A Metrópole do Futuro se reencontra com o passado

veja-mossoro-28Setembro de 2010, Mossoró aparece como uma das 20 Metrópoles do Futuro em uma reportagem caça níquel da Revista Veja. Eram as cidades de médio porte com potencial para o desenvolvimento.

A matéria sobre Mossoró, apesar do tom festivo, alertava em seu título: “A saída é o pós-sal”. O “Leão do Nordeste”, conforme a legenda, não rugiu e virou um gatinho preguiçoso que ignorou a dica da Revista Veja.

Na época a capital do Oeste vivia um boom imobiliário, a Petrobras ainda tinha forte presença e as universidades eram pujantes. De tudo sobrou apenas a força conjunta da UERN, UFERSA e instituições de ensino superior privadas, além do sal e suas oscilações provocadas pelo clima.

A então prefeita Fafá Rosado (na época no DEM) torrou alguns milhares de reais do erário em propaganda anunciando a “Metrópole do Futuro”. O problema é que o futuro chegou e nós estamos na verdade retrocedendo ao passado, reforçando a máxima de vivemos na “Cidade do Já Teve”.

Em 2010, por exemplo, os pedintes não eram tão comuns como hoje nas calçadas do Centro de Mossoró. Mas temos outros exemplos: o turismo nunca se desenvolveu como prometido. Nosso aeroporto a cada ano reduz seus status junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Quer mais? As agências do Banco do Brasil fecham as portas nos finais de semana (somente a da Praça Vigário Antônio Joaquim disponibiliza os caixas).

Hoje não temos futuro porque a violência nos coloca num ambiente primitivo onde a força da lei não tem qualquer valor. A Petrobras reduziu investimentos e prepara o caminho para deixar não só Mossoró, mas o nosso Estado.

Na época da histeria futurista parcas vozes sensatas alertaram que a propaganda oficial era apenas ufanismo porque Mossoró não estava se preparando para ser metrópole de nada e o crescimento não passava de uma bolha prestes a estourar. Não era para menos: não existia, como não existe hoje, obras de infra-estrutura.

O problema é que a bolha explodiu da pior forma possível com a violência e retrocesso econômico. Sete anos depois Mossoró falhou por não ter tido a capacidade de ser discutida e planejada. A classe política se acomodou na abundância e não pensou em alternativa. Lembro que na época raros nomes falavam em pensar a cidade para o futuro.

Hoje a cidade paga um duro preço por ter se rendido ao oba oba institucional. A sociedade mossoroense insiste em repetir os mesmos erros ao não se mobilizar. Parece preferir se entregar ao engodo da propaganda oficial.

A “Metrópole do Futuro” voltou ao passado.

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