Qual a situação de Rosalba em relação à Operação Candeeiro que investiga desvios de R$ 35 milhões no IDEMA em números atualizados?

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Uma coisa é ponto pacífico no que foi divulgado até hoje a respeito da Operação Candeeiro: durante o governo Rosalba Ciarlini foram desviados R$ 35 milhões (números atualizados) do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA).

Isso quer dizer que ela está envolvida com o escândalo? Não necessariamente. O que se sabe até o momento é que o então presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta, seria o beneficiário do esquema desbaratado em 2 de setembro de 2015. Ano passado, Motta chegou a ficar seis meses afastado do mandato e proibido de pôr os pés no parlamento estadual. Ele acabou sendo liberado porque os seus pares se aproveitaram-se de uma brecha concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu que cabe ao legislativo decidir pelos afastamentos dos parlamentares.

Mas o que há contra Rosalba Ciarlini? O Blog do Barreto apurou junto ao Ministério Público que o processo se encontra em sigilo. Não veio à tona nada contra a “Rosa de Mossoró”. Nem dela nem de um senador e dois deputados federais cujos nomes jamais foram revelados.

Existem delações vazadas de Gutson Reinaldo, personagem central nas investigações, que está sob sigilo. A delação de Rita das Mercês, mãe de Gutson, também é sigilosa, mas em nível de Ministério Público Federal.

Há duas versões sobre a delação de Gutson Reinaldo. Numa delas, em 2016, ele inocenta tanto Rosalba quanto Carlos Augusto Rosado, marido da atual prefeita de Mossoró. “Nunca tratei sobre nada ilegal com o casal”, alegou.

Gutson depoimentoNa mais recente, em junho do ano passado, Gutson traz uma outra versão: a de que recebeu “sinal verde” de Carlos Augusto Rosado para seguir com o esquema no IDEMA beneficiando Ricardo Motta.  Eis o trecho em que o delator muda o depoimento ao relatar a permanência dele no cargo após o rompimento do então vice-governador Robinson Faria com Rosalba: “QUE um dia depois da primeira reunião com RICARDO MOTTA, o colaborador foi a uma reunião com CARLOS AUGUSTO ROSADO, marido da então Governadora ROSALBA CIARLINI, na qual foi confirmada a continuidade do colaborador no IDEMA/RN; QUE, na ocasião, CARLOS AUGUSTO ROSADO deu “sinal verde” para que o colaborador atendesse aos interesses financeiros e arrecadatórios de RICARDO MOTTA”.

Resumindo: não se sabe o conteúdo do depoimento de Rita das Mercês nem se ela menciona algum envolvimento do casal mais poderoso de Mossoró nos desvios do IDEMA.

A Operação Candeeiro apura desvios de R$ 19 milhões que em números corridos chegam atualmente a R$ 35 milhões segundo o Portal Agora RN.

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Matéria requentada ou não, a “arma do crime” foi apresentada e compromete Robinson

Ritinha com grana

Há quase 15 anos quando entrei numa redação de jornal pela primeira vez ouvi do saudoso “Vovô”, figura lendária de O Mossoroense, o seguinte conselho: “Para uma matéria ser boa tem que ter ‘quem matou, quem morreu e a arma do crime’”.

Sábias palavras.

Ontem o Fantástico “requentou” as informações das operações Dama de Espadas e Candeeiro, que já foram exploradas em outras edições do programa. Mas faltava a “arma do crime”, fundamental para dar consistência ao assunto. Esse assunto foi resolvido com as imagens apresentadas. O quebra-cabeça recebeu a peça midiática em falta.

Era preciso fazer o que no jornalismo chamamos de suíte, que é o desdobramento de uma matéria anterior trazendo fatos novos. A matéria requentada precisava de um contexto e ele foi apresentado.

E qual era o fato novo? O vídeo. Na época da Operação Anteros (agosto de 2017) já se sabia da existência de um vídeo provando que o governador Robinson Faria (PSD) estaria comprando o silêncio de Rita das Mercês Reynaldo, a “Ritinha”. A gravação jogaria por terra a versão de que os R$ 5 mil mensais pagos à ex-procuradora poderosa da Assembleia Legislativa seriam referentes ao aluguel de um imóvel dela para Adelson Freitas dos Reis, o “Zé Bonitinho”.

O dinheiro e o diálogo dele prometendo a proteção do governador à “Ritinha” e familiares é uma bomba nos planos do governador que ainda delirava achando que poderia ir para a reeleição em condições de competitividade.

A “arma do crime” está apresentada e é devastadora tornando Robinson Faria um zumbi político que vaga pela Governadoria se apegando ao foro privilegiado para não ser preso.

Se largar o governo para tentar uma possibilidade para seguir na política elegendo-se para um cargo legislativo, ficar no Governo até 31 de dezembro pode ser o único meio para evitar o reencontro com o adversário das eleições de 2014, Henrique Alves, na cadeia.

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