A diferença de eficiência de Robinson na política e na gestão

Robinson conquistou o cobiçado apoio do PSDB
Robinson conquistou o cobiçado apoio do PSDB

A má administração de Robinson Faria (PSD) se materializa nos 75% de desaprovação apontada nas pesquisas. É um dado que mostra o tamanho da inviabilidade eleitoral do chefe do executivo estadual.

Não é para menos. A violência descontrolada, problemas na saúde e salários atrasados são as marcas da gestão do governador.

Só Robinson Faria e seus amigos acreditam que ele faz uma boa gestão.

Mas a caneta sem tinta para solucionar os problemas do Rio Grande do Norte não é a mesma para o político Robinson Faria. Na política ele é outro homem e estar no governo ajuda demais nisso.

Robinson poderia hoje ser um governador afastado. Sem dificuldades barrou o pedido que poderia lhe tirar das eleições deste ano. Deu um baile na Assembleia Legislativa.

A pré-campanha de Robinson tem sido muito melhor que a de seus adversários. Ele tem passado como um trator por cima de todos.

O PSDB era o partido mais disputado. Fechou com Robinson. Carlos Eduardo Alves (PDT) unifica as lideranças evangélicas em torno dele? Robinson desarticula o acordo e fecha com o deputado estadual Albert Dickson (PROS),

O gabinete do governador também se transformou num centro de peregrinação de prefeitos do interior. O trabalho é intenso para encurtar as distâncias entre ele e o eleitorado.

O governador ainda trabalha pesado para ter o apoio do PR de João Maia e do PP da prefeita Rosalba Ciarlini. O primeiro tem grandes chances de chegar ao esquema governista. A segunda tem a palavra dada ao ex-prefeito de Natal, mas tudo pode mudar nos próximos dias em virtude da necessidade de garantir a reeleição do sobrinho Beto Rosado.

O governador vai tendo as principais conquistas políticas neste período e chega as convenções numa situação bem menos ruim do que a sua antecessora, Rosalba Ciarlini, outra campeã de impopularidade, há quatro anos.

Já pensou se a caneta eficiente na política fosse a mesma na gestão?

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Possível desistência de Agripino é uma questão de sobrevivência política (e jurídica)

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O ano de 2018 é fundamental para a tradicional elite política do Rio Grande do Norte. Há um forte odor de aposentadoria para vários nomes que estão no comando do Estado desde a década de 1980. É um ciclo natural que um dia a democracia termina por impor.

O caso mais emblemático é o do senador José Agripino (DEM). Ele nunca soube o que é estar por baixo em termos políticos. Começou a carreira política em 1979 alinhado com a ditadura militar sendo nomeado prefeito de Natal pelo primo e governador de então Lavoisier Maia.

Em 1982, beneficiado pelo voto vinculado, impôs uma derrota acachapante de quase 107 mil de maioria sobre o lendário Aluízio Alves. Um dos governadores mais jovens do país ele ajudou a fundar a Frente Liberal que abriu dissidência no PDS e deu o tiro de misericórdia no regime dos fardados.

Agripino ainda foi eleito senador em 1986 e governador novamente quatro anos depois. Desde 1994 se reelege seguidas vezes ao Senado sem grandes dificuldades. Mas isso provoca desgaste e a reeleição dele está ameaçada como nunca esteve em 2018. A realidade impõe o recuo que muitas vezes é necessário.

Agripino nunca soube o que é ficar por baixo. Para uma carreira vitoriosa como a dele ir para a Câmara dos Deputados é uma derrota para o ego e um êxito para a razão.

Trata-se de um recuo estratégico e necessário que outros políticos fizeram no passado e vão fazer também nessas eleições.

Acima da vaidade está a sobrevivência. Agripino precisa de um mandato federal não só para seguir na política com alguma influência, mas também para manter os benefícios do foro privilegiado. Ele está réu em dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF) e caso fique sem as vantagens que o mandato lhe confere ele fica nas garras dos rigores dos juízes de primeira instância.

A hipótese dele desistir da reeleição é real? O próprio Agripino diz que sim. Pelo menos é o que fica nas entrelinhas da declaração oficial enviada pela Assessoria de Imprensa do Parlamentar:

 “O que está em cogitação são apoios de novos partidos à candidatura de Carlos Eduardo. Isso abre negociações em torno da chapa. Essa negociação é que está sendo cogitada”.

O altruísmo de Agripino para garantir a eleição de Carlos Eduardo Alves (PDT) ao Governo do Estado soa comovente aos amigos do senador. Mas imaginemos o que pensaria um potiguar que entrou em coma em 1998 e acordou em coma e acordasse com essa informação? Certamente ele cairia numa crise de risos e voltaria ao coma. Um Maia se “sacrificar” por um Alves no RN?

De fato, as rivalidades ficaram no passado, mas Agripino estaria dando um passo considerável para ao menos provisoriamente deixar a condição de líder para liderado.

Na prática o que está em jogo é a sobrevivência de uma das principais lideranças políticas do Rio Grande do Norte. Na Câmara dos Deputados ele ganha os mesmos direitos de um senador. Pelo menos em termos de prerrogativa de foro.

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O fracasso (até aqui) das candidaturas empresariais

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No Rio Grande do Norte os últimos meses foram marcados por muita especulação com pitadas de balão de ensaio. Os empresários andaram se empolgando para entrar na política, mas os projetos naufragam antes mesmo das convenções.

O “Rei do Melão”, Luiz Roberto Barcellos, ensaiou ser candidato ao Senado. Contratou pesquisa, ocupou muito espaço na mídia e conversou com todos os políticos. No final descobriu que a empresa dele precisa de seu dono presente.

Empresário vitorioso e bem votado nas eleições de 2016 para prefeito de Mossoró, Tião Couto tem visto na prática a política como ela é. Estamos a uma semana do fim da janela partidária e ele não conseguiu um partido nem definiu um projeto para 2018.

Outro que se saracoteia para virar político é Marcelo Alecrim. Até aqui o máximo que conseguiu foram muitas fotos com o pré-candidato a presidente da república Flávio Rocha.

A exceção, pelo menos na ótica de quem enxerga a política a partir de Mossoró, é Jorge do Rosário. Desde o final do ano passado ele está focado na candidatura a deputado estadual e tem se movimentado bem nesse sentido.

O fracasso (até aqui) das candidaturas empresariais é uma prova do quanto a política é complexa. Se fossemos nos basear na lógica simplista de que o dinheiro resolve tudo na política eles já teriam dominando o Rio Grande do Norte e aposentado as lideranças tradicionais.

Não basta ter só dinheiro. Tem que ter voto e para ter isso é preciso construir uma história.

Os fracassos (até aqui, repito) tem que servir de lição para os endinheirados entenderem que para vencer disputas majoritárias não é só chegar e descarregar um caminhão de dinheiro nem ficar tirando fotos em jantares chiques. Tem que sentir cheiro de povo!

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