela tem diante de si não um tucano sem base social, mas uma versão piorada de tudo que a direita poderia produzir e com algo inédito no outro lado do espectro político: base social.

O batido de Cid Gomes seria didático se não fosse na hora errada por favorecer o adversário.

 

 

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Pesquisa Certus acende alerta na campanha de Fátima

Os 46,17% conquistados por Fátima Bezerra (PT) nas urnas se converteu 53,62% de intenções de voto conforme a pesquisa do Instituto Certus encomendada pela FIERN. Já Carlos Eduardo Alves (PDT) que teve 32,45% foi para 46,38%.

Lógico que o resultado do pleito é 100% confiável e a pesquisa nos dá uma noção do cenário sem garantia de precisão total. Em termos metodologia é uma comparação questionável, mas de uma forma ou de outra temos um quadro inegável de crescimento de Carlos Eduardo.

Não chega a ser surpresa que ele receba automaticamente 100% dos votos antipetistas desferidos a outros candidatos na disputa pelo Governo do Estado. O que espanta é ele crescer o dobro de Fátima tornando a eleição em aberto e flertando com o empate técnico.

Para Fátima é um alerta significativo.

A petista recebeu dezenas de apoios e isso foi pouco massificado tendo uma semana amplamente favorável, mas mal explorada em termos de ocupação de espaços.

No horário eleitoral, ela se recusa a adotar de forma contundente o discurso contra as oligarquias enquanto Carlos Eduardo abraça o antipetismo como se fosse antipático ao partido de primeira hora.

O assunto até foi explorado hoje de forma discreta e utilizando o candidato derrotado ao Senado Alexandre Motta (PT).

Tudo bem que no passado Fátima já foi parceira de todas as oligarquias e teve o apoio dos Alves na eleição para Prefeitura de Natal em 2008, mas Carlos Eduardo não se importa com o passado de “parça” do PT e agora é Bolsonaro “desde criança”.

Carlos que está num palanque de derrotados em nível de Rio Grande do Norte encontrou na empolgação da militância bolsonarista o oxigênio que tira a campanha dele da UTI eleitoral.

Já Fátima insiste numa tática de “paz e amor” em meio a um ambiente de guerra verbal. Se acordar tarde demais pode ser engolida pela onda bolsonarista que a contragosto deixa de lado a antipatia com os oligarcas para derrotar o inimigo maior: o PT.

Uma autocrítica a campanha de Fátima se faz necessária. Carlos Eduardo torce que isso não ocorra.

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Falta água e sabão à ‘frente democrática’ do PT

Por Josias de Souza

 

Numa entrevista de porta de cadeia, o grão-petista Jaques Wagner insinuou nesta quinta-feira (11) que todos os atores políticos comprometidos com a democracia têm a obrigação de aderir voluntariamente à “frente democrática” pró-Haddad. “A responsabilidade com o país nessa esquina da história brasileira é de voluntariado”, declarou Wagner. “Não acho que ninguém tenha que ser convidado. Quem tem responsabilidade tem que vir para dentro de uma plataforma democrática.”

A formulação de Jaques Wagner é tola e desonesta. Flerta com a tolice porque carrega nas entrelinhas a mensagem segundo a qual o PT faz ao país o favor de liderar uma cruzada anti-Bolsonaro. Roça a desonestidade porque o orador bem sabe que seu partido tornou-se um pedaço do problema, não da solução.

Ainda não se formou defronte do comitê de campanha de Fernando Haddad nenhuma fila de lideranças políticas ávidas por aderir à “frente democrática” do PT. Ao contrário. Ciro Gomes voou para a Europa. Marina Silva trancou-se em suas mágoas. Fernando Henrique Cardoso observa a movimentação de esguelha. Todos já foram vítimas de cotoveladas de Lula e do petismo.

Novo coordenador político do comitê de campanha de Haddad, Wagner encontrou os repórteres depois de conversar com Lula na cadeia. Era portador de um recado do presidiário. Ele mandara dizer que o PT, “com seus acertos e com seus erros”, sempre respeitou a democracia e as instituições. Conversa fiada.

A teoria da conspiração contra Lula, a “alma mais honesta desse país”, joga água no moinho antidemocrático do desrespeito às decisões judiciais e da fantasia de uma imprensa venal a serviço de uma elite invisível. As coisas seriam mais simples se pessoas como Lula, Wagner e Haddad admitissem que o PT operou como caixa registradora de propinas e que a cúpula partidária foi parar na cadeia porque cometeu crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Em vez de autocrítica, Wagner despejou sobre os microfones autoelogios: “Continuo dizendo que o que a gente fez pela democracia brasileira e pelo povo é infinitamente maior do que os erros, que são públicos e eu não preciso relatar.” Os petistas têm dificuldades para chamar seus crimes pelo nome. Preferem classificar de “erros”, eufemismo para roubalheira.

