Vale a comparação sim

Ontem o prefeito Francisco José Junior (PSD) comparou a gestão dele com as da ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP). Houve uma reação nas redes sociais provocada muito mais por conta da impopularidade dele e pela falta de memória do povo.

Por que não podemos comparar as gestões? Rosalba não é e nunca foi uma gestora só de acertos. Ela foi prefeita em três oportunidades: (1989/93, 1997/2001 e 2001/2005). Qual o grande legado dela? Cidade Junina e a UPA do Alto de São Manoel. A primeira não se trata de uma obra estruturante, mas de um evento importante que movimenta a economia durante um mês, mas que até hoje (20 anos após sua criação) divide opiniões. O segundo é uma verdadeira revolução na área da saúde muito antes do presidente Lula implantar o sistema no país.

É pouco para quem acumulou 12 anos a frente do poder sendo que gerenciou a cidade em oito anos de bonança e foi a primeira prefeita a contar com o plus dos royalties do petróleo que passou a pingar na conta do município a partir de 1997.

Enquanto prefeita, a ex-governadora teve a maior oportunidade para preparar Mossoró para esse momento em que vivemos e que era previsto na época: estagnação da produção do petróleo, crise no sal e êxodo dos fruticultores.

A propalada “Mossoró do Futuro” nunca passou de peça de marketing. A mão-de-obra para o petróleo, por exemplo, sempre precisou ser importada deixando os cargos menores para os mossoroenses.

Industria. Qual foi a única atraída na “Era Rosalba”? A Porcellanati. Esse era o legado deixado para a sucessora Fafá Rosado que nunca se tornou o símbolo de um sonho. Até hoje é uma história mal explicada.

Outro tema importante: o transporte público. É um problema até hoje difícil de resolver e que até hoje vive travado num nó causado pela própria Rosalba que implantou os táxis lotação e mototáxis.

Rosalba além de governar num período de bonança manteve demandas reprimidas como a municipalização do trânsito e a implantação da Guarda Municipal.

Qual a obra estruturante da gestão dele que gerou uma alternativa na economia de Mossoró? Numa delas, a duplicação da Avenida Lauro Monte Filho, foi necessário fazer duas vezes. Isso mesmo. A obra realizada em 2003 durou poucos meses e foi necessária a reconstrução no ano seguinte gastando duas vezes recursos públicos.

Naqueles tempos eu era estagiário em O Mossoroense e praticamente morava na Zona Rural fazendo matérias sobre falta de abastecimento (essa é a uma demanda das Prefeituras).

Nos tempos de Rosalba havia greves, crises e perdas. Mas ficou uma boa impressão no imaginário provocado por um marketing bem feito e numa época em que não havia redes sociais e a internet não era democratizada.

Daria para ficar um dia inteiro escrevendo esse texto para mostrar falhas da gestão rosalbista somente na Prefeitura de Mossoró. A comparação dela com qualquer gestor pode e tem que ser feita sim. Não existe política sem debate e em breve teremos a oportunidade mostrar que o mito é desproporcional aos fatos.

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