Vereadores exageram na dose para enquadrar o rosalbismo

Vereadores escolhem travar orçamento para pressionar prefeita (Foto: Edilberto Barros/PMM)

Sempre fui crítico ferrenho da postura subserviente da bancada governista que converte a Câmara Municipal de Mossoró numa espécie de “secretaria de assuntos legislativos” termo consagrado pelo mestre Emery Costa.

Até considero legítimo alguns dos motivos que levaram os vereadores governistas a se sentirem insatisfeitos. São requerimentos ignorados, humilhações nos bastidores e espaço reduzido dentro da administração.

O rosalbismo sempre tratou os edis com desprezo, mas os tempos são outros.

O gado governista decidiu se rebelar juntando-se a oposição numa manobra que aparentemente é em nome da transparência, mas que se ocorrer na prática travará o orçamento da Prefeitura de Mossoró em 2019.

Segundo noticiado ontem pela jornalista Carol Ribeiro (ver AQUI) qualquer remanejamento orçamentário teria que ter autorização da Câmara Municipal. Ter 100% das mudanças de rubricas necessitando do carimbo do legislativo é um exagero porque trava e burocratiza a já pesada e lenta máquina pública.

Citarei uma circunstância fictícia para facilitar o entendimento: a Prefeitura tem R$ 300 mil sobrando no orçamento da iluminação pública num contexto (hipotético), um setor que está funcionando bem, aí precisa retirar R$ 100 mil para a pavimentação afetada pelas fortes chuvas do mês de junho. Imagine a Prefeitura tendo que fazer um projeto de lei, enviar para Câmara e ter de aguardar os oito dias para votações em pedido de urgência. Só aí se perdem vários dias para resolver um problema que se solucionaria apertando um botão.

É lógico que o remanejamento precisa ser limitado. No meu entendimento 10% é suficiente para atender as demandas simples e corriqueiras da gestão pública. O que não pode é termos os 25% de anos anteriores e é isso que sempre critiquei.

A prefeita Rosalba Ciarlini (PP) está perdendo uma excelente oportunidade de tornar público um debate sempre polêmico num momento em que a razão está com ela.

Mas pelo visto a gestão municipal deixará a opinião pública de fora por entender que basta vetar e negociar com os vereadores governistas a manutenção do veto.

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Reportagem especial

Canal Bruno Barreto