Além de engordar patrimônios individuais, o mensalão e o petrolão não foram senão atentados contra a democracia, mecanismos de compra de apoio congressual com verbas surrupiadas do Estado. Quem acompanhou o processo de julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, no ano passado, pôde perceber no voto do ministro Herman Benjamin que o mandato de 2014 foi comprado com verbas sujas da Odebrecht. Ao enterrar as ações por 4 votos contra 3, o TSE apenas piorou o soneto.

Com um pano de fundo assim, tão enodoado, a formação de uma frente anti-Bolsonaro encabeçada por Haddad seria vista como uma tentativa de enxaguar a roupa suja do petismo. Salvar-se-ia não a democracia, mas o PT. O petismo parece não ter percebido o que está se passando. Bolsonaro só chegou à antessala do gabinete presidencial porque representa os interesses da maior força política existente hoje no Brasil: o antipetismo. Falta água e sabão à proposta de “frente democrática” do PT.

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ENTREVISTA: ‘O Bolsonaro pegou um eleitor pobre do PT’, avalia cientista político

Luís Eduardo Gomes

Sul 21

O primeiro turno das eleições gerais brasileiras apresentaram o surgimento de uma grande onda pró-Jair Bolsonaro, que levaram o seu partido, o PSL, à segundo maior bancada na Câmara dos Deputados, sair de zero para quatro senadores e quase levar a disputa presidencial em primeiro turno. No final das contas, ele ficou em 46% e enfrentará no segundo turno o petista Fernando Haddad, que fez pouco mais de 29%. Para avaliar o cenário que emerge do pleito e se a disputa presidencial já está decidida ou pode ser revertida, o Sul21 conversou com o cientista político Alberto Almeida.

Almeida é o autor dos livros “A Cabeça do Brasileiro” e o “Voto do Brasileiro”, lançado em maio deste ano e que busca explicar, a partir de dados numéricos, porque o brasileiro vota como vota. Ele também é diretor da Brasilis, empresa especializada em análises e dados sobre a sociedade brasileira, informações sociais, políticas, econômicas e culturais.

Para o cientista político, o resultado das urnas é um reflexo da “rejeição a medalhões”, o que levou, por exemplo, à perda de mandato de 24 dos 32 atuais senadores que buscavam a reeleição. A respeito do segundo turno, ele destaca que a tendência é sim de favoritismo de Bolsonaro, mas ressalta que esta nova etapa elimina “ruídos”, como a presença de candidatos sem chances na disputa, a imporá um debate mais direto de ideias. Para ele, a questão chave para uma possível reversão do quadro por Haddad seria recuperar votos perdidos pelo PT no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, estados onde Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB) no segundo turno de 2014 e agora deram ampla vantagem para Bolsonaro. Em 2014, Dilma fez 51% dos votos válidos nestes estados. Agora, no primeiro turno Bolsonaro alcançou 48% em Minas e 59% no Rio.

A seguir, confira a entrevista com Alberto Almeida.

Sul21 – Como o senhor recebeu o resultado do primeiro turno da eleição presidencial?

Alberto Almeida: É um resultado de rejeição a todos os medalhões da política, digamos assim. Dos 32 senadores que disputaram a reeleição, apenas oito foram reeleitos. Pega os nomes que não conseguiram, são nomes muito medalhões. Jorge Viana (PT-AC), Eunício Oliveira (MDB-CE), o presidente do Senado, Cristovam Buarque (PPS-DF), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), considerado um bom senador, Magno Malta (PR-ES), Lúcia Vânia (PSB-GO), Edison Lobão (MDB-MA), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Roberto Requião (MDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ), Romero Jucá (MDB-RR). E medalhões que não eram senadores tentaram ao Sanado e também não conseguiram. No Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, Sarney Filho (PV-PA), Marconi Perillo (PSDB-GO), Dilma (PT-MG), César Maia (DEM-RJ), Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Eduardo Suplicy (PT-SP). Todos eles são medalhões, eram nomes conhecidos, e não conseguiram a vaga no Senado. É claro que alguém que vai conseguir ser reeleito, justamente para confirmar a regra, mas a grande maioria não conseguiu. E essa grande maioria são de políticos medalhões. Isso mostra o desejo de dar uma lição grande no ‘establishment’ da política brasileira.

Sul21 – E o senhor avalia que essa é uma lição pelo lado conservador ou considera que o Congresso já era conservador e não mudou tanto o perfil?

