Chico Rodrigues nunca foi flor que se cheire e Bolsonaro sabia disso

Chico Rodrigues e Léo Índio, sobrinho do presidente: uma mão lava a outra - Reprodução/instagram
Primo dos filhos de Bolsonaro, Léo Índio, é assessor de Chico Rodrigues (Foto: redes sociais)

Por Thaís Oyama

O ex-deputado com quem o presidente Jair Bolsonaro disse ter “praticamente uma união estável” está há quase quatro décadas na vida pública, mas só se tornou nacionalmente conhecido em 2006, quando o jornal O Globo revelou que parlamentares usavam notas fiscais falsas emitidas por postos de gasolina para embolsar a verba destinada ao pagamento de combustível, num esquema que gerou um prejuízo de 41 milhões de reais aos cofres públicos em valores da época.

O então deputado pelo PFL foi o campeão de gastos. Na ocasião, ele admitiu apresentar notas frias de até 30 mil reais por mês para “cobrir outras despesas” para as quais não tinha recibo. Chico Rodrigues já passou pelo PMDB, PTB, PPB, PTB, PSB, PSDB e atualmente está no DEM, onde já havia estado antes.
O atual vice-líder do governo no Senado, doravante conhecido por epíteto impublicável, foi vice-governador e governador de Roraima, onde era famoso pelo gosto de viajar às custas dos cofres públicos. Eleito senador em 2018, levou o hábito para Brasília. Nos seus primeiros nove meses de mandato, visitou seis países, sempre subsidiado pelo contribuinte.

Esteve no Canadá, Cazaquistão, China, Argentina, Itália e Israel – neste último, foi acompanhando o presidente Bolsonaro, cujo sobrinho, Léo Rodrigues de Jesus, abrigou em seu gabinete como assessor parlamentar. Léo Índio, como é conhecido, é próximo de Carlos Bolsonaro, com quem chegou a morar.
Chico Rodrigues tem um extenso currículo de maus serviços prestados à Roraima e à nação.
Em 2014, teve o mandato de governador cassado pela Justiça, condenado por gastos ilícitos na campanha para governador de 2010. Com isso, virou ficha-suja e tornou-se inelegível por oito anos. Em setembro de 2018, no entanto, um mês antes das últimas eleições, foi salvo pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, que deferiu o seu registro de candidatura por considerar que o prazo de sua inelegibilidade terminaria quatro dias antes do primeiro turno.
O senador Chico Rodrigues é ainda réu em uma ação penal que investiga apropriação de dinheiro público na liberação de emendas parlamentares para um projeto de plantio de café que nunca existiu.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal de Roraima quando Rodrigues era ainda deputado federal. Ele foi acusado de embolsar, junto com seu irmão, o dinheiro de emenda parlamentar supostamente destinada a um convênio firmado entre o Ministério da Agricultura e a Prefeitura Municipal de São Luiz do Anauá.

O caso do café está parado, mas o da farra das notas frias já foi encerrado, e terminou em pizza.
No mesmo ano de 2006, a Mesa Diretora da Câmara decidiu pelo arquivamento da investigação contra Rodrigues, acatando parecer do corregedor-geral que alegou não ver quebra de decoro por parte do parlamentar. O corregedor-geral era o então deputado Ciro Nogueira, hoje senador, expoente do Centrão, padrinho da indicação de Kassio Marques para o STF, ex-colega de partido de Bolsonaro e, como Chico Rodrigues, dileto amigo do presidente.
Nem num cenário em que as piadas invadem a realidade existem virtuosos entre ladrões.
Jair Bolsonaro não vai dar voadora nenhuma em ninguém.
Jair Bolsonaro não está nem aí para o decoro.

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