Spray de pimenta nos servidores não é refresco para o governador

Confronto com servidores é o pior caminho para Robinson (foto: Mídia Ninja)
Confronto com servidores é o pior caminho para Robinson (foto: Mídia Ninja)

O básico do beabá para quem vai governar o Rio Grande do Norte é: não entre em confronto com os servidores públicos. O case tem base histórica na gestão de Geraldo Melo (1987/91) cujo massacre aos barnabés até hoje está na memória de qualquer pessoa com mais de 40 anos de idade.

 

A hoje prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP) amarga essa lição (infelizmente não aprendida vide a relação dela com os servidores municipais) e não teve sequer condições políticas de tentar a reeleição em 2014. Beneficiário dessa situação, o governador Robinson Faria (PSD) não compreendeu que a arma (o desgaste de Rosalba) que liberou o caminho para ele ser candidato ao Governo do Estado em condições de vitória poderia lhe atingir.

 

Agora Robinson repete Geraldo e Rosalba e trata os servidores da saúde e os professores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) com total desrespeito e inabilidade. O episódio do spray de pimenta (ver vídeo abaixo) é apenas mais um episódio dessa tragédia materializada em governo.

A gestão de Robinson se encontra com a de Geraldo e Rosalba em mais um aspecto degradante junto ao servidor: o atraso dos salários. Geraldo ainda é o campeão nessa modalidade de massacre porque além de atrasar ainda está viva na memória dos barnabés (e filhos) mais antigos de Natal e Mossoró as idas ao finado Machadão e ao ruinoso Noguerão para receber os pagamentos com a desagradável companhia do sol quente. Rosalba tem um atenuante: atrasou os salários de menos de 10% dos servidores e nunca depois do dia 10 do mês subsequente. Não chega a ser algo meritório, mas faz hoje alguns sentirem saudades que beiram a síndrome de Estocolmo (afeição ao algoz). Robinson piorou em relação a antecessora. São mais de 20 meses consecutivos sem pagar salários em dia.

 

Agora, Robinson chega aonde nem Geraldo nem Rosalba chegaram: a agressão física aos servidores. Além do spray de pimenta, na noite que antecedeu o feriado de 15 de novembro ele chegou ao requinte de crueldade de cortar a energia deixando os manifestantes no escuro.

 

O governador age como um pequeno ditador autoritário incapaz de lidar com o mínimo contraditório e insensível à luta dos servidores que querem apenas o direito de receber salários em dia. O gesto dele lembra um caloteiro que manda prender o credor pelo ato da cobrança.

 

Tivesse o mínimo de apreço aos servidores Robinson teria aberto as portas de seu gabinete no primeiro dia da manifestação nem que fosse para dizer que não tem dinheiro para colocar os salários em dia. O respeito seria mantido e a porta estaria aberta para um entendimento, mas parece que o básico da política (o diálogo) só serve para categorias que realmente importam como os servidores da segurança que antes de cruzarem os braços tiveram os salários colocados em dia.

 

O confronto é o pior dos caminhos, governador. Spray de pimenta nos servidores não é refresco para o governador.

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Servidores ocupam Prefeitura em protesto contra salários atrasados

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Revoltados com os salários atrasados, servidores municipais revoltados ocuparam o Palácio da Resistência em protesto. O Objetivo é cobrar satisfação do prefeito Francisco José Junior (PSD).

A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SINDISERPUM) explicou que a gota d’água foi o decreto assinado pelo prefeito que estabelece que os salários de dezembro serão pagos em janeiro. “Ele modificou o calendário de pagamento sem nenhuma discussão e o servidor vai ficar novamente as festas de fim de ano sem salários”, frisou.

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TJ analisa ação que obriga Estado a pagar em dia

O Julgamento da ação movida pela ADUERN- Associação dos Docentes da UERN –  que exige que a remuneração dos professores e professoras da universidade seja realizada até o último dia do mês trabalhado, será julgada no dia 21, próxima quarta-feira.

De acordo com Lindocastro Nogueira, assessor jurídico da ADUERN, essa será uma decisão definitiva, pois será proferida pelo plenário dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do RN. Na oportunidade, os juristas irão se pronunciar sobre a ilegalidade dos atrasos nos pagamentos dos vencimentos pelo governo do Estado.  Esses atrasos vêm ocorrendo desde o mês de fevereiro desse ano, com dias de atraso sendo ampliado a cada mês. Se a decisão for favorável aos docentes, o Governador pode até ser responsabilizado pessoalmente em caso de novos atrasos.

Lindocastro afirmou ainda que a ação tem base o que dispõe o artigo 28 § 5º  da Constituição do Estado do RN, que expressamente afirma que “ Os vencimentos dos servidores públicos estaduais, da administração direta, indireta, autárquica e fundacional são pagos até o último dia de cada mês, corrigindo-se monetariamente os seus valores, se o pagamento se der além desse prazo”.

A Diretoria da ADUERN e a assessoria jurídica estarão presentes na audiência em Natal e convidam toda a categoria a acompanhar a decisão dos desembargadores, a partir das 8h da quarta-feira. Lindocastro Nogueira destaca que há a possibilidade do julgamento não se encerrar no dia 21, caso algum dos juristas peça vistas para reavaliar o processo.

Precedente

Embora outros sindicatos também tenham entrado com ações judiciais contra os atrasos,  Lindocastro explica que esta será a primeira decisão de plenário sobre o tema.  Ele acredita que a decisão dos desembargadores vai criar um precedente jurídico que impactará as demais determinações sobre o tema. O assessor reitera que  no caso específico da ação da ADUERN, a exigência é de que os vencimentos sejam pagos até o último dia do mês trabalhado e não com o ressarcimento dos dias atrasados através de juros ou correções monetárias.

Texto: assessoria de comunicação da ADUERN

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