AA: A gente vai ter que ver. Conservador em quê? Tem muitos policiais eleitos, esse pessoal acaba sendo, do ponto de vista econômico, gastador. E conservador nos hábitos, na coisa da repressão. Então, tem aí uma salada, uma determinada coisa que ainda precisa clarear. Mas, a princípio, por conta de recursos próprios para a campanha, a gente pode dizer que tem um conservadorismo maior sim.

Sul21 – Qual a projeção que o senhor faz para o segundo turno?

AA: É um segundo turno que vai dar mais clareza para o eleitor sobre as candidaturas. O primeiro turno tinha muito ruído. Só para pegar um exemplo importante, o do Meirelles (MDB). Um candidato que teve menos votos do que o Cabo Daciolo (Patriota) e que tinha o terceiro maior tempo de televisão. Então, para o eleitor, isso é uma confusão tremenda. ‘Como é que esse cara tem tanto tempo de televisão e ele é tão desimportante e defende um governo que eu rejeito e odeio?’ Então, confusões como essa vão deixar de existir no segundo turno. E aí, pro eleitor, a campanha é mais compreensível. Você vai confrontar duas pessoas, duas figuras, dois símbolos, muito claramente. Cada um se auto-elogiando, o que é normal, política é venda, e criticando o outro. Isso é uma coisa. A outra coisa que é importante olhar no resultado eleitoral é que, de fato, o Bolsonaro ficou próximo de ganhar no primeiro turno. Porém, a gente pode fazer uma conta e colocar a maior parte dos votos do Ciro Gomes (PDT), com o Haddad. Pensando em ontem, eu não estou pensando na primeira pesquisa pós-primeiro turno, que tem efeito de mídia e várias coisas, mas pensando em ontem. Se você pegar 12% do Ciro, diminui um pouco, 10%, o Haddad sai de 29% para 39%. Então, vamos dizer que, sem o Ciro, talvez o Haddad tivesse chegado a 40%. Seria 46% a 40%. Nesse aspecto, uma eleição não muito distante, apesar da proximidade do Bolsonaro em relação ao sarrafo dos 50%.

Sul21 – O senhor considera que esse primeiro turno já foi quase o segundo turno, no sentido de que tinha um lado do Bolsonaro e outro que era Haddad/Ciro, visto que os demais candidatos fizeram poucos votos?

AA: Sim. A votação do PSDB é impressionante do ponto de vista negativo. Menos de 5% para presidente. O PSDB, é algo impressionante. Aí depois você tem o Amoêdo e depois todo mundo com 1%. Então, grande parte do voto decidido, com exceção do voto em Ciro Gomes, evidentemente muito maior que os demais. Nesse aspecto, você tem uma quantidade de votos que tende a caminhar para o Haddad, mas creio que, de fato, você tem o favoritismo do Bolsonaro.

Sul21 – O que o Bolsonaro precisa fazer ou evitar para confirmar essa vantagem no segundo turno?

AA: As duas campanhas não têm muita alternativa. O marketing está mais ou menos encaminhado, definido. O Bolsonaro batendo no PT, mais ainda do que ele sempre bateu, colocando a culpa de todos os males do sistema no PT. O PT haveria uma novidade, porque não atacou ainda o Bolsonaro, colocando ele como o candidato da elite, que apoiou o governo Temer, caminhando por aí.

 

Sul21 – A estratégia que o Haddad tem para reverter o quadro passa por tentar vincular o Bolsonaro ao governo Temer?

AA: É difícil dizer, pode ser que sim. A gente vai ver em função dos pronunciamentos do Haddad antes de começar o programa de TV e depois que começar. Vamos ter que aguardar.

Sul21 – O que restou ao auto-intitulado “centro democrático” depois das votações de ontem? Seria bom para partidos como PSDB e MDB aderir ao Bolsonaro ou isso pode significar um encolhimento maior nas próximas eleições?

AA: Olha, o eleitor já vai definido, esses apoios não importam, essa coisa de fazer campanha para outro. Eu acho que isso aí já está definido. O eleitor desses partidos, se fizer uma pesquisa, já sabe em quem votar. Esse pessoal, no fundo, na prática, vão ser observadores do segundo turno, na minha visão. Porque um deputado não vai fazer campanha para um candidato a presidente, não vejo dessa forma. Você pode ter as máquinas estaduais, os governadores mobilizando as suas máquinas locais, aí sim.

Sul21 – Mas o senhor avalia que o Alckmin declarar apoio para alguém não interferiria?

AA: Eu acho que não muda nada, isso daí é um mito. Ah, o ‘Ciro declara apoio’, acho que não muda nem pouco. O eleitor do Ciro tem menos identidade com o Bolsonaro, obviamente.

Sul21 – Haveria um eleitor que votou em um lado e poderia fazer a migração para o outro no segundo turno? Há espaço nos votos do Bolsonaro para migrar para o PT, e vice-versa?

AA: Sim. O Bolsonaro pegou um eleitor pobre do PT, em particular no Rio de Janeiro e Minas Gerais, que foram estados bem desfavoráveis para o PT. O que aconteceu nessa eleição? MG e RJ não entregaram ao PT os votos que costumavam entregar. Aí o PT tem que ir lá tentar recuperar. Talvez não dê para recuperar, mas uma parte desses votos é possível.

Sul21 – Estes serão os principais palcos eleitorais que o PT tem para prestar atenção?

AA: Sim, não tenho a menor dúvida.

Sul21 – Falamos de apoio de candidatos nos estados a Bolsonaro ou Haddad. Por outro lado, o apoio deles a algum candidato a governador pode influenciar? A gente viu candidatos surgirem do nada no RJ e em MG.

AA: Isso aí é um mito. Ninguém vai apoiar um candidato porque ele apoiou o Bolsonaro. Se você pegar em Minas, tinha aquele Márcio Lacerda, que saiu no acordo do PT com o PSB. Todo mundo previa que o Lacerda ia ganhar, porque em Minas não iriam querer nem PT, nem PSDB. O Lacerda saiu e vai ganhar o outro, que não é nem PT, nem PSDB, mas não tem nada a ver com ele ter declarado voto no Bolsonaro, isso aí é um mito.

Sul21 – O senhor já consegue projetar como devem vir as primeiras pesquisas?

AA: Elas devem vir mais favoráveis ao Bolsonaro em função da mídia positiva que ele teve. Da surpresa relativa ao desempenho dele.

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Confronto do Antipetismo x antioligarquia transforma segundo turno no RN em campanha de exclusão

Fátima e Carlos Eduardo representam projetos desgastados

Dois candidatos que representam as espécies políticas mais desgastadas da política atualmente: o petista e o oligarca estão na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte neste segundo turno. Será uma campanha de exclusão.

Fátima Bezerra (PT) flertou com a vitória no primeiro turno, mas terminou tendo 46,17% dos votos válidos e terá que enfrentar Carlos Eduardo Alves (PDT) no próximo dia 28.

Fátima montou um palanque pequeno com PHS e PC do B, colocando em risco seu êxito eleitoral para garantir espaços importantes na disputa proporcional. De uma forma ou de outra deu certo. A chapa dela elegeu Zenaide Maia (PHS) para o Senado e conquistou três vagas (sendo duas do PT) para a Assembleia e duas para a Câmara Federal.

Mas contra Fátima pesa a filiação partidária. O PT se lambuzou na lama da corrupção nos últimos anos despertando a ira popular. No entanto, é um partido em processo de recuperação política impulsionado pelos eleitores nordestinos, mas sempre sob desconfiança pelo passado recente muito embora Fátima Bezerra tenha passado ilesa no mensalão e petrolão.

Na outra ponta Carlos Eduardo, um legítimo representante da política tradicional. Membro da oligarquia Alves ele carrega consigo o peso de uma chapa distópica que reuniu as famílias Alves, Maia e Rosado desgastadas demais junto aos eleitores do Rio Grande do Norte.

Apesar dos 32,45 % de votos válidos, ele chega ao segundo turno cercado de aliados derrotados como José Agripino Maia (DEM), Garibaldi Alves Filho (MDB), Beto Rosado (PP) e Larissa Rosado (PSDB). Só um deputado federal foi eleito e a bancada da Assembleia Legislativa ficou aquém do esperado.

Carlos não é propriamente um político imune a escândalos nem sua família. Ele carrega um peso escondido representado na figura do ex-ministro Henrique Alves, seu primo.

A eleição do dia 28 será um plebiscito para saber quem é mais rejeitado no Rio Grande do Norte o petismo ou as oligarquias.

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Mais um partido anuncia apoio a Fátima

 

PSB fecha com Fátima (Foto: Elise Elsie)

O PSB do Rio Grande do Norte anunciou, na manhã deste sábado (13), apoio à candidatura ao Governo do Estado da senadora Fátima Bezerra (PT). O anúncio foi feito na sede do Diretório Estadual do partido, em Natal, pelo seu presidente, o deputado federal Rafael Motta, e contou com representações de 70 municípios.

“Apesar de existir um entendimento nacional entre os partidos, essa é uma escolha com motivações locais. Conheço Fátima e nós defendemos muitas bandeiras juntos, em Brasília. Além disso, a cada discussão interna, na legenda, o apoio à sua candidatura saia mais fortalecido. Os socialistas querem dar esse voto nela”, disse Rafael.

O deputado federal reeleito, que preside o PSB no RN, referiu-se às representações dos 70 municípios que foram pessoalmente ao partido manifestar apoio à Fátima Bezerra. São prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças municipais que chegam para somar na eleição da senadora como governador do Estado.

Fátima Bezerra disse que estava muito à vontade em caminhar ao lado do PSB. “Este partido tem uma história de luta em defesa da democracia. Temos muitas afinidades, muitas bandeiras em comum. Inclusive, já era para estarmos juntos desde o primeiro turno. O apoio do PSB fortalece a nossa caminhada rumo à vitória”, falou Fátima.

O anúncio contou com a presença da senadora eleita Zenaide Maia (PHS), dos deputados estaduais Ricardo Motta (PSB) e Carlos Augusto Maia (PCdoB) e do vereador de Natal Franklin Capistrano (PSB), além das lideranças dos municípios representados.

Nota do Blog: Fátima já recebeu os apoios da Rede, PSOL e do deputado estadual Vivaldo Costa (PSD). Sem contar inúmeros prefeitos com destaque para o de Caraúbas Juninho Alves (PSD).

 

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PT desiste de ser PT

Em 2016 o antipetismo estava no auge. Como bem lembrou hoje o jornalista Carlos Santos (ver AQUI) agremiação abriu mão do uso do vermelho e da estrela nas disputas municipais.

Após ressurgir das cinzas mesmo com seu maior líder preso por corrupção, o petismo conseguiu colocar no segundo turno um ex-prefeito fracassado no projeto de reeleição há dois anos.

É um feito e tanto, diga-se.

Foi Lula nestas condições que manteve o PT em condições de vencer as eleições presidenciais com uma tática que deu certo. Agora seu maior líder será escondido no segundo turno para que Haddad tenha mais identidade própria, mas o problema é que Lula e o PT são uma mesma entidade.

Mas como diz o sociólogo Jessé de Souza, a esquerda adora ser colonizada pela direita e o que faz o PT? Abre mão de sua própria identidade visual para se aproximar do centro como se cores e símbolos fossem determinantes na definição do voto.

O PT se deixou colonizar pelos bordões direitistas despejados nas redes sociais.

Não vai colar como não colou no fracasso eleitoral de 2016 que levou o agora candidato presidencial Fernando Haddad à derrota no primeiro turno em São Paulo.

O PT sucumbiu ao discurso daquele eleitor de Jair Bolsonaro que compartilha fake news no Whatsapp e adora bradar “a nossa bandeira jamais será vermelha”.

A maluquice do marketing do PT faz da chacota o assunto do dia quando na verdade o que realmente importa segue sem ser debatido deixando seu adversário já planejando o que fará quando sentar na cadeira de presidente.

Se o PT queria atender ao eleitor conservador deveria fazer o que ele exige há tempos: a moralidade na política e atender aos desejos da mídia de um pedido público de desculpas por escândalos de corrupção como mensalão e petrolão.

Escolher mudar de cor não vai resolver nada com um eleitorado que enxerga no petismo o inimigo a ser derrotado e encontrou em Jair Bolsonaro a representação do oposto ao que a agremiação prega, deixa de pregar ou o que dizem que ela prega.

O PT desistiu de ser PT sonhando em vencer a eleição, mas ganhou mesmo foi um motivo para servir de chacota.

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Isolda quebra tabu de 24 anos na política mossoroense

Depois de 24 anos um vereador de Mossoró se torna deputado

Ao se eleger deputada estadual a vereadora Isolda Dantas (PT) quebrou um tabu de 24 anos na política mossoroense. A última vez que um vereador de Mossoró se elegeu para a Assembleia Legislativa foi em 1994 quando Francisco José conquistou o feito.

O “irmãozinho” era filiado ao PFL e recebeu 14.377 em todo o Rio Grande do Norte.

Após 24 anos, Isolda foi eleita com 32.963 votos sendo 11.031 sufrágios em Mossoró.

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Mossoró terá um novo vereador em 2019

Diógenes será oposição forte contra Rosalba

Com a eleição de Isolda Dantas (PT) para a Assembleia Legislativa um novo nome desembarca na Câmara Municipal. O sindicalista Gilberto Diógenes (PT) finalmente realizará o sonho de ser vereador.

Ele é o primeiro suplente da coligação PT/PC do B nas eleições de 2016. Ele recebeu 899 votos naquele pleito.

Será um duro opositor da prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

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